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segunda-feira, 18 de abril de 2022

Tributo a Madelena Sá e Costa, violoncelista e pedagoga !

 




Madalena Sá e Costa
créditos: Arquivo da Família Sá e Costa

" Nasci no mundo da música e fui violoncelista e professora."

Madalena Sá e Costa, Memórias e Recordações, 2008

A violoncelista Madalena Sá e Costa morreu neste dia. Violoncelista e pedagoga, foi discípula de Guilhermina Suggia. Nasceu numa família  muito ligada à música.  Foi distinguida com diferentes prémios ao longo da sua carreia. Grande amiga de Hélia Soveral.




Guilhermina Suggia
créditos: Hemeroteca Digital Municipal de Lisboa

Neta do violinista e fundador do Orpheon Portuense, também primeiro director do Conservatório de Música do Porto, Bernardo Moreira de Sá. Filha do compositor Luiz Ferreira da Costa, mais conhecido como Luiz Costa, e da pianista Leonilda Moreira de Sá e Costa.




Madalena e Helena Sá e Costa
créditos: Arquivo da Família Sá e Costa

Madalena Sá e Costa formou com a irmã, a pianista Helena Sá e Costa (1913-2006), uma dupla de intérpretes e peadgogas que marcou a cena musical do Porto e do país. Amiga de infância de Hélia Soveral, que foi aluna de Luiz Costa, e  igualmente professora de renome do antigo Conservatório de Música do Porto na mesma época que Madalena Sá e Costa.




Antigo Conservatório de Música do Porto
Palacete dos Viscondes de Vilarinho
via Google Images

"Quando nasci, creio que se ouvia música por toda a casa", escreveu, em 2008, no livro de “Memórias e Recordações”.

Madalena Sá e Costa Memórias e Recordações, 2008

Nascida no Porto em 20 de Novembro de 1915, Madalena Sá e Costa estreou-se aos 19 anos no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, tendo completado o conservatório em 1940 e concluído a sua formação musical com Paul Grümmer, Sandor Végh e Pablo Casals, entre outros.




Madalena Sá e Costa
créditos: DR
via Sábado

"O primeiro instrumento que toquei foi o violino. O meu avô tinha um ‘Guadagnini' e, quando ia almoçar a casa dele, fugia para a sala onde estava guardado esse violino e tocava umas notas. Às vezes, punha-o entre os joelhos e tocava-o na posição de violoncelo”,

Madalena Sá e Costa, Memórias e Recordações, 2008

Quando os pais lhe perguntaram se queria estudar um instrumento e, qual seria, respondeu violoncelo por influência de Guilhermina Suggia com quem os pais tocavam.

"Meus pais eram grandes pianistas. (...) deram concertos com artistas da craveira de George Ernesco, Guilhermina SuggiaPablo Casals, entre outros."

Antes, em 1935, por iniciativa do pianista alemão Edwin Fischer, Madalena Sá e Costa e a irmã frequentaram os cursos de música em Potsdam e actuaram, em trio com Fischer, na Alemanha, França e Bélgica.




Madalena Sá e Costa aos 101 anos
créditos: Catarina Furtado
via Glosas

Foi professora no antigo Conservatório de Música do Porto e no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga.

Formou dezenas de gerações de músicos. Um dos seus alunos, o violoncelista e professor Paulo Gaio Lima que morreu prematuramente em 2021.

Ao longo de uma carreira em que trabalhou com maestros como Pedro de Freitas Branco ou Frederico de Freitas, sua irmã Helena Sá e Costa. Recebeu, entre outros, os prémios Orpheon Portuense (1939), Emissora Nacional (1943), Morrisson, da Fundação Harriet Cohen (1958), Guilhermina Suggia/Secretariado Nacional de Informação (SNI), em 1966.



Madalena Sá e Costa
créditos: DR
via Sábado

A violoncelista tocou ainda em orquestras, sob a direcção dos maestros Ivo Cruz, Fritz Riegger, Jacques Pernood, Gunther Arglebe, Ferreira Lobo, Pedro Blanch e Silva Pereira

Fez parte da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional (1966-84), da Orquestra Sinfónica do Porto (1970) e da Camerata Musical do Porto (1979-89).

