Tuesday, April 3, 2007

O Véu Pintado - o filme, o livro




The Painted Veil
"Most people cannot see anything, but I can see what is in front of my nose with extreme clearness; the greatest writers can see trough a brick wall. My vision is not so penetrating."



W. Somerset Maugham

Véu Pintado, tradução de The Painted Veil, estava no meu roteiro cinematográfico. O actor principal Edward Norton, o facto de ser baseado num livro de W. Somerset Maugham - gosto sempre de reler os livros pelos olhos dos outros - a fotografia que me parecera lindíssima na apresentação, e, como não podia deixar de ser, a banda sonora de Alexandre Desplat. Venceu os Golden Globe Awards 2007.




'The Painted Veil' de W. Somerset Maugham (1925) é um dos clássicos que faz parte das minhas referências literárias. Li-o ainda adolescente. Devorava livros.


O autor prima essencialmente pela pintura da sociedade inglesa da sua época, num estilo sóbrio e cuidado, próprio de um belo contador de histórias. Estas desenrolam-se, regra geral, em ambientes internacionais. 

A sua escrita é clara, sucinta, em tom resignado ou cínico, o que o torna peculiar e inconfundível!

"I have never pretend to be anything but a story teller. it has amused me and to tell stories and I have told a great many."

Somerset Maugham, Creatures of Circumstance, 1947

Li vários livros seus que me encantavam pela singularidade da sua escrita.





Naomi Watts & Edward Norton

Passado nos anos 20, a história conta-nos a vida de um jovem casal - Walter e Kitty - que casam pelas razões erradas. Uma história clássica para a época. Um casa por amor, Walter, o outro, Kitty, para fugir à autoridade materna.


Colocado em Xangai, o casal vive momentos de ruptura, quando Walter descobre a infidelidade de Kitty. Decide então voluntariar-se e apoiar como médico bacteriologista o surto de cólera que varre a China. Parte para uma aldeia remota chinesa, levando consigo a mulher.

Sem se deter demasiado na questão política que envolve um país vivendo já algumas convulsões com o império britânico, a trama centra-se sobretudo nas relações interpessoais, apanágio deste sagaz contador de histórias, Maugham!





Mais do que a história em si, demasiado clássica, embora tipifique uma determinada época, a minha motivação centrava-se bastante na beleza da fotografia, serenidade das paisagens, feita em Beiijing, numa estética rara do fotógrafo Stewart Dryburgh


Foi ele que se juntou a Michael Nyman no lindíssimo filme The Piano (1993).





Edward Norton

 The Painted Veil

Edward Norton é um actor muito carismático! E embora não aprecie muitas vezes o tipo de personagens que interpreta, ele é sempre fabuloso. Um actor de grande qualidade. 


Sóbrio, impermeável, o seu olhar transmite um distanciamento quase absorto de sentimentos. A sua sensibilidade transparece raramente. Mas está lá.

Vira-o há um ano no filme The Illusionistuma história encantadora que me  agradou profundamente, e onde Edward Norton se mostra mais humanizado.

Também aqui, Norton, apesar de manter aquela postura tipicamente britânica,necessária à personagem que interpreta, acaba por deixar fluir alguns sentires na sua relação com as crianças no hospital onde faz investigação.






Edward Norton & Naomi Watts
 The Painted Veil

Naomi Watts, no papel de uma mulher mimada da alta sociedade londrina, extrovertida, fogosa e pouco adaptada à sua época, deixa transparecer a ligeireza e futilidade próprias à sua personagem.

Mas ao longo do filme, e colocada perante a dura realidade que vive na aldeia chinesa, altera o seu comportamento e acaba por se tornar voluntária e apoiar as freiras no convento, ligado ao hospital, onde seu marido, para além das funções de investigador, presta assistência médica aos doentes terminais.

Aí, demonstra uma alegria esfuziante na sua relação com as crianças chinesas, internas no convento, a quem ensina música num piano desafinado. 


O piano é uma das sonoridades bem em evidência ao longo do filme, em trechos de grande sensibilidade de Desplat.




Edward Norton & Naomi Watts
 The Painted Veil


E revela-se, quando toma conhecimento que seu marido está mortalmente afectado pelo vírus epidémico que tanto ajudou a debelar, demonstrando uma dedicação e carinho ilimitados.

O filme desenrola-se num ambiente de grande tranquilidade, onde até os momentos mais dramáticos são vividos com distanciamento e alguma frieza, o que se torna desagradável, por vezes. E o final aparece assim, quase que abruptamente.

Reflecte bastante da escrita de Somerset Maugham. O autor não é expansivo nos sentimentos que descreve.

Vira-o há pouco tempo no filme The Illusionist numa história que me agradou profundamente, e onde Edward Norton se mostra mais humanizado.
Também aqui, Norton, apesar de manter aquela postura tipicamente britânica, necessária à personagem que interpreta, acaba por deixar fluir alguns sentires na sua relação com as crianças no hospital onde faz investigação.
Naomi Watts, no papel de uma mulher mimada da alta sociedade londrina, extrovertida, fogosa e pouco adaptada à sua época, deixa transparecer a ligeireza e futilidade próprias à sua personagem.
Mas ao longo do filme, e colocada perante a dura e pungente realidade que vive na aldeia chinesa, altera o seu comportamento e acaba por se oferecer para apoiar as freiras no convento, ligado ao hospital, onde seu marido, para além das funções de investigador, presta assistência médica aos doentes terminais.
Aí, demonstra uma alegria esfuziante na sua relação com as crianças chinesas, internas no convento, a quem ensina música num piano desafinado. O piano é uma das sonoridades bem em evidência ao longo do filme, em trechos de grande sensibilidade!
E revela-se, quando toma conhecimento que seu marido está mortalmente afectado pelo vírus epidémico que tanto ajudou a debelar, demonstrando uma dedicação e carinho ilimitados.
O filme desenrola-se num ambiente de grande tranquilidade, onde até os momentos mais dramáticos são vividos com distanciamento e alguma frieza, o que se torna desagradável, por vezes. E o final aparece assim, quase que abruptamente.
É uma história de amor, sim, mas que não chamará o grande público. Aliás, a sala estava quase vazia!
Realizado por John Curran que com Edward Norton fez um trabalho de grande maturação e estudo aprofundado da época, denota uma intenção comum de dar a conhecer um país e sua civilização - China - nos anos 30.
O filme de qualidade! Sem dúvida! Não de grandes audiências. De um público mais atento

"This is one of the finest films of the year"

Chicago Sun-News

G-S

Fragmentos Culturais

03.04.2007
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(escrito e publicado sob pseudónimo, em 20.03.07)


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