Sunday, June 18, 2017

Silêncios







Incêndios florestais centro Portugal
créditos: Rui Oliveira/ EPA




créditos: Rui Oliveira/ Global Images


"A tragédia de Pedrógão Grande é avassaladora. Humilha-nos com imensidão. A dor cala-nos. (...) É a altura de ouvir, de querer ajudar, de respeitar quem morreu, quem luta pela vida, quem está a sofrer.

O luto é nacional por ser sentido por todos mas, como todos os lutos, só quem sabe quem perdeu é que o pode compreender. É a altura de ouvirmos quem precisa, de ouvirmos quem não consegue falar, de ouvirmos a angústia de quem só é capaz de chorar." (...)

Miguel Esteves Cardoso, Os Lutos 

in Público, 18.06.2017 


G-S

Fragmentos de Luto

18.06.2017
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Tuesday, June 13, 2017

Fernando Pessoa : Não sei quantas almas tenho





Fernado Pessoa
créditos: ©2008-2017 nuvem
Digital Art / Photomanipulation / People

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa, Não sei quantas almas tenho, 24.08.1930

in Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005/ Banco de Poesia, Casa Fernando Pessoa

G-S

Fragmentos Culturais

13.06.2017
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