O livro autobiográfico de Madalena Sá e Costa, encontrei um exemplar da 1ª edição (2008) na Feira do Livro do Porto 2021. num dos poucos alfarrabistas presentes. E fiquei feliz! Memórias da minha passagem pelo Conservatório de Música do Porto, como aluna da Professora Hélia SoveralAs duas eram muito amigas. E conviviam de muito perto com os alunos de ambas.


 





Memórias e Recordações
Madalena Sá e Costa
Clube do Autor

"Esta herança que de forma simples e cativante é narrada na primeira pessoa por Madalena Sá e Costa, na obra “Memórias e Recordações” musicais que é também acompanhada de uma preciosa iconografia, acumulada ao longo de três gerações." 

O livro, com nova edição de Glosas 13 (Novembro 2015), conta com um texto escrito pela própria homenageada, bem como alguns testemunhos iconográficos da maior importância seleccionados por Madalena de Sá e Costa, em particular um autógrafo inédito de Guilhermina Suggia


A edição de 2015 foi apresentada na Casa da Música, suponho que no 101º aniversário de Madalena Sá e Costa, contando com a presença da autora.

"Tive com grandes mestres da música, em piano, meus Pais, primeiro minha Mãe, aos cinco anos, e depois meu Pai. Em violoncelo, Augusto Suggia, e também. logo de princípio, Guilhermina Suggia. Mais tarde, em Berlim, o professor Paul     Grümmer."

Madalena Sá e Costa, Memórias e Recordações, 2008

G-S

Fragmentos Culturais

18.04.2022
Copyright © 2022-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

domingo, 7 de março de 2021

Maurice Ravel : um sopro de nostalgia em dia de confinamento


 



Maurice Ravel
credits:  Evening Standard/Getty Images


"The only love affair i have ever had was with music".

Maurice Ravel

Maurice Ravel faria hoje, 7 de Março 146 anos. Nascido em 1875, Ravel é como sabem, um compositor e pianista francês, ligado ao movimento Impressionista. 

Contemporâneo de Claude Debussy, seu predecessor. Ravel frequentou o Conservatoire de ParisDepois de acabar o curso, Ravel fez seu próprio caminho, encontrando-se como compositor, desenvolvendo um estilo de grande sensibilidade, fortes influências modernistas, barrocas, neoclassiclássicas e, em obras posteriores, influências do jazz. 







Gostava de experimentar formas musicais, como em Boléro (1928). Aí, a repetição toma o lugar do desenvolvimento. Não é de todo a peça que aprecio, mas esta interpretação do Ballet Maurice Béjart é impressionante.

Nos anos 1920s -1930s, foi considerado o maior compositor francês vivo. Ravel é continua a ser considerado um dos mais significativos compositores do século XX. 

Para mim, um compositor especial. Pela sua música, mas também pela sua postura perante a arte. Também tinha extremo bom gosto. Achavs importante apresentar-se bem.






Maurice Ravel
credits: Roger Viollet via Getty Images


Ravel compôs relativamente pouco, comparado com compositores como Debussy, Wagner, Shostakovitch ou Schoenberg. Mas a sua música é de grande 'perfeição'. Requinte, elegância, sensibilidade, o que faz dele, um dos mais amados compositores.

"Small art can, of course, be great art. Was Ravel a great artist? No one denies that he was a great artisan, tailoring his material to his sundry subjects, whether they were exotic evocations of Spain, Greece or Madagascar"

Sanjoy Roy, The Guardian/ Classical Music





Ravel, Gershwin, entre outros
credits: © Hulton-Deutsch Collection/CORBIS/Corbis via Getty Images


É um dos meus favoritos. Pela sua sensibilidade, pela perfeição das sonoridades. E ritmos impensáveis, para época. Continuam a deslumbrar.

Relembrei hoje o Concerto em G Major para piano e orquestra e La Valse. Escrevi sobre esta última em 2012, falando do poema coreografado pelo CNB.

Com nostalgia, passei  a tarde a ouvir La Valse em diferentes interpretações, Leonard Bernstein, ou Claudio Abbato. Mesmo a 2 pianos Martha Argerich/ Nelson Freire.

Com a intenção de homenagear a valsa e Johann Strauss II, Maurice Ravel, compôs o que pretendia ser uma obra romântiva, La Valse, un poème chorégraphique (1919.1920)

Antes de se ter alistado no exército interrompendo assim a criação musical, Ravel escreveu que pretendia que a peça fosse "uma espécie de apoteose da valsa vienense mesclando-se na minha cabeça com a ideia de turbilhão fantástico do destino».





