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sábado, 4 de abril de 2026

Páscoa com um mundo sem Paz

 




via Instagram



Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos


Sophia de Mello Breyner Andresen in Dual (1972) 


G-S

04.04.2026

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Faça-se luz e alegria ! Bem vindo Novo Ano !

 



Google Images Archive


"Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janella para o começo das estrellas, meus sonhos vão por accordo de rythmo com distancia exposta para as viagens aos paízes incognitos, ou suppostos ou somente impossiveis."


Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 
Tomo I, Ática, 1982


Mais um ano que me pôs à prova. Um ano que, no meio da aflição, lágrimas, ansiedade geradas pela incerta e aflita saúde de familiar bem próximo, me deixou exposta ao desespero, ao pavor da perda.


Mas tento sair de tudo isto com esperança e fé. A esperança que a saúde se recupere lentamente, mas com solidez. 


Agradecimento infinito aos que nos apoiaram, me abraçaram, me consolaram.  


Afectos meus. Tudo vai continuar a correr bem. Devo pensar assim.


Comparável a um raio de sol que fura a nuvem cinza cor plúmbea, e não me engana neste desejo do fundo da alma que tudo fica bem. 


Faça-se luz em meu redor ! E a alegria regresse. E o sorriso se faça nos meus olhos.


Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva...

(...)


Álvaro de Campos, Se eu pudesse trincar a terra toda

in O Guardador de Rebanhos), ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 55


Feliz Ano 2026 para todos os que passem por aqui e para algum amigo virtual que não me tenha esquecido.


G-S

Fragmentos Culturais

31.12.2025

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sábado, 8 de abril de 2023

Páscoa, assim tão repentinamente !



 


Spring Flora
Painting: Georgina Hoby Scutt



E o prenúncio de Primavera adentrou-se. Páscoa veio fresca, luminosa, cheia de vontade de brilhar.

Os sentimentos ficaram mais leves. Esquece-se a mágoa de tempos dificeis. Abriu-se  o azul lá no alto. E os desejos de uma Páscoa serena. Mesmo que seja por um dia.

A dor, a perda, apertam o coração de tantos! Lugares vazios. Sabemos. Mas queremos olvidar. Nem que seja por um dia.


Basta um dia de sol. A vida é o hoje. Em véspera de domingo de Páscoa, sublimamos, os anseios, as preocupações, os medos. E sorrimos. Nem que seja por minutos. 

Atravessámos dias inundados de medo(s). E a Primavera avança. As gaivotas citadinas rumam ao mar. E os pássaros aproximam-se devagar, devagarinho.

A Páscoa é um sentimento que envolve o coração da Humanidade. Bem no seu íntimo. E o desconforto esconde-se. É tempo de esperança?!


"Never forget!
We walk on hell, 
gazing at flowers"

Kobayashi Issa 小林一茶 

G-S

Fragmentos Culturais

08.04.2023
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Um mundo que não nos merece !

 



credits: Ben_Kerckx

Pixabay Licence


Olho inquieta e estupefacta as imagens que nos chegam dali tão perto de nós, europeus. 

E sentimos nessas imagens que as redes sociais nos vão transmitindo, a cada segundo, a determinação de um povo que corre em auxílio de seu país. E que o abandona para salvar as suas crianças.

As mulheres ucranianas com um misto de beleza, e de sensibilidade são as que hoje saem do seu país, com os filhos a tiracolo, ou agarrados às saias. E resistem a lágrimas que inundam os olhares de mar. 

Os homens, esses,  autênticos guerreiros, heróis corajosos de uma guerra inútil, resistem melhor às armas que não ao coração. 

Uns e outros sabem que pode ser a última vez. A última vez que se tocam. A última vez que se olham. A última vez que ouvem o choro, que abraçam contra o peito, aqueles que no futuro serão os filhos de pais adiados.

Os heróis, afinal, são eles que ficam. E as heroínas, elas que partem com os filhos. As crianças, essas, ficarão para contar uma história que vivem e que as marcará para a vida. 

