Saturday, June 16, 2012

Voltando à Literatura : Philip Roth




Philip Roth
http://english.ahram.org.eg/

"From Portnoy's Complaint to American Pastoral, Philip Roth's jostling alter egos have provided the literary world with some of the great masterpieces of the past half-century"

Robert McCrum, The Guardian*

Já era tempo de voltar aos livros! Ler é um dos meus raros privilégios! E falar de Philip Roth, o escritor norte-americano que foi agraciado em 6 Junho 2012 com o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras 2012, um gosto bem apurado. 

Roth venceu na última fase de votações, um outro finalista, o japonês Haruki Murakami. Murakami é um dos 'meus' autores da literatura contemporânea.

O júri decidiu por maioria atribuir o galardão a Philip Roth, por considerar que a obra literária do escritor faz parte do "grande romance norte-americano", seguindo a tradição de John Dos Passos, Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Saul Bellow ou William Faulkner.
Através de uma "escrita fluída e incisiva", o escritor revela uma "complexa visão da realidade, que se debate entre a razão e o sentimento, como sinal dos tempos e do desassossego do presente", refere a acta do júri.


water colors | J. C. Phillips


O escritor afirmou em comunicado que "foi particularmente doloroso" saber que venceu o galardão poucas semanas depois da morte do escritor amigo de origem mexicana Carlos Fuentes.


"Queria que estivesse vivo para poder ouvir a sua voz ao telefone dando-me os parabéns pelo prémio", disse, referindo-se ao amigo como um dos melhores romancistas contemporâneos de língua espanhola.


American Pastoral (1ª edição)

"You put too much stock in human intelligence, it doesn't annihilate human nature."

Philip RothAmerican Pastoral

Philip Roth, natural de Newark, Nova Jérsia (1933), é considerado um dos melhores escritores norte-americanos dos últimos 25 anos, tendo sido proposto várias vezes para o Prémio Nobel da Literatura.
Em 1998, obteve o Pulitzer com o romance "Pastoral Americana" e tem uma obra que reflecte a sua curiosidade pela identidade pessoal, cultural e étnica e pela criação artística.
Em 2011, foi distinguido com o "Man Booker International Prize" para ficção, pelo conjunto da sua obra literária.


A obra de Philip Roth é publicada em Portugal, sobretudo pela D. Quixote, e inclui títulos como "Pastoral Americana", "O complexo de Portnoy", "A mancha humana", "O fantasma sai de cena", "Todo-o-mundo", "A conspiração contra a América", "Património", "Humilhação" e "Nemésis".
Philip Roth é o quarto escritor norte-americano a receber o "Prémio Príncipe das Astúrias das Artes", depois de Arthur Miller (2002), Susan Sontag (2003) e Paul Auster (2006). Todos eles autores que me são familiares. Susan Sontag é talvez a que se identifica mais com os meus gostos literários.
No ano passado, o galardão foi atribuído ao escritor e músico canadiano Leonard Cohen que referi aqui.
Li um ou dois livros de Roth. O autor escreve com minúcia sobre a sociedade norte-americana. As suas personagens são retratadas com todas as suas motivações, seu carácter, seu contexto. Roth conduz-nos a caminhos e sentimentos por vezes desconhecidos. Profundamente humanos. 

G-S

Fragmentos Culturais

15.06.2012
Copyright © 2012-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®
* A ler aqui a interessante conversa com Philip Roth.

Licença Creative Commons

15 comments:

João Roque said...

Vencedor com mérito de um dos mais importantes prémios culturais europeus.

Imaginário said...

Voltas muito bem à Literatura.
Abraços.
Gilson.

mfc said...

Um prémio merecidíssimo, que peca por tardio.
Um vulto da literatura que já merecia a consagração, para além da que lhe é dada pelos seus fieis leitores.

Avelaneira Florida said...

Fragmentos!!!!!!
a pouco e pouco voltando a um tempinho livre...para ler, descansar, fazer coisas...
Quero muito ler.Preciso disso como respirar...
Roth e Murakami estão ali olhando à espera que eu me "digne"dedicar-lhes o meu tempo e vontade...
Mas está mesmo quaaaseeee!!!!!
TUDO DE BOM!!!!
bJ

vitor cunha said...

Nunca li nada do autor mas considerando a tua opinião e o prestígio da Instituição que o premiou,fico ansioso por ler alguma obra sua.
Beijo e bom resto de semana.

Lilá(s) said...

Merecido prémio, apenas um pouco tardio.
Voltas aos livros e voltas bem.
Bjs

Isabel Maria Rosa Furtado Cabral Gomes da Costa said...

Minha Querida:
Para além de ter ficado com vontade de conhecer a obra de Philip Roth, registei o nome do japonês Haruki Murakami (cuja obra também não conheço, infelizmente), pois gosto muito de Yukio Mishima e Kenzaburo Oe e sinto vontade de mergulhsar na literatura japonesa. Pudesse eu dispor de mais tempo para ler...
Já tinha saudades deste seu cantinho, onde nos acolhe sempre com registos tão interessantes!
Um grande abraço.

Fragmentos Culturais said...

A todos os amigos que passaram por 'fragmentos' para deixar palavras de amizade, muito obrigada.

Estive ausente por uma semana, mas volto à vossa companhia :)

Até breve!
Abraços amistosos

Fragmentos Culturais said...

Sem dúvida, João! É um dos prémios culturais mais prestigiados!

Fragmentos Culturais said...

É um dos meus temas favoritos, Gilson!

Abraço,

Fragmentos Culturais said...

Nem sempre os melhores são rapidamente reconhecidos. 'mfc'... e, por vezes, não chegam a sê-lo...

Mas ainda bem que Roth pode receber tal galardão, apesar de já não poder partilhar esta alegria com Carlos Fuentes.
Não foi muito antes desta distinção que Fuentes desapareceu.

Fragmentos Culturais said...

'Avelaneira',

Sempre tão agradável ler-te em 'fragmentos'!

Pois :)... tempo livre está de volta! Ler, descansar e fazer coisas, muitas coisas!

Sim, ler é como respirar, para alguns de nós...

Muito diferentes, Roth e Murakami! Mas os dois se encontram entre os melhores escritores contemporâneos.

Tudo de bom, também para ti!

Fragmentos Culturais said...

Então, é o momento, Vítor!
Suponho que deves ler Roth mais pelo 'prestígio da Instituição' que o premiou do que pela minha opinião.

Literatura, música, pintura... tudo tão subjectivo!

Boa semana!
Beijo,

Fragmentos Culturais said...

... mas pelo menos, o autor recebe-o em vida, 'Lilá(s) !
Nem sempre se goza dessa ventura.

Pois, como sabes, adoro livros :)

Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

Querida Isabel,

Mas quanta alegria! Bem-vinda!

Suponho que vai gostar de ler obras dos dois escritores!
Os dois são crítico em relação à sociedade em que vivemos, mas as diferenças são acentuadas no tom|registo que escolheram.

Interessante! Também gosto bastante da literatura japonesa! A prosa actual e a poesia antiga.

Quase todos temos hoje em dia muitas solicitações que nos obrigam, tantas vezes, a afastar do que mais nos dá prazer!

Também eu tinha saudades de a ler! Espero que possamos conviver um pouco mais... mesmo que virtualmente.

Um grande abraço,
(parabéns à sua cidade que foi considerada uma das melhores cidades portuguesas para se viver)