Mostrar mensagens com a etiqueta musica erudita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta musica erudita. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Philip Seymour Hoffman : tributo comovido a um exclelente actor.







Philip Seymour Hoffman |  Robert Gelbart
The Late Quartet
Yaron Zilberman, 2012

"I try to live my life in such a way that I don’t have profound regrets," (...) "That’s probably why I work so much. I don’t want to feel I missed something important."

Philip Seymour Hoffman 

Li durante a tarde de ontem, dia 02 de Fevereiro. Philip Seymour Hoffman morreu. Fiquei perturbada. Na melhor fase da sua carreira!

Lembrei Heath Ledger. E tantos outros tão jovens que não aguentaram a pressão da fama e acabaram tão sós. 

E neste mesmo ano 2014, Robin Williams.

Admirava Philip Seymour pelo seu imenso talento e versatilidade. Apesar de saber do seu percurso acidentado, supus que pudesse ultrapassar, já que tinha filhos tão pequenos. Dizem os que privavam com ele, perto de sua residência, que era um pai encantador.

Todos os media mundiais lhe dedicam homenagens, bem como amigos e grandes figuras do cinema e do teatro.





Philip Seymour Hoffman
A Late Quartet
Yaron Zilberman, 2012

Para mim, está anda muito presente a extraordinária interpretação de Hoffman como violinista no filme Um Quarteto Único/ Late Quartet de 2012 que só chegou às nossas salas no início do Outono 2013.

Seria imperdoável não ver. E foi uma das minhas primeiras opções ao voltar ao cinema, depois das férias. Aconselho vivamente a quem gosta de música erudita.





Philip Seymour Hoffman
[1967-2014]

“perhaps the most ambitious and widely admired American actor of his generation"

Bruce Weber, Times

Hoffman era um dos actores mais respeitados e talentosos da sua geração, não só no cinema, como no teatro. Tinha apenas 46 anos. 

Trabalhou com os mais conceituados realizadores. , Spike Lee ou
Paul Thomas Anderson. Este foi o cineasta com quem mais vezes trabalhou: das seis longas-metragens de Anderson, Hoffman participou em cinco filmes. Relembro dois distanciados no tempo. Magnolia, e mais recentemente, The Master. Duas referências cinematográficas.




Philip Seymour Hoffman | Oscar 2006

O actor foi nomeado três vezes para Oscar de Melhor Actor Secundário pelas interpretações em Jogos do Poder / Charlie Wilson's War (2007), Dúvida / Doubt (2008) e O Mentor / The Master (2012). 

Foi galardoado em 2006 com o Oscar de Melhor Actor pela personagem Truman Capote no filme Capote de Bennett Miller (2005).





Philip Seymour Hoffman | Festival Cinema Veneza
credits: Andrew Medichini/AP


E na 69ª edição do Festival Internacional de Veneza, (2012), recebeu a "Coppa Volpi" como Melhot Actor, no filme O Mentor / The Master de Paul Thomas Anderson contracenando com Joaquin Fenix.





Philip Seymour Hoffman | Hunger Games


Trabalhava actualmente no último filme da sequela Hunger Games / Jogos da Fome, na personagem Plutarch Heavensbee. 





Philip Seymour Hoffman
Hunger Games
credits: Rex Features


A estreia estava prevista para 2015. Mas com a morte do actor, talvez sejam feitas algumas alterações.





Philip Seymour Hoffman 
The Master

Filmes que vi com Phlilip Seymour Hoffman: Perfume de Mulher / Scent of a Woman, Magnolia, O Talentoso Mr. Rippley /The Talented Mr Rippley, Quase Famosos / Almost Famous, Nos Idos de Março / The Ides of March, O Mentor / The Master e Capote (interpretação fabulosa como Truman Capote). 

E mais recentemente, Um Quarteto Único. A tradução nada tem a ver com o título original. A Late Quartet fala da obra prima de Beethoven, String Quartet No. 14, opus 131.




Philip Seymour Hoffman | Robert Gelbart
A Late Quartet 

E é com A Late Quartet que quero guardar a sua última imagem no ecrã. Um desempenho brutal a que já me tinha habituado, mas sempre surpreendente. 

Uma interpretação dramática de grande sensibilidade, tal como a música de câmara exige.


"He was a great actor, a great member of the film and theatre community. An extraordinary talent, directorially as well as an actor. He'll be greatly missed," 

John Hurt (actor)


Hoje revi The Late Quarter em um dos canais de cinema da televisão. Fiquei presa de novo ao pequeno ecrã. 

