Sunday, August 23, 2020

"Havemos de ir a Viana" : Festas da Senhora d'Agonia em formato digital






Festas Senhora d'Agonia 2020
créditos: Luis Lagadouro


A minha terra é Viana
Sou do monte e sou do mar
Só dou o nome de terra
Onde o da minha chegar.(...)

Pedro Homem de Mello, Canção de Viana

Pela primeira vez, em mais de 200 anos, as Festas da Senhora d'Agonia, com a procissão ao mar e desfile da Mordomia, inseridos na Romaria em Honra de Nossa Senhora da Agonia não saíram à rua. No terceiro domingo de Agosto, é tempo de rumar a Viana. Minhotos, portugueses, e estrangeiros. 

É sem dúvida a romaria portuguesa com mais tradição e fama. Amadeo Costa, etnógrafo, estudioso dos trajes e tradições, e escritor de diversos livros sobre Viana, é o autor de algumas frases que reflectem a alma desta romaria: 

"Quem gosta vem, Quem ama fica."

Houve uma curta procissão ao mar com distanciamento social, e as Mordomas andaram pela cidade, distribuindo flores. Todo o programa se passou a nível digital (filmes nas redes sociais).




créditos: Olhar Viana do Castelo

Em tempos de pandemia, as cerimónias não se realizaram, obviamemte. No entanto, nada foi descurado para que todos pudessemos viver a festa. Adaptada ao formato digital sob o tema "Este ano, a nossa festa é sentida no coração."

Os vianenses e mordomas trajados a rigor, mantendo os cuidados exigidos, foram convidados a levar à rua um "bocadinho da romaria", trajando pelas ruas, honrando a tradição, a história e a alma de um povo. 




créditos: Olhar Viana do Castelo

A escola de dança de Viana do Castelo, Arte em Movimento lançou um vídeo no dia 17 de Agosto, "uma mensagem de alento e força a todos os vianenses" que este ano não poderiam assistir aos tradicionais festejos, percorrendo a cidade, naquela que é celebrada como a maior romaria do país. 





Arte em Movimento
School Dance at Viana do Castelo

O video foi publicado nas redes sociais. E mereceu os maiores elogios. Também despertou muitas invejas. Só podia.

Depois de milhares de visualizações, e de muitas partilhas, este video foi retirado do Instagram e do Facebook por ter sido "acusado de racismo" (?)







O tema musical Stand-UP cantado por Cynthia Erivo é belíssimo. Estão devidamente salvaguarados os direitos da cantora, e da sua interpretação, bem como o album de que faz parte este tema. Cynthia Erivo cantou-o na cerimónia dos Oscars.

A coreografia de Cristiana Neto é fabulosa! Viram racismo? Eu não vi. Por mais que tente!








créditos: Olhar Viana do Castelo

Nada tira o brilho, as cores "o vermelho, o verde, o amarelo, o azul, o castanho e o preto dos trajes enchem a cidade de brilho e de alma". 



Dancei a Gota em Carreço, 
O Verde Gaio em Afife 
Dancei-o devagarinho 


Como a lei manda bailar! (...)

Pedro Homem de Mello, Canção de Viana

G-S

23.08.2020

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Monday, August 17, 2020

Exposição imersiva Impressive Monet & Brilliant Klimt





Impressive Monet & Brilliant Klimt
créditos: © OCUBO

Estará patente na Alfândega do Porto, a Exposição Impressive Monet & Brilliant Klimt a partir de 21 de Agosto.

Convite aliciante a um mergulho ao universo do pintor francês impressionista Claude Monet e do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt. 

Vai ser inaugurada daqui a uns dias, na Immersivus Gallery, no subterrâneo do edifício da Alfândega do Porto, e permanecerá neste espaço até 15 de Novembro 2020.

Este novo projecto do atelier OCUBO mistura hologramas com projecções imersivas a 360º. Segundo o comunicado oficial, a exibição está estruturada de forma a dar a conhecer as obras-primas de Monet e Klimt, experienciando "uma nova fórmula lúdico-pedagógica", pela utlização das tecnologias.



Impressive Monet & Brilliant Klimt
créditos: © OCUBO

"Monet led the way to twentieth-century modernism by developing a unique style that strove to capture on canvas the very act of perceiving nature."

