"The songs are “like little plays,” (...) “They’re typically French. We’re a people who express our love in songs, our anger in songs, even our revolution in songs.”
Juliette Gréco, The New York Times, 1990
Nascida a 7 Fevereiro 1927, à Montpellier, França, Juliette Gréco, cresceu perto de Bordeaux, criada pelos avós maternos, após a separação dos pais. Nos anos 30 foi para Paris, para se juntar à mãe e irmã.
Na sua autobiografia, publicada em 1983, "Jujube", diminutivo de infância, Gréco conta como, após a detenção da mãe, que pertencia à Résistence, esteve presa durante 10 dias em Fresnes, em 1943, com a irmã mais velha, Charlotte. A mãe e a irmã foram deportadas para o campo de concentração de Ravensbrück, na Alemanha, mas sobreviveram.
"Sans détour, elle évoque les meurtrissures de son emprisonnement à Fresnes, la déportation de sa sœur et de sa mère..."
Juliette Gréco, Je suis faite comme ça
Juliette Gréco voltou a Paris e aí permaneceu. Ganhou voz, mostrou-a a quem a quis ouvir, até que chamou a atenção de quem a via. E acabou por se impor com elegância, o que a levou a tornar-se um ícon.
Resistente improvável, deu voz a poemas de intervenção, descobriu o seu próprio
caminho na canção francesa. Tornou-se mais tarde num símbolo engagéda chanso française.
Voz grave. fumada, adquirida pela boémia parisiense.
Juliette Gréco ganhou um lugar diferente na boémia parisiense, devido à sua sensibilidade, ora melancólica e dramática, ora despreocupada e pouco dada a regras.
"Juliette Gréco se livre et se souvient. Les cafés au Flore avec son ami Maurice Merleau-Ponty et les soirées en compagnie de Boris Vian ; ses premiers essais au théâtre, les concerts dans des salles mythiques, de Bobino à l'Olympia, et la conquête de l'Amérique..."
Juliette Gréco, Je suis faite comme ça
A actriz e cantora francesa era o rosto e a voz do Paris radical chic do pós-guerra.
No final dos anos 40, Raymond Queneau e Jean-Paul Sartre assinaram os primeiros êxitos de Juliette Gréco no cabaret Le Tabou: “Si tu t’imagines” e “La Rue des Blancs-Manteaux”.
"Charlie Parker, Miles Davis, Prévert, Queneau, Gainsbourg, Sagan... Juliette Gréco raconte ses révoltes et ses engagements, refusant de se parodier et de s'enfermer dans le mythe."
Juliette Gréco, Je suis faite comme ça
Juliette Gréco
via Flip Magazine
Juliette Gréco, cantou Léo Ferré, Jacques Prévert, Serge Gainsbourg. Cantou também Pierre Desnos, Bertolt Brecht, Boris Vian, Françoise Sagan, Charles Aznavour, Guy Béart, e Georges Brassens.
"Ce sont les mots qui dictent le geste, jusqu'au bout des doigts"
Juliette Gréco
Os verdadeiros apreciadores de Gréco lembram temas como "Jolie môme" (1961), La Javanaise (1963), e alguns anos mais tarde, Déshabillez-moi (1967). Títulos que evocam os grandes clássicos da chanson française.
Celebrizada pela sua interpretação de Belfegor (1965), na série televisão epónima, a cantora da Rive Gauche estreou-se no teatro em 1945, em “Victor ou les enfants du pouvoir”, e no cinema em 1949, em “Orphée”, de Jean Cocteau.
Foi casada, entre outros, com o grande actor francês Michel Piccolique morreu recentemente, em Maio 2020.
Em Portugal, actuou por duas vezes, em 2001 e 2008, ambas no Centro Cultural de Belém (CCB). Na Casa da Música, teve dois concertos agendados em 2008. Foram anulados "por motivos de força maior."
Juliette Gréco
crédits: Leszek Szymanski (EPA/Lusa)
Em 2013, voltou a Lisboa, no dia em que completava 86 anos, não para cantar, mas para ser homenageada no Instituto Franco-Portugais, por ocasião do lançamento da colecção Chanson Française, editada pelo diário Público com selo da Levoir e da Le Chant du Monde.
Com uma carreira repartida pela canção e o cinema, com passagens por Hollywood,Gréco tornou-se a "diva" da chanso française. Recebeu em 2012, as insígnias deCommandeur de la Légion d'honneur, entre outras distinções.
