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sábado, 20 de setembro de 2014

Teatro Rivoli : Enfim a Dança !





Teatro Rivoli | Porto

O Teatro Rivoli voltou a abrir-se para a cidade. E, na sua vertente mais carismática: a dança contemporânea. Todos sentíamos a falta dessa sala, e do palco por onde desfilaram companhias de dança contemporânea nacionais e internacionais. 

Também lá tiveram lugar as várias edições do Festival de Jazz do Porto, a que associo António Pinho Vargas, entre muitos outros. E músicos como Chick Corea, Diana Krall, Astor Piazzola, Dee Dee Bridgewater, Pablo Milanés. Seria infindável a listagem de nomes grandes da música, e da dança.

Para mim, o Teatro Rivoli era o palco de referência da dança contemporânea. A lacuna maior da cidade. 



 
Mozart Concert Arias 
CNB | Rivoli
foto: Paulo Pimenta


E foi com a coreógrafa  Anne Teresa de Keersmaker e a Companhia Nacional de Bailado que o palco do Rivoli se reabriu nas noites 12 e 13 Setembro 2014. Sim, a dança contemporânea de grande qualidade, voltou à cidade.

"Será tendencialmente um equipamento mais voltado para a dança contemporânea e outras práticas artísticas que utilizam o corpo de uma forma mais expressiva"  

Tiago Guedes, novo director





CNB | Rivoli
foto: Paulo Pimenta

Oito anos depois, a dança voltou ao Teatro Rivoli. E não poderia inaugurar a nova era de melhor maneira. Mozart Concert Arias da coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaker intepretado pela Companhia Nacional de Bailado (CNB). 

Dança contemporânea! Apesar da formação clássica, é no bailado contemporâneo que me identifico. Na paisagem estética da dança.

Anne Teresa de Keersmaker. Coreográfa que aprendi a admirar à distância. Descobri-a online, durante o Festival de Danse Marseille (2005) à frente da sua companhia Rosas

Companhia Nacional de Bailado dispensa apresentação, de qualidade comprovada, já me referi à CNB anteriormente com La Valse.

A Companhia Nacional de Bailado foi a primeira companhia, a nível mundial, exceptuando a Rosas – companhia de Keersmaeker, fundada em 1983 – a interpretar uma obra da criadora belga: “Lisbon Piece” (1998), peça coreografada expressamente para a companhia nacional portuguesa.





Rosas : Raga for the Rainy Season /A Love Supreme
 Anne De Keersmaeker
foto: Festival de Marseille/Danse, 2005
https://www.festivaldemarseille.com

Anne Teresa de Keersmaker apresentava nesse ano de 2005, a sua companhia Rosas, com a criação Rosas: Raga for the Rainy Season /A Love Supreme.

"Après Bartók,Mozart, Steve Reich, Monteverdi, Joan Baez, Miles Davis… cet été, pour la première fois, Anne Teresa de Keersmaeker (une complice du Festival depuis 2001) fait se rencontrer «la plus savante des musiques indiennes», le Dhrupad, avec la plus «populaire des musiques savantes» occidentales, le jazz de John Coltrane. Rêves d’orient."

Festival de Marseille 2005

De imediato me seduziu. Remetia-me para Pina Bausch, a referência maior da dança contemporânea da última década,<Bob FosseMaurice Béjart. Nomes que fazem parte da historiografia da dança contemporânea. Pina Bausch e Maurice Béjart vieram a Portugal. Contoversa a vinda de Béjart ao Rivoli... 

Anne Teresa de Keersmaker foi condecorada com a Medalha de Mérito pela Secretaria da Cultura, na semana passada. 

"Ao longo da carreira, tem mantido uma relação de proximidade com Portugal, tendo desenvolvido e apresentado muitas das sua produções no nosso país, contribuindo para uma forte divulgação e enriquecimento da dança contemporânea em território nacional”.

SEC


 
Mozart Concert Arias 
CNB | Rivoli
foto: Paulo Pimenta

Não poderia ter sido melhor a escolha para a reabertura do Teatro Rivoli. Este ciclo que se prolongará até Dezembro, tem por tema 'O Rivoli Já Dança'. 

Não o acho muito inspirador, mas alerta para o facto de a dança voltar ao Rivoli. Claramente. A sala de excelência para esta arte tão bonita.

O ciclo antecede a temporada que se iniciará em Janeiro de 2015, já desenhada pelo novo director artístico, Tiago Guedes. Assinala, assim, a tendência de um teatro que dará prioridade à dança e às artes do corpo, mas sempre em diálogo com as outras disciplinas – e que será também um importantíssimo território do pensamento. 

Decorrerá já em Novembro, o Fórum do Futuro, para o qual foram convocados grandes teóricos da contemporaneidade, incluindo dois prémios Nobel e quatro Pritzker

"Entendemos que o Rivoli deve ser um mediador da cidade, um lugar onde a cidade se revê e se apresenta - um lugar simultaneamente popular e cosmopolita, histórico e contemporâneo, local e nacional.

