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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Até sempre Mr. Ryuichi Sakamoto ! A sua música permanecerá !





Ryuichi Sakamoto Playing the Piano 2022

https://www.facebook.com/ryuichisakamoto


"Música, trabalho e vida têm um princípio e um fim"

Ryuichi Sakamoto, início 2019


Parabéns Mr Sakamoto! Ryuichi Sakamoto faz hoje 71 anos. E tem um novo trabalho, interpretado e lançado em streaming devido a saúde precária.

Em 11 de Dezembro, Ryuichi Sakamoto transmitiu o concerto em streaming, explicando-nos que, de devido a sua fragilidade física, causada por doença grave, não poderia fazê-lo em salas de concerto. Oiça Sakamoto message aqui





Ryuichi Sakamoto Playing the Piano 2022




O novo trabalho tem como título 12 e, sobre ele, escreve a Pitchfork"Much like his friend and Merry Christmas, Mr. Lawrence castmate David Bowie did with Blackstar, as well as Leonard Cohen with You Want It Darker, Sakamoto is staring down the prospect of his own death, meditating on the legacy that he will leave behind. But rather than mythologize his life in narrative songwriting or theatrical instrumental fireworks, he’s chosen a quiet grace, one more subtle and restrained than even his softest prior work. Rarely does an album this understated say so much."




12
Ryuichi Sakamoto

"In a dozen somber, elegiac pieces for piano and electronics recorded in the wake of a cancer diagnosis, the Japanese composer reckons with his own mortality."

Pitchfork review

Espero que não. Seria mais um tremendo golpe na minha sensibilidade musical. O certo é que hoje, dia 17 Janeiro, Sakamato completou 71 anos. Parabéns Mr. Sakamoto! E hoje foi lançado 12, o seu novo album em vinyl que será posto à venda brevemente.



12
Ryuichi Sakamoto

Sakamoto is staring down the prospect of his own death, meditating on the legacy that he will leave behind.

Pitchfork review

Sakamoto está doente. Foi na introdução do seu concerto em streaming que nos disse. Confessou que não se sentia com força suficiente para interpretar um concerto com a duração de uma hora. 

Assim, gravou cada tema isoladamente ao longo dos dias, que depois foram montados para serem apresentados como "um concerto convencional", explicou. 

"Não tenho energias para concertos ao vivo. Esta poderá ser a última vez que me vêem tocar."

Ryuichi Sakamoto

Seguindo o grande compositor e pianista nas suas redes sociais, soube do concerto streaming para vários países. E pude ouvi-lo. Religiosamente. Meditando sobre a sua música. Senti-me tocada, Como se estivesse em sala de concerto. 

Desta vez, numa sala muito intimista. Foi-me suficiente, sabendo que está tão fragilizado na luta que está travando. E mesmo assim, criando tanta beleza, ao tocar para cada um de nós, do outro lado do ecrã. 

Estou grata por já ter ouvido Sakamoto ao vivo, em concerto na Casa da Música, Julho 2006. Senti-o muito mais perto aqui

Admiro seres como Sakamoto, Bowie, Cohen que olham a morte de frente e a desafiam, continuando a criar beleza.

“From now on, I will be living alongside cancer,” he wrote in a note posted on his website. “But, I am hoping to make music for a little while longer.” 

Ryuichi Sakamato, in siteSakamoto




Ryuichi Sakamoto Playing the Piano 2022






Existe uma expressão idiomática  japonesa 物の哀れ que se lê como mono no aware. Traduzida normalmente. "o pathos das coisas". 

Descreve a consciência que se tem de que tudo é passageiro e que o tempo não respeita nada nem ninguém.






Nota: É com muita tristeza que soube hoje pelas redes sociais do compositor que Ryuichi Sakamoto morreu dia 28 Março 2023. 





Um pesar enorme! A minha admiração por este grande compositor e pianista é imensa. Pelo talento, musicalidade, discrição, serenidade, até nos seus últimos dias da sua existéncia terrena. Enorme espiritualidade.

Músico com formação clássica, teve um grande interesse por novas sonoridades e veio a lançar as bases para a música pop electrónica.






A banda sonora do filme Merry Christmas Mr. Lawrence é uma marca extraordinária.

Recebeu um Oscar e um Grammy pela banda sonora do épico filme O Último Imperador.

Ouvi streaming o seu último concerto onde apresentou o trabalho testamento que já alcançou imenso sucesso. O albúm 12 que pude divulgar no início 2023.

