Thursday, May 2, 2013

Fragmentos nocturnos



Bailarinos Cloud Gate Theatre

"The dancer's body is simply the luminous manifestation of the soul." 

Isadora Duncan

Dias lindos se comemoram nestes últimos tempos! E eu sem escrever! Saudades? Sim! De deixar aqui algumas notas culturais das coisas que me tocam. Vejamos se posso recuperar um pouco a ausência com dois ou três fragmentos.

Hoje o tempo de voltar!  Dia Internacional da Dança! Celebrou-se esta semana, no 29 Abril. Não poderia deixar de escrever sobre esta arte que me fascina! 

Data que a UNESCO decidiu passar a celebrar (1982) em homenagem a Jean-Georges NoverreJean-Georges Noverre foi um dos grandes nomes da dança. 

Bailarino francês, nascido a 29 Abril 1729, é considerado o precursor do "ballet d'action", arte que Isadora Duncan, Martha Graham ou Pina Bausch exprimiram tão bem!



Bailarinos Cloud Gate Theatre

Este ano, o homenageado foi Lin Hwai-min, o célebre fundador e director artístico de Cloud Gate Theatre of Taiwan (Ilha Formosa).

A sua mensagem, retirada do Prefácio de "O Livro de Canções" - uma antologia de poemas chineses dos séculos X a VII, antes de Cristo - é belíssima, ligada não só à tradição milenar como à própria  beleza da arte da dança.

Poderão ouvi-la pela voz de Lin Hwai-min mais abaixo, num vídeo absolutamente  mágico, mas transcrevo um excerto traduzido em Português:

(...)

A dança é uma expressão poderosa.
Fala para a terra e para o céu.
Fala da nossa alegria, do nosso medo e dos nossos desejos.
A dança fala do intangível, revelando ainda o estado de espírito de uma pessoa e o temperamento e carácter de um povo.

(...)

Nesta era digital, as imagens dos movimentos tomam milhares de formas.
São fascinantes.
Mas nunca substituirão a dança porque as imagens não respiram.
A dança é uma celebração da vida. (...)




E ontem foi a vez do Dia Mundial do Jazz! Ora aqui está outra paixão! Um estilo (se assim poderemos dizer) de música que me acompanha em tempos de initimidade.


Celebrado pela UNESCO e pelo mundo desde 2012, no dia 30 Abril. Dia Mundial do Jazz, por proposta do músico Herbie Hancock, embaixador da boa vontade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).  



Este ano, Istambul acolheu a comemoração do "Dia Mundial de Jazz 2013". 

Jazz! Um estilo de música, segundo palavras da Directora Geral da UNESCO, que pode "derrubar barreiras e simboliza a paz". Poderão ver o concerto que foi transmitido ontem, live stream aqui

Suponho que simboliza tudo isso. Mas arte não será vista apenas em dias especiais! Arte é afectividade, sentimentos, emoções. Daí que seja livre de ser sentida em cada dia, a cada momento.

Mas entendo como podem ser importantes para a maioria das pessoas e das organizações. Uma chamada de atenção para a Arte que tem andado tão arredada das nossas preocupações diárias e que, afinal, é o verdadeiro oásis para a alma.



Night Train to Lisbon | Bille August


Cinema! Menos assídua talvez, mas sempre buscando alguns filmes em momentos de lazer. Cinema é sempre aquela magia perante a vida que por lá vai desfilando.


O Comboio Nocturno para LisboaRealizado por Bille August, o mesmo de A Casa dos Espíritos, "Os Miseráveis" (1998), o filme é a adaptação cinematográfica do best-seller mundial homónimo, escrito em 2004 pelo suíço Peter Bieri, sob o pseudónimo Pascal Mercier

Narrado por Jeremy Irons, no papel de Raimund, fala da vida, do amor, da  própria literatura. Um filme que tem Lisboa por cenário, e é um "thriller filosófico", tal como afirmou August na apresentação em Lisboa:

"Introduz-nos num mundo cheio de pessoas inacessíveis, às quais vamos acedendo; a história é como um grande jogo matemático, é uma escrita muito inteligente e essa combinação com o lado filosófico faz com que seja uma história única".

Bille August





Não devemos procurar a essência de um bom livro na sua adaptação cinematográfica. Será sempre um olhar sobre o todo. E um olhar muito pessoal.

Devo dizer que gostei muito da adaptação de "A Casa dos Espíritos", menos de "Os Miseráveis". 

As críticas portuguesas foram muito duras para com esta adaptação do romance O Comboio Nocturno para Lisboa, mas eu não saí desiludida da visão serena,   intimista, da "busca do eu", não do facto histórico que serviu de pretexto, neste percurso em Lisboa, imbuído de melancólica atmosfera.

Não fui à procura do livro. Fui em busca de uma outra possível leitura. E gostei.

Jeremy Irons é convincente, carismático, elegante. Banda sonora, discreta, suave, de Annette Focks. Adorei o tema Night Train to Lisbon (piano).


De realçar que o filme fez parte da selecção do Festival de Cinema de Berlim (2013) e tem no elenco nomes como Charlotte Rampling, elegante e misteriosa, Lena Olin, discreta, e os portugueses Beatriz Batarda, Nicolau Breyner, Marco d'Almeida, entre outros.

Enfim! É com esta visão mais intimista que vos deixo. Foi bom voltar a Fragmentos. E perdoem se o silêncio se apoderou de mim...


