domingo, 9 de março de 2008

Maria Gabriela Llansol : tributo a uma escritora singular !







Maria Gabriela Llansol [1931-2008]
retirada da capa do livro "A Palavra Imediata, Livro de Horas IV
Assírio & Alvim, 2014



"Chegámos a um estado de tão profunda fragilidade e pequenez, que se tornava importante saber se tínhamos vivido, ou se tínhamos sonhado o nosso passado. A diferença é mínima, mas o desencanto pode ser mortal.
Ir buscar plenitude, é garantir a respiração harmónica e metódica do meu corpo nascido para perdurar"


Maria Gabriela Llansol, Um Falcão no Punho, Diário I, 1985


Maria Gabriela Llansol, de ascendência espanhola, nasceu em Lisboa em 1931. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal e fixou-se na Bélgica. Regressou há alguns anos depois a Portugal.


Ilansol é considerada uma das mais inovadoras escritoras da ficção portuguesa contemporânea. Um caso bem curioso de singularidade. 


Da sua escrita cintila uma força, qualidade própria dos renovadores, que faz da literatura um processo imanente à reinvenção da vida. 


Morreu aos 76 anos, na sua casa de Sintra, dia 03 de Março de 2008. 







Amigo e Amiga
curso de silêncio de 2004
Maria Gabriela llansom
Assírio & Alvim. 2009


A escritora Maria Gabriela Llansol venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) em 2006, pela obra Amigo e Amiga - Curso de Silêncio de 2004 (Assírio e Alvim).


Foi a segunda vez que foi galardoada com este prémio, depois de, em 1990, ter sido distinguida pela obra "Um Beijo Dado Mais Tarde".







Um Beijo Dado Mais tarde
Maria Gabriela llansom
Assírio & Alvim, 2016 (reimoressão)


O "Grande Prémio de Romance e Novela"  já distinguiu 21 autore.as portuguese.as, entre o.as quais Agustina Bessa-Luís, Vergílio Ferreira e António Lobo Antunes.


O espólio literário de Maria Gabriela Llansol foi doado à Associação de Estudos Llansolianos, criada em 2006 para estudar a obra da escritora.


"Até hoje, a autora nunca deixou de acompanhar a escrita dos seus mais de trinta livros com a destes cadernos, que, apresentando paralelos e convergências com as obras editadas, vão muito para além delas e construirão um instrumento fundamental para a investigação e o esclarecimento da Obra desta autora da nossa literatura contemporânea."

João Barreno


Os cadernos, que contêm quinze a vinte mil páginas e papéis manuscritos, apresentam textos, desenhos e colagens da autora.





Causa Amante
Maria Gabriela Llansol
Relógio d'Água, 1984









O Livro das Comunidades
Maria Gabriela Ilansol
https://espacollansol.blogspot.com


"Maria Gabriela Llansol é um caso ímpar na ficção contemporânea, de jorrante, inesperada e original criatividade. O texto é a única forma de identificar o sexo e a humanidade de alguém porque, ó poeta estranho, o sexo de alguém, é a sua narrativa. A sua, ou a que o texto conta, no seu lugar. Assim o sexo será como for o lugar do texto."

Lisboaleipzig 2


Voz das mais secretas e discretas na literatura portuguesa contemporânea de difícil classificação porquanto a sua escrita quebra constantemente as fronteiras - em cada um dos seus livros ou no Livro único que parece escrever ao longo dos anos - entre prosa e poesia, ficção e diário, romance e novela. 


DGLB





Maria Gabriela Llansol
via Assírio & Alvim


Li alguns livros seus. Gosto do seu jeito de escrever. Com naturalidade, como quem sussurra, como um sopro, cruza estilos como se fossem um só. É qualquer coisa sem ordem, sem tempo. Algo que fica em nós, impregnado.


"Aliando a subjectividade enunciativa a um forte pendor mítico de implicação lírica, que funda numa visão da vida e do mundo de tipo religioso herético, sensualista e naturalista, a sua ficção caracteriza-se por uma hibridez de registos e de convocação, temporal e espacial de entidades, que no entanto assume uma coesão que lhe é dada por uma marca discursiva persistente e inconfundível."

Autor.a não identificado.a




Quando se deseja alguém, como tu desejas Infausta, e ela deseja Johann, é o seu lugar cénico que se deseja,
os gestos do texto que descreve no espaço
e chamar-lhe
precioso companheiro;
de mim, direi que fui uma vez enviado,
trouxeste a frase que nunca antes leras,
o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.

Lisboaleipzig 2


G-S

Fragmentos Culturais

10.03.2008

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