Tive o imenso privilégio de o ouvir na Casa da Música em 2006. Jamais esqueci. Até aí, mostrou a sua quietude perante o impensável...

Um concerto memorável e inesquecível! Uma das mais íntimas lembranças musicais que guardarei religiosamente. 

Que agora possa encontrar paz para o seu sofrimento. Rodeou-se de muita espiritualidade nos últimos dias.


"I want to break down the walls between genres, categories or cultures."

Ryuichi Sakamoto

G-S

Fragmentos Culturais

17.01.2023

actualizado 02.04.2023

Copyright © 2023-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

*Nota: Sei que os vídeos aqui publicados só serão visíveis no YouTube. Deixei-os como referência para que oiçam em canal respectivo, as últimas interpretações de Ryuichi Sakamoto.


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Philip Glass & David Bowie : Trilogia de Sinfonias Low, Heroes & Lodger






Philip Glass, foto oficial 81º aniversário
créditos: Steve Pyke

"A música é a melhor provocadora de emoções."

Philip Glass

Philip  Glass completou no passado dia 31 Janeiro, 81 anos! Só posso desejar-lhe muitos Parabéns e que a sua imensa criatividade continue activa por longos anos.

Um compositor e pianista que admiro profundamente pela seu talento e pela sua simplicidade. Inesquecível no seu concerto na Casa da Música em 2011.






Philip Glass
créditos:  Danny Clinch Photography

Philip Glass que todos conhecemos, pelo menos, pelas suas bandas sonoras em filmes inesquecíveis - The Hours, The Illusionist, Notes on a Scandal - só para citar alguns, partilhou 
com David Bowie uma especial amizade e mútua admiração.

"He was a master unto himself."

Philip Glass falando de David Bowie






Low/ Symphony by Philip Glass
from de music of David Bowie & Brian Eno


Essa admiração levou à criação de uma trilogia de sinfonias a partir de três álbuns que David Bowie, em colaboração com Brian Eno, compôs, depois de ter estado em Berlim: LowHeroes (ambos de 1977) e Lodger. A última sinfonia desta trilogia terá sido concluida há alguns dias.

We talked, years ago, about doing the third symphony based on Lodger, and the idea has not totally disappear
red.”
Philip Glass, The Guardian


Segundo o The GuardianGlass e Bowie teriam conversado sobre criação das peças sinfónicas e, ambos terão trocado ideias sobre a concretização desta terceira sinfonia.






Philip Glass & David Bowie 
Sinfonia n.º 4 'Heroes'
©Carol Rosegg


David Bowie morreu em Janeiro de 2016, e meses depois a composição de Glass inspirada em "Heroes" foi a primeira obra sinfónica a ser interpretada no Festival de Glastonbury, Reino Unido.






"Philip Glass is returning to the music of David Bowie 22 years after his last composition based on the singer’s work. His 12th symphony, and third based on Bowie’s work, will have its European premiere at the Southbank Centre in May 2019."

Imogen Tilden, The Guardian





Philip Glass 6 David Bowie

A Sinfonia n.º 12, que completa a trilogia de tributo ao músico britânico David Bowie (1947-2016), tem estreia europeia marcada para dia 9 de Maio de 2019, na capital inglesa, com a London Contemporary Orchestra com a interpretação da sinfonia que Philip Glass escreveu, inspirado no álbum Lodger (1979), de Bowie.

Philipp Glass actuou na Casa da Música em Junho de 2011. Um concerto inesquecível. Enorme compositor e pianista, Glass mostrou uma simplicidade impensável, da parte de uma das maiores figuras da música contemporânea do séculoa XX/ XXI.




Philip Glass
créditos: Philip Glass/ Reuters

"London Contemporary Orchestra and organist James McVinnie will perform Glass’s Lodger symphony, a work the composer had discussed with Bowie before his death, but only now has been realised."

Imogen Tilden, The Guardian

Nesse concerto, com direcção dos maestros Hugh Brunt e Robert Ames, a orquestra interpretará as três composições sinfónicas de Glass de tributo a Bowie: Sinfonia n.º 1 (Low), composta em 1992, Sinfonia n.º 4 (Heroes), escrita em 1996, e Sinfonia n.º 12 (Lodger).

Todos sabem como admiro estes dois compositores e intérpretes, Philip Glass e David Bowie. Dois enormes nomes da música contemporânea, estilos diferentes que sem entrecruzam na excelência.