Umas, revoltar-se-ão para sempre. Outras, crescerão cimentando as cicatrizes de um mundo eslavo, milenar, nunca cicatrizado e eternamente adiado.

E nós? Pedimos Paz, Paz, Paz. Não matem os civis, homens, mulheres e crianças. E suplicamos. Fim da Guerra. 

Juntos, solidários, com um povo corajoso que está a ser invadido, que sofre. Mas que resiste. E resiste!

Todos queremos Paz. E essa energia é irresistível. Por isso somos tantos aqui e por todo o mundo. 

 Não, isto nunca poderia acontecer em pleno Sec. XXI. 


"Como se através de uma janela aberta num quarto abafado soprasse de repente um ar fresco do campo, assim também soprou, no abatido estado-maior de Kutúzov, a mocidade, a energia e a convicção da vitória que vinham daquela juventude radiosa que chegara a galope."

Leon Tolstói, Guerra e Paz


G-S

28.02.2022

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Natal : Esperança ! E acontecerá !





credits: Ideal Home

"Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Era gente a correr pela música acima.

Uma onda uma festa. Palavras a saltar."(...)


Manuel Alegre, Natal


Questiono-me. Como se deseja Boas Festas quando vivemos uma época natalícia, de novo, em afastamento familiar e social? E como se retribui, quando alguém nos envia votos de Feliz Natal

Feliz Natal? Bom Natal? 

Talvez Santo Natal, no sentido de Sereno Natal! É necessário passar uma mensagem de serenidade, positividade. A vida tem ainda o Sol que brilha quando as nuvens cerradas transformadas em lágrimas de chuva se afastam.

Reforçar o optimismo, é preciso. Não é fácil. Mas é possível. Mau grado, o Inverno tormentoso, aqui na nossa parte do mundo. Mas as nuvens, o frio, o cinzento bréu fazem parte do nosso ciclo de vida. 

Protejam-se da tristeza! Mantenham a esperança, mesmo que pequenina. Novos tempos virão... 

Talvez a maneira mais positiva de expressar os votos, nos tempos que agora vivemos:

Sereno Natal para todos nós !


"Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).

Todo o tempo num só tempo: andamento

de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia." (...)


Manuel Alegre, Natal


G-S

Fragmentos Culturais

24.12.2021

Copyright © 2021-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Crónica cultural de uma pandemia !






Sala Suggia
Casa da Música
créditos: © Casa da Música


É bom voltar a falar de cultura. Tempo infinito sem cultura. Ao vivo. Música, senti imenso a falta. Nada se  compara a um concerto live

Cinema? Sempre se iam vendo alguns filmes via televisão. Mas não comparado como um grande ecrã, aquele som fabuloso. E a magia de uma sala de cinema.





Salas de cinema
créditos: Zoltan Balogh/ LUSA


Sempre que podia, lá estava eu. Numa sala de concerto ou de cinema. Perdida em mim, desfazendo-me do quotidiano. A música, o cinema transmitem-me bem estar, intimidade, refazer da alma. 


A pandemia veio coartar-nos das melhores coisas da vida. Um tempo sem cultura. Cinema? Poucos filmes e nada de interessante, depois de Nomadland e The Father. Excepcionais. 


Concertos na Casa da Música? Apenas voltei para um concerto. Há talvez dois meses. Fui ouvir Orquestra de Jazz de Matosinhos : What's This? Como convidados, Perico Sambeat e Ricardo Toscano (Saxofone alto) no dia 5 Junho. Quanto tempo!




"Sem a música de Ornette Coleman o jazz tinha sido outra história. A partir do momento em que lançou os seus álbuns revolucionários The Shape of Jazz to Come e Free Jazz, em 1959 e 60, um mundo novo de possibilidades se abriu."

Com direcção musical de Pedro Guedes, Perico Sambeat e Ricardo Toscano em saxofone alto, o programa foi dedicado inteiramente à música de Ornette Coleman, com arranjos de Carlos Azevedo, Telmo Marques, Ohad Talmor e Guillermo Klein.




