Monday, November 2, 2009

Peter Murphy na Casa da Música? Um momento ímpar!


Peter Murphy /Casa da Música
Foto-reportagem: Luís Miguel Pereira *

Bem! A Casa da Música está de parabéns! Trazer à belíssima sala Guilhermina Suggia a voz Peter Murphy foi um evento inolvidável!

Peter Murphy e os músicos que o acompanhavam fizeram jus à acústica divina de um espaço que tem tudo para dar o esplendoroso momento que todos nós aplaudimos, imbuídos da química que se estabeleceu. De pé, ao ritmo bem característico da voz inconfundível e das sonoridades deste grande músico que continua a demonstrar uma qualidade sem mácula!

Na primeira parte assistimos à novíssima Letti [ficámos a saber seu nome, depois de Peter Murphy lhe fazer referência como muita elegância] que se desdobrou sozinha entre guitarras, teclados, e loop stations a que não faltou também uma harmónica, numa música de timbres galácticos que apelaram a referências bem mais conhecidas na música pop. Interessante! A sua sonoridade vocal levou-me a Dolores d'ORiordan, a vocalista dos Cranberries.


Peter Murphy /Casa da Música
Foto-reportagem: Luís Miguel Pereira *

Seguiu-se uma longa pausa, até que Peter Murphy entrou em palco! Elegante, vestido de negro, jovial, quase vampiresco, ao bom estilo gótico, cordial e com grande profissionalismo, assim se entregou a um público entusiasta até à uma hora da manhã, em dois encores que foram o verdadeiro espectáculo musical.

O espaço, quer o queiramos quer não, é algo inibidor. O peso do rigor dobrou os mais entusiastas por algum tempo.


Mas, a certa altura, o público e os colaboradores da Casa da Música renderam-se à forte e carismática presença musical em palco de Murphy. E o entusiasmo interligado a uma acústica penetrante, levaram a sala Guillermina Suggia a fruir de um ambiente mágico de puro prazer de uma música de qualidade, independentemente dos estilos! E é nisso que a Casa da Música brilhou em toda magnificência de um verdadeiro espaço de todas as músicas!

Peter Murphy/ Secret Covers
http://www.petermurphy.info

Peter Murphy numa digressão europeia intitulada Secret Covers Tour, interpretou músicas novas como Velocity e Secret Silk Society, muito aplaudidas. Não esqueceu, no entanto, I'll Fall With Your Knife ou Time Has Got Nothing to Do with It, entre outras.

Até que na última presença em palco, aí se sente completamente à vontade, vieram as homenagens em forma de música aos Joy Division e a outro grande senhor da música, David Bowie no tema Space Oddity.


Peter Murphy /Casa da Música
Foto-reportagem: Luís Miguel Pereira *


Trinta anos de carreira, fazem de Peter Murphy um ser completo, elegante de alma e de corpo, sem inibições de interpretar as canções que fazem parte do seu percurso de vida.

A Sala Suggia vestiu nova alma musical! Um concerto rock de grande qualidade!
Esperemos que se repita... com outros grupos que muitos de nós gostaríamos de aplaudir em ambiente contemporâneo, fresco, e de acústica deslumbrante!

Foi enquanto vocalista dos Bauhaus que o britânico Peter Murphy se tornou reconhecido do grande público. Ao fim de cinco anos inicia uma activa e dinâmica carreira solo, de onde Deep and Love Hysteria, um disco que ficaria para a história da música, sobressai. É um pouco desta poética história que vem cantar à Casa da Música.

Casa da Música, Agenda
[consultada em o1.11.2009]

Depois de dois meses alucinantes, sem fragmentos d'alma foi o melhor presente que pude oferecer-me!

G.S.
Fragmentos Culturais
02.11.2009

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

* As fotografias aqui referenciadas pertencem aos autores e empresas mencionadas. Não se pretende em caso algum infringir os direitos de propriedade intelectual que correspondem aos autores e empresas no presente log.
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Thursday, October 22, 2009

10ª Mostra Cinema Francês no Porto



Cartaz Festa Cinema Francês
http://www.festadocinemafrances.com

Está a decorrer desde anteontem, dia 20 de Outubro, a 10ª Festa do Cinema Francês que irá continuar até ao próximo dia 29 de Outubro, na Fundação de Serralves e nas salas Cidade do Porto, com a exibição de dezanove filmes, alguns dos quais não passarão, como sempre, pelo circuito comercial.

