Tuesday, January 21, 2014

Claudio Abbado : tributo




Claudio Abbado 1933-2014

"Caudio Abbado, a conductor whose refined interpretations of a large symphonic and operatic repertory won him the directorships of several of the world’s most revered musical institutions — including La Scala, the London Symphony Orchestra, the Vienna State Opera and the Berlin Philharmonic."

Allan Kozinn, New York Times

Morreu Claudio Abbado. É assim que o New York Times abre o seu artigo sobre a morte do maestro Claudio Abbado. O maestro que se recusava a dirigir uma orquestra com partitura. 

"After meticulous preparation, involving consultation of original sources, he conducted everything from memory."

O mundo ficou hoje mais triste. O maestro italiano tinha 80 anos, e lutava há algum tempo contra uma doença que o obrigou ao cancelamento de vários concertos previstos com a orquestra de Bolonha que dirigida nos últimos anos.

Em Agosto de 2013, Abbado foi nomeado senador vitalício pelo presidente italiano, pelos méritos conseguidos ao longo da sua carreira. 

Em Dezembro último, o maestro renunciou à sua remuneração como senador, e destinou esse dinheiro à criação de bolsas para jovens músicos.

Considerado um dos maiores maestros do mundo, the great conductor, Abbado morreu hoje, na sua casa em Bolonha, no norte de Itália, 

Nascido em Milão em 26 Junho 1933 numa família de músicos, Seu pai era violinista e professor no Giuseppe Verdi Conservatory em Milão, seu irmão mais velho tornou-se director da escola. Completou a sua educação em Viena e Siena.

Em Siena tornou-se amigo de dois outros estudantes do conservatório, hoje também grandes. Zubin Mehta e Daniel Barenboim. Barenboim vai dirigir o concerto de homenagem nas cerimónias fúnebres de Abbado.

Mehta persuadiu Abbado a juntar-se a ele, como estudante, na Hans Swarowsky at the Vienna Academy. In 1958. Foram os dois para Berkshire Music Center em Tanglewood, onde Abbado ganhou o Koussevitzky Prize para jovens maestros

Foi director no La Scala de Milão, entre 1968 e 1986, nomeado depois para gerir os destinos da London Symphony Orchestra (1979 e 1988), e da Ópera de Viena. 

Admirador confesso das orquestras norte-americanas, conduziu Chicago Symphony, a Cleveland Orchestra e a New York Philharmonic.



Claudio Abbado 
foto: Cordula Groth 2000

"He was a particularly lyrical interpreter of Mahler, whose richly emotional language he had absorbed as a student in Vienna. But he was also a distinguished conductor of Mozart, Beethoven and Schubert, and he had a flair for Russian symphonic music."

Allan Kozzin, NYT

A sua obra é tão vasta que não dá para enumerar. Aliás, a música é para ser sentida. E Abbado senti-a  de um modo muito especial que passava pela sua imensa sensibilidade.

Apreciando profundamente van KarajanLeonard Bernstein (que o encorajou imenso), é Claudio Abbado, minha referência desde os meus estudos musicais no Conservatório, o meu preferido. Como Martha Argerich é a minha intérprete mais querida mo que concerne o piano.



Claudio Abbado & Martha Argerich
foto: Eric Auerbach | Hutton Archive via Getty Images

Martha Argerich e Claudio Abbado, pianista e maestro, meus intérpretes da alma, tocaram juntos, suponho, pela última vez em Paris, Abril 14, 2013. A ver aqui

Termino então referindo a sua vasta obra discográfica na conceituada Deutsche Grammophondesde 1967 a 2013

"It is with deep regret that Deutsche Grammophon announces the passing of one of the greatest conductors of this and the last century. The label is proud to have accompanied Claudio Abbado on his musical journey over the last 46 years, and to have had the privilege of preserving his work in recordings."

Deutsche Grammophon anunciou assim, no seu site, a morte deste enorme maestro dos séculos XX-XXI.



Claudio Abbado 
foto: Georg Anderhub 

Em 2012, Gramophone nomeu Abbado uma das “50 People Who Changed Classical Music”. 

Para celebrar os 80 anos de Abbado completados em Junho de 2013, Deutsche Grammophon emitiu uma edição de 41 CDs cobrindo as obras fundamentais do repertório sinfónico do maestro.

Em 2013, a discográfica lançou ainda as suas gravações com a Orchestra Mozart a 2ª sinfonia de Schumann e os concertos para piano e orquestra de Mozart com a pianista portuguesa Maria João Pires





Em Fevereiro de 2014, estão previstas as gravações com Martha Argerich dos concertos para piano e orquestra, No.20 in D minor, K.466 e No 25 in C. K 503 de Mozart.


Mas oicamos com recolhimento, Lacrimosado Requiem K.626 de Mozart pela Lucerne Festival Orchestra, Chor des Bayerischen Rundfunks e Swedish Radio Choir conduzido por Claudio Abbado em 2012.




E sintamos a emoção do maestro no final da interpretação do Requiem...





"What makes Claudio a great artist is his humanity, his extraordinary ability to change the sounds of the orchestra with just a gesture (…) His performances can be life-changing.”

Douglas Boyd


De todos os artigos que li ao longo do dia, na imprensa portuguesa e internacional, o artigo-homenagem de maior beleza foi escrito por Allan Kozzin, no New York Times e poderá ser lido na íntegra aqui

G-S

Fragmentos Culturais 

21.01.2014

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4 comments:

heretico said...

"aprender, aprender, aprender sempre!..." - contigo!

beijo

G- Souto said...

... não é essa a pretensão deste blogue, 'Herético' :-)
Me conheces bem. Apenas um espaço onde partilho pensamentos e/ou acontecimentos que me tocam, culturalmente.

Mas sim, sei que és um amigo 'virtual' muito atento e afectuoso. Só posso agradedecer...

Beijo

Petrus Monte Real said...

G- Souto:_

O tributo
é o mais adequado
à Memória do Músico de eleição
a que presta tão sincera homenagem!

A 'Lacrimosa' toca-me profundamente.

O final
o silêncio e o respeito
que uniu
público maestro e músicos
constitui um momento de eternidade
que jamais esquecerei!

Até sempre divino Claudio

Grato
por tão bela mensagem

Um beijo de amizade

G- Souto said...

Petrus,

Claudio Abbado era o maestro preferido, assim Martha Argerich é a minha pianista.
Este tributo é muito sentido, a música é a união perfeita com o sagrado que cada um de nós encerra.

Do mesmo, o Requiem de Mozart. É o mais dolorido dos Requiem.
E há nesta interpretação de Abbado uma aproximação à eternidade. Premonição, talvez ! Profundamente comovente.

Foi muito bom receber notícias suas.

Um beijo de amizade