Juliette Gréco
crédits:Victor Diaz Lamich, 2006/ via Wikipedia
QuandoJuliette canta e recita os versos: "Com o tempo tudo passa, também os amores vão embora e ninguém os espera mais", ela parece sugerir que o tempo apaga muitas coisas, os amores sem dúvida, mas deixa em todos nós as coisas mais belas, inesquecíveis, intemporais. Como sua voz, além da memória de uma Paris que foi o centro do mundo e, sob aquele céu, a cultura inspirou homens de boa vontade."
"Pour résister à l’approche de la fin, il faut aimer ce qu’on fait, à la folie, aimer son métier comme je l’aime moi, c’est-à-dire de façon démesurée, hors normes, en allant chanter aussi dans des petites salles de banlieue en matinée et savourer qu’un jeune homme ait dit à la fin du tour de chant : “Elle est bonne, hein, Gréco !”
Le Monde
Bravo Juliette!
Neste Dia Internacional da Música, meu tributo aJuliette Gréco!
A minha terra é Viana Sou do monte e sou do mar Só dou o nome de terra Onde o da minha chegar.(...)
Pedro Homem de Mello, Canção de Viana
Pela primeira vez, em mais de 200 anos, as Festas da Senhora d'Agonia, com a procissão ao mar e desfile da Mordomia, inseridos na Romaria em Honra de Nossa Senhora da Agonia não saíram à rua. No terceiro domingo de Agosto, é tempo de rumar a Viana. Minhotos, portugueses, e estrangeiros.
É sem dúvida a romaria portuguesa com mais tradição e fama. Amadeo Costa, etnógrafo, estudioso dostrajes e tradições, e escritor de diversos livros sobre Viana, é o autor de algumas frases que reflectem a alma desta romaria: "Quem gosta vem, Quem ama fica."
Houve uma curta procissão ao mar com distanciamento social, e as Mordomas andaram pela cidade, distribuindo flores. Todo o programa se passou a nível digital (filmes nas redes sociais).
Em tempos de pandemia, as cerimónias não se realizaram, obviamemte. No entanto, nada foi descurado para que todos pudessemos viver a festa. Adaptada ao formato digital sob o tema "Este ano, a nossa festa é sentida no coração."
Os vianenses e mordomas trajados a rigor, mantendo os cuidados exigidos, foram convidados a levar à rua um "bocadinho da romaria", trajando pelas ruas, honrando a tradição, a história e a alma de um povo.
A escola de dança de Viana do Castelo, Arte em Movimento lançou um vídeo no dia 17 de Agosto, "uma mensagem de alento e força a todos os vianenses" que este ano não poderiam assistir aos tradicionais festejos, percorrendo a cidade, naquela que é celebrada como a maior romaria do país.
O video foi publicado nas redes sociais. E mereceu os maiores elogios. Também despertou muitas invejas. Só podia.
Depois de milhares de visualizações, e de muitas partilhas, este video foi retirado do Instagram e do Facebook por ter sido "acusado de racismo" (?)
O tema musical Stand-UP cantado por Cynthia Erivoé belíssimo. Estão devidamente salvaguarados os direitos da cantora, e da sua interpretação, bem como o album de que faz parte este tema. Cynthia Erivo cantou-o na cerimónia dos Oscars.
A coreografia de Cristiana Neto é fabulosa! Viram racismo? Eu não vi. Por mais que tente!
Convite aliciante a um mergulho ao universo do pintor francês impressionistaClaude Monet e do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt.
Vai ser inaugurada daqui a uns dias, naImmersivus Gallery, no subterrâneo do edifício da Alfândega do Porto, e permanecerá neste espaço até 15 de Novembro 2020.
Este novo projecto do atelier OCUBO mistura hologramas com projecções imersivas a 360º. Segundo o comunicado oficial, a exibição está estruturada de forma a dar a conhecer as obras-primas de Monet e Klimt, experienciando "uma nova fórmula lúdico-pedagógica", pela utlização das tecnologias.
"Monet led the way to twentieth-century modernism by developing a unique style that strove to capture on canvas the very act of perceiving nature."
The Metropolitan Museum of Art
Impressive Monetdebruça-se sobre o mundo do artista parisiense e a sua órbita na esfera do impressionismo. O atelier OCUBO reinterpreta a obra do artista e revela "o que está para além dos quadros, das paisagens, dos acontecimentos e tudo o que está oculto, na essência, aquilo que não se vê dentro da moldura".
O público ficará imerso pelas cores que fazem parte do mundo deste grande pintor, Claude Monet.
Brilliant Klimttraça um percurso do extraordinário pintor austríaco Gustav Klint, segundo dados biográficos, e legado atístico. Sem dúvida, um dos pintores que mais marcou o Simbolismo na arte. Um dos pioneiros na arte figurativa, do início do século XX.
"Klimt’s highly ornamental style reveals the close connection between Symbolism and parallel movements in the decorative arts such as Art Nouveau."