Agnès Varda
Photo: Rosallie Varda
http://highmuseum.wordpress.com

Though women played a major role as muses to the French New Wave of the 1960s (think Jean Moreau, Anna Karina, and Catherine Deneuve), Agnes Varda was the only female director in that influential movement. She began her career as a still photographer, taking family photos in a Paris department store to support herself. When she felt the need to add words to her images, she turned to filmmaking.

Linda Dubler

O programa do festival foi apresentado na quinta-feira da semana passada, no Instituto Franco-Português, onde os organizadores revelaram que a cineasta belga Agnès Varda, estaria em Lisboa para um ciclo com todas as suas curtas-metragens.
Agnès Jaoui marcaria presença na abertura do evento com o filme «Parlez-moi de la pluie», avançou a agência Lusa.

Agnès Varda, precursora da "Nouvelle Vague" francesa, começou a sua carreira de cineasta em 1954 com La Pointe Courte. A sua obra estende-se por mais de 35 filmes, sendo o último, o recém-estreado Les Plages d’Agnès - e, ultimamente, por diversas vídeo-instalações.

Ontem, precisamente, foi exibido em Serralves, o último filme de Agnès Varda, Les Plages d'Agnès, filme autobiográfico, visualmente arrebatador, segundo o que li. Este
filme passou, fora de competição, na 65ª Edição Festival de Veneza 2008.

Agnès Va
rda, a realizadora belga de 81 anos foi homenageada em Serralves, numa Conversa no Auditório de Serralves, que contou com a presença especial de Manoel de Oliveira.

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Como perdi o filme, por questões pessoais, deixo as impressões de Linda Dubler - "
The elfin Varda, now 81, introduces herself as a someone acting the role of a pleasingly plump old lady, a sly way of letting us know that fantasy and embellishment count as much as documentary truth in her playbook. Standing on the shore with the waves pounding behind her, Varda tells us that she believes that people hold landscapes inside themselves. “If we opened me up we’d find beaches,” she says. Surrounding her are myriad production assistants, setting up mirrors in the sand. These mirrors capture the water (fluid and changing as memory) and announce the introspective, reflective, and fragmented form that her film will take".

High Museum of Arts:Films

Fundação de Serralves

Também ontem, pelas 18h30, a cineasta belga inaugurou a sua Exposição "Agnès Varda - Duas vídeo-instalações", na Capela da Casa de Serralves. Aí poderá ser visitada de 21 de Outubro a 29 Novembro 2009. Toda a programação de Serralves dedicada a Vardas, aqui

Le Plaisir de Chanter
http://img5.allocine.fr

A Mostra continuará com obras entre as quais se destacam o drama "Clèo de 5 à 7", de Agnès Varda, a comédia de espionagem "Le Plaisir de Chanter" de Ilan Duran Cohen, "Le Bal des Actrices" de Maïwenn Le Besco, e ainda o drama histórico "Eden à L'ouest" de Costa-Gavras.

O primeiro já vi faz algum tempo, mas gostaria de rever Costa-Gravas, um autor que conheço de anteriores filmes.

Destaco também a antestreia do documentário «Ne change rien», de Pedro Costa, centrado na actriz e cantora francesa Jean Balibar.

fonte:jpn


G.S.

Fragmentos Culturais
22.10.2009

Saturday, October 10, 2009

Dia Mundial Contra a Pena de Morte








“O Grande Jubileu [2000] é uma excelente oportunidade para promover no Mundo um maior respeito pela vida e dignidade de cada pessoa. Renovo o meu apelo a todos os líderes, para que se chegue a um consenso internacional pela abolição da Pena de Morte...”.


Papa João Paulo II

12 Dezembro 1999



G.S.

Fragmentos
10.10.2009

Thursday, October 8, 2009

Herta Mueller - Nobel da Literatura 2009


herta_mueller

Fotografia: REUTERS 2009

I am very surprised and still can not believe it" - disse Mueller, segundo o seu editor na Alemanha. "I can't say anything more at the moment".

A escritora alemã, de origem romena Herta Müller ou Herta Mueller é a vencedora do "Prémio Nobel de Literatura 2009", segundo o anúncio da Real Academia Sueca, hoje 08 Outubro 2009.



Herta Müller nasceu na Roménia em 1953, numa região de minoria de língua alemã. Poeta, romancista e ensaista, a sua obra é marcada pelas duras condições de vida na Roménia sob o regime de Ceausescu.

