Apocalipse de Albrecht Dürer
Agustina Bessa-Luís
reedição de luxo
Guerra & Paz, 2026
Uma nova edição, em capa dura, a cores, com o texto de Agustina e as gravuras de Dürer está à venda nas livrarias,suponho, deste ontem, 21 Abril 2026.
Descrito como um exercício visionário de “ler e sentir arte”, Agustina escreve sobre o Apocalipse cum figuris de Dürer, pintor alemão, um conjunto de imagens em que "pulsa o assombro e a angústia", porventura o terrível "silêncio do céu" perante o turbilhão dos conflitos da terra, turbilhão em que o temor da invasão otomana da Europa e da consequente devastação e catástrofe eram medos primordiais.
Uma série de quinze xilogravuras da autoria do pintor alemão Albrecht Dürer (1471-1528), que retratam várias cenas do “Livro do Apocalipse”, ou “Livro da Revelação de João”, o último Livro do Novo Testamento.
Apocalipse de Albrecht Dürer
Obra rara, que articula texto e imagem a partir das gravuras do pintor renascentista alemão sobre as suas "visões apocalípticas", interpretadas pela escritora portuguesa Agustina-Bessa Luís que nos deixou 2019, com grande mágoa minha, e de tantos leitores, ganha quarenta anos depois, uma nova edição de luxo, criada pela editora Guerra e Paz.
Numa edição enriquecida, em grande formato (30×30), com capa cartonada, e com as "xilogravuras originais" a preto e branco de Albrecht Dürer, a que se juntaram reproduções de versões coloridas da época, pintadas manualmente, provavelmente sob supervisão do artista, actualmente em exposição no Harvard Art Museum.
Apocalipse de Albrecht Dürer
Agustina Bessa-Luís
Guimaráes Editores, 1986
Apocalipse de Albrecht Dürer
“Os livros são sonhos perdidos no tempo, e quem primeiro sonhou este ‘Apocalipse’ com Agustina foi, em 1986, Francisco Cunha Leão, editor da Guimarães, casa-mãe da nossa autora”, conta Manuel S. Fonseca, na nota do editor publicada no início da ectual edição do livro.
A obra está organizada em quinze capítulos, nos quais cada gravura é comentada por Agustina Bessa-Luís, que contextualiza a época e os seus intervenientes, revelando “um conhecimento profundo da História e da Alma”, escreve Mónica Baldaque, sua filha no Prefácio.
"Encompassing nearly 100 works, Dürer’s Passions includes works from the Fogg Art Museum’s collections as well as extremely rare works loaned by the British Museum; the Museum of Fine Arts, in Boston; and German collections in Frankfurt, Berlin, and Bremen."
Apocalipse de Albrecht Dürer
Juntamente com o designer gráfico da Guerra e Paz, Ilídio Vasco, agarrou neste legado “com pinças”, porque queria fazer diferente, mas “com o mesmo rigor”.
A publicação está integrada nas comemorações dos 20 anos da editora, fundada a 10 de Abril de 2006, com o livro “Fama e Segredo na História de Portugal”, também de Agustina Bessa-Luís.
Agustina Bessa-Luís
ilustração Lucy Pepper
“Há vinte anos, Agustina Bessa-Luís entregava-me, num texto de fantasia operática, o livro que inaugurou a Guerra & Paz editores”, recorda Manuel S. Fonseca, sublinhando que é novamente com a autora que a editora celebra “uma madura idade: vinte anos”.
Manuel Fonseca destaca ainda que o livro regressa agora “renovado”, numa edição apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, entidade parceira na publicação.
Apocalipse de Albrecht Dürer
Lê-se no Prefácio “Nem sempre Agustina é amável com Dürer, como era de sua natureza reflexiva e imparcial”.
No capítulo “O Dilúvio”, Agustina “detém-se, com o prazer da análise freudiana, no retrato de Bárbara Holper, a mãe de Dürer, que ele desenha num traço duro e esquemático”, revelando que “por ela não tem um sentimento de amor nem de complacência”, Prefácio de Mónica Baldaque.
Nas palavras de Agustina, “Dürer não a poupa, usa até dum realismo que tem algo de vingativo. (…) O que Dürer desenha no retrato de Barbara é a densa e formidável decepção do filho, tema primordial que serve de motivo ao Apocalipse”.
Fontes : Guerra & Paz/ Observador.Cultura/ Executive Digest com Lusa