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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Dos livros no Dia Mundial do Livro & Direitos de Autor



Falar de livros é também falar de blogs, como espaços virtuais de escrita, reflexão e leitura.

E no Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, que ontem celebrámos, incluimo-nos todos um pouco, à nossa escala de amadores de livros, e aprendizes na difícil arte da escrita.

É com alguma dificuldade que volto a escrever, depois de tão longa ausência. Não me perguntem as razões que me mativeram afastada. Foram penosas.

O Dia Mundial do Livro não é um dia diferente para os que amam os livros. Afinal, todos os dias festejamos os livros. 

Lendo. Saboreando as palavras, cada página que se solta, os imaginários que nos consolam, as vidas que partilhamos. 

Mas é bom fazer parte destas celebrações, mesmo que com um dia de atraso, e trazer novos autores ao conhecimento dos nossos leitores. Quem sabe.



David Machado
créditos: Hugo Amaral
Gostaria pois de celebrar o escritor David Machado que foi o vencedor português do Prémio da União Europeia para a Literatura.



"The aim of the European Prize for Literature is to put the spotlight on the creativity and diverse wealth of Europe’s contemporary literature in the field of fiction, to promote the circulation of literature within Europe and encourage greater interest in non-national literary works."

A Comissão Europeia lançou o prémio da União Europeia para a Literatura contemporânea. 


E a primeira edição teve lugar no Outono de 2009, Ano Europeu da Criatividade e Inovação.

Desde então, a competição está aberta aos 37 países que estão envolvidos no EU Culture Programme

Cada ano, júris nacionais, em um terço dos países participantes, seleccionam "um jovem romancista que será laureado com o Prémio Europeu de Literatura".


Edições ASA

Em 2009, Dulce Maria Cardoso foi a primeira escritora portuguesa a vencer o prémio, com a obra Os Meus Sentimentos, publicado pela Asa Editores, 2005. 

Em 2012, o escritor português Afonso Cruz foi igualmente distinguido, pelo livro A Boneca de Kokoschka, 2010.



Quetzal

Na edição deste ano, além de David Machado, o European Prize for Literature distinguiu os autores Carolina Schutti (Áustria), Luka Bekavac (Croácia), Gaëlle Josse (França), Edina Szvoren (Hungria), Donal Ryan (Irlanda), Lorenzo Amurri (Itália), Undine Radzeviciute (Lituânia), Ida Hegazi Hoyer (Noruega), Magdalena Parys (Polónia), Svetlana Zuchová (Eslováquia) e Sara Stridsberg (Suécia).

Os nomes dos 12 escritores premiados, entre os quais se encontra o jovem escritor David Machadoforam anunciados na Feira do Livro de Londres, por Tibor Navracsics, Comissário Europeu para a Educação, Cultura, Juventude e Desporto.

E o prémio será entregue no dia 23 Junho 2015, em Bruxelas



Dom Quixote

Mas falemos do livro que deu a este autor o merecimento do galardão.

"Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil – e a felicidade também. De repente, tudo se complicou. Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego..."

A história de Daniel, cujos planos para o futuro se vêem abalados (mas não destruídos) pela crise e o desemprego, foi publicada em 2014 pela Dom Quixote.

"Índice Médio de Felicidade é um romance admirável e extremamente actual sobre um optimista que luta até ao fim pela sua vida e pela felicidade daqueles que ama. Dramático e realista, mas com momentos hilariantes, confirma o talento de David Machado como um dos melhores ficcionistas da sua geração."

Um livro que comecei a ler, mas sem fundamentos, ainda, para expressar opinião que deverá passar para além do tema, bem real. A escrita é um aspecto que me prende, ou não, à leitura que faço.

De qualquer modo, a merecida homenagem aos novos escritores portugueses. Fazem parte de uma geração que luta com afinco e optimismo para fazer deste país, um país melhor. No dia seguinte ao Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

"Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão…"

Saint-Exupéry 

G-S

Fragmentos Culturais
24.04.2015
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor






crédits: Gabriel Pacheco
via Sapo fotos


Dia Mundial do Livro! Celebro-o em cada dia que passa, em muitos momentos, adentrando-me pela noite, esquecendo, tantas vezes, as horas que devo ao descanso.

Desde sempre, um ou dois livros me acompanham por onde ando. E, por cada instante de pausa, pego num deles e leio, embrenhada nos instantes do meu imenso prazer. Ler! Saber ler! Fruir desse privilégio! Ler. 






O Leitor
Bernhard Schlink




The Reader 
Stephen Daldry, 2008

Quem viu o filme, O Leitor/The Reader ou leu o livro com o mesmo título, compreenderá que assinalar o Dia Mundial do Livro para quem não sabe ler, é quase um pecado.

Assim, decidi deixar um excerto que transmite muito do que penso sobre o direito fundamental - O Direito de Saber Ler - que não é concedido a milhões de pessoas no mundo, sendo a maioria mulheres e jovens raparigas, impedidas de frequentar a escola.


O excerto é de O Leitor, do escritor alemão 
Bernhard Schlink. Um livro que conta a história de uma mulher a quem não foi dado o direito de aprender a ler. Mas que tinha o fascínio de ouvir ler.


O livro foi adaptado ao cinema. Escrevi sobre o filme no post O Leitor : o filme, o livro (2009).






O Leitor
Bernhard Schlink
Edições Asa,1998
https://www.fnac.pt/


"A Hanna não sabia ler nem escrever.


Por essa razão, para evitar o confronto com os peritos em grafologia, confessara ter escrito o relatório. Seria também por essa razão que ela falara de mais durante o processo? Por que não tinha podido ler o livro da filha, nem o texto de acusação e, portanto, ignorava as suas hipóteses de defesa e não pudera preparar-se convenientemente?
(...)


Por essa razão? Eu podia compreender que se envergonhasse de não saber ler nem escrever, e que preferisse comportar-se comigo de uma maneira inexplicável em vez de se revelar. 


Mas seria possível que a vergonha de não saber ler nem escrever explicasse também o comportamento da Hanna durante o julgamento e no campo de concentração? Que preferisse ser acusada de um crime a passar por analfabeta? Que cometesse um crime por ter medo de se mostrar analfabeta?"

Bernhard Schlink, O Leitor, (excerto)

Edições Asa, 1ª edição, 1998

Entendem melhor, espero, por que escrevi mais acima que festejar o Dia Mundial do Livro é um constrangimento para quem não sabe ler.


Mas a causa da celebração deste dia dedicado aos livros é muito meritória. UNESCO promove a leitura e tenta com isso alertar para a iliteracia , de modo a que governos, entidades,e comunidades lutem contra este flagelo no século XX.


Este ano, a UNESCO decidiu enfatizar a necessidade de lutar contra a pirataria dos livros, preservando
 a criatividade dos autores. Também este, um direito inalianável.
Seria infindável a pincelada de letras! São tantos os livros que gostaria de aqui deixar esboçados! É que os livros são, a par da música, o meu respirar, o salto para o sonho e dele, para o univers- Sons mudos que aspergem fragmentos de acalmia ou de desassossego na interioridade dos tempos.

Tornar-se-ia fastidioso para quem lesse. É que o imenso afecto pelos livros vem-me da infância! E são tantos os livros lidos.

"Ler é trazer a si, mas não cenas e imaginação. Trazer o real de outra vida que nos chame humanos.

Maria Gabriela LlansolRestante Vida, 1978


G-S


Fragmentos Culturais

23.04.2010
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