Um filme que é uma curta mas interessante lição de música, em geral, neste caso em quarteto de cordas, música de câmara. E dos elementos do grupo entre si e individualmente, quando um dos músicos começa a ser atingido pela doença de Parkinson.
 


G-S


Fragmentos Culturais

03.02.2014

actualizado 27.10.2024
Copyright © 2014-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Claudio Abbado : tributo emocionado





Claudio Abbado 1933-2014
credits : Peter Fischli


"Caudio Abbado, a conductor whose refined interpretations of a large symphonic and operatic repertory won him the directorships of several of the world’s most revered musical institutions — including La Scala, the London Symphony Orchestra, the Vienna State Opera and the Berlin Philharmonic."

Allan Kozinn, New York Times

Morreu Claudio Abbado. É assim que o New York Times abre o seu artigo sobre a morte do maestro Claudio Abbado. O maestro que se recusava a dirigir uma orquestra com partitura. Isso é música. Personalizar o que está escrito, deixando a alma solta.

"After meticulous preparation, involving consultation of original sources, he conducted everything from memory."

O mundo ficou hoje mais triste. O maestro italiano tinha 80 anos, e lutava há algum tempo contra uma doença que o obrigou ao cancelamento de vários concertos previstos com a Orquestra di Bologna que dirigida nos últimos anos.

Em Agosto de 2013, Abbado fora nomeado senador vitalício pelo presidente italiano, pelos méritos conseguidos ao longo da sua carreira. 

Em Dezembro último, o maestro Claudio Abbado renunciou à sua remuneração como senador, e destinou esse dinheiro à criação de bolsas para jovens músicos.

Considerado um dos maiores maestros do mundo, 'the great conductor', Abbado morreu hoje, na sua casa em Bologna, no norte de Itália.




Claudio Abbado
credits: Siegfried Lauterwasser/DG

Nascido em Milão em 26 Junho 1933, numa família de músicos, Seu pai era violinista e professor no Giuseppe Verdi Conservatory em Milão. Seu irmão mais velho tornou-se director da escola. Abbado completou a sua educação em Viena e Siena.

Em Siena tornou-se amigo de dois outros estudantes do conservatório, hoje também grandes. Zubin Mehta e Daniel Barenboim. É Barenboim que vai dirigir o concerto de homenagem nas cerimónias fúnebres de Abbado.

Mehta persuadiu Abbado a juntar-se a ele, como estudante, na Hans Swarowsky en  The Vienna Academy. In 1958. Foram os dois para Berkshire Music Center em Tanglewood, onde Abbado ganhou o Koussevitzky Prize para jovens maestros

Foi director no La Scala de Milão, entre 1968 e 1986, nomeado depois para gerir os destinos da London Symphony Orchestra (1979 e 1988), e da Ópera de Viena. 

Admirador confesso das orquestras norte-americanas, conduziu a Chicago Symphony, a Cleveland Orchestra e a New York Philharmonic.




Claudio Abbado 
credits: Cordula Groth 2000

"He was a particularly lyrical interpreter of Mahler, whose richly emotional language he had absorbed as a student in Vienna. But he was also a distinguished conductor of Mozart, Beethoven and Schubert, and he had a flair for Russian symphonic music."

Allan Kozzin, NYT

A sua obra é tão vasta que não dá para enumerar. Aliás, a música é para ser sentida. E Abbado senti-a  de um modo muito especial que passava pela sua imensa sensibilidade.

Apreciando profundamente Herbert Herbert van Karajan e Leonard Bernstein (que o encorajou imenso), é Claudio Abbado, minha referência desde os meus estudos musicais no Conservatório, e sem dúvida meu preferido. Como Martha Argerich é a minha intérprete mais querida no que concerne o piano.



Claudio Abbado & Martha Argerich
foto: Eric Auerbach | Hutton Archive via Getty Images

Martha Argerich, pianista e Claudio Abbado, pianista e maestro - meus intérpretes da alma -, tocaram juntos, suponho, pela última vez em Paris, Abril 14, 2013. A ver aqui

Termino então referindo a sua vasta obra discográfica na conceituada Deutsche Grammophon, de 1967 a 2013

"It is with deep regret that Deutsche Grammophon announces the passing of one of the greatest conductors of this and the last century. The label is proud to have accompanied Claudio Abbado on his musical journey over the last 46 years, and to have had the privilege of preserving his work in recordings."

Deutsche Grammophon prestou tributo, no seu site, à morte deste enorme maestro dos séculos XX-XXI.