Orquestra Jazz Matosinhos : Ornette : What Is This ?
© GS

Senti uma enorme tristeza em ver a Sala Suggia tão vazia! E o palco tão despido de músicos. As condições sanitárias assim o exigiam.

Pese embora essa situação, o público presente foi basntante caloroso. 






Perico Sambeat, confesso, não conhecia. E adorei as suas interpretações. Considerado um dos mais importantes músicos espanhóis da actualidade, com um enorme prestígio e uma extraordinária carreira internacional. Mas não conhecia.




Orquestra Jazz Matosinhos : Ornette : What Is This ?
© GS

Rodrigo Toscano, mais fogoso, bem mais free style. Mas, não há dúvida que me senti mais próxima de Perico Sambeat!

Adoro saxofone, Mas prefiro a sonoridade do saxofone baixo, mais quente, mais intimista. Gerry Mulligan, Ben Carter, e Ben Webster entre meus favoritos. Sobretudo Ben Webster. Incluidos em The 50 Best Jazz Saxophonists of All Time




Orquestra Jazz Matosinhos : Ornette : What Is This ?
© GS

"A extraordinária imaginação melódica e rítmica de Ornette Colman pedia uma liberdade que precisava de explorar outros caminhos, e a verdade é que a sua musicalidade assume toda a negritude que o jazz transporta desde as raízes." 





Orquestra Jazz Matosinhos : Ornette : What Is This ?
© GS

A Orquestra Jazz de Matosinhos encontrou-se com a música deste grande mestre do jazz e propõs um conjunto de novos arranjos para temas na intensa expressão musical dos solistas. Como convidados, dois saxofonistas de excepção. Sem dúvida. 

Uma noite nostálgica e sedenta dos bons concertos de jazz que ouvira, ao longo dos anos, na Sala Suggia da Casa da Música. 

Quanta saudade desses belos momentos a que veio por cobro a pandemia. Por largos meses. Mais de um ano. Lembranças musicais inolvidáveis.




César 2021
Affiche Académie des Arts & Techniques du Cinéma
crédits: © Lira Films / Sonocam / Fida Cinematografica / 
Collection ScreenProd / Photononstop

E cinema? Bom voltar a falar de cinema em sala própria. Escrevi sobre cinema a propósito de Les Césars 2021. Um belíssimo cartaz! Dois actores inolvidáveis, já desaparecidos. Romy Schneider e Michel Piccoli

depois, sobre a Cerimónia dos Oscars 2021. Exprimi a minha enrome decepção. Apenas recuperada pela entrega de Oscars a dois prometedores filmes. Nomadland e The Father. Hsitórias enriquecedoras, bandas sonoras de qualidade, actores excepcionais. 





The Courrier
Dominic Cook,2020

Depois desses dois filmes, nada de interessante. Até chegar à estreia desse esplêndido filme, The Courrier, traduzido como O Espião Inglês, baseado em factos reais. 






O Espião Inglês, baseado na verdadeira história do empresário britânico Greville Wynne, interpretado por Benedict Cumberbatch. O britânico que ajudou Secret Intelligence Service (MI6) a penetrar no programa nuclear soviético durante a Guerra Fria.






The Courrier
Dominic Cook,2020

Wynne e sua fonte soviética, Oleg Penkovsky (codename Ironbark), forneceram informações cruciais que levaram ao encerramento da crise dos mísseis cubanos.




Benedict Cumberbatch & Merab Ninidze
The Courrier
Dominic Cook,2020

Excelente interpretação do galardoado Benedict Cumberbatch. Para quem gosta de filmes da história mundial recente, sem dúvida o filme mais interessantesque vi ultimamente. Benedict Cumberbatch, um dos melhores actores da actualidade. 





The Imitation Game
Morten Tyldum, 2014

Relembro e recomendo vivamente The Imitation Game.  Um filme, também interpretado por Benedict Cumberbatch, baseado no livro Alan Turing : Enigma de Andrew Hodges. Livro que serviu de mote ao filme. 





