Pina Bausch
Morreu abruptamente a bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch.
A coreógrafa nasceu na Alemanha, em Solingen, no ano de 1940. Estudou dança a partir de 1955, em Essen, na Folkwang School, e obteve o diploma em 1958.
Uma bolsa permitiu-lhe estudar em Nova Iorque, onde permaneceu por três anos.
©AP
Na entrevista dada ontem, sentada à mesa do foyer do Teatro Camões, Pina Bausch respondeu, discreta nos gestos e nas palavras, a perguntas sobre o seu papel de criadora e coreógrafa:
Talvez eu tivesse trazido a capacidade de fantasiar e interrogar.
Pina Bausch defendeu acima de tudo que a dança deve dar atenção aos sentimentos, desejos e dores de modo a tocar o público e não ser apenas algo de belo e de bom.
Este é um trabalho baseado em excertos das obras Keepers of the Night - Native American Stories, Nocturnal Activiteas for Children de Michael J. Caduto e How the Bath Came to Be de Joseph Bruchac.
Como músicas escolheu, entre outras, peças de Prince, Caetano Veloso, Nina Simone, Goldfrapp, Gerry Mulligan, Lisa Ekdahl, Naná Vasconcelos, Shirley Horn e Gotan Project.
[fontes de informação DN e Sol online]
A criadora foi agraciada com vários prémios, o último dos quais o Prémio Goethe, na Alemanha. Na cerimónia de entrega, o realizador Wim Wenders dizia que este era um reconhecimento da sua criatividade na dança moderna e por ter inventado "uma nova arte". Segundo Wenders, as coreografias de Bausch mostram "o movimento como meio de comunicação vernáculo do ser humano".
Estava a planear fazer um filme com Wim Wenders.
©Lusa
Relembro um texto original que escrevi em 2007:
Dançar! Expressão corporal que diz tudo da alma. Soltar seus passos, lançar seus braços em gestos de mil sentires. Revolta extasiante e libertadora das pulsões não experienciadas.
Todo o ser é ilhéu na sua verdadeira, íntima essência. Todo o ser se encontra solitariamente contido no cabo bojador dos dias e das tormentas. E na dança dos gestos não contidos, ele avança sem véus nem máscaras.
Todo o ser espera com olhos levantados, muito para além do quebrar das fendas de se âmago, pela acalmia em sabores de musical maresia.
Vibrações do tempo em crescendo ou rallentando que se espraiam no horizonte da vida, em movimentos soltos e desanuviadores de um corpo que grita da alma aromas de jardins e sons intensos.
Fragrâncias onde a vida repousa e a morte se abriga. Compassos sincopados, vozes e murmúrios modulados em notas ora dolentes ora arrebatadoras, sentidas, num pianissimo dedilhadas, explodindo depois de um da capo portentoso, dramático, sons de percussão, metais e cordas.
Sintonia de sentimentos polifónicos profundos que tanto reflectem a turbulência das emoções do meu Ser!
[texto original, publicado sob pseudónimo em 04.04.2007]
Minha alma é uma orchestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como simphonia.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Tomo I, Atica 1982
G.S.
Fragmentos Culturais
06.07.2008
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