The Metropolitan Museum of Art 
Impressive Monet debruça-se sobre o mundo do artista parisiense e a sua órbita na esfera do impressionismo. O atelier OCUBO reinterpreta a obra do artista e revela "o que está para além dos quadros, das paisagens, dos acontecimentos e tudo o que está oculto, na essência, aquilo que não se vê dentro da moldura".
O público ficará imerso pelas cores que fazem parte do mundo deste grande pintor, Claude Monet
Claude Monet, um dos fundadores do Impressionismo francês com seus amigos Renoir, Sisley e Bazille.



Impressive Monet & Brilliant Klimt
créditos: © OCUBO

Brilliant Klimt traça um percurso do extraordinário pintor austríaco Gustav Klint, segundo dados biográficos, e legado atístico.  Sem dúvida, um dos pintores que  mais marcou o Simbolismo na arte. Um dos pioneiros na arte figurativa, do início do século XX.
"Klimt’s highly ornamental style reveals the close connection between Symbolism and parallel movements in the decorative arts such as Art Nouveau."
The Metropolitan Museum of Art



The Kiss
Gustav Klimt, 1907-1908
Österreichische Galerie Belvedere

O icónico quadro O Beijo é o fio condutor, funcionando como "um GPS subliminar das demais obras do autor: está sempre presente sem que o visitante dê conta".
A Immersivus Gallery é um espaço onde são desenvolvidas diversas experiências imersivas, com diferentes temas e artistas, nacionais e internacionais. 
Através da simbiose tecnologia e arte, dá oportunidade aos visitantes de experienciar a arte e cultura de uma forma inovadora.



Impressive Monet & Brilliant Klimt
créditos: © OCUBO

São 2000 m2  de área de projecção em 360º, onde o público é imerso pelo espectáculo, fazendo também ele, parte da história. 

Tudo possível através de uma instalação técnica complexa e inovadora, em que as Furnas da Alfândega do Porto  foram transformadas numa monumental tela onde o conteúdo multimédia é projectado no chão, paredes e tecto, preenchendo todo o espaço com cores e animações interactivas.

A Exposição está aberta de quarta-feira a domingo, das 10.30 às 20.00 horas.
Foi com grande entusiasmo que li esta notícia. Já ouvira falara. E estava muito expectante, de modo a saber quando estaria aberta ao público. 
E logo no Porto, onde nos tempos que corram nada se passa. Um marasmo terrível. 

Y/Our Future is Now
Olafur Eliasson
Não há concertos na Casa da Música. Programação pauperrima. Serralves parece parado no tempo, apesar de tão grandes espaços abertos em plena natureza. Olafur Eliasson no Parque até 27 Setembro 2020.
Cinema, nada de novo. Apenas reposições ou filmes sem grande interesse.
Em ano de tanta ausência de cultura devido à pandemia, não se pode perder uma experiência destas.
A não perder, portanto! Lá estarei um dia destes.
G-S
Fragmentos Culturais
17.08.2020
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NotaFace ao período de pandemia e de crise económica, será lançada uma campanha de preços especiais que variam entre os 5€ e os 9€. As crianças até aos 5 anos têm entrada gratuita.

Saturday, July 11, 2020

Ennio Morricone : tributo a um génio da música de cinema




 


Ennio Morricone [1908-2020]
créditos:  Heikki Saukkomaa Lehtikuva/ AFP 

"Ennio Morricone, il Titano dei tre Titani ."

Giornale di Sicilia/ Cultura

Já nada se pode escrever sobre Ennio Morricone, esse inimitável compositor e maestro que marcou a história do cinema. Tudo já foi dito. Repetido.

Para mim, Morricone permanecerá na minha memória afectiva pelas bandas sonoras em Once Upon A Time in AmericaThe MissionCinema Paradiso.






Cinema Paradiso
Giuseppe Tornatore, 1988

A mais bela homenagem que já se fez ao cinema. Realizado em 1988 - já? Parece que foi ontem - por Giuseppe Tornatore.

Sabe-se agora que escreveu a carta da sua própria despedida que faz estremcer qualquer um de nós. A ler aqui




Ennio Morricone Hollyood
via Giornale di Sicilia, 2007

Morricone teve uma carreira de quase 70 anos como instrumentista e 60 anos como compositor de bandas sonoras para cinema, TV e rádio. 

