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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Livros em atenta sugestão : Três autores, três livros !






Clarabóia
José Saramago (póstumo)
Editora Caminho


Clarabóia, o livro póstumo de José Saramago já está envolto em polémica. E com razão. Todos sabemos a posição do autor em relação ao Acordo Ortográfico. Ora, apesar de se ler no início "A presente edição reproduz fielmente o original", não é verdade. Começa no título.






Já há algum tempo andava atenta, na minha ronda semanal a duas ou três livrarias da cidade, à publicação póstuma desta sua obra, escrita nos anos 50, mais precisamente em 1953 (li mais tarde). 


Mal o vi exposto, folheei de imediato, lendo algumas frases naquele gesto intimista que temos no contacto primeiro com um livro. E eis que me deparei com vocábulos escritos segundo o Acordo. Tal como escreveu o autor de um blogue, Acordês! Pois é! Não comprei.


Como a polémica tem sido grande, há quem fale em atentado póstumo a Saramago. O Público também já dedicou um artigo ao assunto, fico a aguardar que a editora se retrate e publique a edição original.


Entretanto, um outro livro saíu. Abraço de José Luís Peixoto, autor que todos sabem ser um dos meus escritores favoritos na nova literatura portuguesa.





Abraço
José Luís Peixoto
Editora Quetzal


Abraço é então o último livro de José Luís Peixoto. E para que fiquem com aroma do livro, aqui deixo o vídeo de apresentação feita pelo próprio autor.







Nem duvidam! Comprei! E já me acompanha nos momentos de pausa. Sou agora mais cuidadosa em espaços públicos. Não esqueço o meu livro de Bolaño...


Passemos a outro autor que muito gosto! Um autor da ficção estrangeira que me prendeu desde o seu primeiro livro editado em Portugal: Kafka à beira-mar. Estão a reconhecer, não é mesmo?! Haruki Murakami.


Depois desse, li mais dois ou três livros de Murakami. O autor escreve sobre solidão, crítica social do pós 11 Setembro 2001, a que junta sonoridades do jazz. Também ele é grande apreciador deste género musisical que adoro. 



Murakami dirigiu um bar antes de se tornar escritor. Essa personagem, contada na primeira pessoa, é muito presente no livro A Sul da Fronteira a Oeste do Sol editado por Casa das Letras, 2009, 1ª edição.






IQ84 
 Haruki Murakami


O livro já é best-seller nos Estados Unidos e no Reino Unido com apenas uma semana de vendas.


"There are references in 1Q84 to Chekhov, Stanley Kubrick, Dostoevsky, Lewis Carroll, Macbeth, and Carl Jung, though the most important works cited are musical. Janácek's Sinfonietta plays a major role; an investigator muses playfully on Sibelius; and a woman discourses in bed on her love for the jazz clarinettist Barney Bigard. 
(...)

and music – jazz, classical, or very occasionally pop – always leaks into his prose. But the special importance of music in this novel is a key to its major theme, which is time."

Steve Poole, The Guardian


Os jornais ingleses e americanos (países onde o livro já foi editado) têm-lhe dedicados inúmeros artigos. Um dos últimos,  A Tokyo with Two Moons and Many More Puzzles (New York Times, Novembro 9, 2011).


Aguardo com alguma ansiedade a publicação do volume 3 de 1Q84 em Portugal. Quando?! Para já, vou lendo o primeiro capítulo (versão inglesa) no Facebook do autor.



G-S



Fragmentos Culturais



10.11.2011

actualizado 20.10.2025
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago, a literatura ficou mais só ? Está mais viva ! Centenário 2022





Centenário José Saramago 2022





José Saramago [1922-2010]
créditos: Autor não identifcado

"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que aquilo que somos capazes de viver."

José Saramago





José Saramago [1922-2010]
Prémio Nobel de Literatura 1998
via SIC

A língua portuguesa perdeu o seu escritor mais controverso e sem dúvida um dos mais inovadores da literatura contemporânea. José Saramago, laureado com o Prémio Nobel da Literatura 1998. Único escritor protuguês a ser galardoado com este Prémio de Literuratura.

