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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ideias frescas . Ler na praia !





Praia da Tocha

Há uns anos, de volta do Buçaco, passei por Cantanhede. E foi aí que descobri a Praia da Tocha. Não conhecia. E adorei.

Areal extenso, fina areia, quase branca, limpa, e um mar tranquilo. Pelo menos naquele dia. O Sol, aquela hora batia em cheio na água, dando-lhe um brilho cinza-prata que tanto gostamos de admirar. O olhar se acalma e permanece extasiado. Respira-se. 

Ficámos alguma horas, enaltecendo, fruindo daquele imenso mar. A tarde estava tranquila, embora em época balnear, e o bem estar fez-se sentir na languidão do sol que batia em nós e nos transmitia um calor gostoso. Faz bem à alma e ao espírito. Um dia solto de verão.




Praia da Tocha, Cantanhede
via Expresso

Não voltei lá, mas ao ver esta imagem de uma biblioteca de praia em cima do areal da praia da Tocha, tudo se fez presente.

Ideia original, quase rara, mas de grande criatividade. Só quem gosta muito de livros se lembraria de colocar uma biblioteca na praia. E dentro de um frigorífico.

Pois bem, ontem ao passar os olhos pela imprensa digital, como faço todas as manhãs, passei por este artigo do Expresso. E a ideia genial de disponibilizar livros em várias praias de país é de louvar.





Praia de Matosinhos
via Expresso

A secção em que estava inserido o artigo não tinha muito a ver com livros, mas a imagem que sobressaiu, prendeu de imediato a minha atenção. 

O poder da imagem! Poderíamos ficar aqui a divagar. Mas não. A imagem foi o despoletar para a descoberta do roteiro encantador. Sim, porque se trata de um roteiro. Mas um roteiro bem cultural, ligado a livros e bibliotecas nas praias do nosso país. 




Praia Melides, Grândola
via Expresso

"Depois de colocar o protector solar e entre dois mergulhos, a leitura pode e deve fazer parte de um dia de praia. Nos areais de Portugal pode encontrar diversas bibliotecas e até um frigorífico transformado em espaço de crossbooking."

Querem melhor convite? Bem, eu sou daquelas pessoas que não vai à praia sem um livro na cesta, juntamente com a tolha e o bronzeador.

Mas se passasse por uma destas praias, não ficaria de modo nenhum indiferente a esta iniciativa cultural.





Biblioteca da Praia Torre, Oeiras
via Expresso

Estas iniciativas que se estendem de norte, Póvoa de Varzim, - já nossa conhecida, muito ligada aos livros, quer pelas Correntes d'Escritas, em Fevereiro, quer pela Feira do Livro, em Agosto. 

Este ano com a temática "Onde as leituras cheiram a mar" - centro, até ao sul, Albufeira, Vão até meados de Agosto ou Setembro.

É só consultar o roteiro, se está de férias em uma destas praias, ou se parte na segunda quinzena do mês.





Bliblioteca Chiado Editora, Torel
via Expresso

Pode e deve aproveitar as diversas bibliotecas, espalhadas pelas praias portuguesas, durante o verão.

Ler na praia! É algo que gosto muito de fazer. Deitada sobre o areal, ou sentada de frente para o mar, há sempre momentos que despertamos para outros paisagens, outros rostos, outras realidades. Este ano, o meu livro de praia é de Alice Munro "Amada Vida". 





Amada Vida
Alice Munro
Relógio d'Agua

Se bem se lembram Alice Munro Prémio Nobel da Literatura em 2013. Um estilo delicado, histórias de vidas comuns, contadas com sofiticada sensilibildade. Um registo leve que aprecio para leituras de verão. 

Pois bem, apesar das sugestões do roteiro, não perca o bom gesto de levar o seu livro na cesta, como eu, ou debaixo do braço, se prefere um jornal ou revista. 

