Thursday, February 27, 2014

A Paco de Lucia




Paco de Lucia 1947-2014

"Enmudeció el pellizco genial de la guitarra de Paco de Lucía."

É sempre com muita mágoa que sinto calarem-se grandes vultos das Artes. Ainda tão presente, Philip Seymour Hoffman

Paco De Lúcia (Paco é diminutivo de Francisco e Lúcia, nome de sua mãe, de origem portuguesa),nasceu em Dezembro de 1947 em Algeciras (Espanha). 

Considerado um dos maiores guitarristas da história contemporânea, Paco de Lucía é tido como um dos principais responsáveis pela popularização do flamenco, arte que levou aos quatro cantos do mundo.
De uma família de músicos - tem dois irmãos guitarristas e um outro cantor - colaborou ao longo da carreira com dezenas de músicos, incluindo guitarristas como Al DiMeola, John McLaughlin ou o pianista Chick Corea.





Al Di Meola, John Mclaughlin, Paco de Lucia

"De los ochenta data también su asociación con dos titanes de la improvisación a las seis cuerdas: Al di Meola y John McLaughlin. Juntos giraron por todo el mundo asombrando a auditorios de todas las clases y tamaños con su contagioso virtuosismo. "
Fez pelo menos duas 'tours' em Portugal, a última das quais em 2004, quando apresentou o álbum 'Cositas Buenas'
Posso dizer que foi um privilégio ouvi-lo ao vivo no Coliseu do Porto com Al di Meola e também num outro concerto, a solo. Emanava uma alegria em palco que se transmitia através da sua sensibilidade de virtuoso.
Foi a partir dos anos 60, mas sobretudo na década de 70, que o mito de Paco de Lúcia nasceu, com "reintrepetações dos ritmos do flamengo que o guitarrista fundiu com outros sons, como o dos batuques, com que estreou, ao vivo, um dos seus temas mais conhecidos: 'Entre dos aguas'."
Trabalhou com os principais nomes do flamenco em Espanha. E retirou o flamenco dos 'tablaos' (lugares onde se realizam apenas espectáculos de flamenco) levando-o para os grandes palcos de todo o mundo. 


Paco de Lucia
Misturou on flamenco com jazz, blues, country, salsa, bossa nova e até música hindú e música árabe, inspirando mestres de vários estilos.
Foi galoardo, em 2004, com o Prémio Príncipe das Astúrias - considerado o Nobel espanhol.

"His style has been a beacon for young generations and his art has made him into one of the best ambassadors of Spanish culture in the world."

O Júri



Paco de Lucia (2008)
foto: Reuters

Recebeu, no mesmo ano, o Grammy pelo melhor albúm de flamenco, o Prémio Nacional de Guitarra de Arte Flamenco, a Medalha de Ouro Mérito das Belas Artes 1992, o Prémio Pastora e o Prémio da Música 2002.
"El guitarrista gaditano Paco de Lucía  subió hoy al olimpo académico del prestigioso centro universitario Berklee College of Music, de Boston (Estados Unidos), por el que fue investido "Doctor Honoris Causa", durante una multitudinaria ceremonia celebrada en el Agganis Arena, con más de 6.000 espectadores y casi mil estudiantes que celebraron su graduación."
Foi assim o primeiro espanhol a receber ests distinção.
Em 2013 actuou para um público luso-espanhol no Festival de Fado e Flamenco - Badasom - em Badajoz.
Tocou pela úlima vez no Chile, em Novembro 2013. Depois de 15 anos, Paco de Lucía interpreta en Santiago de Chile "Entre dos aguas" (rumba) com seus músicos. 

"Este verdadero ritual del maestro de maestros de la guitarra fue el último concierto de su gira latinoamericana,"



A imprensa internacional debruçou-se hoje sobre a morte de Paco de Lucia: Le Nouvel Observateur, Le Monde, BBC, CNN, New York TimesE como não podia deixar de ser a imprensa de seu país, dedica-lhe reportagens aprofundadas e plenas de admiração. 

Aconselho a Fotogaleria de El Pais e todos os artigos que poderão encontrar a partir desta página



Paco de Lucia | Havana 2013
foto:Alejandro Ernesto/European Pressphoto Agency

"En el mundo de la música hay pocas figuras indiscutibles, pocos genios capaces de sobrevivir durante décadas sin recibir una mala crítica. El caso de Paco de Lucía es, probablemente, único, "

G-S

Fragmentos Culturais

27.02.2014
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Thursday, February 13, 2014

Porto, sempre sentido




Porto, Melhor Destino Europeu 2014
https://www.facebook.com/cidadedoporto

A cidade do Porto foi eleita hoje o Melhor Destino Europeu 2014 - European Best Destination 2014 em votação online no site European Best Destinations.

