Wednesday, February 8, 2012

Grandes pintores do século XX




number 8 (detalhe)


On the floor I am more at ease, I feel nearer, more a part of the painting, since this way I can walk around in it, work from the four sides and be literally 'in' the painting. 

Jackson Pollock, 1947

Jackson Pollock teria completado 100 anos no passado dia 28 Janeiro 2012. Pintor norte americano que esteve à frente do movimento Expressionismo Abstracto.

O expressionismo abstracto nasceu a partir da 2ª guerra mundial numa tentativa de exprimir as suas reflexões e emoções através de formas abstractas e de cores diversificadas.

É a 'escrita' automática interpretada sobre a tela. A pintura transforma-se numa espécie de escrita pessoal do artista num gesto rápido.

"Jackson Pollock (1923-1956) est l'âme de ce mouvement. On lui donne le sobriquet de Jack the Dripper . Ses techniques de « all-over drip » étaient très singuliers, dérivés et inspirés du travail de l'artiste Max Ernst (1891-1976)."



Male | Female



moon-woman
http://www.ibiblio.org/

Sobre este pintor, aconselho a leitura de um artigo interessante publicado no The Telegraph: "Jackson Pollock 'trancends time and fashion' " aqui

Entretanto, depois desta efeméride, dois grandes nomes da arte do século XX desapareceram ao longo da semana.

O português Fernando Lanhas, pintor-arquitecto da escola de Belas Artes do Porto.


Fernando Lanhas
Cais 44, 1943-44, óleo sobre papel
Museu do Chiado 


"É um homem de múltiplos interesses. Arquitecto de formação, é igualmente pintor, desenhador, poeta, arqueólogo, astrónomo e coleccionar por vocação.
(...)

Também não se reclama um poeta, mas é autor de composições caracterizadas por um grande rigor formal e pela contenção da ideia. Desde muito cedo preocupou-se em registar os sonhos do próprio sonhador."


"Um homem que se interessava pelo seu tempo, pela arte do seu tempo e pelos problemas do seu tempo. Nessa medida, Fernando Lanhas soube fazer convergir a Arquitectura, a Arqueologia, a Ciência, a Astrofísica e a Astronomia na sua obra".

João Fernandes, director Museu Serralves

E o catalão Antoni Tàpies, considerado um dos maiores expoentes da pintura expressionista abstracta do século XX.


Tàpies*



Formes y Vernis,1986
Tàpies


Amável, genial, Tàpies trabalhou até o último momento no seu estúdio em Barcelona. Confessava que, quando entrava e se colocava diante de uma tela em branco, se esquecia de tudo e se deixava levar por seu instinto:
"Não tenho projectos estudados, é puramente o que me inspira. Eu sou o primeiro espectador das minhas obras"
Em 1990 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias e abriu as portas da sua  Fundação, em Barcelona, onde expunha grande parte da evolução da sua obra, uma referência pictórica do século XX.

Lembro ter ido ver a sua exposição em Serralves (1991). Impressionante. 
O Expresso dedica-lhe um homenagem em jeito de fotogaleria das suas últimas exposições que aconselho vivamente. 

Nada mais justo do que homenagear três grandes vultos do expressionismo abstracto mundial.

"Knowing how to paint is not knowing how to copy what your eyes see, it is a scholarly attitude [...] I believe that life always finds its way out, like a river…"

Antoni Tapies


G-S

08.02.2012
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Referências:

Pollock, Jackson

8 comments:

Daniel Silva (Lobinho) said...

Olá :)

Nunca me interessei muito por pintura (sou mais da estatutária), mas há quadros simplesmente fabulosos, quase com vontade de dizer whether we like it or not! :)
Foi em Amsterdão que mais apreciei (e passei a gostar) de alguns pintores. Mas pintura abstracta e naíve, admito, nao me dizem quase nada.

Achei, porém, grandiloquente, a citação de Jackson Pollock. Irrepreensível.

O teu beijo muitíssimo amigo:)

pinguim said...

É o chamado dois em um: a propósito de um grande pintor - Pollock - homenageias dois outros pintores recentemente falecidos; um conhecido internacionalmente, Tapiés; e outro, Fernando Lanhas, o qual te agradeço a partilha pois não o conhecia.

Fragmentos Culturais said...

Eu gosto muito de pintura,Daniel!
E aprecio bastante a pintura contemporânea. No entanto, o abstraccionismo não é muito do meu sentir! Aprecio algumas obras...

Amesterdão é a cidade das galerias de arte, e entre elas, muitas ligadas à pintura.

Pollock começou por me impressionar como pessoa. E depois, entendi melhor a sua arte.

Dos três presentes neste tributo, tenho preferência por Tàpies ! Talvez porque tive a sorte de ver a exposição em Serralves! E ter um quadro diante de nós, não é o mesmo que vê-lo estampado num catálogo. E tu compreendes isso.

Muito obrigada pelo beijo, retribuído :)

Fragmentos Culturais said...

Neste caso... três em um, João.

É verdade! Comecei a rascunhar Pollock, mas entretanto, como não pude acabar o post (que tinha outro conteúdo), soube das notícias de Lanhas e Tàpies! E acabei por alterar, acabando por fazer o tributo aos três.

Lanhas é efectivamente o menos conhecido. Mas mais plural!

mfc said...

Gosto de te ler e aprender contigo estas subtilezas da pintura que não domino!
Sinto-me atraído por ela e sinto que me faz bem.

heretico said...

didáctico (à maneira antiga rss).

verdadeiro serviço público.

"aprender... aprender... aprender sempre".

grato. beijo.

Fragmentos Culturais said...

Todos aprendemos uns com uns outros. 'mfc'. Eu também gosto de ver as coisas através da perspectiva do teu olhar.

Suponho que mais do que dominar, é necessário sentir a pintura ou qualquer outra arte.

Se a pintura te faz bem, já estás a captar algumas subtilezas.

Muito obrigada pela tuas amizade.

Fragmentos Culturais said...

'didáctico (à maneira antiga rss)' à maneira antiga, pode ser.... embora não o entenda como tal.
Mas tu gostas de me provocar, 'Herético' :)

Um beijo