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sábado, 14 de fevereiro de 2026

O amor ...

 



Valentine's Day
credits: Norman Rockwell
The Saturday Evening Post


Deus - talvez esteja aqui, neste
pedaço de mim e de ti, ou naquilo que,
de ti, em mim ficou. Está nos teus
lábios, na tua voz, nos teus olhos,
e talvez ande por entre os teus cabelos,
ou nesses fios abstratos que desfolho,
com os dedos da memória, quando os
evoco.


Existe: é o que sei quando
me lembro de ti. Uma relação pode durar
o que se quiser; será, no entanto, essa
impressão divina que faz a sua permanência? Ou
impõe-se devagar, como as coisas a que o
tempo nos habitua, sem se dar por isso, com
a pressão subtil da vida? 


Um deus não precisa do tempo para
existir: nós, sim. E o tempo corre por entre
estas ausências, mete-se no próprio
instante em que estamos juntos, foge
por entre as palavras que trocamos, eu
e tu, para que um e outro as levemos
conosco, e com elas o que somos,
a ânsia efêmera dos corpos, o
mais fundo desejo das almas.(...)


Nuno Júdice, O amor
in Cartografia de Emoções, 2002


G-Souto

Fragmentos Culturais... com anor

14.02.2026

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domingo, 4 de abril de 2021

Páscoa ? Não ainda renascida !






créditos: Christel Royo

via Pinterest


"Há um silêncio

secreto

na minha

(...)


Mas hoje veio uma

réstia

a cintilar sem palavras."

(...)

Maria Teresa Horta, Páscoa, Inédito, 20201


Atravessámos um Inverno rigoroso. Solidão. Presos nas casas, apenas o horizonte das janelas.  Os dias de chuva não tornaram mais fácil a travessia. 

Muitos de nós se afundaram pela ausência da famíla, dos amigos. Dos prazeres culturais que nos preenchiam. Pedaços de vida.  

O Inverno não é só uma ideia. É um sentimento que se alastrou pelo coração da Humanidade.

As linhas da natureza não são ainda nítidas. Embora a Primavera tenha chegado no seu esplendor. Os pássaros em revoadas pelos céus. Livres. As flores enfeitam a natureza desta Páscoa, mais uma vez, espartana. 

"Mágoa? Teimo assustada

Claridade! - lembro
Páscoa!"

Maria Teresa Horta, Páscoa, Inédito, 20201

G-S 

Fragmentos Culturais

04.04.2021
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Natal sem afectos... tocáveis





credits: unknown
via Google images


Natal

Não é só por ser
Natal
que aqui vos deixo
*
o meu jeito
*
de afecto e tanto
amar
neste tempo
*
sem preceito
*
Onde jamais o calar
faz do amar
nosso peito.


Maria Teresa Horta, Natal 2020


Que, apesar do vazio de afectos que enfrentamos, cada um de nós possa enfeitar este Natal, com o dom da resiliência, liberdade, solidariedade, fraternidade e esperança. 

E que possamos continuar a ter o privilégio de nos encantarmos com a as pequenas coisas que nos são permitidas, pois elas trazem-nos a redenção de tantas agruras. 


G-S


Fragmentos Culturais 


25.12.2020

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sábado, 22 de dezembro de 2012

Natal ? Talvez diferente !





De astronoom (1668)
Joahnnes Vermeer  
Collection Musée du Louvre

Não! Nunca me aconteceu! Mas este ano, não sinto inspiração para escrever o que quer que seja sobre o Natal.

De repente, um território banhado de mar agitado e frio, com manhãs cinzentas de nevoeiro, ruas sem animação, não há luzes a aquecer o olhar, até o presépio perdeu os animais que foram introduzidos pelo rito natalício franciscano.

Tempos de mudança, fim de um ciclo, segundo as profecias Maya, o mundo que roda, sem saber em que direcção, a condição humana que já não pode assentar num pressuposto de equilíbrio. 

