Monday, December 8, 2014

Falemos de pintura e dos Impressionistas





Le Printemps | Édouard Manet, 1881

"The final appearance of Manet’s work during his lifetime took place at the state-sponsored Salon of 1882, a year before his premature death at the age of 51. The artist showed two paintings: Un Bar aux Folies-Bergere(1881-1882), the masterpiece of his career, and, seen here, Le Printemps(1881). Unlike the outcry caused by his painting Olympia (1863) at the Salon of 1865, both works were rapturously received."

Christie's, The Art People

Foi em Novembro que notícias sobre os Impressionistas correram os media a propósito do célebre quadro de Édouard Manet, Le Printemps, uma das últimas obras expostas em vida real do pintor, segundo consta do catálogo da Christie's. Aliás, belíssima apresentação gráfica. Outra coisa não seria de esperar de uma leiloeira de arte tão prestigiada a nível mundial.



foto:  Charles Platiau/REUTEURS

"Le Printemps" pintado em 1881, atingiu um preço record, ultrapassando assim 'Auto-retrato com uma Paleta', também de Manet, vendido em 2010.

"L’impressionnisme est un mouvement pictural français né de l'association de quelques artistes de la seconde moitié du XIXe siècle. Fortement critiqué à ses débuts, ce mouvement se manifeste notamment de 1874 à 1886 par des expositions publiques à Paris, et marqua la rupture de l'art moderne avec la peinture académique."

Wikipedia, Impressionnsime



Autoportrait à la palette, 1879
Édouard Manet

Achei interessante o comentário feito pelo presidente da leiloeira "Os resultados fortes são testemunho do interesse geral no Impressionismo e na arte moderna".

Sabemos que nas últimas décadas, o interesse pela arte moderna tem sido crescente. Para isso, muito contribuiram os Museus de Arte Moderna ou Contemporânea. 

Aliás, o quadro foi adquirido pelo JPaul Getty Museum, Los Angeles que já divulgou ter o quadro exposto ao público no final deste ano.

E o Impressionismo, para além de ser um marco definitivo de  viragem da arte moderna, é claramente um período belíssimo da pintura.




The Railway | Édouard Manet, 1873

Representa a liberdade de pintar ao ar livre, a busca do momento, da luz, a exploração de outros temas, de outras técnicas de pintura, o todo privilegiando a visão pessoal, intimista, do artista, a sua 'impression' face ao que observa não se limitando a 'descrever' o real.




Jeanne Demarsy (1865-1937)| Le Printemps, Edouard Manet (1881)
"Le Printemps" - "A Primavera" - retrata Jeanne Demarsy (actriz francesa popular em Paris nos finais do século XIX), sobre um fundo de flores, vestindo de branco e usando sombrinha poisada no ombro. 

O quadro pertenceu à mesma família durante mais de um século e, nos últimos 20 anos, esteve emprestado à National Gallery of Art, Washington.



Edouard Manet

Criado em 1881, "A Primavera" foi apresentado pela primeira vez um ano depois, no Salão de Paris. É, actualmente considerado a obra-prima de Édouard Manet (1832-1883).

Um dos primeiros proprietários da obra foi Antonin Proust, jornalista francês amigo de Manet. O quadro terá depois transitado para as colecções de Jean-Baptiste Faure e Paul Durand-Ruel, especialistas em arte impressionista.




By the water | Pierre-Auguste Renoir, 1880

"His initial paintings show the influence of the colorism of Eugène Delacroix and the luminosity of Camille Corot. He also admired the realism of Gustave Courbet and Édouard Manet, and his early work resembles theirs in his use of black as a color. Renoir admired Edgar Degas' sense of movement. 
(...)

"In the late 1860s, through the practice of painting light and water en plein air (outdoors), he and his friend Claude Monet discovered that the color of shadows is not brown or black, but the reflected color of the objects surrounding them; an effect today known as diffuse reflection."

