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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Faça-se luz e alegria ! Bem vindo Novo Ano !

 



Google Images Archive


"Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janella para o começo das estrellas, meus sonhos vão por accordo de rythmo com distancia exposta para as viagens aos paízes incognitos, ou suppostos ou somente impossiveis."


Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 
Tomo I, Ática, 1982


Mais um ano que me pôs à prova. Um ano que, no meio da aflição, lágrimas, ansiedade geradas pela incerta e aflita saúde de familiar bem próximo, me deixou exposta ao desespero, ao pavor da perda.


Mas tento sair de tudo isto com esperança e fé. A esperança que a saúde se recupere lentamente, mas com solidez. 


Agradecimento infinito aos que nos apoiaram, me abraçaram, me consolaram.  


Afectos meus. Tudo vai continuar a correr bem. Devo pensar assim.


Comparável a um raio de sol que fura a nuvem cinza cor plúmbea, e não me engana neste desejo do fundo da alma que tudo fica bem. 


Faça-se luz em meu redor ! E a alegria regresse. E o sorriso se faça nos meus olhos.


Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva...

(...)


Álvaro de Campos, Se eu pudesse trincar a terra toda

in O Guardador de Rebanhos), ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 55


Feliz Ano 2026 para todos os que passem por aqui e para algum amigo virtual que não me tenha esquecido.


G-S

Fragmentos Culturais

31.12.2025

Copyright © 2025-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

BBC Women 100 2024 : Maria Teresa Horta [1937-2025]

 




Women 100 2024
créditos: BBC

"The BBC has revealed its list of 100 inspiring and influential women from around the world for 2024."

Entre elas estão estão a astronauta Sunita Williams, a sobrevivente de violaçóes Gisèle Pelicot, a actriz Sharon Stone, as atletas olímpicas Rebeca Andrade e Allyson Felix, a cantora Raye, a vencedora do Prémio Nobel da Paz Nadia Murad, a artista visual Tracey Emin, a activista climática Adenike Oladosu e a escritora Cristina Rivera Garza.




Maria Teresa Horta

crédito: Tiago Miranda

via Expresso


E resistente escritora e poeta, Maria Teresa Horta, também aí está incluída  !


"Writer and journalist Maria Teresa Horta is one of Portugal’s most prominent feminists and author of many award-winning books, but she is perhaps best known as co-author of the internationally acclaimed Novas Cartas Portuguesas (New Portuguese Letters), written with Maria Isabel Barreno and Maria Velho da Costa."

BBC 100 Women 2024




Novas Cartas Portuguesas, 1a edição, 1972

Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa

Estúdios Cor





Novas Cartas Portuguesas, 1a edição, 1972

Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa

Estúdios Cor

via Bestnet Leilóes


A escritora e jornalista portuguesa Maria Teresa Horta é descrita como "uma das feministas mais proeminentes de Portugal e autora de muitos livros premiados" destacando as "Novas Cartas Portuguesas", escrito em coautoria com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. 

Foi editado, em Abril de 1972, pela Estúdios Cor, dirigido por Natália Correia. Em um país onde as mulheres eram educadas para se manterem distantes dos acontecimentos e da cultura, Natália Correia conseguiu rasgar os horizontes. A sua voz fazia-se ouvir! 

Daí não me admirar nada que a poeta, e política desse voz também a estas "Três Marias".

O livro foi apreendido em Junho, a censura 'catalogou' a obra como 'imoral' (?) Foi proibido e retirado das livrarias. As autoras e editor, foram incriminados e levados a tribunal. O caso só terminou com a revolução de 25 de Abril de 1974. Nessa altura, já era um best-seller em Portugal e no estrangeiro.





As 3 Marias
via Museu do Aljube

A proibição da obra pelo governo da época, no ano da publicação, 1972, e o julgamento do processo conhecido por "Três Marias", por alegada ofensa à moral pública, segundo os padrões da censura da época, fizeram manchetes e inspiraram protestos em todo o mundo", escreveu a BBC.


O impacto internacional divulgado em França pela escritora Simone de Beauvoir - escritora que estudava na Faculdade de Letras -, chamou-me de imediato à atenção, até pela divulgação da proibição do livro em Portugal que as "Três Marias", assim vulgarmente denominadas, foram alvo de um processo.