Sapo Livros

A nomeação é da responsabilidade do Nobel Committie at the Swedish Academy e poderá ser consultado aqui

A escolha foi justificada pela forma como Mueller retratata "a paisagem dos desaspossados".

Segundo Peter Englund, representante da Academia, "a escritora tem uma história forte para contar".

AP – FILE/ Herta Mueller

Nobel da Literatura 2009

"who, with the concentration of poetry and the frankness of prose, depicts the landscape of the dispossessed"

Nobelprize.org

Müller estreou-se com a colectânea de contos "Niederungen" (1982), censurada no seu país. Dois anos mais tarde publicou uma versão não-censurada deste livro na Alemanha e, no mesmo ano, "Druckender Tango", na Roménia.

Da autora estão publicados em português os romances "O Homem é um Grande Faisão sobre a Terra", edição da Cotovia, e "A Terra das Ameixas Verdes", da Difel.

Infelizmente nenhum se encontra em catálogo, quando tentei pesquisar. Ao consultar Literatura Estrangeira, por autor na Difel, não me apareceu sequer como opção o nome de Herta Mueller!


Se passarmos o olhar pela listagem dos laureados Nobel a Literatura... de 1901 a 2008, no sítio web da Nobel Academy, facilmente se concluirá que laureados "no feminino" são raros.

A primeira laureada foi Selma Largelöf em 1909

"in appreciation of the lofty idealism, vivid imagination and spiritual perception that characterize her writings"

E a penúltima foi Doris Lessing em 2007

"that epicist of the female experience, who with scepticism, fire and visionary power has subjected a divided civilisation to scrutiny"

No ano em que a UNESCO escolheu o tema "Gender Equality Policies in Media Organizations” é interessante saber que o Nobel da Literatura é de novo uma laureada.

Já referi humildemente, e considero-me uma boa leitora, que não conheço Herta Mueller. Como quase sempre, editores e livreiros são apanhados tão desprevenidos quanto nós, público leitor.

Esta tarde, depois da pesquisa online, dirigi-me a uma das livrarias mais reputadas da cidade. Perguntei ingenuamente se tinham alguma obra da autora.

Uma senhora com ar muito empertigado, respondeu-me com alguma indelicadeza que não. E, continuou muito segura, corrigindo-me, que só existia uma obra da autora, editada em língua portuguesa.

Educadamente e, com um sorriso tímido mas convicto, argumentei que havia dois. Depois, agradeci e saí, não sem me deter em algumas mesas de exposição.


Lembrei então um livreiro que gosto de seguir no seu blog Pó dos Livros, quando tenho algum tempo mais disponível. Refere ele que nem sempre os livreiros conhecem tudo...

Gosto da sinceridade!


G.S.

Fragmentos literários

08.10.2009

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Thursday, October 1, 2009

Dia Mundial da Música



Giuseppe Cacace/AFP 2008


La música es la voluoptosidad de la imaginación

Eugène Delacroix, pintor [1798-1863]



A música expulsa o ódio dos que vivem sem amor. Dá paz aos que não têm descanso e consola os que choram.

Os que se perderam encontram novos caminhos e os que tudo rejeitam reencontram confiança e esperança.

Pablo Casals, virtuoso violoncelo, maestro [1876-1973]




G.S.

Fragmentos Culturais


Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir, Claude Debussy aqui

1.10.2009

Friday, September 11, 2009

Jorge de Sena... o regresso !




Manuel Balce Ceneta file/AP 2007

http://news.yahoo.com/photos


«a Humanidade tem que estar presente na compreensão da própria e pessoal humanidade, com a qual lhe é dado compreender a dos outros...».

Jorge de Sena


Dos Estados Unidos, o corpo de Jorge de Sena voltou a sua "ditosa Pátria".


Hoje não é um dia triste, por fim, tantos anos depois, a vontade de seu marido pôde ser cumprida e, embora saibamos que a separação, ele aqui, a Mécia em Santa Bárbara, será dor sobre dor, a satisfação do dever cumprido acabará convertendo-se em serena alegria, a que queremos viver consigo, que tanto ama por haver amado tanto. O seu companheiro de toda a vida, o homem com quem dançou uma tarde e a quem disse que não dançava com desconhecidos, sem saber que os escritores se dão a conhecer imediatamente, porque manejam as palavras e as introduzem no nosso coração para sempre, esse homem, querida Mécia, voltou à terra que sentia com desespero, e agora, todos os que sabemos o que Portugal era para ele respiramos mais fundo, como se partilhássemos um verso ou um afã, ou talvez esse desejo de transformar que os poetas semeiam.[...]

