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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Outubro Rosa !




Sentimental
créditos: Sabine Pieper

Em todo o mundo decorrem acções de apoio a tão nobre causa! Pessoas, marcas, cidades juntam-se fazendo deste mês, Outubro Rosa.

O mês da luta contra o cancro da mama é uma campanha internacional anual, organizada pelas maiores associações de luta contra o cancro da mama que visa aumentar a informação e consciência da doença, angariar fundos para pesquisa, prevenção e cura. 

Esta campanha oferece também informação e apoio para todos os afectados pelo cancro da mama. Mulheres e homens.

Em Portugal, o Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama, dia 30 de Outubro, foi criado na sequência de uma Petição subscrita e entregue na Assembleia da República.

Em todo o mundo decorrem neste mês acções para apoiar tão nobre causa! Pessoas, marcas, cidades juntam-se fazendo Rosa este Outubro.

Outubro Rosa é, para mim, uma prece murmurada a uma mulher que me é muito querida. Eternamente.




créditos Ester Lauder Campaign


O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma (...)


Sophia de Mello Breyner, O mar dos meus olhos
in Obra Poética


G-S

Fragmentos Culturais Outubro Rosa

19.10.2018
Copyright © 2018-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 

sábado, 19 de abril de 2014

Páscoa, da simplicidade





foto via Family holiday.net

Ando por aqui rondando, há alguns dias, tentando inspiração para escrever sobre a Páscoa. A semana de aromas de primavera incitava-me a escrever algo de luminoso, já que um ligeiro problema de saúde me retirara muita energia boa. Mas a inspiração não vem quando queremos.

Bastava uma mensagem curta, sem muitas palavras. Por vezes, a ausência de palavras instala-se. 

A Primavera desponta, apesar de alguns dias instáveis. Mais luz, natureza tímida, paisagens que se transmutam lentamente, passo apressado das pessoas. Lugares vazios.

Os afectos sublimam-se, diante da fragilidade humana, e desdobramos intimos anseios de uma Páscoa serena, fraterna na dor que aperta o coração de tantas pessoas.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil 
Que nenhum deus se lembre do teu nome 
Que nem o vento passe onde tu passas. 

Para ti eu criarei um dia puro 
Livre como o vento e repetido 
Como o florir das ondas ordenadas. 

Sophia de Mello Breyner

G-S
Fragmentos Culturais
(em jeito de meditação de Páscoa sem muita inspiração)
19.04. 2014
Copyright © 2014-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"Sophia : Uma Vida de Poeta" : Espólio doado à Bibilioteca Nacional de Portugal







Sophia Mello Breyner
créditos: Eduardo Gageiro
https://img.rtp.pt/

"Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter – nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite.

No gume da perfeição, no imenso halo de luz azul e transparente, no rouco da treva, na quasi palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas, havia algo de pungente, algo de alarme.

Sophia, Como sempre a noite de vento leste misturava extasi e pânico.

(numa folha solta, No fim da folha, à direita, está a indicação: «Porto, 9-V-1934»).



Sophia
créditos: Arquivo Global Imagens

Em Novembro de 2010, o espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen chegou à Biblioteca Nacional de Portugal, doado pelos cinco filhos da poeta. Uma nobre atitude, já que possibilita novas perspectivas de estudo a investigadores portugueses e estrangeiros.





Sophia: uma vida de poeta
BNP

"O espólio de Sophia traz, naturalmente, as marcas da vida, com todos os seus acidentes biográficos. São cadernos e folhas soltas com rascunhos e diferentes versões de vários tipos de textos, esboços de projectos, traduções; são cartas, agendas cheias de notas sobre afazeres do dia-a-dia (números de telefone, receitas de cozinha, contas domésticas), diários de viagem, desenhos, recortes de jornais com depoimentos e entrevistas, fotografias; são impressos que documentam gestos de solidariedade e envolvimento cívico e político."




