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sábado, 10 de agosto de 2019

Fragmentos Culturais : 13 anos !






Ryuichi Sakamoto
credits: Courtesy Ryuichi Sakamoto CODA
via Variety


"I want to break down the walls between genres, categories or cultures."


Ryuichi Sakamoto


Ryuichi Sakamoto apresentou o seu ultimo trabalho Insen, 2005 com Alva Noto na Casa da Música, no passado dia 11 de Julho 2006. Depois da passagem pelo Coliseu do Porto, no projecto Morelenbaum2/Sakamoto com Jaques e Paula Morelenbaum, numa travessia pela bossa-jazz, confesso que as minhas expectativas eram enormes nesta actual incursão de tão conceituado compositor e intérprete.





Ryuichi Sakamoto & Alva Noto


"This global view to the different cultures is just part of my nature."

Ryuichi Sakamoto


Foi com este concerto de Ryuichi Sakamoto, ou melhor com a minha indignação sobre o que se passou com o público na Casa da Música, nessa noite de 11 de Julho 2006, que Fragmentos Culturais nasceu.


Noite de 27 Julho 2006. Uma porta entreaberta para os meus afectos culturais. Livros, concertos, exposições, cinema, teatro, bailado, pintura, entre outras vertentes que me atraem, ligadas à arte e à cultura.  Única temática deste blog.


Treze anos? Não imaginaria que perdurasse tanto tempo! Gosto de escrever. Fujo de expor a minha intimidade. E, no entanto, ao escrever sobre o que gosto, acabo por me desnudar no concerne os meus sentimentos via cultura.


Hoje muito menos activa, na escrita. Assola-me, por vezes, a ideia de apagar. Mas é um espaço que encerra tantas lembranças! E de vez em quando venho por aqui, ainda, escrever.

Bons momentos, amistosos momentos, de partilha cultural, troca de ideias entre amigos que se fizeram e foram desaparecendo. Uns pela vida, outros pelo cansaço ou desinteresse pela blogosfera. 


Alegrias, risos. Tristezas também. Perdas irreparáveis.


A blogosfera fez parte de uma época. Pelo menos, nos termos em que alguns de nós criámos nossos espaços. Hoje, vira-se mais para a publicidade de artigos, moda, trends (palavra da nova era). Mas outros haverá ligados à cultura, política, ideias sociais ou até humor. Não duvido.







Lower Right/ Oil painting
credits: Andre Kohn



De vez em quando, volto aqui e (re)leio alguns dos textos que escrevi. Uns me surpreendem, apesar do tempo. Sentimentos que não consegui esconder? E que hoje, mantido o distanciamento, olho com nostalgia.


Outros fazem-me sorrir - como escrevi tais coisas?


E outros trazem-me lágrimas ao olhar. Saudades de seres que partiram e que continuam a estar presentes em meu coração. Quanta falta da presença viva.


Sinceros momentos que tentarei deixar por aqui mais algum tempo...


Agradeço a todos os que me leram, comentaram, as palavras amigas, afectos digitais que foram poisando por aqui. E até aqueles cujo olhar se deteve por momentos, aqui. Em Fragmentos Culturais.


Até ao dia em que decida, finalmente, desligar-me deste espaço. 


Se tanto me dói que as coisas passem
É po
rque cada instante em mim foi vivo

Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem



Sophia de Mello Breyner, Se tanto me dói que as coisas passem


*Nota: 

Ryuichi Sakamoto morreu a 28 de Março 2023.  Um choque profundo.


G.S.

Fragmentos Culturais 

10.08.2019

actualizado 04.11.2025
Copyright © 2019-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 

domingo, 9 de outubro de 2016

The Divine Comedy : Foreverland






The Divine Comedy
Foreverland, 2016

"It's about meeting your soul mate and living happily ever after... and then what comes after happily ever after."

Neil Hannon

Foreverland é o mais recente álbum dos Divine Comedy. Foi lançado no passado dia 2 Setembro 2016.

The Divine Comedy, banda pop, oriunda da Irlanda do Norte. Apareceu em 1989 e continua liderada por Neil Hannon. 





Neil Hannon

“The Divine Comedy is me at my purest."

Neil Hannon

Hannon tem sido o único membro constante do grupo, vocalista e intérprete  de toda a parte instrumental não orquestral. 

A banda teve o seu maior sucesso comercial entre 1996-99. Nos últimos anos, não se ouviu muito falar de trabalhos de relevo. O último foi em 2010 com o álbum Bang Goes The Knighthood. O tema At The Indie Disco: 







Finalmente, em Setembro de 2015, foi anunciado que a banda começara a gravar o o seu décimo primeiro álbum. As notícias foram aparecendo em sites da especialidade, e nas redes sociais. 

