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domingo, 19 de junho de 2011

Philip Glass na Casa da Música : Concerto inesquecível !





Philip Glass 
créditos:João Messias
Casa da Música


Foi no dia 25 Maio 2011. A sala Suggia estava cheia. Até o coro foi aberto ao público, tal a dimensão do concerto. Foi daí que pude ouvi-lo, quase numa posição intimista, de tal modo a proximidade.


Philip Glass entrou no palco à hora certa. Sala Suggia silenciosa, com fervor.


No ano em que a Casa da Música tem por país temático, os Estados Unidos, Glass teria que ser presença obrigatória. É um dos mais famosos compositores e pianistas  do século XX. Rotulado como minimalista, Glass considera que isso só até 1976.


Uma profunda formação em jazz, e fortes influências de países asiáticos, em particular da Índia. Estudou com Ravi Shankar, também ele uma referência do século XX, o Guru de muitos outros célebres músicos. George Harrison (The Beatles) é um deles.

Porém, essas diversas influências não impedem que confesse sentir que a sua própria música “soar muito americana”.


No programa, trinta anos de composição, cinco temas com direito a dois 'encore' que foram interpretados sem interrupção. Apenas breves introduções do pianista. Mas com simplicidade e simpatia.


Glass tocou Six Études (1994-1999), Mad Rush (1980), Metamorphoses - obra baseada em Kafka (1989), Dreaming Awake (2006), Wichita Vortex Sutra (1990). Voltou para dois encore previamente anunciados.






Philip Glass 
créditos : João Messias
Casa da Música


Audiência rendida durante cerca de hora e meia, em ambiente intimista, apesar da dimensão do auditório. Sonoridades repetitivas, quase minimalistas, que me remeteram alguma vezes para Bela Bartok - um dos contemporâneos ditos eruditos - e rasgos discretos que apelaram à emoção dos que apreciam a música no seu estado mais puro. Um todo contrastante, sempre belíssimo. 


"Mad Rush" foi talvez o momento mais alto. Philip Glass levou o público a aplaudir de pé  com intenso apreço. 


Outro momento forte? A última peça do programa. Philip Glass interpretou "Wichita Vortex Sutra".  Das colunas, uma gravação com a voz de Allen Ginsberg a recitar o poema com o mesmo título - uma reflexão anti-guerra dos anos 60 - musicado ao vivo pelas mãos de Philip Glass, num encadeamento perfeito entre palavra e som. Encantamento apenas minimizado pelas condições acústicas junto ao Coro.


Para quem estava no coro, um momento difícil! O som das palavras rolava pela sala e chegava distorcido. Talvez devido à barreira de vidro que divide o coro do palco. Apenas se captaram algumas palavras soltas numa amálgama de sons. Tristeza.


Uma falha grave, dado que a Casa da Música, ao abrir o Coro, deveria ter testado o som e prevenido tal distorção e a impossibilidade de se captar o todo em excelentes condições acústicas. Até porque o músico ensaiou na sala que considera "um novo espaço lindo".




Philip Glass | Casa da Música 
créditos: Paulo Pimenta
https://www.publico.pt/


Mesmo assim, a noite foi esplendorosa na simplicidade de um grande concerto. Único. O encore só prolongou o que todos sentiram. A viagem pelo piano conduzida por Philip Glass foi profundamente recompensadora.


Todos aplaudimos de pé, o talento do compositor que, em gestos simples agradeceu, não esquecendo nunca de se virar para o público que estava no Coro.


Novo encore não seria preciso para confirmar um grande concerto, mas até isso o enorme compositor e pianista nos ofereceu. Só mesmo para prolongar a viagem pelo piano com Philip Glass.*


Como curiosidade, Philip Glass é o compositor de bandas sonoras de filmes inesquecíveis, como As Horas ou O Ilusionista, entre outros. 


G-S

Fragmentos Culturais

19.06.2011

Video : o video que estava incluido neste post pode agora ser visionado no site da RTP Cultura.

actualizado 08.05.2026
Copyright © 2011-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

Licença Creative Commons


Créditos: video RTP Cultura. | 26.05.2011/ 08.05.2026


domingo, 9 de janeiro de 2011

Mario Laginha na Casa da Música





Mario Laginha

foto: Bernardo Sassetti
http://www.ccb.pt


É único. Extraordinário. Mágico. É o "meu jazz". Soube conjugar o clássico e o jazz. Está ao nível do divino. 


Ontem, dia 7 de Janeiro 2011, fui ouvir Mario Laginha, como intérprete e compositor. Desta vez em estilo clássico. Concerto para piano e orquestra de sua autoria. 'Concerto sem nome' - assim o intitulou Laginha.

Estreado em 2009, o concerto para piano e orquestra de Mário Laginha voltou a ser interpretado pelo autor e pela Orquestra Sinfónica do Porto, na Casa da Música.