Galardão atribuído anualmente pela European Consumers Choice, uma organização independente e não lucrativa.

Sedeada em Bruxelas, a European Consumers Choice tem por objectivo o desenvolvimento e a promoção da cultura e do turismo europeus, da sua riqueza, diversidade e qualidade.

O Porto sucede a Istambul, Turquia, que venceu o concurso o ano passado, com Lisboa a ficar em segundo lugar.

A Madeira também concorreu.  Ficou na 6ª posição.



Já em 2012, o Porto fora eleito como o melhor dos 10 destinos de férias de eleição na Europa - Top 10 Best value destinations for 2012  - numa distinção internacional promovida pela editora Lonely Planet, líder mundial na publicação de guias de viagem.

Sem esquecer que a cidade teve destaque no jornal The Sun, em 2012 também, pelo olhar de Jiri Siftar através da aplicação Instagram, lembram?

"Uma notável lição de cidadania e um exemplo de como é possível a união por boas razões e objectivos positivos! 
Que grande Porto somos nós!"

Rui Moreira, autarca portuense

Imagens que iluminaram nossos olhos, cansados de tão brumoso Inverno.

Porto merece ! A cidade é linda. Tem um vasto património cultural. Novos caminhos se estão percorrendo no campo da cultura.

O video oficial do Porto - MDE 2014 foi produzido por Atmos Aerial Filming. Um olhar estético de muita qualidade, inspirado em Echoes (excerto) dos Pink Floyd.

Aconselho vivamente a visionarem em formato original na Vevo !


G-S

Fragmentos Culturais 

13.02.2014

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Monday, February 3, 2014

Philip Seymour Hoffman : tributo





Philip Seymour Hoffman |  Robert Gelbart
The Late Quartet (2012)

"I try to live my life in such a way that I don’t have profound regrets," (...) "That’s probably why I work so much. I don’t want to feel I missed something important."

Philip Seymour Hoffman, 

Li durante a tarde de ontem, dia 02 de Fevereiro, que Philip Seymour Hoffman morreu. Fiquei perturbada. Tão prometedor!

Lembrei Heath Ledger. E tantos outros tão jovens que não aguentaram a pressão da fama e acabaram tão sós.

Admirava Philip Seymour pelo seu imenso talento e versatilidade. Apesar de saber do seu percurso acidentado, supus que pudesse ultrapassar, já que tinha filhos tão pequenos. Dizem os que privavam com ele, perto de sua residência, que era um pai encantador.

Todos os media mundiais lhe dedicam homenagens, bem como amigos e grandes figuras do cinema e teatro.




Philip Seymour Hoffman
A Late Quartet (2012)

Para mim, está anda muito presente a extraordinária interpretação de Hoffman como violinista no filme "Um Quarteto Único" Late Quartet de 2012 que só chegou às nossas salas no início do Outono 2013.

Seria imperdoável não ver. E foi uma das minhas primeiras opções ao voltar ao cinema, depois das férias. Aconselho vivamente a quem gosta de música erudita.



Philip Seymour Hoffman
1967-2014


“perhaps the most ambitious and widely admired American actor of his generation"

Bruce Weber, Times

Hoffman era um dos actores mais respeitados e talentosos da sua geração, não só no cinema, como no teatro. Tinha apenas 46 anos. 

Trabalhou com os mais conceituados realizadores. , Spike Lee ou
Paul Thomas Anderson. Este foi o cineasta com quem mais vezes trabalhou: das seis longas-metragens de Anderson, Hoffman participou em cinco filmes. Relembro dois distanciados de anos. Um há alguns anos, Magnolia, outro bem recente, The Master. Duas referências cinematográficas.




Philip Seymour Hoffman | Oscar 2006

O actor foi nomeado três vezes para Oscar de Melhor Actor Secundário pelas interpretações em "Jogos do Poder" Charlie Wilson's War (2007), "Dúvida" Doubt (2008) e "O Mentor" The Master (2012). 

Foi galardoado em 2006 com o Oscar de Melhor Actor pela personagem Truman Capote no filme Capote (2005).