La Valse 
Maurice Ravel

"Whatever one’s interpretation of La Valse, there is no doubt Ravel masterfully achieves his vision in the music."

Frances Wilson, Interlude

E continuei com Ravel a tarde inteira. Numa busca continuada, encontrei finalmente o Concerto em G Major interpretado pela incomparável Martha Argerich. Uma explosão de sentimentos, Deus meu!

Sobressaiu a nostalgia. Nostalgia de um concerto na Casa da Música. Ao vivo. Quanto tempo! Belíssimos concertos em noites inesqucíveis de boa música. Consagrados compositores, e intérpretes: Música, na sua essência.

Na Sala Suggia ouvi, ao vivo - e ressalto hoje, muito, ao vivo, porque é isso que me falta tanto - o Concerto in G Major pelo pianista António Rosado com a Orquestra da Casa da Música.

Fiquei ouvindo este momento único, interpretado por um símbolo da minha música d'alma. Martha Argerich.

* Ver directamente no YouTube









Introversão e beleza. Silênco quase em tom de prece, ouvi Adagio Assai, o segundo movimento. 

 "One of the most beautiful tunes Ravel ever invented" (...) 

Edward Sackville-West e Desmond Shawe-Taylor, críticos de música

Interpretação/ transposição. Tocar não é só transmitir a partitura, é sentir, viver. E para tal, nada é comparável ao touch de Martha Argerich. Uma ternura sem fim, neste Adagio Assai.

"The composer constructs an object so perfectly honed,” writes pianist Paul Roberts, “that the performer is fearful of damaging it."






Ravel escreveu outras obras que fazem parte da música erudita. Daphnis e Chloe, um bailado composto em 1909, a pedido de Diaghilev para o famoso bailarino Nijinsky. 

Concerto para Piano para a esquerda, Pavane pour une infante défunte, entre as oitenta cinco obras, incluindo algumas incompletas, outras abandonadas, segundo o musicólogo francês Marcel Marnat.

"Ravel became a master orchestrator, carefully studying every musical instrument to determine their possibilities. His famous orchestration of Mussorgsky’s Pictures at an Exhibition, brought Ravel substantial income."

Classic FM

Ravel morreu em 1937 na sua casa Le Belvedère, em Montfort-l’Amaury, hoje Fondation Maurice Ravel. Os jardins mantêm-se intactos, e foram desenhados pelo compositor, incluindo o Japanese Garden.

Bolero, Piano Concerto for the Left Hand, Concerto in G Major e L’enfant et les sortilèges são algumas das peças escritas em Montfort l’Amaury.


"Music I feel must be emotional first and intellectual second."

 Maurice Ravel

G-S

Fragmentos Culturais

07.03.2021
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quinta-feira, 7 de maio de 2015

O Piano ! Quem inventou o piano ?





Piano fabricado por Bartolomeo Cristofori
credits :Dea/L.De Masi/Getty Images

Este último mês tem sido doloroso.  E poucas coisas me têm tirado de uma certa tristeza que se colou a mim.


No entanto, este doodle que me deu as boas vindas, na manhã do dia 4 Maio, na página inicial de Google, trouxe algum brilho ao meu olhar. Um piano animado?





Google doodle Bartolomeo Cristofori
Doodler : Leon Hong

Um piano! Não me perdoria passar sem escrever sobre este doodle que me despertou para o facto de estar viva. E poder fruir do som quase infantil, repetitivo, forte e piano da Cantata, BWV 147, Jesu, Joy of Man's Desiring de Johann Sebastian Bach, um tema tão carregado de sentimento de introversão. 


O piano, suas sonoridades me acompanham desde sempre. E me consolam ou alegram segundo os instantes de vida.


Google celebrava então o 360º aniversário de Bartolomeo Cristofori que é considerado o inventor do piano.





Bartolomeo Cristofori 1655-1731


Talvez nunca tivessem ouvido falar de Bartolomeo Cristofori, mas todos conhecem a sua invenção, o piano.

Cristofori era um fabricante italiano de instrumentos musicais. E segundo documentos da época, posteriormente desaparecidos, a ele se deve a invenção do pianoforte, instrumento que usa cordas e um teclado para reproduzir notas. 