Novas Cartas Portuguesas, 2a edição, 1974

Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horts e Maria Velho da Costa

Futura

https://www.livraria-trindade.pt/


Li o livro, edição 1974. Guardo-o religiosamente, entre muitos outros. Mas este tem um saboir especial. O primeiro livro de uma era que começara com Natália Correia, cujo Centenário foi celebrado em 2023. Foi mesmo?!


Já não lembro onde adquiri esta edição. Sei que li o livro, saboreando cada palavra, cada página... Era uma nova era! Uma escrita a três, sem sabermos quem escrevera o quê, dado o compromisso, assumido pelas autoras, de nunca revelarem a autoria individual dos vários textos.


Era o renascer de um tempo novo, sim, que se abria na literatura feminina portuguesa. Desta vez, fora-se mais longe, numa época tão castradoraa nível das ideias. 


Embora de família conservadora, fui sempre muito atenta às ideias que saíam fora do comum, talvez pelas viagens constantes com meus pais a França, centro da cultura e das novas ideias que invadiam a arte em várias frentes. Hoje dir-se-ia mais avançadas no que que diz respeito ao papel das mulheres. Fui a única, entre vários irmãos, a querer tirar um curso universitário.

Enfim, era aguerrida no pensamento e nas ideias, gostava de as debater entre alguns, mas conservadora no estar. 





Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa

via RTP Ensina


A obra "As Novas Cartas Portuguesas"  e as suas autoras foram alvo de defesa pública internacional de várias e conceituadas personalidades. Marguerite Duras, - autora que lia - Doris Lessing, que só li muito mais tarde, e Iris Murdoch e Delphine Seyrig.


Quando se juntaram para compor uma teia de poemas, cartas, ensaios e contos, Maria Isabel Barreno [1939-2016], Maria Velho da Costa [1938-2020] e Maria Teresa Horta [1937], não imaginaram, talvez que o seu livro provocasse tão efusivas manifestações, muito menos a nível internacional.


O livro Novas Cartas Portuguesas adquiriu uma enorme carga simbólica.


Infelizmente duas das escritoras já nos deixaram. Só Maria Teresa Horta continua a escrever. O que ela mais gosta de fazer.





Maria Teresa Horta 
crédito: Autor não identificado
via Google Images Archive

Posso sentir-me perto de Teresa, como 'amiga'. Sem nunca a ter conhecido, pessoalmente. Leio muitos dos seus últimos poemas. Agora mais escassos. Pelo menos vindos a público na sua página oficial.


Tem Livros belíssimos! De alguns, deixei por aqui vários excertos. 


Mas o que mais admiro hoje em dia é a sua poesia. Alguns poemas e curtas passagens de poemas de Maria Teresa Horta também lerão por aqui. 


Gosto do erotismo que imprime aos seus versos. Não em todos. Os menos 'despidos'. Gosto dos mais ternos, imbuidos de um erotismo mais afectuoso.


Maria Teresa Horta foi recentemente distinguida pelo Ministério da Cultura com a “Medalha de Mérito Cultural”, pelo seu contributo incomparável para a cultura portuguesa. 


A poeta não gosta de prémios, gosta de escrever. Sempre à mão. A poesia é a sua linguagem e o erotismo o seu tom de alma. 


Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

Maria Teresa Horta, Poema sobre a recusa




Maria Teresa Horta [1937-2025]

via RTP


Maria Teresa Horta deixou-nos neste dia, 04 de Fevereiro 2025.


Começo a juntar a fraca
claridade
dos dias demasiados curtos

e a sua gélida sombra
sobra entre os meus dedos

(...)

Clamo em vão, a procurar abrigo
na floresta onde fico
à espera entre as árvores

da vitória da luz sobre a escuridade

Maria Teresa Horta, Solstício de Inverno, Dezembro 2015


G.S

Fragmentos Culturais

12.12.2024

Copyright © 2024-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 

quinta-feira, 25 de abril de 2024

A Brisa do País de Abril !

 




créditos: Ilustração Catarina Moreira


Habito o sol dentro de ti

descubro a terra aprendo o mar

rio acima rio abaixo vou remando

por esse Tejo aberto no teu corpo.



E sou metade camponês metade marinheiro

apascento meus sonhos iço as velas

sobre o teu corpo que de certo modo

é um país marítimo com árvores no meio.



Tu és meu vinho. Tu és meu pão.

Guitarra e fruta. Melodia.

A mesma melodia destas noites

enlouquecidas pela brisa no País de Abril.


