Sunday, June 22, 2014

Lisboa visitada em realidade aumentada ?






Rewind Cities Lisboa (app)

"With Rewind Cities Lisbon, you are sent on a journey into the past of Lisbon which will reveal its history, heritage and culture, transforming your smartphone or tablet into real pocket time machine."

Google Play

Lisboa já tem a sua passagem pelas redes móveis com Postal Digital. Do mesmo modo o Porto no Instagram passa pelas redes sociais.



Rewind Cities Lisbon (app)

Gosto desta nova visão sobre as cidades que ficam cada vez mais na ponta dos nossos dedos. E mais vivas, apetecíveis, com o acesso à cultura e ao turismo num novo conceito.

Desta vez voltamos a Lisboa. A aplicação (app) Rewing Cities Lisbon abriu há dois dias, isto é a 20 Junho, novas possibilidades de descobrir a cidade via smartphones Android, juntando história, cultura, turismo e tecnologias de ponta, neste caso, realidade aumentada. 

A app transporta os visitantes e turistas de Lisboa para o passado da cidade através de realidade aumentada : fotografias e animações em 3D.



Rewind Cities Lisbon (app)

A aplicação está disponível gratuitamente na loja Google Play e está já prevista uma versão iOS para que um maior número de utilizadores possa aceder à ferramenta que tira partido da tecnologia de realidade aumentada. E junta o conceito de guia turístico com a máquina do tempo. 

A app Rewind Cities Lisboa foi desenvolvida pela empresa Rewind Cities. Pretende mostrar novas perspectivas em localizações privilegiadas da cidade de Lisboa aos lisboetas e aos turistas. 



Rewind Cities Lisbon (app)


Acedendo aos Tutoriais encontra todas as directrizes que necessita para completa utilização.

Na área de Forgotten City é possível ver imagens e vídeos do local através do tempo ou de acontecimentos que aí tiveram lugar e fizeram a história da cidade, mas a realidade aumentada adiciona uma informação acrescida na time Machine, tirando partido da câmara do smartphone ou do tablet e sobrepondo outras imagens. 




Rewind Cities Lisbon (app)

A Visão deu destaque ao novo projecto Rewind Cities - onde o passado se torna presente.



screenshot video

A app tem ainda uma área de Total Recall, onde mais uma vez a realidade aumentada RA é usada para uma animação 3D de episódios marcantes, com a intervenção de personagens históricas. 






Rewind Cities Lisbon (app)




Rewind Cities Lisbon (app)


As memórias da visita ficam asseguradas através do Time Traveller, onde as imagens antigas de edifícios ou monumentos podem servir de pano de fundo a postais ilustrados com fotos de cada um de nós ao passar por Lisboa ou com os turistas que visitem a cidade. 

A Rewind Cities Lisbon oferece ainda duas outras funcionalidades:

A funcionalidade Lisboa Agora a cidade fala com os visitantes que dá acesso a informação sobre eventos culturais nas zonas  que visitamos.

E Loja Rewind Cities Lisbonuma montra de produtos característicos de Lisboa ou que contenham elementos típicos, assumindo-se como um meio privilegiado para comércio e serviços.

Veja agora o video de apresentação :






Hum ! Experiência gostosa, não ? E se visitar o site Rewind Cities Lisbon fica ainda mais entusiasmado com a perspectiva 3D sobre a cidade que esta app nos deixa fruir.

Convencidos? Eu sim.

G-S

Fragmentos Culturais
(formato web 2.0)

22.06.2014
Copyright © 2014-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 

Créditos : video Rewind Cities


Monday, June 9, 2014

Wayne Shorter Quartet na Casa da Música



Wayne Shorter | Casa da Música
créditos: Casa da Música


Ontem à noite, voltei à Casa da Música. Fui ouvir Wayne Shorter Quartet. O lendário Wayne Shorter que tocou com Miles Davis, Art Blakey (Jazz Messengers) antes de se consagrar como solista da Blue Note na segunda metade da década de 60.



"During the 1960s, Wayne Shorter came to the fore not just for his talent on saxophone, but also for the compositions he created. Whether with Art Blakey’s Jazz Messengers or with Miles Davis’ quintet, or on his own string of solo albums, Shorter’s harmonic conception, sense of space and bending of music-theory rules destined many of his tunes to become jazz standards."





