Sunday, April 27, 2014

Vasco Graça Moura




Vasco Graça Moura no seu gabinete CCB
foto: Paulo Spranger/Global Imagens


Soneto do amor e da morte

quando eu morrer murmura esta canção 
que escrevo para ti. quando eu morrer 
fica junto de mim, não queiras ver 
as aves pardas do anoitecer 
a revoar na minha solidão. 

quando eu morrer segura a minha mão, 
põe os olhos nos meus se puder ser, 
se inda neles a luz esmorecer, 
e diz do nosso amor como se não 

tivesse de acabar, sempre a doer, 
sempre a doer de tanta perfeição 
que ao deixar de bater-me o coração 
fique por nós o teu inda a bater, 
quando eu morrer segura a minha mão. 

Vasco Graça Moura, 
in Antologia dos Sessenta Anos
Edições ASA, 2002

Um intelectual renascentista no século XXI, assim se pode ler no Público | Cultura

Meu tributo emocionado.

G-S 

Fragmentos de luto

27.04.2014

(sinto-me tão chocada que não consigo escrever nada)

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8 comments:

Lilá(s) said...

Uma sentida homenagem ao meu ilustre vizinho...
Bjs

João Roque said...

Mais que chocado com a morte dele, já esperada, fico indignado com certos comentários acerca dele, que esquecem por completo a imensa e valiosa contribuição que VGM deu à Cultura Portuguesa para o vilipendiarem e retratá-lo com ser humano desprezível, só por ter uma ideologia contrária a quem emite essas opiniões.
Profundamente lamentável.

heretico said...

a Cultura Portuguesa deve-lhe o enorme talento poético e as excelentes traduções dos clássicos.

beijos

G- Souto said...

Sim, foi sentida. Daí não ter palavras... o choque foi imenso :-(

Vasco Graça Moura e família eram do Porto. Amigos comuns. Famílias amigas.

Vai fazer muita falta à cultura portuguesa.

Um beijo, Lilá(s)

G- Souto said...
This comment has been removed by the author.
G- Souto said...

Eu não sabia que Vasco Graça Moura estava doente. Daí ter sentido um profundo choque. Tão forte que nada consegui escrever.

Quanto aos comentários e algumas notas viperinas, que também li e/ou ouvi, João, só demonstram como somos 'pequenos'...

Uma coisa, são ideais pessoais, outra coisa éo valor humano, mas sobretudo humanista.
Um homem de cultura(s), desfasado da sua época, como Jorge de Sena, Pessoa.

Mas em termos culturais é incomparável.

Para além disso, um incansável defensor da Língua Portuguesa.

Permos todos muito. Mas já caiu no esquecimento da maioria :-(

G- Souto said...

Eu não sabia que Vasco Graça Moura estava doente. Daí ter sentido um profundo choque. Tão forte que nada consegui escrever.

Quanto aos comentários e algumas notas viperinas, que também li e/ou ouvi, João, só demonstram como somos 'pequenos'...

Uma coisa, são ideais pessoais, outra coisa éo valor humano, mas sobretudo humanista.
Um homem de cultura(s), desfasado da sua época, como Jorge de Sena, Pessoa.

Mas em termos culturais é incomparável.

Para além disso, um incansável defensor da Língua Portuguesa.

Permos todos muito. Mas já caiu no esquecimento da maioria :-(

G- Souto said...

Tanto, tanto! A Cultura Portuguesa deve-lhe quase tudo, no que concerne a 2ª metade do século XX.

Um humanista ao bom estilo renascentista.
E os clássicos, traduzia-os directamente. Sem artefactos.

Beijo, 'Herético'