Quando vieste tudo ficou certo.

Encheram-se de trevo os campos das palavras

encheram-se de gente as mãos de cada verso

com sete estrelas sete luas nós cantámos.


Mulher  por ti cantei. E tu me deste

um puro continente algarves de ternura.

Por ti cantei entre meu povo e meu poema

e achei   achando-te  o País de Abril.

 

Manuel Alegre, A Rapariga do País de Abril

in Praça da Canção


G-S


Fragmentos Cuturais dedicado a Salgueiro Maia


25.04.2024

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sábado, 23 de abril de 2022





Dia Mundial do Livro
créditos: DR

"E eu aprendi, com os gregos, com os romanos, com os judeus, com os árabes, com os orientais e com os ocidentais, que aprender e ensinar são uma coisa só, quem não ensina não aprende, e que não aprende quem não ensina."

Charles Kiefer


Este é o dia de todos os autores, de todos os livros, de todas as línguas e de todas as nacionalidades, E de todos os leitores !


No Dia Mundial do Livro vou lembrar que 2022 é ano do Centenário de dois grandes escritores portugueses. Celebram-se o Centenário de Agustina Bessa-Luís e o Centenário de José Saramago. Dois enormes autores da Língua portuguesa.





No Universo de Agustina
Universidade do Minho


O Centenário de Agustina Bessa-Luis teve para pouca divulgação, o que considero uma falha grave. Não fora o início que a U. Minho assinalou no dia 21 Abril passado, com uma mesa temática e o Leitorado de Português na Universidade do Luxemburgo




Mesa temática
José Manuel Mendes. filha e neta da autora
Apresentação Centenário Agustina Bessa-Luís

Voltemos à U. Minho, uma mesa temática deu início às celebrações que vão acontecer ao longo do ano.

2022, ano em que se comemora o Centenário do Nascimento de Agustina Bessa-Luís, nascida a 15 de Outubro 1922, a Universidade do Minho (U.Minho) e a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (BLCS) dão início a uma série de iniciativas que relembram o trabalho e o percurso literário da grande escritora




Viajar com... Agustina Bessa-Luis
Lourença Baldaque & Sérgio Freitas






A primeira sessão, uma mesa temática moderada por José Manuel Mendes e que se intitulou No universo de Agustina: nasci adulta e morrerei criança, contou com a presença da filha e neta de Agustina, Mónica Baldaque e Lourença Baldaque. A iniciativa aconteceu quinta-feira, dia 21 de Abril, às 18h00, na Galeria do Paço, em Braga.





Ensaios e Artigos (1951-2007, vol. II
Agustina Bessa-Luís
Recolha e Organização de Mónica Baldaque
Fundação Calouste Gulbenkian

No início Abril 2022, o Centro Cultural Português e o Leitorado de Português na Université du Luxembourg assinalaram, também, o Centenário de Agustina com uma palestra "Agustina Bessa-Luís e as Mulheres" que teve duas sessões, em Português e em Francês, e que aconteceram, no Centro Camões - Centro Cultural Português e no campus universitário de Belval, Luxemburgo.






Agustina Bessa-Luís et les Femmes
Centro Camões, Luxemburgo


A palestra pretendeu explorar a forma como as mulheres são percepcionadas e representadas na vida e obra da escritora. Contou com a presença de Catherine Dumas, professora emérita de Língua e Literatura Portuguesas na Sorbonne Nouvelle, Paris 3, autora de uma tese de doutoramento e de um livro sobre Agustina Bessa-Luís.




Estética e Personagens
Catherine Dumas


Só estas duas instituições relembraram, para já, o Centenário de Agustina. Mas mais tarde, o centro dinamizador, foi sem dúvida Aa C.M. Amarante, bem como a C.M. Porto





Vida e Obra de Agustina Bessa-Luís
Biblioteca Pública do Porto
crédito: DR


Já José Saramago está a celebrar o Centenário desde 16 de Novembro 2021. Saramago nasceu a 16 de Novembro 1922.






José Saramago 100

https://www.josesaramago.org/


“Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”.

José Saramago in palestra “Literatura e poder. Luzes e sombras”, Universidade Carlos III, Madrid, 19 de janeiro de 2004 


"Assinala-se a 16 de Novembro de 2022 o Centenário de José Saramago. Tal como em circunstâncias semelhantes acontece com outros grandes vultos, a efeméride constituirá uma oportunidade privilegiada para a consolidação da presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro."

