Sunday, November 11, 2012

Brussels Philharmonic: partituras digitais




Brussels Philharmonic

"C'est une révolution silencieuse que l'Orchestre Philharmonique de Bruxelles tente de mettre en musique: la disparition du papier dans la fosse."

De passagem por Bruxelas, por motivos profissionais, deparei-me com estas imagens! A Brussels Philhamonic tornou-se a primeira orquestra a tocar com partituras digitais. 

Foi precisamente esta semana! Pela primeira vez, os noventa e dois músicos da Brussels Philharmonic sob direcção de Michel Tabachnik tocaram Ravel e Wagner por partituras musicais em tablet.


Brussels Philharmonic

Com mais de uma centena de concertos agendados para esta época, a Brussels Philharmonic estima poder economizar cerca de 25.000 euros de papel por ano. Um desafio cuja sucesso vai depender, em grande parte, da digitalização das partituras de obras do repertório clássico.

Mas a Brussels Philharmonic vai mais longe! A orquestra propos-se descarregar gratuitamente toques de música clássica do seu repertório para telemóveis.

Mas nada melhor do que ouvir a opinião dos músicos, do maestro, e de alguns consumidores de toques (esta a parte menos interessante).




Contra tudo o que possam supor, não fiquei chocada. Pelo contrário, gosto imenso desta evolução e da adesão da  música erudita-clássica ao digital. 

"Since the 19th century, the way symphonic orchestras work has barely been touched. Think about it: every piece of sheet music has to be handed out to each of the more than hundred musicians participating in a play. This takes a lot of time, paper and meticulous work. It goes without saying that these documents are carefully kept for future use." *

Verdade! É evidente que a evolução deve também chegar aqui. É um pouco como olhar os livros e os e-books. Mas não tão evidente! São dois campos da cultura que merecem tratamento diferente. 

O primeiro vai do gosto de cada um (e eu não troco um livro impresso por um leitor). 

No caso das partituras impressas ou digitais, a diferença não tira em nada à qualidade de quem aprecia ouvir uma boa orquestra!

Uma curta nota. Não apreciei o gesto, embora simbólico, de mandar pelo ar as partituras em papel! Pode ser interpretado por alguns como um gesto desrespeitador do esplendoroso trabalho dos compositores clássicos e de seus copistas. Lembram o filme Copying Beethoven? Que aprimorada escrita!

É certo que algumas questões se poderão colocar... E se o tablet avaria no meio de um concerto? Ou se o wireless falha?  Bom, como em tudo é necessário estar preparado para eventuais contratempos. 



"Que seria da vida, se não tivéssemos o valor de tentar algo novo".

Vincent Van Gogh 

G-S

Fragmentos Culturais

11.11.2012
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Licença Creative Commons

Créditos | Credits

fotos | photos Samsung Tomorrow
video: Culturebox

Referências:

*La partition numérique de l'Orchestre Philharmonique de Bruxelles

*Brussels Philharmonic plays music with Galaxy note 10.1

13 comments:

Isabel Maria Rosa Furtado Cabral Gomes da Costa said...

Querida FC:
Um artigo extraordinariamente interessante, como sempre. Aprendo sempre bastante quando aqui venho.
Acho, na verdade, que não deviam atirar as partituras de papel ao ar, devido ao incomensurável valor que tantas delas encerram em si, embora compreenda que não houve ali qualquer intenção menos feliz.
Grata pelo seu olhar atento e sempre ternurento em Luz de África. Tenho andado efectivamente um pouco afastada da blogosfera por falta de tempo.
Um abraço muito grande.

João Roque said...

O mundo em constante evolução; fabuloso.

heretico said...

"O mundo é composto de mudança..."

... e livro é Livro, tens razão.

beijo

vitor cunha said...

Adorei o que escreveste quer pela forma quer pelo conteúdo; acredito na digitalização e informatização das partituras mas não vejo que o papel possa, nos proximos anos,ser
substituído.Trabalhei num Banco onde se acreditava que as esferográficas tinham os dias contados no entanto, decorridos já, mais de 30 anos, continua a ser um objecto de real valor.Da mesma forma, a conclusão de um concerto poderá ter de recorrer à partitura em papel por ser impossível técnicamente continuar.Finalmente,lançar as partituras ao ar lembra-me aquela máxima que diz :"Não devem deitar-se os foguetes, antes da festa" Um Beijo, bom fim de semana.

Lilá(s) said...

Mudanças são necessárias...gosto imenso da maneira como escreves!
Bjs

Fragmentos Culturais said...

Querida Isabel,

A partilha é um dos aspectos mais positivos dos blogues, para além das amizades que se vão tecendo...

Sei que compreendeu o que quis dizer quanto ao 'gesto simbólico de enviar as partituras pelo ar. Não foi o acto em si, foi mais a leitura que possa ser feita numa passagem mais apressada da imagem.

Espero que tenha já voltado ao seu 'Luz de África'. Lá irei. Sabe que aprecio sinceramente a sua arte de narrar!

Boa semana!

Um grande abraço,

Fragmentos Culturais said...

Eu adoro a evolução 'positiva', João! Tal como tu! E esta encantou-me! Só gostaria te ter assistido ao vivo.

Abraço,

Fragmentos Culturais said...

... mudanças inovadoras, eu gosto, 'Herético'!
E neste caso, não tira em nada à qualidade da música que se ouve.

Quanto aos livres, isso é mesmo outro assunto... estamos de acordo :-)

Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

Vítor, muito obrigada pelas tuas palavras amistosas! O papel não será substituído, suponho que apenas menos usado...

Pois, os contratempos terão mesmo que ser previstos. E nisso, suponho que profissionalmente serão tidos em conta.

O gesto que encerra em si uma imagem positiva, está sujeito a interpretações várias... algumas não serão as melhores.

Boa semana!
Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

Eu gosto da mudança, 'Lilá(s).

Também tu me mimas :-)
Muito obrigada.

Um beijo,

aflores said...

Depois de ter lido este post vi uma notícia no 'euronews'. Caso para dizer que o "Fragmentos" está sempre à frente! ;):)


Tudo de bom.

Fragmentos Culturais said...

Obrigada, 'aflores' :-)

Tudo de bom!

Fragmentos Culturais said...
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