David Bowie/ Concerto Estádio de Alvalade, 1990 
créditos: Álvaro Tavares/ Arquivo DM

David Bowie actou em Portugal, duas vezes. Em 1990 em Alvalade, e em 1995 no Super Bock Super Rock. Não assisti a nenhum dos concertos.  

Mas em 2004, esteve marcado um concerto de David Bowie no Porto. Foi o grande alvoroço. Prevista a presença, nessa altura, a esperança era imensa. Não poderia perder. 

Mas Bowie cancelou o concerto pouco tempo antes data marcada, devido a um problema cardíaco. Ficámos na expectativa de uma nova data. Nunca chegou a acontecer

Eis que David Bowie morreu. Apanhou todos de surpresa. Fo o choque total de fãs de Bowie do mundo inteiro. Morte inesperada. Abrupta. Dolorosa.

Compreendo a admiração de Glass por Bowie. Bowie era um precursor! Um inovador! Muito à frente do seu tempo. Uma referência para muitos outros músicos. E Glass admirava-o muito.




Philip Glass, 2017
créditos: Autor não identificado

“For the past two decades, I had hoped to find an opportunity to complete the trilogy of symphonies. I’m now delighted to have that chance to compose the Lodger symphony, and equally delighted that it will be heard in London at Southbank Centre.”

Philip Glass, The Guardian




 Phillip Glass’s 80th-Birthday Concert at Carnegie Hall

Stern Auditorium, Carnegie Hall, New York City

via Classical Source

Tenho ouvido as duas primeiras Sinfonias via YouTube. Uma preferência muito especial pela Symphony nº1 Low que convido a ouvir integralmente, se não conhecem ainda.

Gostaria de poder ouvir a trilogia na Casa da Música, um dia. Quem sabe?


“The point was that the world of music - its language, beauty, and mystery - was already urging itself on me."

Philip Glass 


G-S

Fragmentos Culturais

03.02.2018
Copyright © 2018-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

terça-feira, 17 de março de 2015

Al Di Meola na Casa da Música




Al Di Meola
credits: Al Di Meola 
https://www.facebook.com/AlDiMeolaMusic
Voltei à Casa da Música. Uma quarta-feira à noite. Foi no dia 4 Março. Ouvi de novo Al Di Meola.

A sala Suggia completa para ver, e ouvir o virtuoso guitarrista norte-americano. Levou ao rubro a plateia que o aplaudiu continuadamente, deixando-se enlear pelo entusiasmo e entrega de Al Di Meola, reinventado na superior vivência intrínseca de fazer música. All Your Life homenageia a pop e os seus ídolos de juventude, The Beatles, em versões acústicas, centradas na sua guitarra e nas suas mãos prodigiosas. Um deslumbramento para todos os nossos sentidos. 

"I'm happy to convey my love of this in my new interpretation of these great songs! "

Al Di Meola



Al Di Meola
credits: Al Di Meola 

Acompanhado por um pianista, um baterista/percussionista e um outro guitarrista, o criador do jazz-latin de tudo tocou, personalizando num conforto permanente, sonoridades das mais diversas culturas musicais. Um tributo ao companheiro Paco Lucia, com quem o vi na na sua primeira passagem pela cidade.

Ouviu-se música de excelência, numa linguagem erudita, mas com inata naturalidade, em entrega emocional, que o levava a sair quase da cadeira, em gestos ritmados, momentos de arrebatamento transcendental.



Al Di Meola
credits: Al Di Meola 

E depois há aquele estar em palco, um sorriso franco, alegre, a conversa coloquial, num todo associado à musica esfuziante que levou ao calor dos aplausos constantes.

Ah! E veio versão a solo And I love her... que o próprio músico complementou com a expressão: How I love this song! - sentiu-se a alma com que a interpretou acusticamente. Pat Metheney me emociona assim.

Soube tão bem ouvir, sentir, acompanhar em cada minuto, aplaudir calorosamente no final da noite. Um concerto que perdura para além do espaço, do tempo. Fica em nós.



Al Di Meola
credits: Al Di Meola 


Depois de mais do que un encore, o concerto terminou com uma ovação imensa, por parte de uma sala Suggia inteiramente de pé. Ao contrário de muitos outros, Meola optou por "preservar as harmonias e melodias originais, mantendo os temas plenamente reconhecíveis e refazendo apenas a sua identidade rítmica." E Al Di Meola sentiu-se grato, feliz. Uma noite inesquecível.