Claudio Abbado 
foto: Georg Anderhub 

Em 2012, Gramophone nomeu Abbado um dos “50 People Who Changed Classical Music”. 

Para celebrar os 80 anos de Abbado completados em Junho de 2013, Deutsche Grammophon emitiu uma edição de 41 CDs, que celebram as obras fundamentais do repertório sinfónico do maestro.

Em 2013, a discográfica lançou ainda as suas gravações com a Orchestra Mozart a 2ª sinfonia de Schumann e os concertos para piano e orquestra de Mozart com a pianista portuguesa Maria João Pires. 





Mozart
martha Aregeric / Claudio Abbado
Orchestra Mozart


Em Fevereiro de 2014, estão previstas as gravações com Martha Argerich dos Concertos para Piano e Orquestra, No.20 in D minor, K.466 e No 25 in C. K 503 de Mozart.


Mas oicamos com recolhimento, Lacrimosa, do Requiem K.626 de Mozart pela Lucerne Festival Orchestra, Chor des Bayerischen Rundfunks e Swedish Radio Choir conduzido por Claudio Abbado em 2012.






E sintamos a emoção do maestro no final da interpretação do Requiem...






"What makes Claudio a great artist is his humanity, his extraordinary ability to change the sounds of the orchestra with just a gesture (…) His performances can be life-changing.”

Douglas Boyd


De todos os artigos que li ao longo do dia, na imprensa portuguesa e internacional, o artigo-homenagem de maior beleza foi escrito por Allan Kozzin, no New York Times e poderá ser lido na íntegra aqui

G-S

Fragmentos Culturais 

21.01.2014

Copyright © 2014-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 


domingo, 11 de novembro de 2012

Brussels Philharmonic: partituras digitais





Brussels Philharmonic

"C'est une révolution silencieuse que l'Orchestre Philharmonique de Bruxelles tente de mettre en musique: la disparition du papier dans la fosse." * 

De passagem por Bruxelas, por motivos profissionais, deparei-me com estas imagens! A Brussels Philhamonic tornou-se a primeira orquestra a tocar com partituras digitais. 

Foi precisamente esta semana! Pela primeira vez, os noventa e dois músicos da Brussels Philharmonic sob direcção de Michel Tabachnik tocaram Ravel e Wagner por partituras musicais em tablet.





Brussels Philharmonic


Com mais de uma centena de concertos agendados para esta época, a Brussels Philharmonic estima poder economizar cerca de 25.000 euros de papel por ano. Um desafio cuja sucesso vai depender, em grande parte, da digitalização das partituras de obras do repertório clássico.


Mas a Brussels Philharmonic vai mais longe! A orquestra propôs-se descarregar gratuitamente toques de música clássica do seu repertório para telemóveis.


Mas nada melhor do que ouvir a opinião dos músicos, do Maestro, e de alguns consumidores de toques (esta a parte menos interessante).



Contra tudo o que possam supor, não fiquei chocada. Pelo contrário, gosto imenso desta evolução e da adesão da  música erudita-clássica ao digital. 


"Since the 19th century, the way symphonic orchestras work has barely been touched. Think about it: every piece of sheet music has to be handed out to each of the more than hundred musicians participating in a play. This takes a lot of time, paper and meticulous work. It goes without saying that these documents are carefully kept for future use." *

Verdade! É evidente que a evolução deve também chegar aqui. É um pouco como olhar os livros e os e-books. Mas não tão evidente! São dois campos da cultura que merecem tratamento diferente. 


O primeiro vai do gosto de cada um (e eu não troco um livro impresso por um leitor- ebook). 


No caso das partituras impressas ou digitais, a diferença não tira em nada à qualidade de quem aprecia ouvir uma boa orquestra!


Uma curta nota! Não apreciei o gesto, embora simbólico, de mandar pelo ar as partituras impressas ! Pode ser interpretado por alguns como um gesto desrespeitador do esplendoroso trabalho dos compositores clássicos e de seus copistas. Lembram o filme Copying Beethoven? Que aprimorada escrita!


É certo que algumas questões se poderão colocar... E se o tablet avaria no meio de um concerto? Ou se o wireless falha?  Bom, como em tudo é necessário estar preparado para eventuais contratempos. 



"Que seria da vida, se não tivéssemos o valor de tentar algo novo".

Vincent Van Gogh 

G-S

Fragmentos Culturais

11.11.2012

actualizado 13.09.2026
Copyright © 2012-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

Licença Creative Commons

Créditos | Credits

fotos | photos Samsung Tomorrow
video: Culturebox/France Culture