Capa "A Menina do Mar"
Ilustrações de Sarah Affonso
Lisboa, Edições Ática, 1958 
ilustrações de Sarah Affonso

Há também outras surpreendentes descobertas. Segundo a informação da BN , "no fundo de um  pequeno móvel, meio abandonado estavam, escondidos e alinhados, vários cadernos, os mais antigos cadernos de poemas. Dentro da ideia de que os desperdícios contam histórias, pode-se dizer que esta é uma das partes mais interessantes do espólio."





"Um dia, mortos, gastos, voltaremos",
in caderno com textos datados entre 1933 e 1935 
Publicado em "Dia do Mar"
https://www.bnportugal.gov.pt/

São os primeiros esboços de poemas, tentativas de adolescente que remontam aos seus 12, 13 anos. Por entre esses papéis,  muitos dos poemas em manuscrito, que viriam a ser publicados ao longo da vida.



Sophia
créditos: Botelho


Assinalando a sessão da entrega do Espólio à BNP, no dia 26 de Janeiro de 2011, foi inaugurada a Exposição Sophia de Mello Breyner Andresen - Uma Vida de Poeta, comissariada por Paula Mourão e Teresa Amado que estará patente na BN até 30 de Abril 2011.






Também a Fundação Gulbenkian promoveu um Colóquio Internacional para assinalar esta doação e que, a avaliar pelo programa, a qualidade dos oradores, deverá ser excelente.





Colóquio Letras 176


Também o 176 da revista Colóquio Letras lhe é em grande parte dedicado.







"Minha querida filha, minha rica, chegaram aqui os seus versos, guardei um livro para mim que li e reli. Acho tudo tão lindo, dormi com o livrinho debaixo do meu travesseiro. Fiquei tão emocionada! (…) Não sei que mais hei-de dizer. Custou-me tanto a habituar-me à ideia de ter uma filha Poeta, não esperava nada que isso me acontecesse mas agora já sei como é, já compreendo tudo. (…)"





Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen

(escrevia a mãe de Sophia de Mello Breyner Andresen no dia 2 de Agosto de 1944, numa carta enviada à filha, a propósito da publicação de “Poesia”, o seu primeiro livro.)



Homenagem Google Doodle 103º Aniversário de Sophia Mello Breyner
doodler: Matthew Cruickshank

Neste dia, 06 de Novembro 2022, Google faz uma homenagem a esta grande poeta portuguesa com um Doodle alusivo à temática Mar, tão presente na sua obra


“When I die I will return to seek

The moments I did not live by the sea.”


Poem by Sophia de Mello Breyner which inspired the Doodle artwork


G-S


Fragmentos Culturais

06.02.2011

actualizado 06.10.2022
Copyright © 2022-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


terça-feira, 8 de junho de 2010

Mar em dia de chuva









Oceano Atlântico, Porto | Filipe Navarro



Celebra-se hoje o 'Dia Mundial dos Oceanos'! Ser-me-ia impossível não falar do mar! Esse outro lado de meu ser!


Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.[...]

Sophia Mello Breyner, Mar


Meu lado encantatório tem destes desvarios imagéticos. Fujo, fujo do tempo pluvioso que me agride e percorre, e vou em frente ao mar.


Lá, mais além, na evidência da procura e reencontro de minh'alma, vejo-me em paisagens e fragrâncias que perfumam meu rosto de brisas feitas de puro interior.


Serpenteio meu olhar pela imensidão desse mar, voo por entre cumes cintilantes de montanhas feitas de espuma, percorro cadências e sons elaborados pelo espraiar entristecido das ondas. Ressonância imersa de interioridade.

Sentada em frente ao mar de cinza hoje vestido, deixo a vida poisar em meu humilde corpo e divago, qual peregrina!

Regresso! Um último olhar nostálgico sobre o plúmbeo horizonte. Fecho o portão do meu pensamento prateado no sagrado lugar - o mar! 


(ensaio literário original)


O mar ergue o seu radioso sorrir de estátua arcaica
Toda a luz se azula.
Reconhecemos nossa inata alegria:
A evidência do lugar sagrado.

Sophia Mello Breyner, Mar-Poesia, Promontório, p. 70
Caminho, Lisboa, 3ª edição, 2001


G-S

Fragmentos Culturais

08.06.2010
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