A sua Fundação está vestida de negro! Apenas um comunicado discreto.

"...despedindo-se de forma serena e tranquila."

Escrevi em Março de 2008...

"Sei que José Saramago, Prémio Nobel da Literatura 1998, não tem grandes simpatias! Conheço-o apenas pelos seus livros! E a ideia que tenho da sua personalidade vem das entrevista, das suas palavras, e de outras palavras que vou ouvindo ou lendo nas críticas literáriass e nos meios de comunicação social."




José Saramago 
Nobel Prize in Literature 1998
credits: Nobel Prize Award

Não posso, nem devo, de modo nenhum, tirar-lhe o mérito. Pela inovação na literatura portuguesa do seu arrojado  código de escrita.

Tenho para mim que só a partir dele, outros grandes nomes se aventuraram nessa criativa perspectiva de olhar a escrita de um outro modo.

A palavra escrita tal como a palavra oral sofrem a evolução natural. Modernizam-se! Evoluem. E enriquecem as línguas, tantas vezes! Assim, tentar manter uma língua espartilhada numa escolástica sintáctica 
perene, é impossível!

A evolução é saudável! Claro que me refiro ao uso da Língua Portuguesa com muita dignidade, até respeito, e orgulho, valorizando-a em tudo o que ela tem de mais belo, já que na sua génese se encontram as línguas clássicas: Grego e Latim."


G-S (03.03.2008)




José Saramago
créditos : RTP

Conheço-o bem pelos seus livros. Li, em grande número. Por profissão, e por gosto. 

Os que mais gostei ? Memorial do Convento (lido e tantas vezes analisado em contexto literário, pedagógico), O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, A Caverna, entre vários outros.




O Evangelho Segundo Jesus Cristo
José Saramago,1991

"É um romance, nada mais. Um romance que se atreve muito, um livro honesto, um livro limpo, que vai com certeza confundir muita gente, que vai indignar também não pouca gente"

José Saramago

Sempre consegui separar o homem do escritor. Mais importante do que quem cria, é a própria criação! Gosto de o ler! Tem um sabor diferente, a sua escrita! Aprecio a liberdade. Sem sintaxes ataviadas, uso das palavras com inovação, e junção a seu belo prazer, dignificando sempre a língua, num modo imaginativo, articulado com esse discurso ficcional muito próprio. 





A última obra que li, até ao momento da sua morte, foi Caim! Mais um livro do autor a provocar tanto desconcerto entre leitores e críticos. E devo dizer que não me chocou. Nem tive receio das palavras e ideias nele contidas. Um livro que se lê com apreço. Uma introspecção crítica.

Não gosto muito de Pilar, sua mulher. Não sei explicar a razão, mas são daquelas coisas de instinto. Pareceu, no entanto vista à distância, sempre dedicada. 

Escreveu Pilar, sua mulher, no blog da Fundação Saramago, quando anunciou o novo livro do escritor:

"Este livro agarra-nos, digo-o porque o li, sacode-nos, faz-nos pensar: aposto que quando o terminardes, quando fizerdes o gesto de o fechar sobre os joelhos, olhareis o infinito, ou cada qual o seu próprio interior, soltareis um uff que vos sairá da alma, e então uma boa reflexão pessoal começará, a que mais tarde se seguirão conversas, discussões, posicionamentos", escreve ainda a presidente da Fundação Saramago no texto."

Quase a concluir, Pilar del Río classifica o romance de José Saramago, 86 anos, como "literatura em estado puro".


Pilar del Rio


Caim
José Saramago, 2009


Reconheço que assim foi! Li o curto romance de uma vez, mas bem devagar! Paradoxo? Talvez não! Impossível não reagir, questionar, meditar! Olhei várias vezes esse infinito, numa introspecção bem silenciosa. Tal como quando li O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

Transcrevo a curta frase que resume a obra: “A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele”. 