Paulo Cunha e Silva, vereador da CMP



 
Mozart Concert Arias 
CNB | Rivoli
foto: Paulo Pimenta
Defendendo que a programação “não pode ser apresentada de forma elitista” e que “um teatro municipal tem de abranger toda a gente”, Tiago Guedes, actual director, considerou que para este momento simbólico da reabertura da sala “a escolha de Mozart Concert Arias foi excelente, porque é um espectáculo mais consensual, com orquestra ao vivo, ópera, dança”. É sim, um bailado féerico que vai muito de encontro ao próprio Mozart.




 
Mozart Concert Arias 
CNB | Rivoli
foto: Paulo Pimenta

A sala esgotou no primeiro dia, sexta-feira, dia 12 Setembro, muitos colunáveis, enfim, o usual, mas também  muita gente do panorama portuense da dança, da música, do teatro.

No entanto, suponho que tal não aconteceu no segundo dia, 13 Setembro, dada a injusta oferta do festival D'Bandada com espectáculos de música espalhados por toda a cidade, chamando centenas de pessoas às ruas do Porto e trazendo o caos no acesso à Baixa do Porto. O bilhete, ficou no meu bolso. Impossível chegar ao Rivoli.




 
Mozart Concert Arias 
CNB | Rivoli
foto: Paulo Pimenta


« (...) É nestes ambientes híbridos que De Keersmaeker revela um verdadeiro caso de amor por Mozart. E não é só pela sua música mas por tudo o que o possa sugerir: o ornamento, a galanteria, a sensualidade, o jogo, a superficialidade, o humor e a leve intermitência entre a tristeza e a alegria. (...)»

CNB, Facebook

O Porto, cidade de cultura por tradição, está a renascer. Espectáculos nas várias áreas da música e da dança, teatro, animação de novos espaços.

É só ir à Baixa nas noites de sexta-feira e sábado para poder desfrutar desse ambiente cosmopolita dos turistas, que levou de novo à cidade os portuenses, mesmo em finais de Setembro, chuvoso, e pouco convidativo. 

Como li, num artigo recente, o Porto está na moda.

"Dansez comme si vous alliez persecuter le paradis... Le paradis, c'est là qu'il se trouve."


Bob Fosse

G-S

20.09.2014

Copyright © 2014-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®



sexta-feira, 21 de março de 2014

É Dia Mundial da Poesia





Orfeu e Euridice 
 Olga Roriz
Centro Cultural de Belém



A Lonjura do Poema


A desmesura do corpo
a lonjura do poema

A largura do mar alto
em carta
de rota e pena

A luxúria da memória
a saudade do perdido
feito de nós e de olvido

De se escrever português
em páginas
de verso e vidro

No seu trabalho
e resguardo
de passado e de sigilo

Feito de língua
materna
leite de peito despido

De cantares e do contar
em versos 
de linho e livro

Com palavras de poetas
de cristal e aventura
imagens e descobertas

De rimar e de remar
num oceano de perigo.


Maria Teresa Horta, A Lonjura do Poema, 21 Março 2014
in Página Oficial Maria Teresa Horta


Confesso que gosto muito mais da poesia de Maria Teresa Horta, nesta sua nova fase. Menos agressiva. Mais afectuosa.

E hoje celebrando-se o Dia Mundial da Poesiagostei deste poema para o celebrar. 

A UNESCO celebra muitos nomes da poesia mundial ao longo de 2014. Na listagem, não aparecem poetas portugueses. Talvez não haja centenários de poetas portugueses...






Orfeu e Euridice | Olga Roriz
Centro Cultural de Belém


A CNB tem a decorreAs horas de Sophia, uma das iniciativas a propósito da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen, que se realizará ao longo de todo o ano de 2014.

"Serão sessenta minutos dedicados aos poemas da escritora, antes de um dos espectáculos de cada programa da temporada, nos quais o público será convidado a participar (se for esse o seu desejo), lendo os poemas que queira trazer de casa.

Dentro da sua vasta obra, será desejável a escolha de temas relativos a cada uma das produções da CNB ou, genericamente, ao tema da dança."


Poesia e dança são inseparáveis. Há muito não passa pela cidade um espectáculo de bailado contemporâneo. 

Sei que os espaços não são muitos. Mas o Teatro Rivoli tinha uma bela sala. Nela assisti a grandes companhias de bailado. Não mais. 


G-S 

21.03.2014
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dia Internacional da Dança : Pina Bausch, Isadora Duncan & Martha Graham ! Três nomes da História da Dança Moderna !





Pina 
Wim Wenders, 2011




Pina 
Wim Wenders, 2011


"No, there was no hurricane that swept across the stage,
there were just … people performing
who moved differently then I knew
and who moved me as I had never been moved before." (...)

Wim Wenders, Pina








E no Dia Mundial da Dança, nada mais belo do que a homenagem do cineasta Wim Wenders a Pina Bausch






Wim Wnders | Pina





Wim Wnders & Pina Bausch
via The Hollyood Reporter

A data foi instituída pelo Comité Internacional de Dança da UNESCO. A sua comemoração tem a ver com o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre (1727). um dos grandes nomes da dança.  