Compôs para um número ímpar de filmes, colaborou com realizadores prestigiados como Pier Paolo PasoliniSergio LeoneIrmãos Taviani, Terence Malick, Bernardo Bertolucci, Brian De Palma e, mais recentemente, Quentin Tarantino.

Faz parte de uma pleiade de compositores de cinema: John Williams Star Wars, Angelo Badalamenti Twin Peaks, Alexandre Desplat Argo ou The Queen. Hans Zimmer, Gladiator ou Inception. O meu preferido em novos tempos.






Mas voltemos a Cinema ParadisoA viagem de quem ama o cinema é peculiar. Cinema é sonho. É magia. 

Desde muito miúda. Meus pais adoravam cinema. E numa altura em que não havia classificação etária, levavam-me ao cinema, com meus quatro irmãos. Ocupávamos meia fila. 

A cinéfila que sou e que aqui escreve nunca deixou de ir ao cinema, para ver alguns filmes ditos 'obrigatórios' para quem ama a 7ª Arte. 

Direi melhor, filmes que criteriosamente selecciono segundo actores, realizadores, bandas sonoras. Muitas vezes baseados em livros. E que sei me tocarão. E trarão de volta as memórias felizes de meus pais. Partiram tão cedo!

Cinema Paradiso foi escolhido por falar de cinema, pelo actor francês Philppe Noiret e por Ennio Morricone. O realizador era-me desconhecido. Mas genial no modo  como nos transporta nesta jornada de duas horas, onde em momento algum o ritmo cai. A todo instante, há algo importante acontecendo, muitas vezes representados de maneira lúdica, como que personificação dos corações sonhadores. 








Non c’è una musica importante senza un grande film che la ispiri”.

Ennio Morricone

Entrou facilmente na minha lista de filmes favoritos. Possivelmente o mais belo que já vi. Por isso, sempre o revisito, quando reaparece nos canais de cinema, ou em canais portugueses.

Além de um filme, é uma experiência emocional e sensorial a ser vivida.  Um hino d amor ao cinema.






Ennio Morricone 
via Giornale di Sicilia 2007

"Há apenas um motivo para me despedir de todos assim e celebrar o funeral em privado: Não quero incomodar."

Ennio Morricone, in Carta de Despedida

Até breve, Maestro! Sua música imortalizou-o. Cada filme que revisitemos, as suas bandas sonoras farão com que esteja presente. E a magia poise em nós. 

"His work goes beyond the movies he composed for and will be deeply embedded in the art of film music for as long as there is film. He will be missed, but his music will not be forgotten."

Danny Elfman, composer, in Time 

A meus pais que me passaram este imenso refúgio d'alma. O amor ao cinema. Ao belo. À arte.


G-S

Fragmentos Culturais

10.07.2020 
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Monday, June 22, 2020

A Carlos Ruiz Zafón, em jeito de tributo tardio





Carlos Ruiz Zafon [1964-2020]
créditos: EPA

"Hoje é um dia muito triste para toda a equipa da Planeta, que conheceu e trabalhou com o escritor durante 20 anos, durante os quais se forjou uma amizade que transcende o profissional""

Planeta editora

Carlos Ruiz Zafon, catalão, morreu prematuramente, em Los Angeles, cidade onde vivia. Foi assim que a sua editora anunciou a morte do autor no passado dia 19 Junho. le. Era tão famoso quanto reservado.





E foi com muita tristeza que li. Só hoje me dedico a escrever sobre o seu desaparecimento repentino. Foi tão chocante que doeu. 

Carlos Ruiz Zafón alcançou êxito mundial en 2001 con La Sombra del Viento (2001), início da tetralogía El Cementerio de los Libros Olvidados que se concluiu com El Laberinto de los Espíritus (2016).

Ao abrir A Sombra do Vento, mal o comprei, iniciei a leitura. Pairei acima das ruas na Barcelona, levitada pelas descrição magistral.





A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafon, 2001

Ler é viajar sem sair do lugar, é voar, soltar a imaginaçãoZafón tinha esse dom. Dava-nos isso. O poder do sonho infinito, sair de dentro de nós e conhecer a sua Barcelona. Mostrava-a, fazendo-nos usar os cinco sentidos para sentir.


As suas palavras transportavam-nos em fantástica viagem pelas ruas e mistérios de Barcelona. Quando se começa um livro de Zafón, não dá para parar.