Wayne Shorter


Saxofonista e compositor, "a true musical giant", vencedor de vários Grammy e NEA Jazz Master Awardentrou compassadamente no palco, poucos minutos depois das vinte uma horas.

A noite estava fresca, embora o final de tarde tivesse sido agradável e até luminoso. 


A sala esgotada desde cedo, apresentava uma audiência multigeracinal, coisa que me apraz sempre muito.


O final de dia foi esmorecendo, até que a pouca claridade que ainda se adentrava pelo grande painel de fundo que separa o coro da imensa janela virada para a Boavista desapareceu. 

A sala Suggia ficou mais intimista como deve ser para um bom concerto de jazz.



Wayne Shorter Quartet | Casa da Música
créditos: Casa da Música

Inserido na programação Verão na Casa da Música, Wayne Shorter ocupou o seu lugar no centro do palco, perto do piano, semi apoiado num banco alto, que se encontrava sobre um tapete persa. 


Estranhei o adereço, mas bem enquadrado na época da qual o músico faz parte. Ou previdência? Deu, no entanto, um carácter de bas-fond nova iorquino dos pequenos clubes de jazz dos anos 60. A julgar pelos filmes de época. Woody Allen, um excelente transmissor em muitas das suas obras cinematográficas. Aliás, também ele músico de jazz.


Shorter fez-se acompanhar de outros nomes grandes do jazz actual, Danilo Pérez (piano), Brian Blade (percussão) e John Patitucci  (contrabaixo).



Wayne Shorter, lenda feita pela composição e pela originalidade como saxofonistaregressou à célebre editora Blue Note em 2013 com "Without a Net".




Wayne Shorter Quartet | Casa da Música
créditos: Casa da Música
O concerto iniciou-se com discrição,  gestos pausados, ao ritmo dos seus 81 anos, mas com Danilo Pérez a dar o mote à narrativa, bem expressivo, e Brian Blade, qual enfant terrible, a deixar escapar uma exuberância em crescendo ao longo da noite. Patitucci contrapunha cúmplice e mais sereno.

Uma improvisação a quatro com uma potencialidade instrumental e tímbrica de elevada qualidade, criando ciclos de acção e implicação entre o virtuosismo brilhante do piano de Pérez e a desarvorada exuberância da bateria de Blade, dois dos mais criativos músicos do jazz moderno que enquadraram todas as variantes instrumentais da linguagem dos saxofones de Shorter.

Uma cumplicidade que se sentiu ao longo do concerto, e 
à qual se juntou uma audiência veneradora, raramente interrompendo para aplaudir improvisações dignas de muita admiração e palmas ou assobios de apreço. Dir-se-ia mais um ambiente de master-class.



Wayne Shorter | Casa da Música
créditos: Casa da Música

Sobre Shorter, pouco poderei escrever sob pena de repetir tudo o que já foi escrito ao longo da imensa carreira deste senhor do jazz.

Wayne Shorter alia uma extraordinária qualidade tímbrica nos saxofones à arte da composição! Uma das maiores referências do electric jazz.

Claramente. Um privilégio ver e ouvir Shorter, uma capacidade instrumental invejável, um talento que permanece intocável.

Wayne Shorter Quartet mantém um padrão de completa descoberta, introduzindo não só lampejos de inspiração, mas também pausas indecisas, dilemas teimosos, e longuers inebriantes.

Apenas um encore, como é próprio de um músico com a humildade serena de Shorter. E a alegria e vivacidade de Pérez, Blade, e Patitucci.

A Casa da Música já assegurou um dos seus pontos mais altos, nesta época de Verão na Casa que se prolonga até Setembro.



Wayne Shorter Quartet | Casa da Música
créditos: Casa da Música

Com este concerto em que vários músicos tão reconhecidos no mundo do jazz estariam em palco, falava-se de um dos melhores concertos do ano! 

E foi! No palco, cerca de hora e meia, tocou-se o mais puro jazz blue note, como já escrevi, bem ao estilo dos clubes nocturnos nova iorquinos dos anos 60. Respirava-se Nova Iorque! Até na postura dos músicos! 

Relembrei o concerto de Michael Formanek e o seu quarteto, em 2010, também na Casa da Música. 

E Lisboa veio de novo ao Porto, desta vez para ouvir o gigante vivo do jazz, Wayne Shorter, e um grupo de músicos de elevado mérito.