O icónico quadro O Beijo é o fio condutor, funcionando como "um GPS subliminar das demais obras do autor: está sempre presente sem que o visitante dê conta".
A Immersivus Gallery é um espaço onde são desenvolvidas diversas experiências imersivas, com diferentes temas e artistas, nacionais e internacionais.
Através da simbiose tecnologia e arte, dá oportunidade aos visitantes de experienciar a arte e cultura de uma forma inovadora.
São 2000 m2 de área de projecção em 360º, onde o público é imerso pelo espectáculo, fazendo também ele, parte da história.
Tudo possível através de uma instalação técnica complexa e inovadora, em que as Furnas da Alfândega do Porto foram transformadas numa monumental tela onde o conteúdo multimédia é projectado no chão, paredes e tecto, preenchendo todo o espaço com cores e animações interactivas.
A Exposição está aberta de quarta-feira a domingo, das 10.30 às 20.00 horas.
Foi com grande entusiasmo que li esta notícia. Já ouvira falara. E estava muito expectante, de modo a saber quando estaria aberta ao público.
E logo no Porto, onde nos tempos que corram nada se passa. Um marasmo terrível.
Não há concertos na Casa da Música. Programação pauperrima. Serralves parece parado no tempo, apesar de tão grandes espaços abertos em plena natureza. Só Olafur Eliassonno Parque até 27 Setembro 2020.
Cinema, nada de novo. Apenas reposições ou filmes sem grande interesse.
Em ano de tanta ausência de cultura devido à pandemia, não se pode perder uma experiência destas.
Nota: Face ao período de pandemia e de crise económica, será lançada uma campanha de preços especiais que variam entre os 5€ e os 9€. As crianças até aos 5 anos têm entrada gratuita.
A mais bela homenagem que já se fez ao cinema. Realizado em 1988 - já? Parece que foi ontem - por Giuseppe Tornatore.
Sabe-se agora que escreveu a carta da sua própria despedida. Faz-nos que faz-nos estremecer. A ler aqui
Ennio Morricone Hollywood
via Giornale di Sicilia, 2007
Morricone teve uma carreira de quase 70 anos como instrumentista e 60 anos como compositor de bandas sonoras para cinema, TV e rádio.
Compôs para um número ímpar de filmes, colaborou com realizadores prestigiados como Pier Paolo Pasolini, Sergio Leone, Irmãos Taviani, Terence Malick,Bernardo Bertolucci,Brian De Palma e, mais recentemente, Quentin Tarantino.
Mas voltemos aCinema Paradiso. A viagem de quem ama o cinema é peculiar. Cinema é sonho. É magia.
Desde muito miúda. Meus pais adoravam cinema. E numa altura em que não havia classificação etária, levavam-me ao cinema, com meus quatro irmãos. Ocupávamos meia fila. No mínimo.
A cinéfila convicta que sou e que aqui escreve, nunca deixou de ir ao cinema, para ver alguns filmes ditos 'obrigatórios' para quem ama a 7ª Arte.
Direi melhor, filmes que criteriosamente selecciono segundo actores, realizadores, bandas sonoras. Muitas vezes baseados em livros. E que sei me tocarão. E trarão de volta as memórias felizes de meus pais. Partiram tão cedo!
Cinema Paradiso foi escolhido por falar de cinema, pelo actor francês Philppe Noiret e por Ennio Morricone. O realizador era-me desconhecido. Mas genial no modo como nos transporta nesta jornada de duas horas, onde em momento algum o ritmo cai. A todo instante, há algo importante acontecendo, muitas vezes representados de maneira lúdica, como que personificação dos corações sonhadores.
“Non c’è una musica importante senza un grande film che la ispiri”.
Ennio Morricone
Entrou facilmente na minha lista de filmes favoritos. Possivelmente um dos mais belos que já vi. Por isso, sempre o revisito, quando reaparece nos canais de cinema, ou em canais portugueses.
Além de um filme, é uma experiência emocional e sensorial a ser vivida. Um hino d amor ao cinema.
Ennio Morricone
via Giornale di Sicilia 2007
"Há apenas um motivo para me despedir de todos assim e celebrar o funeral em privado: Não quero incomodar."
Ennio Morricone, in Carta de Despedida
Até breve, Maestro! Sua música imortalizou-o. Cada filme que revisitemos, as suas bandas sonoras farão com que esteja presente. E a magia poisará em nós.
"His work goes beyond the movies he composed for and will be deeply embedded in the art of film music for as long as there is film. He will be missed, but his music will not be forgotten."
Danny Elfman, composer, in Time
A meus pais que me passaram este imenso refúgio d'alma. O amor ao cinema. Ao belo. À arte. À cultura.