Philip Seymour Hoffman | Fetival Cinema Veneza
photo: Andrew Medichini/AP

E na 69ª edição do Festival Internacional de Veneza, (2012), recebeu a "Coppa Volpi" como Melhot Actor no filme "O Mentor" The Master com Joaquin Fenix.





Philip Seymour Hoffman | Hunger Games

Trabalhava actualmente no último filme da série Hunger Games (Jogos da Fome) na personagem Plutarch Heavensbee. 





Philip Seymour Hoffman
Hunger Games
credits: Rex Features

A estreia estava prevista para 2015. Mas com a morte do actor, talvez sejam feitas algumas alterações.





Philip Seymour Hoffman | The Master

Filmes que vi com Phlilip Seymour Hoffman: Perfume de Mulher, Magnolia, O Talentoso Mr. Rippley, Quase Famosos, Nos Idos de Março, O Mentor. 

E mais recentemente, Um Quarteto Único. A tradução não tem a ver com o título original. A Late Quartet fala da obra prima de Beethoven String Quartet No. 14, opus 131.




Philip Seymour Hoffman | Robert Gelbart
A Late Quartet (2012)

E é com A Late Quartet que guardo a sua última imagem no ecrã, num desempenho brutal a que já me tinha habituado, mas que sempre me surpreendia. Um desempenho dramático de grande sensibilidade tal como a música de câmara exige.


"He was a great actor, a great member of the film and theatre community. An extraordinary talent, directorially as well as an actor. He'll be greatly missed," 

John Hurt (actor)

G-S

Fragmentos Culturais

03.02.2014
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Saturday, February 1, 2014

Voltemos ao cinema



Oscars 2014

Há muito não escrevo sobre cinema. Suponho que desde Agosto (2013). Mas todos sabem como gosto de cinema. É assim como virar-me um pouco mais para dentro, em instantes de acalmia, sentada numa sala de cinema. Fora, fica o tempo conturbado. Suponho que é das poucas actividades culturais que não tenho abandonado, nestes tempos.


E depois, também tenho escrito muito pouco, eu sei. Talvez este inverno bravio, tenebroso que desceu sobre a cidade, e teima em não nos abandonar, me iniba ainda mais. Todos andamos im pouco assim, sem ânimo. 

Como se já não bastasse o país que se vive. Triste. Sem risos, sem alegria.

Entãp, hoje, a temática que me inspira é o cinema. Ou melhor, falar sobre filmes, sugestões pessoais que me levaram às salas e já deram prémios nos Globe Golden Awards. Prometem também fazer a noite dos Oscars.




Começo com Blue Jasmine de Woody AllenWoody Allen voltou aos seus melhores tempos. Talvez o seu melhor filme dos últimos anos, embora tenha gostado de alguns dos filmes do ciclo dedicado a cidades.

Cate Blanchett aparece no papel de uma mulher elegante, habituada à vida social de Nova Iorque e que vê esse estatuto 
desmoronar-se, assim como seu casamento com um homem de negócios rico. 

Vê-se então obrigada a recorrer à irmã que vive num modesto apartamento em São Francisco. Num percurso dramático, tenta reconstruir a sua vida.

Extraordinariamente interpretada por uma Cate Blanchett 'muito real', Jasmine conquista nossa compaixão ao tornar-se um inconsciente instrumento da sua própria queda. Foi galardoada como Melhor Actriz nos Golden Globe Awards



Dallas Buyers Club

O Clube de Dallas de Jean-Marc Vallée é um drama biográfico, inspirado na verdadeira história de Ron Woodroof (Matthew McConaughey) tema de um artigo do jornalista Bill Minutaglio, publicado no jornal “The Dallas Morning News" em Agosto de 1992. Woodroof morreu a 12 de Setembro de 1992.


Matthew McConaugheyJared Leto

Ron Woodroof, um cowboy do Texas cuja vida sofreu uma reviravolta quando, em 1985, lhe foi diagnosticado o vírus da SIDA terminal, (30 dias de vida). 
sua luta pela dignidade e aceitação, é uma história original, inspirada em factos verídicos, sobre o poder transformador da resiliência.

Viviam-se os primeiros momentos desta epidemia e os EUA estavam divididos sobre como combater o vírus. Matthew McConaughey já foi distinguido como Melhor Actor nos Golden Globe Awards e Jared Leto que todos conhecemos da banda Thirty Seconds to Mars como Melhor Actor Secundário.