Se gostei? Gostei, claramente. Já sabia quem ia ouvir. Mas revelação, mesmo, foram Brian Blade (embora não seja uma percussionista convicta, sei apreciar o talento) e o brilhante e virtuoso pianista Danilo Pérez. Exuberante no teclado, sóbrio nos agradecimentos, recortes de Gershwin, Keith Jarrett nos seus inspirados improvisos, que deram uma luminosidade muito apreciada ao sax de Shorter.

Profissionalismo levado a sério, mas em ambiente solto, improvisão de elevada inovação, qualidade dos intérpretes, as sonoridades puristas do jazz na sua mais livre expressão.

O electric jazz tem esse lado mais exuberante, um pouco distante, menos intimista, mas muito apreciado.

O público quase não se atreveu a exprimir durante as talentosas improvisações. Respeito. Veneração, Admiração. Tratava-se de um concerto de culto.

Sem sombra de dúvida uma plêiade do mundo do jazz actual. Com as melhores referências na imprensa escrita do jazz internacional. 

"At 81, Shorter often appears as the calm center of a roiling maelstrom, a mystical presence exulting in the improvisational lightning strikes emanating from pianist Danilo Perez, bassist John Patitucci, and drummer Brian Blade, all virtuosos and bandleaders in their own right."

sfjazz.org

Deliciei-me com o enorme virtuosismo, o talento da arte da improvisação, sim! Muito! Assistiu-se ao melhor do jazz contemporâneo na Casa da Música. Não admira, portanto, tantas presenças lisboetas no concerto.


As críticas do SFJazz, All Jazz, NPR, Billboard, JazzTimes, New York Times. 
Verve, são unânimes. 

Ouvir Wayne Shorter Quartet live, uma experiência única, um imenso privilégio.

“To me jazz means: I dare you."

Wayne Shorter

G-S

Fragmentos Culturais

09.06.2014
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Monday, June 2, 2014

Voltando a Vasco Graça Moura : Retratos de Camões




Vasco Graça Moura | Retratos de Camões
http://www.dn.pt/
"Sempre me encheu as medidas pensar que a cultura não é um conjunto de linhas paralelas, mas de linhas que se entrelaçam e se contaminam. A intertextualidade não é mais do que isso."

Vasco Graça Moura


É lançado amanhã, dia 3 Junho, em Lisboa, o livro a que Graça Moura se dedicou nos últimos meses da sua vida.
“O que esta pequenina edição pretende ser é tudo o que Vasco Graça Moura queria que o livro fosse e a que ele me deu o seu acordo”
Manuel Fonseca, Guerra e Paz Editores

Camões
Julio Pomar, 1989
http://cvc.instituto-camoes.pt

O último livro de Vasco Graça Moura será apresentado na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), pelas 18.30, no Auditório Maestro Frederico de Freitas. 

A apresentação vai ser feita pelo pintor José de Guimarães, Professor Vítor Aguiar e Silva e pelo presidente da SPA, José Jorge Letria.



Camões | José de Guimarães
Acervo Museu de Arte de São Paulo
http://masp.art.br/

Retratos de Camões é um pequeno livro (88 páginas), encadernado, com ilustrações a cores, que inclui iconografia camoniana, com ilustrações a cores, que inclui retratos contemporâneos de Camões da autoria de Júlio Pomar, José de Guimarães, João Cutileiro e José Aurélio, a par dos retratos clássicos.

Camões na prisão de Goa 
Pintura anónima de 1556
Retratos de Camões de Vasco Graça Moura é uma obra de não-ficção, ensaística, "um estudo histórico dos retratos de Camões, identificando os que terão sido feitos em vida do poeta e os que, posteriormente, deram substância à imagem que hoje temos dele"

O livro chega às livrarias no dia 4 de Junho.

Não tenho dúvida que será um livro a adquirir. Uma obra com valor simbólico muito forte.

E para relembrar Vasco Graça Moura, leia-se uma das últimas entrevistas A Portugal está a faltar muita Poesia.

"É importante que as universidades repensem o divórcio entre as humanidades e as ciências. É a dignidade e a espiritualidade que fez do europeu aquilo que ele é e tanto radica na figura do Apolo e suas musas como na de Kepler."

Vasco Graça Moura

G-Souto

02.06.2014
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