Sunday, November 25, 2012

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres



Ditta Miranda Jasjfi Pina Bausch

Seis escritores juntaram-se num livro intitulado "Isto não é um conto" em defesa das mulheres vítimas de violência doméstica. 
            
Alice Vieira, Maria Teresa Horta, Afonso Cruz, Patrícia Reis, António Figueira e a cubana Karla Suárez 'ficcionaram' seis histórias reais, testemunhos de mulheres vítimas de violência doméstica.

Criação que não foi fácil, mesmo para alguém com a experiência de escrita de Maria Teresa Horta.
“Para mim foi-me difícil ficcionar uma história destas, eu que ficcionei tantas histórias de violência doméstica”
Maria Teresa Horta

Ditta Miranda Jasjfi | Pina Bausch
As histórias criadas para "Isto não é um conto" pretendem servir de alerta para casos que, por vezes, acontecem ao nosso lado, como afirmou a escritora Patrícia Reis. O livro é ilustrado por Pedro Vieira.
Uma iniciativa da Associação Link, o projecto contou com o apoio de diversas empresas para tomar a forma de livro, e os seus sete criadores, os seis escritores e Pedro Vieira que, embora escritor, participa na obra como ilustrador, abdicaram dos direitos de autor.
"Isto não É Um Conto é também uma forma de ajudar a reconstruir vidas: as receitas das vendas deste livro destinam-se integralmente a apoiar mulheres sobreviventes de violência doméstica, através de um fundo que permitirá o fortalecimento das respostas e dos serviços adequados que promovam a segurança e autonomia das mulheres, jovens e crianças, devolvendo-lhes direitos tão elementares e vitais como a liberdade e a dignidade humanas."


Ó secreta violência
dos meus sentidos domados

em mim parto
e em mim esqueço

senhora do meu
silêncio
com tantos quartos fechados

Anoitece e desguarneço
despeço aquilo que
faço

Ó semelhança e firmeza
mulher doente de afagos.

Maria Teresa Horta, Violência
in Portal de Poesia Ibero-Americana

Os dados relativos a 2012 agora apresentados pelo "Observatório das Mulheres Assassinadas" registam já 36 homicídios e 49 tentativas de homicídio.

G-S
Fragmentos
25.11.2012
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Associação Link


6 comments:

aflores said...

Um alerta sempre presente e necessário nos nossos dias.
A violência da realidade...infelizmente.

Tudo de bom.

heretico said...

sempre a tua inteligência e sensibilidade e a generosidade da partilha...

beijos

O Profeta said...

Inventei a ironia numa toada de vento
Roubei as asas a uma gaivota azul
Colei-lhes um poema cheio de penas
E enviei-o para uma tonta do sul

Inventei um mar numa bola de sabão
Roubei uma corda forte e boa
Atei um rol de mágoa à mesma
E afoguei-as nas águas de uma lagoa

Bom fim de semana


Doce beijo

vitor cunha said...

A violência representa a linha que separa a raconalidade da irracionalidade, no ser humano.
O homem/mulher que cultiva a violência caminha em sentido contrário ao desenvolvimento da espécie.
Aqui solto o meu grito contra a violência!
Beijo e boa semana.

João Roque said...

Quando acabará este flagelo?
Quando perderá a mulher o medo de denunciar estes casos?

Fragmentos Culturais said...

Aos amigos 'aflores', 'Herético', 'O Profeta', 'Vítor Cunha' e 'João Roque' agradeço a partilha nesta luta que não tem fim no nosso país. E em outros, eu sei.

Mas devemos pugnar pelas nossas causas, primeiro.

Interessante não haver nenhuma amiga...