Alan Turing, c. 1930s
créditos: © Fine Art Images - Heritage Images/age fotostock

Alan Turing, matemático britânico, descodificador do código utilizado na II Guerra Mundial pelos Alemães.

Apesar do imenso talento científico, morreu precocemente. Há que falem em suicídioo
e há quem fale em assassinato. Já foi redimido pelo governo inglês. Too late!





Está a Fazer-se Cada Vez Mais Tarde
Antonio Tabucchi
Bertrand

Até os livros abandonei um pouco. Durante curto tempo. Sentia-me desmotivada, já que afastada de tudo o que amava. Até dos afectos da família. 

Mas vou retomando. Depois de ter acabado os dois livros sobre os quais já escrevi. Leio agora Está a Fazer-se Cada Vez Mais Tarde, do meu admirado Antonio Tabucchi que acaba de ser publicado. 


G-S

Fragmentos Culturais

21.08.2021
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domingo, 4 de abril de 2021

Páscoa ? Não ainda renascida !






créditos: Christel Royo

via Pinterest


"Há um silêncio

secreto

na minha

(...)


Mas hoje veio uma

réstia

a cintilar sem palavras."

(...)

Maria Teresa Horta, Páscoa, Inédito, 20201


Atravessámos um Inverno rigoroso. Solidão. Presos nas casas, apenas o horizonte das janelas.  Os dias de chuva não tornaram mais fácil a travessia. 

Muitos de nós se afundaram pela ausência da famíla, dos amigos. Dos prazeres culturais que nos preenchiam. Pedaços de vida.  

O Inverno não é só uma ideia. É um sentimento que se alastrou pelo coração da Humanidade.

As linhas da natureza não são ainda nítidas. Embora a Primavera tenha chegado no seu esplendor. Os pássaros em revoadas pelos céus. Livres. As flores enfeitam a natureza desta Páscoa, mais uma vez, espartana. 

"Mágoa? Teimo assustada

Claridade! - lembro
Páscoa!"

Maria Teresa Horta, Páscoa, Inédito, 20201

G-S 

Fragmentos Culturais

04.04.2021
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domingo, 7 de março de 2021

Maurice Ravel : um sopro de nostalgia em dia de confinamento


 



Maurice Ravel
credits:  Evening Standard/Getty Images


"The only love affair i have ever had was with music".

Maurice Ravel

Maurice Ravel faria hoje, 7 de Março 146 anos. Nascido em 1875, Ravel é como sabem, um compositor e pianista francês, ligado ao movimento Impressionista. 

Contemporâneo de Claude Debussy, seu predecessor. Ravel frequentou o Conservatoire de ParisDepois de acabar o curso, Ravel fez seu próprio caminho, encontrando-se como compositor, desenvolvendo um estilo de grande sensibilidade, fortes influências modernistas, barrocas, neoclassiclássicas e, em obras posteriores, influências do jazz. 







Gostava de experimentar formas musicais, como em Boléro (1928). Aí, a repetição toma o lugar do desenvolvimento. Não é de todo a peça que aprecio, mas esta interpretação do Ballet Maurice Béjart é impressionante.

Nos anos 1920s -1930s, foi considerado o maior compositor francês vivo. Ravel é continua a ser considerado um dos mais significativos compositores do século XX. 

Para mim, um compositor especial. Pela sua música, mas também pela sua postura perante a arte. Também tinha extremo bom gosto. Achavs importante apresentar-se bem.






Maurice Ravel
credits: Roger Viollet via Getty Images


Ravel compôs relativamente pouco, comparado com compositores como Debussy, Wagner, Shostakovitch ou Schoenberg. Mas a sua música é de grande 'perfeição'. Requinte, elegância, sensibilidade, o que faz dele, um dos mais amados compositores.

