Coisas do nada, naturaes da vida, insignificancias do usual. Bernardo Soares, Livro do Desassossego I, Atica 1982
domingo, 19 de maio de 2024
Festival de Cannes 2024 : Meryl Streep, Palme d'or d'honneur ! Bravo !
domingo, 5 de maio de 2024
Paul Auster [1947-2024] : em jeito de pósfacio ...
Nascido em 1947, numa família judia, de ascendência austríaca, em Newark (New Jersey). Frequentou a Universidade de Columbia onde obteve o Master of Arts. Depois disso, residiu durante algum tempo em França, convivendo com grandes nomes da literatura europeia.
"The adroit self-consciousness of his writing made him our supreme post-modernist. If his imagination seemed so spacious it was because he was as much a European as an American writer."
Auster viveu quatro anos em Paris, que muito o marcaram, nomeadamente pela sua aproximaçã a nomes clássicos da poesia francesa como André Breton ou Paul Éluard, que traduziu para inglês. Grande admirador de Jane Austen, da sua biblioteca faziam parte alguns de livros desta bem conhecida escritora inglesa.
Mais tarde, Auster voltou aos Estados Unidos, e faria de Brooklyn, a sua casa, e o cenário de alguns dos seus romances.
The Times Literary Supplement of Britain once called him “one of America’s most spectacularly inventive writers.”
A sua carreira literária “arrancaria” em 1982, com a publicação do livro The Inventio of Solitude a memoir published in 1982. Inquietante reflexão sobre a conflituosa relação que teve com o seu próprio pai.
Neste livro 'autobiográfico', Auster revelou também que seu avô tinha sido morto a tiro pela sua avó, que foi absolvida por insanidade mental. Ele escreve:
“A boy cannot live through this kind of thing without being affected by it as a man,”.
Depois de ler esta passagem, compreendo melhor, agora, o género literário a que se dedicou.
Seguir-se-iam muitos outros livros como O Palácio da Lua; A Música do Acaso; Leviathan; Mr Vertigo; As loucuras de Brooklyn, mas também várias obras de não ficção, coordenações editoriais (das obras completas de Samuel Beckett, por exemplo) e argumentos para cinema.
Paul Auster preferia a escritora oitocentista Emily Brontë aos seus contemporâneos. Não morria de amores pelos computadores e gostava de escrever com caneta em pequenos cadernos.
Tem uma extensa obra literária publicada em mais de 40 línguas. Em Portugal, Paul Auster tem grande parte da obra publicada, em particular romances. Mr. Vertigo, Palácio da Lua, Música do Acaso, Leviathan, A Trilogia de Nova Iorque, Timbuktu, O Livro das Ilusões, As Loucuras de Brooklyn, O Homem na Escuridão e 4 3 2 1, com o qual foi finalista ao Booker Prize.
"In person, and on the page, Paul was a natural raconteur. Few writers I’ve ever known could command his appearance with such a spell-binding grasp of an audience. Even fewer possessed his mastery of voice and story, a universal gift: in America, he was an uber-cool easterner; in France, half French; in Britain, the face of a certain avant garde."
Robert McCrum
As suas histórias costumam andar à volta de temas de coincidência, acaso e destino. Muitos dos seus protagonistas são eles próprios escritores, - interessante - e sua base de escrita é autorreferencial, com personagens dos primeiros romances aparecendo novamente nos seguintes.
O gosto pelo cinema levá-lo-ia, a produzir e assinar filmes como Fumo e Fumo Azul, com Wayne Wang.
Realizou A Vida Interior de Martin Frost (2007), rodado parcialmente em Portugal, e assinou o argumento d vários outros. Esteve várias vezes no nosso país.
Na nota de intenções que então escreveu e que a Medeia Filmes recorda agora, nas suas redes sociais, Auster declarou:
“A vida é simultaneamente trágica e divertida, ao mesmo tempo absurda e profundamente significante. Mais ou menos inconscientemente, tentei abarcar este duplo aspecto da experiência nas histórias que escrevi - quer nos romances quer nos argumentos cinematográficos. Sinto que é o modo mais honesto e verdadeiro de olhar para o mundo e quando penso em alguns dos escritores de que mais gosto - Shakespeare, Cervantes, Dickens, Kafka, Beckett - todos eles foram mestres em combinar a luz e a escuridão, a estranheza e a familiaridade.”
“Paul Auster est décidément un génie.”
Haruki Murakami
quinta-feira, 25 de abril de 2024
A Brisa do País de Abril !
Habito o sol dentro de ti
descubro a terra aprendo o mar
rio acima rio abaixo vou remando
por esse Tejo aberto no teu corpo.
E sou metade camponês metade marinheiro
apascento meus sonhos iço as velas
sobre o teu corpo que de certo modo
é um país marítimo com árvores no meio.
Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. Melodia.
A mesma melodia destas noites
enlouquecidas pela brisa no País de Abril.
Quando vieste tudo ficou certo.
Encheram-se de trevo os campos das palavras
encheram-se de gente as mãos de cada verso
com sete estrelas sete luas nós cantámos.
Mulher por ti cantei. E tu me deste
um puro continente algarves de ternura.
Por ti cantei entre meu povo e meu poema
e achei achando-te o País de Abril.
Manuel Alegre, A Rapariga do País de Abril
in Praça da Canção
G-S
Fragmentos Cuturais dedicado a Salgueiro Maia
25.04.2024
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