Todos os anos, a UNESCO pede a uma personalidade do mundo da dança para escrever uma mensagem que circulará por todo o mundo. Coube, este ano, ao Prof. Alkis Raftis.

Nesta mensagem Raftis exorta para que o Dia Internacional da Dança 2011 seja celebrado em espaços abertos, ruas, parques, e outros lugares ao ar livre para que todos possam usufruir de uma arte tão bela!





Sagração da Primavera
credit: Stephanie Berger
choreography: Pina Bausch
via New Yorker




Sagração da Primavera
credit: picture-alliance
choreography: Pina Bausch
via New Yorker

Voltemos então a Pina Bausch.  Pina Bausch é para mim a bailarina que deu nova dimensão à dança contemporânea nos tempos mais actuais. As suas interpretações são inesquecíveis. Portugal teve o privilégio de a receber, por várias vezes.

Infelizmente, não tive a sorte de aceder a nenhum dos seus espectáculos.





Isadora Duncan, 1900





Martha Graham, 1927

No entanto, não posso deixar de referir neste Dia Mundial da Dança duas outras grandes bailarinas, imensamente inovadoras também, cada uma no seu tempo e que abriram caminhos para a dança moderna: Isadora Duncan e Martha Graham.





Pina 
Wim Wenders, 2011


Se pretender saber mais sobre o trabalho de Pina Bausch, leia Pina Bausch (1940-2009: um tributo, a minha homenagem no ano em que deixou a dança mais triste (2009):

Pina Bausch defendeu acima de tudo que a "dança deve dar atenção aos sentimentos, desejos e doresde modo a tocar o público e "não ser apenas algo de belo e de bom."

Aguardo a estreia de Pina, de Wim Wenders, nas salas de cinema do nosso país.





Pina 
Wim Wenders, 2011


Mais tarde fui ver o filme em sala de cinema, Não poderia ter saído mais emocionada pela beleza estética desta enorme bailarina e coreógrafa. Pina Bausch!

"With his homage to the late choreographer Pina Bausch, the director creates the world’s first 3D art film."

The Hollyood Reporter 

G-S

Fragmentos Culturais

29.04.2011

actualizado 29.04.2024
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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Dança - Festival de Marseille 2007





Conte Nomade Ensemble Musicatreize


Question de danse, Questions d'artiste 2




Marie Chuinard
boDY_reMIX les vARIATIONS goLDBERG
créditos: Agnès Mellon


Cette nouvelle édition du Festival de Marseille permet à la Cité phocéenne d’entrer dans la danse et de renouer avec le spectacle vivant sous ses formes les plus novatrices. Chaque année, les professionnels, chorégraphes, metteurs en scène et artistes confirmés se produisent sur la scène du Festival pour offrir au public des créations de premier choix.

(...)
En effet, grâce à son histoire et son patrimoine, la diversité de ses communautés, et son syncrétisme culturel qui lui est propre, Marseille est aujourd’hui un “Carrefour de la Culture” entre les deux rives de la Méditerranée.

Jean-Claude Gaudin, Edtito 2007


Festival de Marseille decorreu este ano na sua 12ª edição na cidade de Marseille [França], entre 16 Junho e 13 Julho.

Trata-se de um das maiores eventos da cultura contemporânea internacional onde se cruzam manifestações ligadas à dança, música, teatro, cinema, café-concerto, exposições.

Sem ter a oportunidade, lamentavelmente, de assistir ao vivo a tão feérica explosão de cultura, todos os anos por esta altura, faço uma peregrinação virtual ao sítio web oficial do Festival de Marseille.

Aí permaneço durante horas, deixando flutuar o meu olhar e sorvendo com estético prazer as fotografias de intensa qualidade de Agnès Mellon bem como os textos informativos que acompanham toda a variadíssima programação.

A dança contemporânea, em todas as vertentes apresentadas, é sem dúvida a actividade estético-musical em que me detenho sem olhar ao tempo.

Neste campo, todas as manifestações são sempre de muita qualidade, e sobretudo de inegável vanguardismo.


Acabei por seleccionar a manifestação que mais me atraíu - Marie Chuinard e o seu bailado em dois actos boDY reMIX les vARIATIONS goLDBERG.






Marie Chuinard
crédito: Agnès Mellon

Dans boDY_reMIX, la alcune et la prolongation, la virtuosité et la contrainte animent singulièrement une danse étrange et fascinante. L'oeuvre contourne ce qui est "beau" et "achevé" pour trouver d'autres locomotions et d'autres sens à un corps réarchitécturé, fantasmé en insolite: une alternative au vivant, prêt finalement à toutes les reconstructions, toutes les mutations pour plonger dans le désir.

Um bailado tendo como suporte musical as Variações Goldberg na interpretação de
Glenn Gould jamais me deixaria margem para vacilar na escolha.

Outros destaques:

Mmm... [Stravinsky Projet Part 2] Michael Clark

Sensorlab mov. Collectif Skalen

Question de danse, Questions d'artistes Compagnie Kelemenis

Konnecting Souls Franck II Louise


"Que fais-tu le jour? Je m'invente"

Paul Valéry


G-S


Fragmentos Culturais


08.08.2007
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