Pilar del Río
, Carta a Mécia, excerto

http://blog.josesaramago.org


Trinta anos depois da sua morte, Jorge de Sena descansa em seu país, esta Pátria que tanto amou e que tanto o ignorou. Esta Pátria que não o chamou em vida, o maior anseio do autor. Uma Pátria cuja língua e cultura sempre cantou e defendeu, até morrer.

A trasladação dos restos mortais do escritor Jorge de Sena para Portugal é um acto "de reparação e de reconciliação", embora o escritor "não precise de glorificações póstumas", disse hoje o ensaísta Eduardo Lourenço.

Lusa


Colóquio, Fundação Calouste Gulbenkian, 1988



É efectivamente um dos vultos maiores da cultura portuguesa do século XX. A sua obra tão eclética estende-se desde a poesia, à prosa, ao drama, ao ensaio, à investigação, à história da cultura.

Não deveria ter tardado tanto esta homenagem ! Merecia que o país lha fizesse em vida, já que morreu em 1978. Mas não! Sena não teve esse afago que por direito lhe seria tão grato!

Foi então que a Fundação Saramago lhe prestou uma pública homenagem, em Julho de 2008. A propósito desse importante evento escrevi aqui


Na cerimónia de hoje, Eduardo Lourenço foi categórico ao dizer que este é o "regresso do indesejado", apropriando-se do título de uma obra de Sena para recordar a condição de exilado político do escritor.

Lusa


Mécia de Sena, viúva de Jorge de Sena, esteve ausente por questões de saúde, mas duas filhas, netos e vários familiares estiveram presentes.

A cerimónia de homenagem teve lugar na Basílica da Estrela, a actriz Eunice Muñoz disse o poema "Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya" de Jorge de Sena, numa cerimónia que contou com dois momentos musicais de Bach. Poucos devem conhecer os seus textos sobre a música. Leia-se a "Arte da Música" entre outros.




Diário e recordações da vida literária
Espólio Jorge de Sena
http://www.bnportugal.pt


O espólio pessoal de Jorge de Sena está agora depositado na Biblioteca Nacional doado por sua família. Decorreu uma Mostra de 18 de Junho a 11 de Setembro 2009.
Um tempo bem breve para uma obra tão rica e tão desconhecida para quase todos nós!


A Sociedade Portuguesa de Autores juntar-se-à a estas homenagens, com a atribuição da Medalha de Honra a um representante da família no dia 14 de Setembro, no auditório Frederico de Freitas, na sua sede.

fonte: Expresso.pt



Desencontro

Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.

E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,

de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum -
- que mesmo o que se encontra não se encontra.

Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'



G.S.

Fragmentos Culturais
11.09.2009

Wednesday, September 2, 2009

Duplo Amor




http://www.twoloversmovie.com


Admirably Bold. There's somthing grand about the film's sincerity and the intensity of its emotions.


A.O. Scott
, NY Times



Para além de Serralves, e outras paisagens, também o cinema me ocupa alguns fins de tarde.

Não foram muitos os filmes de qualidade em exibição. E por isso, facilmente se dá conta quando aparece um filme de autor.
Raros nesta época do ano.

Duplo Amor, que fez parte da selecção do "Festival de Cannes de 2008", foi um dos poucos filmes a que pude assistir neste final de Agosto.

Two Lovers é o quarto filme de James Gray que aos 24 anos ganhou o "Leão de Prata" em Veneza em 1994 com o seu primeiro filme Viver e Morrer em Little Odessa.


Duplo Amor, com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, e Vanessa Shaw é um filme sobre o estado de se estar apaixonado, que é inevitavelmente ridículo, já escrevia Pessoa nas suas Cartas de Amor - mas é desse ridículo que nasce um 'pathos', diz-nos o realizador James Gray.

Um clássico romance passado na insular Brighton Beach, em Brooklyn. A personagem principal tenta a fuga aos condicionamentos familiares, tentação essa contrariada pela força das circunstâncias e a força dos valores.

Os filmes de James Gray condensam uma temática desenvolvida com rigor: a família e a força dos laços de sangue, as comunidades de origem emigrante e as suas tradições.

Há neste último, traços biográficos. Um retrato de uma cultura muito específica e que acaba por apresentar uma visão pessoal do realizador.