Wikipedia, Pierre-Auguste Renoir


Autoportrait, 1875
Pierre-Auguste Renoir

Vem a propósito de incluir Pierre-Aguste Renoir nesta postagem, o facto de ter descoberto o video abaixo apresentado. O video representa o pintor, já com a idade de 74 anos (1915), a pintar, apesar da terrível doença que atingiu as suas mãos, artrite-reumatóide que o atingiu nas últimas três décadas da sua vida.

Um testemunho autêntico, e impressionante dos últimos tempos de vida e pintura deste outro grande nome do movimento impressionista.




Vemos Renoir, com 74 anos, 1915, sentado diante de seu cavalete, a pintar uma tela, enquanto seu filho mais novo Claude, 14 anos, apoia a paleta e coloca o pincel na mão permanentemente fechada de seu pai. 

No momento em que o filme foi feito, Renoir já não conseguia andar, mesmo com muletas. Dependia dos outros para se mover na sua cadeira de rodas. 

Seus assistentes percorriam grandes telas, numa armação feita sob medida, de modo a que o pintor sentado pudesse chegar a diferentes áreas com seus movimentos do braço limitados. 


Pierre Auguste Renoir, mon père
Jean Renoir
 Gallimard, 1981

No livro "Jean Renoir, mon père", seu filho Jean Renoir, o famoso cineasta, descreve o choque das pessoas que conheciam o pintor apenas pela sua arte, desconhecendo as condições físicas.

Renoir nunca demonstrou na sua obra, o sofrimento causado pela terrível doença. É denominado mesmo, le peintre du bonheur.

Depois disto, talvez passemos a olhar a pintura de Pierre-Auguste Renoir de um outro modo

Pierre-Auguste Renoir trabalhou em constante dor, e até o dia de sua morte, a 3 Dezembro 1919.

G-S

Fragmentos Culturais

08.12.2014
Copyright © 2014-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

8 comments:

heretico said...

muito bem - ver um pouco mais além é sempre bom.

privilégio, tua presença amiga

beijo

aflores said...

Falaste de pintura e dos Impressionistas, e muito bem. Gostei.

Por aqui fiquei um pouco, mais uma vez aprendendo.

Tudo de bom.

João Roque said...

Quando eu postar sobre estes dois mestres, virei aqui procurar inspiração.
Por ora continuo nos contemporâneos norte americanos.

Isabel Maria Rosa Furtado Cabral Gomes da Costa said...

Minha Querida:
Tinha saudades suas e destes seus textos, que encerram em si um cofre cheio de informações culturais, digo: de preciosas pérolas. Aprendo sempre imenso. Desconhecia que o Renoir foi, já numa idade mais avançada, assolado pela artrite reumatoide, assim como desconhecia a sua força, determinação e coragem para continuar a pintar da forma como pintava, sem nunca deixar transparecer o seu sofrimento, dando, ao invés, sempre a ideia de que vivia alegremente.
Um abraço muito forte.

G- Souto said...

Que seria de nós se não vissemos um pouco mais além. Imprescindível não é mesmo ?

Também para mim, é uma alegria ter-te por aqui, Herético.

bejo

G- Souto said...

E que bom saber que apreciaste esta postagem aflores!

Gosto muito de pintura... bem eu gosto de Arte em geral :-)

Tudo de bom !

G- Souto said...

Com todo o gosto, João.

Eu gosto de saltitar um pouco, é o que vou descobrindo, e que se encaixa melhor no momento. Afectos, são assim.

brevemente, passarei para ler sobre novas postagens dos americanos contemporâneos.

G- Souto said...

Querida amiga Isabel,

Mas que alegria, vê-la de volta a 'fragmentos' !

Também eu tinha saudades de si e de sua presença sempre tão afectuosa.

Não pude ler seus textos com a atenção que merecem - escreve lindamente. No Natal, o tempo escasseava. Mas prometi voltar...

Confesso que para mim este video, autêntico achado, provocou-me estupefacção, e ainda mais respeito.

E mais me fez admirar a pintura de Renoir que transmite, acima de tudo, alegria de viver. Não pensaria na dor, sempre que olho uma das suas obras.

Um grande abraço. Até breve!