Dê preferência aos livros. Acredite. São companhias mais inteiras, que nos absorvem, nos levam a viajar, mesmo que estendidos no areal, com o mar em fundo. Cenário melhor?

Eu hontem passei o dia 
Ouvindo o que o mar dizia. 
(...)

Depois, para se alegrar, 
Ergueu-se, e bailando, e rindo, 
Poz-se a cantar 
Um canto molhádo e lindo. 
(...)

E os poetas a cantar 
São echos da voz do mar! 

António Botto, Passei o dia, ouvindo o que o mar dizia
in 'Canções' 

G-S

Fragmentos Culturais
(em tempo de férias)

05.08.2015
Copyright © 2015-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

sábado, 8 de março de 2014

Dia Internacional da Mulher : prevenir !





Dia Internacional da Mulher 2014
Credits : European Parliament

Hoje, 8 Março, é dia de falar sobre as mulheres. Celebra-se o Dia Internacional da Mulher.

A igualdade de género é um dos valores fundamentais do Parlamento Europeu e a violência contra as mulheres é uma forma de discriminação de género e um dos temas mais sensíveis da desigualdade entre homens e mulheres. 

De forma a abordar o tema e encontrar possíveis soluções, a edição deste ano do Dia Internacional da Mulher é dedicado à prevenção da violência contra as mulheres.





Violence Against Women in Europe | infographic

O inquérito mais recente sobre este tema levado a cabo pela Agência dos Direitos Fundamentais da UE revela que uma em cada três mulheres na UE foram vítimas de algum tipo de violência física ou sexual, violência que na maioria dos casos tem consequências físicas e emocionais de longa duração. Mas a dimensão real do problema mantém-se pouco clara uma vez que a violência contra as mulheres permanece pouco denunciada em toda a UE.

Tendo em conta que não existe legislação europeia que estabeleça medidas para promover e apoiar as ações dos Estados-Membros no campo da prevenção da violência contra as mulheres, o Parlamento Europeu defende que seja adotada uma estratégia abrangente para combater este tipo de violência.





Em 2010, o Dia Internacional da Mulher no Parlamento Europeu também foi dedicado ao problema da violência contra as mulheres. E, desde então, os eurodeputados têm adoptado vários relatórios de iniciativa que propõem medidas específicas para combater a violência e a discriminação baseada no género. 

Este ano a 25 de Fevereiro, o Parlamento Europeu adoptou uma resolução com recomendações à Comissão Europeia para o combate à violência contra as mulheres.

O estudo mostra que 24% das mulheres portuguesas foram vítimas de violência. A percentagem está abaixo dos 33% da média europeia. 

Ao mesmo tempo, 30% das portuguesas ignoram a existência de leis que protegem as mulheres vítimas de violência doméstica, ao mesmo tempo que 34% não sabem que há leis e políticas nacionais de prevenção. Por outro lado, as campanhas contra a violência doméstica são conhecidas por 70% das portuguesas, ou seja, mais do que a média europeia (50%). A ler mais aqui


"Para Katy, fazia um sorriso aberto, luminoso, isento de dúvidas, como se acreditasse qe ela continuaria a ser para si uma maravilha, e ele para ela, eternamente. O sorriso para a sua mulher era esperançoso e confiante, parecendo conter uma espécie de determinação."

Alice Munro, Amada Vida, Relógio d'Água, Maio 2013

Prefiro deixar esta mensagem literária de esperança. O dia está lindo! Olhemos o sol que nos acaricia, respiremos a brisa que vem em golfadas primaveris alegrar o dia de todas nós.

Feliz Dia da Mulher !

G-S

Fragmentos Culturais

08.03.2014
Copyright © 2014-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


domingo, 17 de novembro de 2013

Duas escritoras, um concerto, um domingo ! Alice Munro [1931-2024]




Alice Munro [1931-2024]
credits: Chad Hipolito/The Canadian Press via AP, File

"Alice Munro, the Canadian literary giant who became one of the world’s most esteemed contemporary authors and one of history's most honored short story writers, has died."


