Sunday, January 9, 2011

Mario Laginha na Casa da Música





Mario Laginha

foto: Bernardo Sassetti
http://www.ccb.pt


É único. Extraordinário. Mágico. É o "meu jazz". Soube conjugar o clássico e o jazz. Está ao nível do divino. 


Ontem, dia 7 de Janeiro 2011, fui ouvir Mario Laginha, como intérprete e compositor. Desta vez em estilo clássico. Concerto para piano e orquestra de sua autoria. 'Concerto sem nome' - assim o intitulou Laginha.

Estreado em 2009, o concerto para piano e orquestra de Mário Laginha voltou a ser interpretado pelo autor e pela Orquestra Sinfónica do Porto, na Casa da Música.

Facto inédito como frequentadora da Casa da Música! Assistir a uma gravação ao vivo de um concerto. Foi feita a gravação do concerto de Mario Laginha que posteriormente será editada (sem data).



Mario Laginha

foto: Vítor Rios / Global Imagens

Mario Laginha é talvez mais divulgado na área do Jazz onde se move com  assiduidade. Mas ninguém desconhece que este grande músico português tem formação clássica e que nela se integra com muita qualidade, quando quer e como quer! 

Dominando a composição instrumental, talvez a mais complexa da música erudita - o concerto para piano e orquestra - de grande tradição na musicografia de todos os grandes compositores, Laginha é também um intérprete de extrema sensibilidade e senhor de uma técnica pianistica invejável.

"O concerto para piano está entre algum do repertório musical que mais me apaixonou ao longo dos anos. 

Mozart, Beethoven, Brahms, Schumann, Prokofieff, Rachmaninoff, Ravel, entre outros, escreveram concertos com uma inspiração e uma técnica orquestral que facilmente fazem alguém como eu sentir-se intimidado com a perspectiva de também o tentar fazer. Decidi, assim, que tinha que pôr de lado esse peso e encarar a tarefa com a mesma descontracção com que componho para formações bem mais pequenas. 

Parece-me aceitável dizer que a linguagem do jazz se desenvolveu afastando-se do universo clássico. A forma como se tocam os instrumentos, o som que se tira deles, as próprias formações, tudo isso conferiu uma identidade muito própria ao jazz. Por essa razão, pode parecer um contra-senso tentar reaproximar aquilo que naturalmente se separou. 

Mas não é assim que eu vejo a questão. Aquilo que eu pretendi fazer foi simplesmente tentar perceber o que posso utilizar, como devo utilizar e quando utilizar essas características. É um terreno difícil, mas o desafio é demasiado atraente."

Mario Laginha


Mario Laginha | Casa da Música

Foto: Valter Hugo Moutinho


E foi mesmo! Um desafio que se mostrou brilhante na música erudita contemporânea. E tal como Laginha, eu não sinto fronteiras entre os vários estilos de música! Não existem! Distingue-se apenas boa música de música medíocre.

Neste 'Concerto sem nome', foram pressentidas muitas das influências descritas que só valorizam a imensa cultura musical do compositor. 
Sonoridades de grande beleza que Laginha soltou imbuído daquela musicalidade inata que todos lhe reconhecemos.

Foi sem dúvida o momento mais alto, ontem à noite, na Casa da Música. Laginha, o intérprete e o compositor! 

Gostei imenso do seu 'Concerto sem nome' para piano e orquestra. Não conhecia. 

E lamento não ter conseguido um lugar do lado norte da Sala Suggia para poder apreciar com mais devoção a sua técnica. Nestas questões, a audição não é o único sentido presente.

No entanto, o meu ângulo de visão ainda deu para apreciar momentos de interpretação fabulosos, bem ao estilo dos intérpretes de música contemporânea, e por que não, tão próximos dos músicos de jazz.

Laginha é um músico extraordinário, em qualquer estilo musical! Clássico ou jazz! Eu adoro ouvi-lo nos dois! Embora, Laginha apareça mais no registo do jazz.


Mas, Mario Laginha é por natureza um músico completo! Compositor, intérprete de sensibilidade apurada  e uma técnica pianística exímia, com alma!

A sua simplicidade é notória, mesmo em palco! Tão rara no meio musical! Uma qualidade que só 'reina entre os maiores'.

Apenas uma nota: houve certos momentos em que a fusão orquestra-piano não foi a mais adequada. A orquestra abafou, por vezes, o piano.


Ora, isso não é possível, já que o piano, no caso deste género musical - o concerto - o piano é tão importante quanto a orquestra. Uma pequena crítica ao maestro... 


Mario Laginha foi muito ovacionado, sim! Não tanto como o merecia! Mas o público português tem destas coisas! Redobra-se de atenção e aplausos para com músicos estrangeiros e não procede do mesmo modo para com os seus músicos que, afinal, estão entre os melhores, no plano internacional! Laginha é muito conceituado no panorama internacional.


Algumas pessoas aplaudiram de pé,  e houve um tímido 'Bravo' daqui e dacoli, mas a esmagadora maioria da sala permaneceu sentada. Lamentavelmente!
Já tenho ouvido ovações bem mais expressivas para músicos menos extraordinários! Veio-me ao pensamento Eça...


programa reuniu duas outras obras orquestrais de períodos distintos: a última obra orquestral do compositor húngaro Ernst von Dohnányi (1953) e a polémica Vida de Héroi de Richard Strauss.

"Mario Laginha, piano player and composer, is one of the most creative contemporary Portuguese jazz musicians." 


G-S

Fragmentos Culturais

08.01.2011
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10 comments:

pinguim said...

É notório e mais que justificado o teu entusiasmo.
Mário Laginha é um grande pianista e não se limita a uma área única.

vitor cunha said...

Adorei o teu artigo. Creio que deste ao Mário Laginha aquilo que merece: VALOR e APREÇO.
Beijinho

Lilá(s) said...

Belo e entusiasmante artigo, Mário Laginha merece.
Bjs

Isabel Maria Rosa Furtado Cabral Gomes da Costa said...

É muito bom poder estar presente nestes momentos inexcedíveis, pela mão de Fragmenros Culturais.
Um beijo.

Susaninha said...

BRAVO....
UHUHUHUHUHUH....

LINDOOOOOOOOO...ERA O QUE EU DIRIA:)
Já o fui ver com a Maria João e fiz...UHUHUHUHUHUHY com todos os pulmões:)

Fragmentos Culturais said...

... sem dúvida, 'pinguim'!
Mário Laginha é o 'músico' na essência!

E gostei mesmo deste concerto para piano e orquestra!

Volto a salientar! Laginha é de uma simplicidade extraordinária!

Fragmentos Culturais said...

... não é bem um 'artigo' Vítor :)
São impressões fragmentadas das coisas bonitas que gosto de ouvir!

Mário Laginha é um músico sério e a sério! E só não tem mais valor porque vive no nosso país...

Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

... foi tudo o que Laginha me transmitiu! Num concerto para piano e orquestra de grande sensibilidade!

Um beijo, 'lilá(s)'

Fragmentos Culturais said...

... sensibiliza-me saber que quase consegui transportá-la, virtualmente, até à sala Suggia, Isabel!

Uma boa semana!
Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

... infelizmente, Su, Laginha não teve muitos 'Bravo!'

Há ainda preconceitos na ligação jazz / música erudita, se ainda é possível!?
Afinal, não há tanta distinção assim!
E esse preconceito fez-se sentir nessa noite :(

Beijinho**
(apetece-me 'dizer' como o coelho da 'Alice in Wonderland': 'I'm late! I'm late' no que concerne responder aos meus amigos)
;-)