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quarta-feira, 25 de junho de 2025

E assim foi a Noite de São João no Porto !

 




Poster São João do Porto 2025


Confesso que nunca gostei de festas de multidões. Aprecio, no entanto, passar pelas ruas que se animam antes da noite chegar. 





Manjerico
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E sentir o aroma do manjerico. Está bom de ver que compro sempre o meu manjerico. Destesto os martelos, e fiquei feliz de ver o alho porro de volta.


Era com ele se cutucavam as cabeças das pessoas com quem nos cruzávamos. Felizes e bem dispostas,  as pessoas retribuíam, Era era uma animação.





Alho porro

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Ponha de lado o martelo,  agarre um alho porro, o elemento mais tradicional do desta festa. Era com o alho porro que os rapazes e, mais tarde, as raparigas, “perfumavam” os narizes uns dos outros, quais 'diabretes' pagãos, encenando uma brincadeira que incluía saltar fogueiras comunitárias, para apelar à fertilidade.





Martelos
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A ligação à noite de São João no Porto remonta ao tempo dos Celtas, quando celebravam a mãe-natureza oferecendo-lhe ervas aromáticas que queimavam numa fogueira, para espantar o mau olhado, obter protecção e celebrar a fecundidade dos cidadãos e das colheitas. 


Dar com um alho-porro na cabeça de alguém é, naturalmente, desejar-lhe boa sorte. Não esqueça!


Ainda procurei os raminhos de cidreira que os jovens e menos jovens passavam com delicadeza pelo nariz das miúdas ou senhoras que mais lhes agradavam ao olhar. Não enconrei.




Alhod porros e o delicado raminho de cidreira

https://www.facebook.com/photo/


Não é exagero se dissermos que a cidade passa o ano a sonhar com este dia. Ou melhor, esta noite!


São João é a festa tradicional popular que todos os portuenses têm tatuada no coração, pelo menos desde o século XIV. É por essa altura que aparece, pela primeira vez, referenciada na História. 





Crónicas de Fernão Lopes


Fernão Lopes, nas suas crónicas medievais, falava de uma “grande festa” de celebração do Solstício de Verão. Festa que continua grandiosa e alegre, independentemente do orvalho que se faça sentir no ar. Ou mesmo da chuva, como aconteceu nesta noite de Sáo João. Ninguém arredou pé.


É o 'esquecer' por uma noite, as tristezas, as preocupações os maus momentos que nos destroem, por vezes. São João é para a folia, a alegria, os bons momentos de descontracção.





crédito: Daniel Rodrigues/ Associação de Turismo do Porto e Norte

via Expresso


Para mim, o que mais gosto são os balões de ar que se lançam no firmamento ao cair da noite. E ontem foi uma noite especial! 


Ao cair da noite, juntam-se amigos e lançam-se balóes ao céu. Pede-se um desejo para os já partiram e, que nesta noite, também se querem juntar à festa. E a nós. 


Sim, os balões começaram a ser usados como forma de comunicar com os espíritos, porque até eles passam o ano todo a sonhar com o São João. 




via Google Images Archive

O lançamento dos balões de ar vêm também da época milenar oriental de lançar lanternas para os que já partiram, na noite que celebram o Ano Novo Lunar.


Já não lembrava de ver tantos balóes nos céus da cidade. E vinham de todos os lados. Tantos que me fizeram lembrar as noites dos países orientais que lançam lanternas associadas a uma mística muito intimista.


E chegam os fogos de artifício! À meia-noite aconteceu o habitual fogo-de-artifício sobre o Douro. mas houve uma enorme novidade! Este ano 2025 tevr a duração de 16 minutos e estendeu-se entre a Ponte D. Luís I e a Ponte da Arrábida. 


Depois disso, deixe que a noite decida por si...





G-S

Fragmentos Culturais

24.06.2025

Copyright © 2025-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Novo Ano, outras preces !





crédits: © Pinterest / trouvé sur Bloglovin

Manhã primeira. Novo Ano. Uritual ancestral que faz renascer um nova esperança. Algo de novo. Abrimos à renovação de outras caminhadas, esperançados pelo dia luminoso de Sol que deslumbra a natureza.

Ontem. Meia-noite, doze badaladas, dozes uvas passas. E cada uva passa, um desejo em forma de prece intimista.
Preces de agradecimento, coisas boas que nos deu 2018. Saúde, alegrias. Deixámos lá atrás, coisas menos boas. Para entrar positivamente.

E preces de outras esperanças que queremos alcançar. 