Tornar possível aumentar ou diminuir o volume foi o grande avanço do músico artesão. E é exactamente esse mecanismo que o doodle reproduz de uma forma original.

No págine dedicada aos doodles, Google escreveu"A maior inovação foi a criação de um mecanismo de percussão que atingia as cordas de um teclado e criava som. A utilização de um martelo, tornou possível produzir sons mais piano ou mais forte, dependendo da pressão suave ou forte com que que se tocam as teclas." 

Será que ao visitar a página inicial de Google, no dia 4 Maio, experienciaram aumentar e baixar o volume da música que se ouvia, se interagissem com o doodle? Se não o fizeram, poderão tentar agora:




Perante as várias notas e esquissos publicados no blog, pressente-se que o criativo doodler Leon Hong gostou mesmo do trabalho a que se entregou.

“My favorite part of the doodle is the animation of Cristofori playing when the volume is set on forte. If I had more time I would have put even more bounce to his bottom. I hope people decide to do more research after playing with the doodle and learn more about him" 

Doodler Leon Hong





Replica of 1690 oval spinet 
by Tony Chinnery and Kerstin Schwarz

Bartolomeo Cristofori di Francesco nasceu em Padua no dia 4 Maio 1655. Na época, denominada Repubblica di Venezia.

Até aos 33 anos esteve ao serviço de Prince Ferdinando de Medici. Ferdinando, um grande apreciador e patrono da música, era filho e herdeiro de Cosimo III, Grand Duke of Tuscany. A Toscânia era ao tempo um pequeno estado independente.




A portrait of Ferdinando de' Medici with his musicians
credits: Getty Images

Ferdinando de Medici de passagem por Veneza, contratou Cristofori como técnico para cuidar de seus instrumentos musicais, supondo talvez que Cristofori pudesse vir a fabricar algum instrumento musical novo.

E sabe-se que Cristofori continuou algumas experiências até que, em 1709, apresentou o instrumento musical que seria possivelmente o piano.




The 1722 Cristofori piano 
in the Museo Nazionale degli Strumenti Musicali in Rome

Crê-se que Cristofori começou o seu trabalho no que viria a ser um piano, por volta de 1690, até à apresentação do novo instrumento em 1709.


No entanto, antes de inventar o piano, Cristofori já criara dois outros instrumentos musicais de teclas. 


O primeiro, a espineta - spinettone - um tipo de cravo. O segundo, mais original, uma espineta oval, inventada em 1690. Estes dois instrumentos apareceram inventoriados por volta de 1700.


Quando inventou o piano, chamou-lhe "gravicembalo col piano e forte" – um clavicórdio com sonoridades piano e forte.  O nome passou a pianoforte e mais tarde, piano.




Gran Piano, 1720
Bartolomeo Cristofori
The Metropolitain Museum of Art


Praticamente ignorado em Itália, o piano foi adoptado no século XVIII pelos alemães, como J. Stein e Silbermann.


Cristofori morreu sem ser apreciado pela sua grande invenção que, por sinal, mudou por completo o mundo musical em 1731 – um ano antes do aparecimento da primeira partitura para piano.


No século XIX, o piano foi mais modernizado e tornou-se finalmente conhecido.


Era um instrumento refinado,  objecto de decoração nas casas das grandes famílias até ser imortalizado pelas composições de grandes músicos como Chopin, Liszt, SchumannBrahms, Beethoven, Shubert, Debussy e vários outros.
 

Ninguém sabe quantos pianos Cristofori fabricou, mas actualmente, só três sobreviveram. 


Foram fabricados nos anos 1720 e encontram-se no Metropolitan Museum of Art on Google Cultural Institute ou Museu New York City, no Museo dei Strumenti Musicali, em Roma, e no Musikinstrumenten-Museum of Leipzig University, na Alemanha.

 


Leonard Bersnstein

"I can't remember myself as having particular talent for music before the age of ten. My parents were not particularly musical; and since I was the oldest child, I had no older brother or sister to introduce me to music. We didn't even have a piano in our house. Then one day, out of the blue, an old upright piano arrived.... I was ten years old that day when my life changed. I fell in love with the piano, and it loved me back. We've been happily married ever since."


Leonard Bernstein, 1949

G-S

Fragmentos Culturais

07.05.2015

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