Fundação José Saramago

Conheça o programa do Centenário.




“que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia”

Nobel Prize, 1998

José Saramago, único escritor português a ser galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, facto que lhe deu uma projecção mundial. Claramente. 


Agustina era mais circunscrita ao mundo em que viveu. A projecção internacional de alguns dos seus grandes romances veio com a adaptação ao cinema por Manoel de Oliveira.




Agustina e Manoel de Oliveira
créditos: Autor não identificado
via Mundo do Cinema

Agustina foi um 'génio'. Autora de uma imensa obra literária. Os seus livros têm um vasto público de leitores, admiradores, e estudiosos.

Voltarei a estes dois enormes vultos da literatura portuguesa, mais tarde. Hoje celebro os seus livros neste Dia Mundial do Livro com dois ou três excertos de obras suas.





Memorial do Convento
José Saramago
Editorial Caminho, 1982


"Se a música pode ser tão excelente mestre da argumentação, quero já ser músico e não pregador, Fico obrigado pelo cumprimento, mas quisera eu, senhor padre Bartolomeu de Gusmão, que a minha música fosse um dia capaz de expor, contrapor e concluir como fazem sermão e discurso, Ainda que, reparando bem no que se diz e como, senhor Scarlatti, se exponham e contraponham, as mais das vezes, fumo e nevoeiro, e se conclua coisa nenhuma. A isto não respondeu o música, e o padre rematou, Todo o pregador honesto o sente quando baixa do púlpito. Disse o italiano, encolhendo os ombros, Fica o silêncio depois da música e depois do sermão, que importa que se louve o sermão e aplauda a música, talvez só o silêncio exista verdadeiramente." 

in Memorial do Convento

José Saramago,1982

Traduzido em mais de 20 línguas, a obra conta com mais de 50 edições.

Memorial do Convento inspirou a ópera Blimunda, de Azio Corgi, criada no Scala de Milão em 1990





Vale Abraão
Agustina Bessa-Luís, 1991
Guimarães Editores

A recriação de uma Madame Bovary, destinada a servir de guião para um filme de Manoel de Oliveira, trouxe à autora a necessidade de descobrir a natureza flaubertiana que concebeu Emma Bovay, a Bovarinha. e a tomou como seu espelho. 

Apesar de de ter lido Madame Bovary de Gustave Flaubert, e Vale Abrãao de Agustina, para além de muitos outros de seus livros, nao vou tecer considerações literárias, dado que não é esse o objectivo desta publicação.




Vale Abraão, adatação cinematográfica
Manoel de Oliveira, 1993
Quinzaine des Réalisateurs
Festival de Cannes 1993


“Uma coisa Ema apreciava na casa de Vale Abraão: a varanda. Dizem que a varanda é uma palavra celta, que significa barreira. Talvez seja. Não se sabe porque teve tão alto crédito na arquitectura rural e urbana. É uma espécie de ventre que se projecta sobre a rua; é uma demonstração de poder e afectação de desejos. Serve para cortejar o mundo e dar prova das condições do indivíduo, comparando-o ao imaginário em que a sociedade cresce e perdura.
A varanda, tanto permite o olhar que avalia, até ser pecaminoso (…), como serve de recreio às mulheres demasiado fechadas e consumidas de obrigações. A varanda é mais sensual do que licenciosa. É um lugar de aprazível pausa; enquanto que a reixa é uma forma de confessionário e um obstáculo permissivo dos apetites.”

in O Vale Abraão, Agustina Bessa-Luís, 1991




A Sibila
Agustina Bessa-Luís
Guimaráes Editores, 1ª edição, 1954


Agustina Bessa-Luís teve o talento de nos escutar na profundidade da nossa alma, transformando em palavras coisas que sentimos mas não conseguimos descrever. Sibila é o seu romance de maior interioridade, talvez.






Mural de Homenagem de Agustina
Faculdade de Letras do Porto
via Relógio d'Água


"Escrever uma página inspirada não acontece todos os dias. Às vezes movemos o pensamento pelos atribulados caminhos do doméstico, que corrompem a subtileza e a graça; outras vezes pomos na cabeça o nosso gorro sábio, e resulta uma enfadonha tabuada de sentimentos." 


Agustina Bessa-Luís, 1966 


G-S

23.04.2022

actualizado 01.01.2026

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