E pensamos nos que sofrem, que choram, num mundo atravessado de coisas menos boas.

Somos pequenas partículas num mundo que se move ao sabor da harmonia e da desarmonia.

Que os nossos sonhos sejam leve briza no aconchego da esperança. Que nunca se perca esse imenso dom do ser humano. Sonhar! Sonhar um mundo mais harmonioso.

Neste Novo Ano, possamos nós olhar mais o mundo.

Relevemos as coisas simples da vida. 

"Não pedi coisas demais para não confundir Deus que à meia-noite de ano novo está tão ocupado."

Clarice Lispector

G-S

01.01.2019
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Tradições : Boa Noite de Reis !




Dia de Reis

Hoje é Dia de Reis. O dia que hoje se celebra, 6 de Janeiro, é mais importante para os cristãos ortodoxos do que o Dia de Natal. Assinala-se assim o fim das Janeiras (cantares de tradição religiosa) que começam a ser cantadas a partir do 1 Janeiro.

A noite do dia 5 Janeiro é conhecida como Noite de Reis. A data marca, para os católicos, o dia da veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no século VIII converteu em Melchior, Gaspar e Baltazar.

A Bíblia não faz referência a “reis” mas a "magos" e também não diz quem eram. Mas o tempo encarregou-se de lhes dar nomes, Belchior, Gaspar e Baltazar. Em algumas culturas, eles correspondem ao "pai natal”, sendo as renas substituídas pelos camelos, nos quais os tais magos, diz a tradição, iriam montados.

Em Portugal, a distribuição dos presentes é no Dia de Natal. No entanto, sabe-se que em vários países, é no Dia de Reis que se reúne a família e se faz a troca de presentes.




Dia de los Reys Magos, Andalucia, Espanha

São muitas as cidades espanholas onde desfilam las cabalgadase nelas os famosos Reis Magos, personagens vestidas a rigor, espalham alegria e boa disposição. É o dia maior das festividades de Natal em Espanha.

Em algumas localidades, deixam-se sapatos na janela, durante a noite, com erva para alimentar os camelos dos Reis Magos, num gesto premiado com doçarias no amanhecer de hoje, Dia de Reis.



 Bolo-rei

A tradição manda que a família se reuna novamente para celebrar o fim dos festejos natalícios. E que se cantem as 'Janeiras' neste Dia de Reis.

Esta tradição deste último jantar em família perdeu-se entre nós. Apenas se conserva o hábito de comer Bolo-rei que tradicionalmente trazia, no interior, uma fava e um brinde. A pessoa que encontrasse a fava na fatia que comia, teria que 'paga' o Bolo-rei no ano seguinte. Os brindes teriam o significado de sorte. 

Hoje, a fava e o brinde simbólico já não são permitidos, para evitar ser inadvertidamente deglutidos.




La Galette des Rois (France)


Em França é tradição a Galette des Rois. Não difere muito do nosso Bolo-rei. E pelo que sabemos, a fava mantém-se, bem como em Espanha. Assim, deveria ser. Tradições que perdem valor no nosso país.





Grupo cantares Janeiras

Hoje mesmo, também, e como é tradição, grupos de cantares percorrerão certas aldeias a “cantar as janeiras”. Nas cidades, há muito deixaram de se ouvir. Esta acção de "cantar as janeiras" pelas portas tinha como recompensa uma prenda em comida ou dinheiro.

Acredita-se que, no dia 6 de Janeiro, se deve fazer pedidos para que os três Reis Magos tragam muita sorte, prosperidade e dinheiro. 





via Google Images Archive

Em certas localidades, e algumas cidades portuguesas, manda a tradição comer bagos de romã. E os mais tradicionalistas ou supersticiosos procuram mesmo uma romã com 7 bicos, para ter dinheiro todo o ano, ou pelo menos, para que o dinheiro não falte.

Bom, pelo sim, pelo não, lá vou eu à procura de uma romã com 7 bicos, e terei muito cuidado para que nenhum bico se parta até chegar à ceia de Reis, logo à noite.

Boa Noite de Reis ! 

G-S

06.01.2016
Copyright © 2016-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Em tempo(s) de Natal !





via furniture graphic

Em tempo(s) de Natal. Poisámos o perfume dos afectos, a haste de azevinho, as luzes e as velas. Baixamos serenidade. `


Tempo(s) também de nostalgia. Dos seres que não se sentam mais à nossa mesa, dos amigos que partiram sem ter tempo de um olhar de despedida.


Afectos suspensos que pairam na noite de Natal.