Al Di Meola é um músico único. Eleito quatro anos consecutivos como melhor guitarrista de jazz pelos leitores da Guitar Player, entre as décadas de 70 e 80, Al Di Meola é uma das referências fundamentais do jazz latino e de fusão.

Al Di Meola is one of the most prominent virtuosos and most influential guitarists in the contemporary jazz field. 

"This project is a lifelong dream long overdue and immensely fulfilling!"

Al Di Meola

G-S

17.03.2015
Copyright © 2015-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

Nota: As fotografias publicadas pertencem ao guitarrista, e não se referem ao concerto na Casa da Música, dada a inibição imposta de fazer imagens. Mas estão próximas das imagens do concerto.

domingo, 17 de novembro de 2013

Duas escritoras, um concerto, um domingo ! Alice Munro [1931-2024]




Alice Munro [1931-2024]
credits: Chad Hipolito/The Canadian Press via AP, File

"Alice Munro, the Canadian literary giant who became one of the world’s most esteemed contemporary authors and one of history's most honored short story writers, has died."


Amada Vida
   Alice Munro 
Relógio d'Agua

A escritora Alice Munro, contista canadiana, foi galardoada, em Outubro 2013 com Nobel da Literatura.

 "master of the contemporary short story”. 

Nobel Prize

Munro é assim a 13ª mulher a receber este prémio. No entanto, a escritora já recebera outros importantes prémios literários. Man Booker Prize (2009) é um deles.

Tem livros traduzidos em mais de dez idiomas. Suponho que toda a a obra de Alice Munro está publicada em  Portugal pela Relógio d'Agua

Amada Vida, uma colectânea, é segundo a autora o seu último livro. Foi editado por cá, em Maio 2013. Um estilo delicado, histórias de vidas comuns, contadas com sofisticada sensibilidade. Li de cada uma das autoras, apenas um livro.
 



Alice Munro
créditos: autor não identificado

"Alice Munro não o desmerece – mas, perdoem-me franqueza, não é melhor do que Lídia Jorge, Luísa Costa Gomes ou Teolinda Gersão. Enfim.

Clarice LispectorMarguerite DurasMarguerite YourcenarSophia de Mello Breyner ou Virginia Woolf nunca o receberam. Fora muitas outras que nunca chegámos a ler, porque escreviam em húngaro, checo ou árabe, e não chegaram a ser traduzidas, ou mesmo publicadas.

"E o conto é, sem dúvida, uma delicada forma de arte, mas o trabalho do contista não se compara à exigência arquitectónica implícita no trabalho de um bom romancista."

Inês Pedrosa (excertos de artigo)

Bem, não posso concordar totalmente com Inês Pedrosa. Embora ela tenha enunciado nomes 'grandes' da literatura que muito admiro e releio.

Não é apenas pelo mérito da escrita que se recebe um Nobel. E não vejo o conto como arte menor da literatura! Bem pelo contrário.  Felizmente estão comigo dois críticos literários na revista Ler.

Há muitos romancistas. Mas há poucos escritores considerados bons na arte do conto. Nada pois, é tão linear.




Alice Munro [1931-2024]
crédito: Derek Shepman

Alice Munro, a escritora canadiana sobre quem escrevi mais acima, e que se destacou como contista, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2013, morreu dia 13 Maio 2024. Tal como Doris Lessing, perdida na sua memória. Terrível doença.

Alice Munro foi uma escritora que se afirmou literariamente ao abordar nos seus escritos temas como a escuridão e o desejo na vida quotidiana. Foi também distinguida com o Prémio Man Booker Internacional em 2009.

Como já escrevera antes, foi a primeira escritora canadiana a receber um Prémio Nobel, distinguida "pela sua mestria no conto contemporâneo”.




Outono no Parque de Serralves
créditos: Serralves 
Escrevia este post quando li a notícia da catástrofe nas Filipinas. Não podia publicar fragmentos de cultura quando vidas de milhares de pessoas eram destruidas.

Emocionada, prestei tributo a um povo sofredor. Senti-me triste. E adiei.

Hoje, voltei. Não por completo. Dividi-o. Suponho que alguns assuntos poderão ser interessantes, apesar de um pouco desfazados no tempo - tudo passa tão rápido no mundo em que vivemos! - e acrescentei outro. Mais 'actual' (entenda-se 'actual' como sendo de hoje).