G-S

Fragmentos Culturais

02.05.2013
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10 comments:

João Roque said...

Post multifacetado, como aliás afirmas de entrada.
Como não vi o filme em referência e prefiro a dança ao jazz (que não repudio, note-se), fico-me com a referência a essas três divas da dança, Isadora Duncan, Marta Graham e Pina Bausch, às quais podia acrescentar mais umas duas ou três...
E claro, esquecer a Paz seria impossível.

manuela catarino said...

Tanto tempo sem por aqui passar...

e quando regresso...as coisas boas que reencontro!Um prazer imenso, sempre!!!
Sugestões que ainda não pude concretizar...mas espero fazê-lo, sim!
E a mudança de visual acompanhando a primavera(???)...mas muito apelativo!!!!
Tudo de BOM,SEMPRE!!!!!
MC

aflores said...

Aqui respiramos Cultura.

Tudo de bom.

vitor cunha said...

A origem mais primitiva da dança, quer como manifestação pacífica a exprimir contentamento quer a exprimir revolta, como preparação para a guerra,ou outros sentimentos, não deixa de manter uma certa analogia com algumas manifestações, estas já mais recentes, trazidas pelo jazz.
Na verdade, a partir do fim do séc. XVIII, os " work songs" (cânticos de trabalho) e os "field hollers" (gritos ritmados nos campos)integram-se nos cânticos litúrgicos das primeiras igrejas, exclusivamente negras, fundadas nos Estados Unidos,no início do séc XIX.Mas é nas igrejas negras que vai surgir um modelo directamente inspirado nos cultos africanos - o ring shout - que consiste numa dança frenética acompanhada de gritos que conduzem os participantes, inicialmente, a um transe individual e posteriormente a um transe colectivo.
Concluindo,a expressão corporal que se designa por dança é uma forma de manifestação que os homens usaram desde os tempos mais primitivos, isoladamente ou complementarmente e que não obstante ter autonomia em relação ao Jazz, tem com ele em comum o ser uma forma de expressão que visa a elevação e a defesa do homem.
Parabéns a Fragmentos Culturais por estes temas que nos trouxe.

Um Beijo

Daniel C.da Silva (Lobinho) said...

A dança é uma espécie de manifestação da alma. Não sei bem que dizer dela mas não me encheu o que li aqui da citação sobre a dança. Quanto ao "Comboio" não me encheu as medidas (de longe) e o jazz fico-me pelo velho Miles Davis.
Agradeço (muito) a visita, e a foto mais recente foi na Servia (não sabia o que colocar para ilustrar a temática que abordo), sendo que a foto do post que me comentaste foi na Quinta da Regaleira, em Sintra...

Um beijinho esperando a tua disponibilidade...

Fragmentos Culturais said...

É João! Como escrevo com menos frequência, decido, de vez em quando, associar diversos temas que me tenham tocado durante o período de ausência. Foi o caso desta postagem.

Claro que todos nós temos os nossos afectos culturais e estes variam de pessoa para pessoa. Ainda bem que assim é!

Não saberia o que escolher se tivesse que optar entre jazz e dança. Até porque o jazz também pode ser dançado.

Sem dúvida que outros nomes haveria a juntar às três bailarinas que referi. E apenas falei de dança contemporânea que aprecio singularmente. E estas, na área da dança contemporânea foram pioneiras!

A Paz deveria ser desassociável de todo o ser humano. Mas o Homem nasceu para a guerra :-(

Fragmentos Culturais said...

Também sou menos assídua a escrever os meus 'fragmentos' Manuela! Mas quando te vejo voltar aqui, fico sempre muito contente!

Não sei se foi a chegada da primavera que me levou a alterar a apresentação das postagens, suponho que não :-) Mas que considerei ficar mais atractivo, lá isso sim!

Uma 'refrescadela' em tudo na vida sabe bem...

Gosto de pensar que concretizaste algumas das sugestões, agora neste tempo de pausa.

Tudo de bom, sempre, para ti também!
Abraços

Fragmentos Culturais said...

Obrigada 'aflores' pela visita. Sempre presente :-)

Tudo de bom!

Fragmentos Culturais said...

Sim, da História conta-se que a dança (paz ou guerra) é uma da primeiras manifestações da Humanidade.
Gosto de pensar a dança como símbolo de paz, alegria, partilha de boas energias.

O Jazz é muito posterior e diz a história deste género musical, ter nascido como desabafo da profunda infelicidade dos escravos negros no sul dos Estados Unidos. Tem assim, também, uma carga emocional muito forte.

Essa parte intermédia da história do jazz, 'works songs' e 'field hollers' tinha menos presente, excepto a ligação à religião... é esta partilha de saberes que gosto na blogosfera, Vítor!

É sempre muito bom receber tua visita em 'fragmentos'!

Bom domingo!
Beijos

Fragmentos Culturais said...

Bom, aceito teu comentário negativista sobre o que leste nesta postagem, Daniel.
Cada um é livre de exprimir sua opinião sobre o que lê, logo que não ofensiva. Não foi o caso. Não me senti ofendida.

Mas uma crítica para ser construtiva deve apresentar as razões... não o fizeste.

Gostos não se discutem, tal como já referi por outras palavras na resposta a João. E nem sempre temos dias sim...

Muito obrigada pela informação sobre as tuas fotos e pela visita.

Beijos
(sempre que disponível aqui, disponível nos espaços de amigos)