Lembranças guardadas. Olhar saudoso.



Mas a azáfama acorda-nos destes torpores de melancolia. Abre-se a porta da alegria. Prepara-se a recepção da família, dos amigos. No ar soltam-se os aromas da canela, do leite-creme, dos frutos secos, da aletria, do chocolate quente. E das rabanadas.



Lá fora, o nevoeiro desceu sobre a cidade, e as luzes ficaram mais trémulas por entre os pingos da chuva, suave.



As nuvens adensaram-se em contraste com os tons quentes das velas, da doçaria tradicional, das frutas frescas.



NatalO encanto irrompe, preenchendo o seu espaço. No íntimo, cada um nós acorda aquele sentimento mais puro. O da magia.



Percorrem-se melodias, buscam-se sorrisos. Um pouco mais de intensidade no brilho do olhar. Emoções.


Hoje sim, tenho poesia. A de poetas.


Frémito de Luz

Há um frémito de luz
que se adivinha
um perfume louro adormentado
com bagas escarlates
de azevinho e rosas
brancas a decorar a tarde
Há um rasto de neve
e nascimento, doces de mel
lume e frutos secos
um sussurrar fugaz
a mitigar, um som dolente
Memória da infância a recordar
o perpassar do anjo
na viagem do tempo

Maria Teresa Horta
Lisboa, 23 de Dezembro de 2015


Ah! A magia da poesia. Perdemo-nos nos sons que as palavras sussuram dentro de nós. Como quem medita.


E assim, vamos trazendo a cada tempo de Natal, a magia do instante. No perpassar do anjo.


O que guardamos? Afectos que nos envolvem nesta noite doce.


Festas Felizes, queridos amigos e leitores! Paz para o mundo.


G-S

Fragmentos de Natal


23.12.2015
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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

E Natal chega !





créditos : Farrow and Ball


Estamos apenas a um dia do Natal. Tempo de afectos, de luzes e de velas. Tempo de serenidade.


Lá fora, o vento voltou, as nuvens adensam-se em tons que não têm a ver com as cores de Natal.
 

Azevinho, e estrela-de-natal (poinsétia) dão cor a nossas casas. E enfeitam nossas mesas. Juntmente com as velas. Luz !


Tempo de odores da doçaria tradicional, e de memória(s). Ternura com cor. Natal. Momentos com sabores a canela, frutos secos, e doçaria da época.


Quando me sentei para escrever, pensei numa mensagem, simples. Afinal divagara há dois dias na entrada do solstício de Inverno


E foi quando li. Joe Cocker calou-se para sempre. Compreendi por que razão o dia amanheceu mais frio, e o silêncio se fez profundo. 


Percorri as melodias, busquei as palavras, ouvi a voz que canta a alma. 


N'oubliez jamais em Köln (2013). Me encanta. Medito.


A noite de Natal vai chegar. Junto à lareira, um par de asas descansa junto à chaminé. Há uma nova estrela, esta noite.


Um pouco mais de intensidade no brilho do olhar. Emoções.


O meu carinho muito especial para todos os amigos e leitores. Aconteça Natal! Paz para o mundo tão conturbado. E uma vida mais digna para os que pouco têm.


G-S

Fragmentos Culturais em tons de Natal

23.12.2014
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal (des)encanto?





créditos Christmas windows
via Tiffany's


Natal ! Não me sinto particularmente inspirada para escrever sobre o Natal. Natal quase deixou de ser Natal.

O encanto se vai, a alegria se desprende. E até o tempo  na sua bravura das últimas horas se familiariza nos desencantos que nos afogam. As nuvens não são esperança, o céu não demontra bondade.

Não vou deixar nenhum poema de Natal. Até os poetas estão gastos. 

Não há nuvens de esperança, escrevi, e, no entanto, resta ainda um pequeno azul-céu de fraternidade na alma das pessoas.

As casas se preparam para iluminar este dia sombrio e entrar na noite com os odores das romãs, frutos secos, mel, erva doce, canela, chocolate quente ao findar a noite.


No íntimo de cada um nós prevalece então um sentimento mais puro. 


E a haste de azevinho poisada na mesa. Tradições guardadas.

Ah! E a magia! Alguns de nós não deixam perder-se a magia do tempo de Natal. A imagem assim o simboliza.

O que guardamos? Afectos que se envolvem nesta noite mais macia.

Deixo, amigos, na curta mensagem, votos de esperança. E que o ano que termina, se abra para um Novo Ano de Luz.

Festas Felizes !

G-S

Fragmentos de Natal

24.12.2013
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