Escrevo. Não escrevo. Nestas últimas noites, o pensamento vagueou, incerto na conjugação da vontade. A expressão que não sai, pedaços, algumas notas, apago tudo. E recomeço. 

Faz sentido escrever uma mensagem que não serve o propósito de Natal? Alegria, convicção, brilho no olhar. E se aguardasse a passagem deste tempo tormentoso? Faz sentido?

Não, não lembro um Natal assim! Na verdade, o meu potencial criativo está paralisado. A fé cívica, e intelectual.

Falar do maravilhoso é difícil. Que digo eu? Uma espécie de loucura? Não. Serei louca, mas vou pensando como encarar, de novo, o maravilhoso. Talvez novas cores, manhãs verdes. De repente a mudança. 






para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe o brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado
(...)

Al Berto, Mudança de Estação
in O Medo
Cas de Fernando Pessoa, Banco de Poesia


Para todos os amigos, e leitores, um Natal em paz!

G-S

23.12.2012

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Nova Zelândia ! A dor !






 créditos: NZPA, David Wethey/ AP 
NEW ZEALAND OUT, NO ARCHIVES, NO SALES





créditos: AP



«Não sabemos onde jazem esses corpos
que o divino dispersa. Um olhar avistou-os, na
distracção da vida; e logo regressou à angústia terrestre,
somando lutos a partir de suspiros...»


Nuno Júdice, Cântico (fragmento), 2001
in Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote






créditos: M.S. (privada)


Pode apoiar a Nova Zelândia, via Facebook ou Twitter (decontinuados). 

A campanha tem como símbolo uma rosa amarela.


G-S

Fragmentos de dor, 76 mortos, mais de 300 pessoas desaparecidas...


24.02.2011

actualizado 16.02.2025

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domingo, 20 de dezembro de 2009

Natal




La Pietà
 Villeneuve-lès-Avignon, Enguerrand Quarton


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Ary dos Santos, Quando um homem quiser


Para todos os que compartilham afectos em Fragmentos, ao longo do ano,  meus votos mais sincero de Sereno Natal.

G-S

Fragmentos Culturais, Coldplay, Have yourself a merry little christmas

20.12.2009

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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal






créditos: Emmanuel Dunand|AFP 2007


Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.

(...)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

(...)

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado. (...)


António Gedeão, Noite de Natal
poeta, cientista, professor (1906-1997)






Para todos os que visitam Fragmentos Culturais e poisam palavras de afectos, eu gostaria de partilhar meu sentir intimista...

Votos de um Natal de fraternidade,

sem tanta artificialidade,

ambiente de universal espiritualidade.

Paz para todo o Mundo,

no gesto uno de acender uma vela!




Uma vela branca de Fraternidade!

Feliz Natal!


G-S

Fragmentos Culturais

23.12.2008
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Tempo de Natal






Glass Murano Tree
créditos: Andrea Pattaro/AFP 2006

Natal



Deito-me à sombra da árvore sem sombra - a árvore

cujas raízes nascem da infância - e é natural, e

nunca mais chega a meia-noite

dessa noite sem fim. Rezo pelas

mais obscuras incertezas, pelas almas que

hesitam nas encruzilhadas, pelos vagabundos que

esperam a meia-noite para se sentarem à porta da igreja,

na única noite em que têm onde se sentar. Aprendi

com eles o destino dos passos humanos, a ausência

de deus nos caminhos do mundo, o silêncio

do céu nas noites sem lua. (...)

Nuno Júdice, Natal

in Cartografia de Emoções
Publicações Dom Quixote, 2001, 1ª edição






Para todos os que visitam Fragmentos Culturais e poisam palavras de afectos, eu gostaria de partilhar meu sentir intimista.


Votos de um Natal de fraternidade, sem tanta luz de artificialidade, ambiente de universal espiritualidade.

Paz para todo o Mundo, no gesto uno de acender uma vela branca!

Uma Vela pela Paz!



G-S

Fragmentos ao som de Have Yourself a Merry Christmas Christina Aguilera

20.12.2007
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