Saramago, Caim, 
Caminho, Outubro 2009, 1ª edição, pág. 91

Suponho, pela leitura que fiz, que Deus - deus como Saramago preferia escrever - não lhe era assim tão indiferente!

"Estavam no quarto. Fernando Pessoa sentado aos pés da cama, Ricardo Reis numa cadeira. Anoitecera por completo. Meia hora passou assim, ouviram-se as pancadas de um relógio no andar de cima, É estranho, pensou Ricardo Reis, não me lembrava deste relógio, ou esqueci-me dele depois de o ter ouvido pela primeira vez. Fernando Pessoa tinha as mãos sobre os joelhos, os dedos entrelaçados, estava de cabeça baixa. Sem se mexer, disse, Vim cá para lhe dizer que não tornaremos a ver-nos, Porquê, O meu tempo chegou ao fim, (...)

José Saramago,
 O Ano da Morte de Ricardo Reis, 
Caminho, 1984, 1ª edição

Este excerto poderia bem pertencer a... ano da morte de José Saramago. 

Quase diria que o diálogo se passaria entre Saramago e Borges, autor que muito admirava.







E hoje, 16 Novembro 2021, iniciaram-se as celebrações do Centenário José Saramago, ano em que o escritor faria 99 anos. Pos esse motivo o Centenário terá duração de um ano, até 26 Novembro 2022, ano do seu nascimento.




Um Programa vastíssimo que seguiram atentamente. Desde a literatura, à música, teatro, dança, cinema, e outras, tudo celebroua efeméride, com apoio da Fundação José Saramago. Não esquecendo a vertente pedagógica dirigida às escolas: Ensino Básico e Ensino Secundário com as Leituras Centenárias.




As pequenas memórias
José Saramago


Termina hoje o Ano José Saramago com um Programa especial que engloba as Leituras Saramaguianas (escolas secundárias, Portugal e Espanha), a leitura integral de As Pequenas Memórias, no Auditório da FJS.

"O meu objetivo foi sempre recuperar, reconstruir, reconstituir a criança que eu fui. Essencialmente, ao que me parece, as adolescências assemelham-se todas. Só as infâncias são únicas."

José Saramago

Na delegação de Azinhaga, terra natal do autor, será plantada a centésima árvore do projecto 100 oliveiras para Saramago. 


 



Teatro Nacional São Carlos


A festa termina à noite no Teatro São Carlos com a apresentação da ópera Blimunda, de Azio Corghi, numa nova produção baseada no Memorial do Convento, realizada para festejar o Centenário de Saramago.


[Não escrevo] por amor, mas por desassossego. Escrevo porque não gosto do mundo em que vivo. [“Saramago: ‘Yo no escribo por amor, sino por desasosiego”, El Día, Tenerife, 15 de janeiro de 2003. Notícia de la Agencia EFE]

José Saramago

G-S

Fragmentos Culturais

18.06.2010

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Jorge de Sena... um tributo adiado!





Washington
Jacquelyn Martin/AFP 2008
http://news.yahoo.com/photos



Jorge de Sena | RTP2 (1972)

De todas estas palavras não ficará, bem sei,
um eco para depois da minha morte
que as disse vagarosamente pela minha boca.
Tudo quanto sonhei, quanto pensei, sofri,
ou nem sonhei ou nem pensei
ou apenas sofri de não ter sofrido tanto
como aterradamente esperara -
nenhum eco haverá de outras canções
não ditas, guardadas nos corações
alheios, ecoando abscônditas ao sopro do poeta.(...)

Jorge de Sena

O poeta e ensaísta Jorge de Sena, falecido há 30 anos, foi homenageado quinta-feira, dia 10 de Julho 2008 no Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa, numa sessão patrocinada pela Fundação José Saramago, destinada a "reavivar a memória e a obra de um grande autor quase esquecido"






Jorge de Sena
Um regresso
Fundação José Saramago

Jorge de Sena, morreu em Junho de 1978 com 68 anos. Viveu a maior parte da sua vida fora de Portugal, nomeadamente no Brasil, e nos Estados Unidos, onde e morreu. Aí foi professor universitário.