Confesso que deixara de ouvir falar dos Divine Comedy. A música pop tornou-se demasiado fugaz. Grupos aparecem, fazem sucesso, e repentinamente, esfumam-se

Então, no dia 17 de Maio de 2016 The Divine Comedy anunciaram nas redes sociais que o seu novo álbum Foreverland seria lançado em 2 de Setembro de 2016. 

Conjuntamente, foi lançada uma tournée europeia que se iniciou em Aberystwyth (UK) no passado dia 7 Outubro. Terminará em 27 Fevereiro 2017 em Dublin. Toda a  informação disponível no site da banda.

O álbum é composto por doze temas. O seu alinhamento, bem como uma curta audição de cada um dos temas, pode ser ouvida aqui.





The Divne Comedy/ tournée Reino Unido
Tramshed, Cardiff
créditos: Mike Evans

"Foreverland is The Divine Comedy's eleventh album and features twelve flamboyantly melodic, lyrically audacious, sumptuously arranged, fantastically overblown and quietly moving songs of everyday relationships."

The Divine Comedy

Há seis anos que a banda não publicava nenhum trabalho. Essa ausência parece ter dado a inspiração para uma canção pop perfeita. To the Rescue.

A crítica internacional tece bons elogios a Foreverland. É o caso do Sunday Express que o elegeu Album of the Week & 5*****. 

"Neil Hannon has been writing tearful and witty chamber pop since 1989. (...) But the strongest threads here are romantic, with two brilliant love songs - To The Rescue and The One Who Loves You - played so unerringly straight they bring a tear to your eye."

Sunday Express





Portrait Neil Hannon
credits: Giorgia Berardinelli, 2016

Também a crítica portuguesa tece rasgados elogios ao álbum Foreverland.

"Desde o final de século que Neil Hannon não escrevia uma epopeia assim. Faustosa, luxuriante e destinada à intemporalidade. Canções de sangue azul sobre a grande beleza dos pequenos nadas."
Disco Digital

Por sua vez, escreve o crítico de o Público que To the Rescue e a sua lírica "revelam uma das mais ponderadas reflexões sobre a coisa amorosa alguma vez posta em canção; enleadas nesta voluta de cordas com os metais em fundo, são mais que isso, tornam-se um arrebatador hino à fé no amor, sem abdicar da maturidade e da contenção."

Um pouco o que sinto, quando oiço To the Rescue. É um tema que me seduz. Vem de encontro aos sentimentos que me atravessam. 

Há momentos em que laivos de melancólica tristeza nos invadem. O Outono é uma estação que apura a nossa melancolia. Pelos tons, luminosidades doces, retiro das espécies. E aí? Vem a música.

Algumas nuances na voz de Hannon me levam até ao inesquecível David Bowie. Serei a única? 





Portugal faz parte da tournée? Excelente! Os concertos estão agendados para 3 de Fevereiro 2017, no renovado Theatro Theatro Circo, Braga, sala linda, e 4 de Fevereiro no Teatro Tivoli, em Lisboa. 

"Desde o final de século que Neil Hannon não escrevia uma epopeia assim. Faustosa, luxuriante e destinada à intemporalidade. Canções de sangue azul sobre a grande beleza dos pequenos nadas."
Disco Digital

G-S

Fragmentos Culturais

09.10.2016
Copyright © 2016-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®6.2016
 

domingo, 30 de maio de 2010

Muse no Rock in Rio 2010




Muse | Rock in Rio, Lisboa 

Fotografia: Castor (28.05.10)

Tenho assistido a alguns concertos do Rock in Rio pela SIC Radical! Já que não me desloquei, posso pelo menos fruir. Excelente! Bem sei que seria muito mais interessante a assistir ao vivo.


Sexta-feira, foi a vez dos Muse! Um grupo que conheço, oiço, mas não admiro integralmente. E por que razão?

Falta de originalidade? De certo modo, me pareceu. Porque identifico fortes colagens a bandas icónicas! E fazem-no de uma forma pouco saudável! As sonoridades metálicas, a tonalidade vocal de grupo apresentadas, remetem para outras celebradas bandas dos anos 80! E já lá iremos.

Todos nós sofremos influências, sem dúvida, das coisas que admiramos. Mas é  bom evitar a 'colagem' pura, a não ser que a nossa admiração seja tão forte que queiramos homenagear, fazendo por isso, uma clara alusão! 