Mas em fragmentos, falo dos meus afectos culturais, presentes ou passados, andando por aí, entre trabalho, momentos de pausa, música e/ou concerto(s), cinema. E claro! Leituras.

Do Outono voltou a sentir-se o aroma, nesta luminosidade leveAs folhas soltas arrumam-se pelos cantos, perdidas. O sol de Inverno tem dado alento aos nossos dias. 

Das janelas, avista-se a paisagem em tons pastel sob o infinito suave. Na rua, aconchegam-se os agasalhos.

Tempo ideal para escrever, falar de música e/ou concertos - uma noite passada na Sala Suggia - livros, com uma fumegante tisana aromatizada por perto. Noite fria. Lua cheia.




Doris Lessing [1919-2013]
créditos: Toby Melville Files | REUTERS

"A compelling storyteller with a fierce intellect and a warm heart”

Doris Lessing, Prémio Nobel da Literatura 2007 morreu esta manhã, 17 de Novembro 2013. A escritora britânica, nascida nIrão em 1919, vivera no Zimbabué, mudando-se em 1949 para Inglaterra. Aí publicou seu primeiro romance, The Grass is Singing (1950).


"that epicist of the female experience, who with scepticism, fire and visionary poet has subjected a divided civilisation to scrutiny".

Nobel Prize



Doris Lessing

Doris Lessing foi a 11ª escritora (no 'feminino') a receber o Nobel. Não era muito conhecida, na altura, o que muitas vezes acontece. Lembremos Herta Mueller (2009).

Mas triste é saber que Lessing perdera a memória há algum tempo. Que lástima! Uma vida intelectual tão intensa. Atroz doença.

Não lembrava mais ter sido escritora, nem galardoada com o Nobel. Quase tudo se esvaíra. Mas adorava ouvir ler. Quando os amigos a visitavam, liam-lhe excertos dos seus livros. Dizem que se emocionava, mas não recordava tê-los escrito. E, no entanto, tem uma vasta bibliografia, cerca 60 obras publicadas.

Autora de O Caderno Dourado, A Erva CantaO Quinto Filho, e tantos outros. Era conhecida pelos seus romances, contos, poesia e outros obras, mas também pelas suas posições anti-apartheid, anti-colonialista e feminista.

BBC dedica-lhe vários artigos que pode ler. Também há um interessante vídeo a ver aqui. Nele, Lessing, na 1ª pessoa, fala de si e dos seus livros. 



Aimee Mann 
crédito: via Google Images Archive


Finalmente, a música. Música! Aimee Mann quase encheu a Sala Suggia, no dia 7 Novembro 2013. Casa da Música. Concerto semi acústico, intimista.

A cantautora californiana que muitos associam ao tema One em Magnolia, filme de Paul Thomas Andersen (1999), encantou os fãs pela simplicidade e talento. Veio apresentar seu último trabalho Charmer, lançado em Setembro 2012. 

Se esperavam um noite quente, bem animada, desenganem-se! Aimee Mann permaneceu igual a si própria, tal como transparece na sua música. Calma, simpática, talentosa sem dúvida, muito pragmática.





Aimee Mann | Casa da Música
crédito: Gustavo Machado/ Arte-Factos

Ninguém se levantou, entusiasmou, ou acompanhou suas canções. Tudo muito soft, ao jeito mesmo de Aimee Mann. No registo quase monocórdico, ninguém ousou levantar-se, trautear, balancear. Nada. 

Não fossem as luzes, o envolvimento humano, a sala, quase não nos sentiríamos num concerto ao vivo. 

É óbvio que a belíssima One da banda sonora de Magnolia fez sucesso. Mas sem muito envolvimento. A canção é intimista.

Apenas para o encore, nos levantámos. Uma ovação de agradecimento (a cantora permaneceu em palco mais de duas horas) trouxe o novo trabalho Aimee Mann e os seus músicos, bem como Ted Leo, que fez a primeira parte do concerto e dividiu alguns temas com Aimee Mann, na segunda parte.

Saí desiludida? Não. Pressentia este género de concerto. Conhecia o estilo da cantora. Para valorizar a sua voz, dois excelentes músicos, baixista/voz e pianista, imprimiram um estilo mais pop aos temas instrospectivos de Aimee Mann.

Uma noite serena, como esta de domingo, apesar da lua cheia. E a noite em azul-rei está linda.


G-S
Fragmentos Culturais

17.11.2013

actualizado 14.05.2024
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