É considerado uma das principais figuras da cultura portuguesa do século XX e um dos seus maiores poetas.



"Jorge de Sena não teve o reconhecimento que merecia e hoje em dia os seus livros são difíceis de encontrar nas livrarias", disse à Lusa um responsável da Fundação José Saramago, a entidade que promoveu a homenagem, com o apoio do Ministério da Cultura e da Biblioteca Nacional. 

Além do Nobel português da Literatura, José Saramago, intervieram na sessão Eduardo Lourenço, António Mega Ferreira, Vítor Aguiar e Silva, e o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro. 

O programa incluiu ainda um recital de piano de António Rosado e a leitura de um depoimento da viúva de Jorge de Sena, Mécia de Sena.





Mécia de Sena
créditos: fotografia Fernando Lemos

"Eu conheci o Sena, sem qualquer espécie de intimidade a não ser aquela que resultou de quando ele se foi embora de Portugal porque fazia traduções para a Editorial Estúdios Cor (onde José Saramago trabalhava)." Posteriormente, "ele veio a Lisboa uma vez ou duas, uma por ocasião de um congresso de escritores em que casualmente ficámos sentados um ao lado do outro e conversámos. Depois de 1974, os contactos romperam-se porque não publicámos nada mais dele".

José Saramago


Fundação José Saramago

Quanto ao evento dessa noite, Saramago afirmou não acredita que fosse "uma espécie de passe de mágica que vá transformar essa situação (de alguma indiferença) numa completamente diferente, com Portugal inteiro correndo às livrarias à procura dos livros do Jorge de Sena - coisa que estaria muito bem se o fizesse -, mas não sejamos ingénuos".

José Saramago



Jorge de Sena
Caricatura Rui Knopfli


Jorge de Sena sempre se sentiu injustiçado em vida, e até mesmo depois da sua morte foram raros os momentos em que lhe foi feita justiça enquanto homem e enquanto cidadão. Tendo sido um dos mais ecléticos autores portugueses do século XX, a sua obra estende-se desde a poesia à prosa, ao drama, ao ensaio, à investigação, à história da cultura, tendo exercido a profissão de engenheiro mas também de professor.

João Carlos Costa


(...)
Tão longe, meu amor, tão longe,
quem de tão longe alguma vez regressa?!

E quem, ó minha imagem, foi contigo?

(De mim a ti, a mim,
quem de tão longe alguma vez regressa?)

Jorge de Sena
, Quinze Poetas Portugueses do séc. XX, 

Assírio & Alvim, 2004


G-S


Fragmentos Culturais em tributo a um dos escritores portugueses que mais admiro!

14.07.2008

(adaptação de post publicado sob pseudónimo em 10.07.2008)

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domingo, 2 de março de 2008

Borges por Saramago : dois grandes da literatura contemporânea !





José Saramago
 caricatura F. Santos
via netcabo (desactivado)


Autoritárias, paralisadoras, circulares, às vezes elípticas, as frases de efeito, também jocosamente denominadas pedacinhos de ouro, são uma praga maligna, das piores que tem assolado o mundo. Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais dificultosa operação humanas, (...)


José Saramago
, A Caverna, 
Caminho, 2000, 2ª edição


Sei que José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998, não tem por cá, grandes simpatias! Conheço-o apenas pelas suas obras! E a ideia que tenho da sua personalidade vem das entrevistas e das palavras que vou ouvindo nos meios de comunicação social.


No entanto, não posso de modo nenhum tirar-lhe o valor pela iniciação de uma nova literatura em Portugal, e de um novo código de escrita.


Tenho para mim que só a partir dele, outros grandes nomes se aventuraram numa nova perspectiva de olhar a escrita literária. Portanto, não posso retirar-lhe esse mérito inovador!


A escrita tal como a palavra oral sofrem a evolução natural, e mantê-las dentro de uma escolástica perene, é impensável.


A evolução é saudável.
Claro que me refiro ao uso da Língua Portuguesa com dignidade, respeito, orgulho, valorizando-a em tudo o que ela tem de mais belo, já que na sua génese se encontram as línguas clássicas.