Amada Vida
   Alice Munro 
Relógio d'Agua

A escritora Alice Munro, contista canadiana, foi galardoada, em Outubro 2013 com Nobel da Literatura.

 "master of the contemporary short story”. 

Nobel Prize

Munro é assim a 13ª mulher a receber este prémio. No entanto, a escritora já recebera outros importantes prémios literários. Man Booker Prize (2009) é um deles.

Tem livros traduzidos em mais de dez idiomas. Suponho que toda a a obra de Alice Munro está publicada em  Portugal pela Relógio d'Agua

Amada Vida, uma colectânea, é segundo a autora o seu último livro. Foi editado por cá, em Maio 2013. Um estilo delicado, histórias de vidas comuns, contadas com sofisticada sensibilidade. Li de cada uma das autoras, apenas um livro.
 



Alice Munro
créditos: autor não identificado

"Alice Munro não o desmerece – mas, perdoem-me franqueza, não é melhor do que Lídia Jorge, Luísa Costa Gomes ou Teolinda Gersão. Enfim.

Clarice LispectorMarguerite DurasMarguerite YourcenarSophia de Mello Breyner ou Virginia Woolf nunca o receberam. Fora muitas outras que nunca chegámos a ler, porque escreviam em húngaro, checo ou árabe, e não chegaram a ser traduzidas, ou mesmo publicadas.

"E o conto é, sem dúvida, uma delicada forma de arte, mas o trabalho do contista não se compara à exigência arquitectónica implícita no trabalho de um bom romancista."

Inês Pedrosa (excertos de artigo)

Bem, não posso concordar totalmente com Inês Pedrosa. Embora ela tenha enunciado nomes 'grandes' da literatura que muito admiro e releio.

Não é apenas pelo mérito da escrita que se recebe um Nobel. E não vejo o conto como arte menor da literatura! Bem pelo contrário.  Felizmente estão comigo dois críticos literários na revista Ler.

Há muitos romancistas. Mas há poucos escritores considerados bons na arte do conto. Nada pois, é tão linear.




Alice Munro [1931-2024]
crédito: Derek Shepman

Alice Munro, a escritora canadiana sobre quem escrevi mais acima, e que se destacou como contista, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2013, morreu dia 13 Maio 2024. Tal como Doris Lessing, perdida na sua memória. Terrível doença.

Alice Munro foi uma escritora que se afirmou literariamente ao abordar nos seus escritos temas como a escuridão e o desejo na vida quotidiana. Foi também distinguida com o Prémio Man Booker Internacional em 2009.

Como já escrevera antes, foi a primeira escritora canadiana a receber um Prémio Nobel, distinguida "pela sua mestria no conto contemporâneo”.




Outono no Parque de Serralves
créditos: Serralves 
Escrevia este post quando li a notícia da catástrofe nas Filipinas. Não podia publicar fragmentos de cultura quando vidas de milhares de pessoas eram destruidas.

Emocionada, prestei tributo a um povo sofredor. Senti-me triste. E adiei.

Hoje, voltei. Não por completo. Dividi-o. Suponho que alguns assuntos poderão ser interessantes, apesar de um pouco desfazados no tempo - tudo passa tão rápido no mundo em que vivemos! - e acrescentei outro. Mais 'actual' (entenda-se 'actual' como sendo de hoje).

Mas em fragmentos, falo dos meus afectos culturais, presentes ou passados, andando por aí, entre trabalho, momentos de pausa, música e/ou concerto(s), cinema. E claro! Leituras.

Do Outono voltou a sentir-se o aroma, nesta luminosidade leveAs folhas soltas arrumam-se pelos cantos, perdidas. O sol de Inverno tem dado alento aos nossos dias. 

Das janelas, avista-se a paisagem em tons pastel sob o infinito suave. Na rua, aconchegam-se os agasalhos.