Numa entrevista, o realizador não a renega:


É totalmente pessoal. É a minha origem. Sou neto de russos que emigraram para a América. Cresci em ambientes parecidos com os dos meus filmes, conheço muitos dos lugares onde filmo como a palma da minha mão. Tenho um relação profunda com estas comunidades fechadas, onde o espírito familiar se confunde com a preservação de uma identidade cultural e conduz a uma espécie de insularidade. É o mundo de onde venho.

James Gray


Há quem considere Duplo Amor uma interpretação do livro "Noites Brancas" de Dostoievski, mas Gray assegura que embora tenha feito alusão à obra do escritor russo, o filme apenas apresenta algumas similaridades com a história:

Terá sido uma inspiração longínqua, mas o argumento tem na melhor das hipóteses algumas similaridades com a história. Se falei de Dostoievski, foi mais por questões relacionadas com a psicologia das personagens, e por Dostoievski escrever com a noção de que a paixão, o estado de se estar apaixonado, é inevitavelmente ridículo. Mas que é justamente desse ridículo que nasce um "pathos".


James Gray

Gray reconhece sim uma proximidade a "Noites Brancas" de Luchino Visconti e aponta-o como guião emocional, na relação com o espaço (Visconti faz do seu filme uma longa deambulação nocturna por Veneza), e sobretudo na filmagem da 'noção do ridículo', mostrando, numa visão afectuosa, a história de um homem desorientado pela paixão.

Acho que posso dizer que é uma expressão mais pura do meu cinema... Como cineasta o que me interessa perseguir e trabalhar é uma autenticidade emocional...
É o filme que está mais próximo do que eu imaginava e queria que os meus filmes fossem no tempo em que era só um aspirante a cineasta.

James Gray

fonte: ipsilon.publico.pt


Ter que escolher entre a bondade e lealdade Sandra e a paixão intensa e carnal que sente por Michelle é o grande dilema moral da personagem masculina.

As três interpretações são excelentes! De modo algum, Vanessa Show deve ser ofuscada por Gwyneth Paltrow. Duas personagens femininas muito bem definidas.


Gwyneth Paltrow/ Joaquin Phoenix

Fotografia: John Clifford
http://www.twoloversmovie.com


Também Isabella Rossellini me agradou muitíssimo! Suponho que é a primeira vez que consegui identificá-la verdadeiramente com a sua personagem. E como está parecida com sua mãe, Ingrid Bergman!

Quanto a
Joaquin Phoenix, é efectivamente um actor que consegue alternar os vários estados, numa amálgama de sentires.

Uma verdadeira revelação na 'cena' da pista de dança, na discoteca! Depois de passar quase todo o filme, como uma personagem tímida, introvertida, quase difusa, eis que surge exuberante. A personalidade bipolar bem caracterizada.

Phoenix é
irmão de River Phoenix um dos actores mais promissores que morreu dramaticamente aos vinte e três anos.


Há quem considere Joaquin Phoenix um excelente actor! Mas, eu não consegui identificar-me com a sua interpretação, embora reconheça um valor profundo na fragilidade da personagem, nas inseguranças e falsas expectativas, na dificuldade em ser sincero com a família e com a mulher que o ama, na tentação de se deixar conduzir pela cegueira da paixão por uma mulher que apenas o absorve, quando fica só.

Mas talvez seja mesmo isso que lhe foi pedido por
Gray.

Joaquin Phoenix/ Vanessa Show
http://www.twoloversmovie.com


Interessante! Li várias críticas e sugestões! Todas escritas por homens. Muita simpatia por Leonard. A personagem masculina.

Mas será que as mulheres sentem essa simpatia do mesmo modo?! Será que não se sentirão estereotipadas em demasia?!
Uma loira, outra morena, uma desinibida, pronta a ultrapassar todos os limites, outra introvertida, serena, passiva, dedicada!?

Uma relação a três, baseada na ocultação... para suavizar o conceito.

Pois é! A cena final não me convenceu! E suponho que não terá agradado a muitas pessoas! É como que um jogo em falso!

A sensação que tive é que o filme apresenta uma visão muito compreensiva do universo masculino.

Bom! Não se deixem influenciar!

Uma banda sonora linda! A anotar....


Beau, profond et bouleversant.

Libération



G.S.

Fragmentos Culturais
02.08.2009



Em jeito de glosa: Há algum tempo, O Sabor Da Palavra premiou este espaço com o selo Blog Frescura.

A Gonçalo Cardoso, agradeço sensibilizada tal atribuição!