Devo, desde já afirmar que sou contra o Acordo Ortográfico! Mas nem aqui me vou debruçar sobre opiniões pessoais desse cariz.






Conversa sobre Borges


Serviu este texto para divulgar que Saramago promoveu e participou na Conferência sobre Jorge Luís Borges "Falando sobre Borges" que teve lugar na sua casa em Lanzarote, e que contou com a presença de Maria Kodama, viúva do grande escritor argentino.





Jorge Luis Borges [
crédito retrato: Greta Stern
https://literatureart.files.wordpress.com/ (desactivado)


"A conferência marca o início de um ciclo de encontros na Biblioteca da Fundação José Saramago, em Lanzarote, que se converterá num espaço público para «debater ideias» sobre temas como literatura, arte, política e temas da actualidade."

Lusa/Sol




Jorge Luis Borges | A LIFE
Edwin Williamson 
 Penguin Books
https://www.amazon.com/

Jorge Luís Borges é um dos maiores escritores do século XX. No entanto não foi nunca premiado com o Nobel da Literatura. Merecido, mas infelizmente não galardoado.

Praticou um género curto que revela ensinamentos filosóficos.   








(...) com humor agridoce e o coração apertado, Borges recebeu em cada Outubro dos seus últimos vinte anos a notícia de que não tinha merecido o Prémio Nobel. Adoptou uma expressão de quem sabe perder. Muitos indignaram-se. Discriminação extraliterária contra o maior escritor vivo! Em contrapartida, o visado manteve a imagem imutável do homem sozinho na sua biblioteca, do cego que como Homero não escreve para as academias ou para os prémios, mas que dita e filtra as palavras para a memória do tempo e o ouvido interno, que não admite falsas notas.(...) 

Jorge Luís Borges


Saramago confessa que sofreu grande influência de Borges, o que se repercute nomeadamente no seu livro "O Ano da Morte de Ricardo Reis".






O Ano da Morte de Ricardo Reis
José Saramago, 1ª edição, 1984
Editora Círculo de Leitores (encerrada)
créditos: Fundação Saramago


"Estavam no quarto. Fernando Pessoa sentado aos pés da cama, Ricardo Reis numa cadeira. Anoitecera por completo. Meia hora passou assim, ouviram-se as pancadas de um relógio no andar de cima, É estranho, pensou Ricardo Reis, não me lembrava deste relógio, ou esqueci-me dele depois de o ter ouvido pela primeira vez. Fernando Pessoa tinha as mãos sobre os joelhos, os dedos entrelaçados, estava de cabeça baixa. Sem se mexer, disse, Vim cá para lhe dizer que não tornaremos a ver-nos, Porquê, O meu tempo chegou ao fim,"(...)


José Saramago,
O Ano da Morte de Ricardo Reis,
Caminho


Este foi um dos livros que mais gostei de ler. mas não só. Também Do mesmo modo, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Memorial do Convento e alguns mais.






Memorial do Convento
José Saramago
edições Caminho 1994


"Era uma vez um Rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.!

Memorial do Convento, 22ª ed.,
Lisboa, Editorial Caminho, 1994


Recentemente recuperado de uma pneumonia, José Saramago já retomou a escrita do seu próximo romance que. segundo explicou o próprio á Lusa, na terça-feira se intitulará A viagem do Elefante.






A Viagem do Elefante
José Saramago



A obra está bastante avançada, será terminada em Lisboa até Junho e lançada no Outono, confirmou Saramago.


"Voltei a escrever, já tenho 70 ou 80 páginas. Tive que interromper a escrita pelo período da minha convalescença e doença" - explicou  o escritor, numa entrevista à Agência Lusa.





O Ano da Morte de Ricardo Reis
JoãoBotelho, 2020



Mais tarde, O Ano da Morte de Ricardo Reis foi adaptado ao cinema por João Botelho, 2020.







G-S


Fragmentos Culturais

03.03.2008
actualizado 19.07.2025

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