Facto inédito como frequentadora da Casa da Música! Assistir a uma gravação ao vivo de um concerto. Foi feita a gravação do concerto de Mario Laginha que posteriormente será editada (sem data).



Mario Laginha

foto: Vítor Rios / Global Imagens

Mario Laginha é talvez mais divulgado na área do Jazz onde se move com  assiduidade. Mas ninguém desconhece que este grande músico português tem formação clássica e que nela se integra com muita qualidade, quando quer e como quer! 

Dominando a composição instrumental, talvez a mais complexa da música erudita - o concerto para piano e orquestra - de grande tradição na musicografia de todos os grandes compositores, Laginha é também um intérprete de extrema sensibilidade e senhor de uma técnica pianistica invejável.

"O concerto para piano está entre algum do repertório musical que mais me apaixonou ao longo dos anos. 

Mozart, Beethoven, Brahms, Schumann, Prokofieff, Rachmaninoff, Ravel, entre outros, escreveram concertos com uma inspiração e uma técnica orquestral que facilmente fazem alguém como eu sentir-se intimidado com a perspectiva de também o tentar fazer. Decidi, assim, que tinha que pôr de lado esse peso e encarar a tarefa com a mesma descontracção com que componho para formações bem mais pequenas. 

Parece-me aceitável dizer que a linguagem do jazz se desenvolveu afastando-se do universo clássico. A forma como se tocam os instrumentos, o som que se tira deles, as próprias formações, tudo isso conferiu uma identidade muito própria ao jazz. Por essa razão, pode parecer um contra-senso tentar reaproximar aquilo que naturalmente se separou. 

Mas não é assim que eu vejo a questão. Aquilo que eu pretendi fazer foi simplesmente tentar perceber o que posso utilizar, como devo utilizar e quando utilizar essas características. É um terreno difícil, mas o desafio é demasiado atraente."

Mario Laginha


Mario Laginha | Casa da Música

Foto: Valter Hugo Moutinho


E foi mesmo! Um desafio que se mostrou brilhante na música erudita contemporânea. E tal como Laginha, eu não sinto fronteiras entre os vários estilos de música! Não existem! Distingue-se apenas boa música de música medíocre.

Neste 'Concerto sem nome', foram pressentidas muitas das influências descritas que só valorizam a imensa cultura musical do compositor. 
Sonoridades de grande beleza que Laginha soltou imbuído daquela musicalidade inata que todos lhe reconhecemos.

Foi sem dúvida o momento mais alto, ontem à noite, na Casa da Música. Laginha, o intérprete e o compositor! 

Gostei imenso do seu 'Concerto sem nome' para piano e orquestra. Não conhecia. 

E lamento não ter conseguido um lugar do lado norte da Sala Suggia para poder apreciar com mais devoção a sua técnica. Nestas questões, a audição não é o único sentido presente.

No entanto, o meu ângulo de visão ainda deu para apreciar momentos de interpretação fabulosos, bem ao estilo dos intérpretes de música contemporânea, e por que não, tão próximos dos músicos de jazz.

Laginha é um músico extraordinário, em qualquer estilo musical! Clássico ou jazz! Eu adoro ouvi-lo nos dois! Embora, Laginha apareça mais no registo do jazz.


Mas, Mario Laginha é por natureza um músico completo! Compositor, intérprete de sensibilidade apurada  e uma técnica pianística exímia, com alma!

A sua simplicidade é notória, mesmo em palco! Tão rara no meio musical! Uma qualidade que só 'reina entre os maiores'.

Apenas uma nota: houve certos momentos em que a fusão orquestra-piano não foi a mais adequada. A orquestra abafou, por vezes, o piano.


Ora, isso não é possível, já que o piano, no caso deste género musical - o concerto - o piano é tão importante quanto a orquestra. Uma pequena crítica ao maestro... 


Mario Laginha foi muito ovacionado, sim! Não tanto como o merecia! Mas o público português tem destas coisas! Redobra-se de atenção e aplausos para com músicos estrangeiros e não procede do mesmo modo para com os seus músicos que, afinal, estão entre os melhores, no plano internacional! Laginha é muito conceituado no panorama internacional.


Algumas pessoas aplaudiram de pé,  e houve um tímido 'Bravo' daqui e dacoli, mas a esmagadora maioria da sala permaneceu sentada. Lamentavelmente!
Já tenho ouvido ovações bem mais expressivas para músicos menos extraordinários! Veio-me ao pensamento Eça...


O programa reuniu duas outras obras orquestrais de períodos distintos: a última obra orquestral do compositor húngaro Ernst von Dohnányi (1953) e a polémica Vida de Héroi de Richard Strauss.

"Mario Laginha, piano player and composer, is one of the most creative contemporary Portuguese jazz musicians." 


G-S

Fragmentos Culturais

08.01.2011
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