Ninguém esquece que os Oasis - grupo que continuo a admirar, e a ouvir - sempre afirmaram publicamente a sua enorme inspiração nos Beatles. Mas conseguiram criar uma carreira e construir música de forma paralela e bem original.


Muse | Rock in Rio, Lisboa 
Fotografia: autor não identificado

Voltemos então aos Muse! Não li nem ouvi nada da parte do grupo em que referisse as suas influências.

Por exemplo, no último tema tocado nessa noite, o solo inicial, deu clique! Supertramp! Estaria equivocada? Seriam os Supertramp e a sua tão célebre introdução do primeiro concerto, que passou a ser a introdução da banda em todos os concertos ao longo dos anos! 

Fui ouvi-los a Lisboa, no último concerto da banda, já não na sua formação original. Mesmo assim muito bom. Pavilhão Atlântico esgotado. A tal 'agressividade electrónica' como só eles conseguiram criar mesclando-a de sonoridades melódicas. Absolutamente fantástico.

Pois, de repente, levada pelos Muse, saltei para os Supertramp!

Ora relembrem lá  o que ouviram na sexta-feira, no recinto do Rock em Rio ou em casa via SIC Radical! Párem, oiçam e  comparem!




Supertramp 70-10 Tour from Supertramp on Vimeo.


Sinceramente! Ouviram alguma menção de homenagem aos Supertramp? Eu não! E o concerto foi transmitido na íntegra via SIC.

Uma nota ainda. Falta de entrega, de carinho pelos fãs que ali acorreram em massa. Estáticos no palco, sem abandonar as suas posições, sem paixão, ou pequeno gesto de agradecimento ao seu público. Afinal os fãs mais dedicados estavam lá todos! 

G-S

Fragmentos Culturais

29.05.2010
Copyright © 2010-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 


domingo, 6 de abril de 2008

Portishead de novo em Portugal






Beth Gibbons
credits: Getty Images
http://media.gettyimages.com/

Devo confessar que um dos profundos desgostos dos últimos tempos se prende com o facto de não ter assistido a nenhum dos concertos dos Portishead no nosso país, na última semana de Março. Um dos meus grupos de culto dos anos 90 passara tão perto!




Adrian Utley/ Portishead

credits: Getty Images
http://media.gettyimages.com/





Portishead
credits: Getty Images
http://media.gettyimages.com/


Lembro ter escrito algo sobre os Portishead, numa noite de Janeiro 2006 e num outro espaço agora encerrado:




Beth Gibbons
credits: Getty Images
http://media.gettyimages.com/

De vez em quando, gosto de revisitar músicas que ouvi durante um determinado tempo, e que por cansaço onírico ou outras torrentes de afectos, fui arrumando na estante das emoções. 


Mas há dias ou fases de vida - não sei - algo redesperta. Pego neste ou naquele álbum para 're'ouvir com fervor uma melodia e dela me advêm novos sentires.

A voz de Beth Gibbons nesta composição - Glory Box - toca-me tão profundamente que atinge o âmago de minh'alma. E os sons instrumentais que se lhe contrapõem, dão-lhe um lancinante ênfase!






Foram efectivamente muito marcantes estes sons na minha vida! E permanecem!



G-S

28.01.2006


Cansaços, desencantos, angústias ou acalmias se seguiram a estes tempos! Mas, os Portishead continuam bem perto de minhas devoções musicais.

Saltar as datas que antecipadamente anotara numa memória de afectos fez-me sentir uma enorme perda. Como se não pudesse recuperar a magia que a este grupo me liga!


"O entusiasmo perante temas como Glory Box, Numb, Wandering Star, Over, Only You ou Cowboys foi mesmo tanto que no final de cada sequência vocal mais exuberante de Gibbons (que mantém a sua belíssima voz de quem podia estar a contar os seus desaires amorosos sentada no bar do hotel mais próximo) a assistência explodia em gritos e assobios." 





Geoff Barrow/ Portishead
credits: Getty Images
http://media.gettyimages.com/

(...)" excelente actuação de toda a banda, comandada por Adrian Utley na guitarra e Geoff Barrow (na percussão, bateria electrónica e deejaying)."

Gonçalo Frota



Devoção absoluta, pode-se ler! Não duvido! Teria sido o meu único sentimento se tivesse lá estado!





Beth Gibbons/ Portishead
credits: Getty Images
http://www.gettyimages.com/



G-S

(publicado 
sob pseudónimo em 31.03.2008)


Fragmentos Culturais

05.04.2008
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