"Small art can, of course, be great art. Was Ravel a great artist? No one denies that he was a great artisan, tailoring his material to his sundry subjects, whether they were exotic evocations of Spain, Greece or Madagascar"

Sanjoy Roy, The Guardian/ Classical Music





Ravel, Gershwin, entre outros
credits: © Hulton-Deutsch Collection/CORBIS/Corbis via Getty Images


É um dos meus favoritos. Pela sua sensibilidade, pela perfeição das sonoridades. E ritmos impensáveis, para época. Continuam a deslumbrar.

Relembrei hoje o Concerto em G Major para piano e orquestra e La Valse. Escrevi sobre esta última em 2012, falando do poema coreografado pelo CNB.

Com nostalgia, passei  a tarde a ouvir La Valse em diferentes interpretações, Leonard Bernstein, ou Claudio Abbato. Mesmo a 2 pianos Martha Argerich/ Nelson Freire.

Com a intenção de homenagear a valsa e Johann Strauss II, Maurice Ravel, compôs o que pretendia ser uma obra romântiva, La Valse, un poème chorégraphique (1919.1920)

Antes de se ter alistado no exército interrompendo assim a criação musical, Ravel escreveu que pretendia que a peça fosse "uma espécie de apoteose da valsa vienense mesclando-se na minha cabeça com a ideia de turbilhão fantástico do destino».





La Valse 
Maurice Ravel

"Whatever one’s interpretation of La Valse, there is no doubt Ravel masterfully achieves his vision in the music."

Frances Wilson, Interlude

E continuei com Ravel a tarde inteira. Numa busca continuada, encontrei finalmente o Concerto em G Major interpretado pela incomparável Martha Argerich. Uma explosão de sentimentos, Deus meu!

Sobressaiu a nostalgia. Nostalgia de um concerto na Casa da Música. Ao vivo. Quanto tempo! Belíssimos concertos em noites inesqucíveis de boa música. Consagrados compositores, e intérpretes: Música, na sua essência.

Na Sala Suggia ouvi, ao vivo - e ressalto hoje, muito, ao vivo, porque é isso que me falta tanto - o Concerto in G Major pelo pianista António Rosado com a Orquestra da Casa da Música.

Fiquei ouvindo este momento único, interpretado por um símbolo da minha música d'alma. Martha Argerich.

* Ver directamente no YouTube









Introversão e beleza. Silênco quase em tom de prece, ouvi Adagio Assai, o segundo movimento. 

 "One of the most beautiful tunes Ravel ever invented" (...) 

Edward Sackville-West e Desmond Shawe-Taylor, críticos de música

Interpretação/ transposição. Tocar não é só transmitir a partitura, é sentir, viver. E para tal, nada é comparável ao touch de Martha Argerich. Uma ternura sem fim, neste Adagio Assai.

"The composer constructs an object so perfectly honed,” writes pianist Paul Roberts, “that the performer is fearful of damaging it."






Ravel escreveu outras obras que fazem parte da música erudita. Daphnis e Chloe, um bailado composto em 1909, a pedido de Diaghilev para o famoso bailarino Nijinsky. 

Concerto para Piano para a esquerda, Pavane pour une infante défunte, entre as oitenta cinco obras, incluindo algumas incompletas, outras abandonadas, segundo o musicólogo francês Marcel Marnat.

"Ravel became a master orchestrator, carefully studying every musical instrument to determine their possibilities. His famous orchestration of Mussorgsky’s Pictures at an Exhibition, brought Ravel substantial income."

Classic FM

Ravel morreu em 1937 na sua casa Le Belvedère, em Montfort-l’Amaury, hoje Fondation Maurice Ravel. Os jardins mantêm-se intactos, e foram desenhados pelo compositor, incluindo o Japanese Garden.

Bolero, Piano Concerto for the Left Hand, Concerto in G Major e L’enfant et les sortilèges são algumas das peças escritas em Montfort l’Amaury.


"Music I feel must be emotional first and intellectual second."

 Maurice Ravel

G-S

Fragmentos Culturais

07.03.2021
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