Tempo ideal para escrever, falar de música e/ou concertos - uma noite passada na Sala Suggia - livros, com uma fumegante tisana aromatizada por perto. Noite fria. Lua cheia.




Doris Lessing [1919-2013]
créditos: Toby Melville Files | REUTERS

"A compelling storyteller with a fierce intellect and a warm heart”

Doris Lessing, Prémio Nobel da Literatura 2007 morreu esta manhã, 17 de Novembro 2013. A escritora britânica, nascida nIrão em 1919, vivera no Zimbabué, mudando-se em 1949 para Inglaterra. Aí publicou seu primeiro romance, The Grass is Singing (1950).


"that epicist of the female experience, who with scepticism, fire and visionary poet has subjected a divided civilisation to scrutiny".

Nobel Prize



Doris Lessing

Doris Lessing foi a 11ª escritora (no 'feminino') a receber o Nobel. Não era muito conhecida, na altura, o que muitas vezes acontece. Lembremos Herta Mueller (2009).

Mas triste é saber que Lessing perdera a memória há algum tempo. Que lástima! Uma vida intelectual tão intensa. Atroz doença.

Não lembrava mais ter sido escritora, nem galardoada com o Nobel. Quase tudo se esvaíra. Mas adorava ouvir ler. Quando os amigos a visitavam, liam-lhe excertos dos seus livros. Dizem que se emocionava, mas não recordava tê-los escrito. E, no entanto, tem uma vasta bibliografia, cerca 60 obras publicadas.

Autora de O Caderno Dourado, A Erva CantaO Quinto Filho, e tantos outros. Era conhecida pelos seus romances, contos, poesia e outros obras, mas também pelas suas posições anti-apartheid, anti-colonialista e feminista.

BBC dedica-lhe vários artigos que pode ler. Também há um interessante vídeo a ver aqui. Nele, Lessing, na 1ª pessoa, fala de si e dos seus livros. 



Aimee Mann 
crédito: via Google Images Archive


Finalmente, a música. Música! Aimee Mann quase encheu a Sala Suggia, no dia 7 Novembro 2013. Casa da Música. Concerto semi acústico, intimista.

A cantautora californiana que muitos associam ao tema One em Magnolia, filme de Paul Thomas Andersen (1999), encantou os fãs pela simplicidade e talento. Veio apresentar seu último trabalho Charmer, lançado em Setembro 2012. 

Se esperavam um noite quente, bem animada, desenganem-se! Aimee Mann permaneceu igual a si própria, tal como transparece na sua música. Calma, simpática, talentosa sem dúvida, muito pragmática.





Aimee Mann | Casa da Música
crédito: Gustavo Machado/ Arte-Factos

Ninguém se levantou, entusiasmou, ou acompanhou suas canções. Tudo muito soft, ao jeito mesmo de Aimee Mann. No registo quase monocórdico, ninguém ousou levantar-se, trautear, balancear. Nada. 

Não fossem as luzes, o envolvimento humano, a sala, quase não nos sentiríamos num concerto ao vivo. 

É óbvio que a belíssima One da banda sonora de Magnolia fez sucesso. Mas sem muito envolvimento. A canção é intimista.

Apenas para o encore, nos levantámos. Uma ovação de agradecimento (a cantora permaneceu em palco mais de duas horas) trouxe o novo trabalho Aimee Mann e os seus músicos, bem como Ted Leo, que fez a primeira parte do concerto e dividiu alguns temas com Aimee Mann, na segunda parte.

Saí desiludida? Não. Pressentia este género de concerto. Conhecia o estilo da cantora. Para valorizar a sua voz, dois excelentes músicos, baixista/voz e pianista, imprimiram um estilo mais pop aos temas instrospectivos de Aimee Mann.

Uma noite serena, como esta de domingo, apesar da lua cheia. E a noite em azul-rei está linda.


G-S
Fragmentos Culturais

17.11.2013

actualizado 14.05.2024
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