Excelentes interpretações! Um filme que nos faz pensar na verdaderia essência da vida, e nos alerta para certos interesses de grandes laboratórios,






O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street) de Martin Scorsese com Leonardo di Caprio, é a adaptação ao cinema da autobiografia do corrector da Bolsa de Nova York Jordan Belfort. Excessivo em tudo, mas a intenção é mesmo provar como o poder corrompe. Peca por ser demasiado longo, mas Scorsese é assim.

Está nomeado para Melhor Fime nos Oscars embora sejam Gravity e American Hustie que liderem. Leonardo di Caprio está nomeado para Melhor Actor e já foi galardoado nos Golden Globe Awards.



Le Passé do iraniano  conta com a interpretação de Bérénice Béjo. Lembram-se dela no filme L'Artiste, vencedor de todos os prémios em 2012? 

Depois de Uma SeparaçãoAsghar Farhadi regressa com O Passado (Le Passé) cuja temática parece, aparentemente, ser semelhante. Casamentos mistos, tradições diferentes.

O filme começa com Ahmad que, após quatro anos de separação, chega a Paris vindo de Teerão, a pedido de Marie, sua mulher, francesa, para se divorciarem legalmente. 

Durante a sua breve estadia, Ahmad descobre a relação conflituosa que Marie tem com a filha mais velha, Lucie. Enquanto Ahmad se esforça para tentar melhorar esse relacionamento, segredos bem guardados do passado de cada uma das personagens vão sendo descobertos.




O Conselheiro (tradução de The Counselor tem em português um significado diferente, o que equivale a advogado) de  conta com um elenco de luxo: Michael Fassbender, Brad Pitt, Cameron Diaz, Javier Bardem, e Penépole Cruz.

Thriller intenso de um advogado criminalista que, ao ser atraído para o perigoso mundo do tráfico de droga, percebe que a sua decisão o conduz a uma espiral descendente de acontecimentos imparáveis e de consequências fatais. Bastante violento, mas real. 

Ridley Scott, tal como Scorsese tentam mostrar nestes seus dois filmes o verdadeiro mundo da economia e da droga. Valor redobrado, corajoso.


Termino com a Última Paixão do Sr. Morgan (The Last Love of Mr. Morgan) da realizadora alemã  com Michael Caine e Clémence Poésy, baseado no  romance La Douceur Assassine", de Françoise Dorner, e rodado em Paris. Foi muito bom percorrer de novo Paris.

Matthew Morgan (Michael Caine) é um norte-americano a viver em Paris. Professor aposentado de Filosofia parece ter perdido todo o sentido de viver desde a morte da mulher. Um casamento perfeito, cheio de cumplicidades.

Mas ele começa a mudar no dia em que conhece a jovem parisiense Pauline Laubie (Clémence Poésy). Também ela dedica a vida ao ensino, mas como professora de danças de salão. 

É encantador assistir às suas aulas de dança. E Mr. Morgan reencontra aí um pouco da sua alegria.

Matthew vai desenvolver com Pauline uma relação especial, mesclada de ternura e partilha. Tenta reaprender a viver, afastando-se por momentos do desalento, embora sua mulher continue muito presente. Com ela partilha o seu novo dia a dia bem como a sua relação com Pauline. Nem sempre tudo está bem...

Não se trata de uma paixão, como indicia a tradução. É mais o preencher da 'fenda' (quem for ver o filme entenderá a expressão) por onde a luz entra e torna a vida menos vazia.

O meu favorito? Não há propriamente um filme que me tenha seduzido por inteiro como foi o caso de Melancholia, 2012.

Os que me cativaram? Blue Jasmine, Clube de Dallas, A Última Paixão do Sr.Morgan. Por que razão ? Falam da vida real, ficcionada ou verdadeira, apontam para os dramas de pessoas que podem cruzar connosco.

Ainda não vi Doze Anos Escravo, PhilomenaA Rapariga que Roubava Livros e o tão aguardado August: Osage County com Meryl Streep, Julia Roberts, entre outros.

Gravity e American Hustle atraem-me menos, pese embora saber que são os mais fortes candidatos ao Oscar de Melhor Filme. Lista de nomeações a ver aqui

Excelente tarde para ir ao cinema, já que a temperatura desaconchegante, e as chuvas constantes não convidam a um passeio ao ar livre.

G-S

Fragmentos Culturais

01.02.2014
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