A Sombra do Vento foi inspirado pelos grandes romancistas do século XIX, "Dickens, Balzac, Victor Hugo ... as grandes sagas com personagens que permanecem na mente do leitor", nas palavras do autor.






Carlos Riz Záfon
créditos: Alberto Estevez/ EPA
via Expresso

Assim, Zafón não morreu, dado que continuará eternamente vivo "através dos seus livros", sobretudo o que nos levou a descobri-lo. A Sombra do Vento, finalista do Prémio de Romance Fernando Lara 2001 e do Prémio Libreter 2002.

A Sombra do Vento eleito o Melhor Livro do ano 2002 pelos leitores do jornal La Vanguardia, está traduzido em mais de 50 línguas.

Venceu também o Prémio Correntes d'Escritas, em 2006 e, numa mensagem de agradecimento ao Prémio Literário, o escritor disse:

O romance é "uma pequena carta de amor à arte da narrativa, ao ofício de criar e contar histórias, uma homenagem a quem as constrói palavra a palavra".

Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro, é considerada a obra de ficção em língua espanhola mais popular a seguir a Dom Quijote de Miguel de Cervantes.

A Sombra do Vento foi seleccionado, em 2007, por 81 escritores e críticos latino-americanos e espanhóis para uma lista dos 100 melhores livros da língua espanhola desses últimos 25 anos. 





Carlos Ruiz Zafon
créditos: DR

"Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte."

Carlos Ruiz Zafón,  Fermím in A Sombra do Vento

A história passa-se numa "Barcelona literária e tenebrosa”, como descreveu o La Vanguardia, numa “Barcelona gótica”, como afirmou o próprio autor em entrevista ao jornal Observador em 2016, por altura da publicação do último volume em Portugal.
“É uma estilização, quis fazer de Barcelona uma personagem, mais do que um cenário. Tem este lado menos óbvio, barroco, quase expressionista, necessário para estas histórias. É uma Barcelona literária, claro, não se trata de uma crónica ou de uma reportagem”
Carlos Ruiz Zafón






O meu primerio contacto com Zafón e A Sombra do Vento foi logo a seguir à sua pulicação em Portugal, em 2001. Gosto de livros. E como sabem, aprecio primeiras edições, quando se trata  de literatura.

Há livros que fiquem em nós. Profundamente. Livros absorventes,  capazes de nos agarrarem a cada folhear de página. E este, é uma história de livros. A meu gosto estético.

A Sombra do Vento, poderoso na narrativa. A Sombra do Vento, a história de um jovem que na Barcelona cinzenta de 1945 descobre un cemitério de livros esquecidos.

A Sombra do Vento é, para mim, parte de Barcelona. É uma aventura intensa, por vezes sombria e sinistra. Mas também uma viagem literária que nunca esqueci.





O Labirinto dos Espíritos
Carlos Ruiz Zafón, 2008

O Jogo do Anjo (2008) segundo livro da que posteriormente seria a tetralogía El Cementerio de los Libros Olvidados, iniciada com A Sombra do Vento, são os livros de Zafón que relembro. Com especal afecto pelo primeiro, A Sombra do Vento.

"Carlos Ruiz Zafón, quizá el escritor español contemporáneo más homologable en el panorama del best-seller internacional de calidad"

Carlos Geli, El País

A ler a crónica-tributo no jornal El País. 



Grande parte da obra de Carlos Ruiz Záfon está publicada em Portugal. Incluem-se o romance Marina, a  história inesquecível que precedeu A Sombra do Vento.. 






La Trilogía de Niebla
Carlos Ruiz Záfon

Também  títulos "O Palácio da Meia-Noite" e "As Luzes de Setembro",reunidos, juntamente com "O Príncipe da Neblina", na intitulada "Trilogia da Neblina", para leitores mais jovens.

"I have written for young readers, for the movies, for so-called adults; but mostly for people who like to read and to plunge into a good story."

Carlos Ruiz Zafón

Quantas histórias terão ficado por contar? Quantos livros Carlos Ruiz Zafón teria dentro de si?

"Yo creo que nada sucede por casualidad, sabes? Que, en el fondo, las cosas tienen un plan secreto, aunque nosotros no lo entadamos."

Carlos Ruiz Záfon

G-S

Fragmentos Culturais


22.06.2020
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