Sunday, May 10, 2009

A propósito de "Uma Casa no Fim do Mundo"



A Home at thr end of the world
Michael Mayer, 2004

Uma Casa no Fim do Mundo


A propósito de uma sessão de cinema que a RTP1 transmitiu no sábado passado, a horas demasiado tardias, convenhamos!
Uma Casa no Fim do Mundo, baseado no livro A Home in the end of the world de
Michael Cunningham, livro que lera há alguns anos, para ser mais precisa, no ano da sua primeira edição em Portugal, em Novembro de 2001!

Permaneci estoicamente acordada, até às quatro da manhã... vá-se lá saber por que razão a hora tão adiantada! O filme ostentava até a tão preciosa 'bolinha vermelha'. Mas enfim, bizarrias!

O que é certo é que o encontrei por acaso, ao fazer zapping e fiquei desperta!

É estranho! Cheguei a ver a apresentação do filme há uns dois anos, em sala de cinema, tomei de imediato apontamento, mas... nunca foi exibido, pelo menos aqui na cidade! Por cá não passou! E nestas coisas de cinema, costumo andar atenta!

Voltemos então ao filme! En jeito de sinopse, Uma Casa no Fim do Mundo narra a história de Bobby e Jonathan, dois amigos de infância que se conhecem numa escola dos subúrbios de Ohio nos anos 60 e que, a partir desse momento, se tornam inseparáveis.

Para Jonathan, o pouco convencional Bobby é a ligação a um mundo mais vasto. Para Bobby, a família de Jonathan, em especial a sua mãe, representa uma certa estabilidade que ele nunca conhecera.

Anos mais tarde, separam-se, e já nos anos 80 reencontram-se em Nova Iorque onde Jonathan vive com a sua companheira de casa, Clare.

A sua amizade transforma-se num triângulo amoroso, tendo como base o espírito livre de Clare. E assim aprendem, no dia-a-dia, o que é o amor, a lealdade, o compromisso, inventando uma nova espécie de família até ao nascimento de Rebecca...

Tendo por intérpretes Collin Farrell, Andrew Chalmers, Dallas Roberts e a conceituada Sissy Spacek, o argumento e diálogos são do próprio Michael Cunnigham, uma mais valia do filme. Foi realizado por Michael Mayer, 2004.

The story of two boys growing up in suburban Cleveland in the 1960's who move to Manhattan in the early 1980's where their paths connect with that of an older woman seemed somewhat like my own story. I too spent the first 18 years of my life in the suburbs (of Washington, DC) and moved to New York in 1980. The beautiful but complicated friendship in the book reminded me of relationships that I have had; and the story of creating a family against all odds spoke to me in a very powerful way. At the time, I remember thinking that it would make a wonderful film.

Michael Mayer
É evidente que o filme anula ou omite, como queiramos, muita coisa do livro. Naturalmente.

Suponho que nunca se deverá esperar que um filme seja a reprodução de um livro, mas digamos que a nossa expectativa é sempre forte, quando lemos primeiro o livro. 

No entanto, não devemos nunca deixar de pensar que se trata apenas de uma possível leitura. 

O filme é envolvente, os diálogos são de Michael Cunnigham, o realizador confessa a sua paixão pelo autor, daí que a adaptação seja muito interessante. O Excelentes interpretações. Linda banda sonora.




Capa: Gradiva, 1ª edição, Novembro 2001


Cunningham é um escritor que quase todos conhecem do romance As Horas | The Hours (1999), também adaptado ao cinema, em 2002, com um sucesso muito notório. Suponho que Nicole Kidman foi premiada pela Academia com um Oscar pela Melhor Actriz.
Uma Casa no Fim do Mundo tem uma escrita poética, como o poema literal de Wallace Stevens que o autor introduz:

Ei-lo palavra por palavra,
O poema que tomou o lugar de uma montanha.

Ele respirava no seu oxigénio,
Mesmo quando o livro jazia voltado sobre o pó da mesa.

Recordava-lhe o quanto tinha precisado
De um destino para o seu próprio rumo.

[...]


Wallace Stevens, O Poema que tomou o Lugar de uma Montanha


É um livro forte, vivo, inquieto, numa trama retratista do mundo urbano da nossa época.


Sinto que Cunningham escreve com ternura, como quem considera todas as vidas plenas de significado, apesar das suas fragilidades e tensões, das suas inquietações constantes na procura de um espaço próprio!


Eu adoro bons livros! E fico sempre curiosa de adaptações  de obras literárias ao cinema!

G-S

Fragmentos literários


10.05.2009


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4 comments:

Isamar said...

A Gradiva é, para mim, uma editora de referência. Por acaso já li o livro há uns dois/três anos e teria gostado de ver o filme. Há critérios no alinhamento das programações que , muitas vezes, não compreendo. Porquê tão tarde?

Um abraço amigo.

Bem-hajas!

Fragmentos Culturais said...

... tal como tu, Isa, tenho algumas editoras de referência que busco incessantemente!

Se gostaste muito do livro - eu gostei imenso - a adaptação ao cinema, não te chocaria, à distância da leitura! E apesar das lacunas de vária ordem, vi-o com agrado!

O alinhamento das programações não é para entender, porque precisamente não são feitas em função da qualidade :(

E depois, o 'ridículo' da espantosa 'bola vermelha' a horas tão tardias... já para não falar que não havia nenhuma cena 'chocante' em todo o filme! O argumento era tão natural quanto o livro! Afinal foram escritos pelo mesmo autor - Cunningham!

No entanto, já tenho visto 'cenas chocantes' em horários nobres, em que crianças e jovens adolescentes estão perfeitamente despertos :(

Enfim... vá-se lá saber o que é considerado 'chocante' ou 'não chocante' nas cabeças dos directores de programação...?!

Sensibilizada pelo teu olhar tão atento!
Um beijo,

PreDatado said...

Peço desculpa de não ter lido o post completo, mas depois da sinopse fiquei com receio que fosse contar o filme e como eu tenho intenção de o ver, provavelmente em video, não quis ficar a saber o epílogo. Voltarei para ler outras coisas.

Fragmentos Culturais said...

... não sei se é uma 'crítica' (?), mas não chegaria ao epílogo! Aliás, se lesses um pouco mais, verias que deixei em aberto tanta coisa!
Mas agradeço as críticas construtivas!

Será que querias dizer-me que explano demasiado as minhas opiniões?
É uma forma de sentir, quando escrevo sobre o que gosto :)

Sem dúvida! Deves ver o DVD mas não deixes de ler o livro! Há uma imensidão de paisagens humanas que não estão no filme!

Boa semana!
... pelo olhar de relance, sensibilizada!