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quinta-feira, 23 de março de 2023

Os Oscars em Retrospectiva ! Onde ficou Hollywood ?





95ª Cerimónia dos Oscars 2023 ou Academy Awards 2023 teve lugar na noite de 12 Março. Foi apresentada por Jimmy Kimmel, bem conhecido de anteriores edições. Voltámos ao Dolby Theater, Los AngelesCalifornia. Numa tentativa de trazer de volta o glamour de Hollywood.

Depois de alguns anos de grave crise de identidade, esperávamos, depois de ver a lista de Nomeações, que os Oscars quereriam recuperar o brilho e encanto de outros tempos. 



Jimmy Kimmel
credits: REUTERS/Carlos Barria

"We know this is a special night for you," (...) "We want you to have fun, we want you to feel safe, and, most important, we want me to feel safe."

Jimmy Kimmel, via REUTERS

Jimmy Kimmel voltou então como apresentador, embora Chris Rick nada tivesse a ver com o desaire 2022.

Tratando-se da cerimónia dos Oscars, e para quem gosta muito de cinema, como eu, tem-se sempre uma certa curiosidade em ver uma brilhante festa do cinema. Ou pelo menos, rever grandes actores e realizadores que nos levaram a momentos de magia inesquecíveis. E os grandes compositores de bandas sonoras. Não vimos! Tirando raras excepções.




Lista de Nomeados 2023
créditos: AP

A lista de fimes nomeados era uma excelente promessa, depois de quase três anos de crise cinematográfica. Não sou fã de cinema streaming, embora reconheça que salvou Hollywood nos últimos anos.




Top Gun Maverick
Tom Cruise

O grande incentivador de milhares de espectadores voltarem às salas de cinema foi, sem dúvida, Tom Cruise em Top Gun Maverick! Parabenizado e reconhecido por Steven Spielberg por 'salvar' Hollywood. Verdade!

Mas voltemos à cerimónia dessa noite... e o desencanto começou! Top Gun-Maverick, apresentado no Festival de Cinema de Cannes, posicionou-se logo como um dos filmes favoritos 2023. 

Teve duas nomeações e dois prémios nos Golden Globes 2023. Melhor Filme, Melhor Canção. 

Nomeações Oscars 2023? Muitas entre as quais Melhor Filme, Saiu com um prémio de consolação em Melhor Som





Avatar the Way of Water
James Cameron, 2022

Tal como James Cameron, Avatar The Way of Water com Melhores Efeitos Visuais

E o mágico The Fabelmans de Steven Spielberg? Esquecido. Os três filmes estavam nomeados para Melhores Filmes, entre várias outras nomeações.




The Fabelmans
Steven Spielberg, 2022

Bom, resumindo, mais um ano de decepção. Filmes nomeados que vi? The Fabelmans, Top Gun Maverick e The Banshees of Hinisherin

The Fabelmans, em tom biográfico de Steven Spielberg contado com e encanto e a candura que lhe é conhecida. Spielberg inventou estes 'Fabelmans' para falar de si próprio, da sua infância, da vida dos pais e, não menos importante, do papel do cinema que lhe vem desde criança. 




Michelle Williams & Gabriel LaBelle
The Fabelmans
credits:  © WWentertainment

"O filme ora parece querer conquistar, pelo desvio do nome, uma cautelosa distância, face à autobiografia, ora não hesita em reproduzi-la nos mais ínfimos detalhes." 

Michelle Williams, no papel de mãe de Sammy (Steven) merecia levar para casa o Oscar de Melhor Actriz.




Gostei imenso de Top Gun-Maverich. Trouxe frescura aos nossos dias pós-pandemia. Amei The Fabelmans. Deu-nos, de novo, a magia do cinema. Foi para isso que ele foi criado. Adoro Spielberg! Só ele para nos fazer esquecer o que se passa fora da sala de cinema. 

Detestei Os Espíritos de Hinisherin. Sacrilégio, talvez. Os males da insularidade, sobretudo numa Irlanda, fria e inóspita. A vida já nos persegue todos os dias através dos media que apresentam toda a violência, da guerra, dos crimes familiares, ou entre amigos. Vamos ao cinema para deixar tudo isso cá fora. Acabei por abandonar a sala. 

Admiro bastante os dois actores Colin Farell (um dos meus actores favoritos), Brendan Gleeson. Uma promessa? Barry Keoghan. Enredo? Um pesadelo! Para isso, não vamos ao cinema.

Como se não bastasse termos tão presentes todos os medos, as angústias de um mundo em colisão, abrindo crateras debaixo de nossos pés a todo o instante.



Sarah PolleyBrendan Fraser, Everything Everywhere All at Once

crew & actors

credits: CBS

Eis alguns dos vencedores da noite! Palmas para Jamie Lee Curtis, como Melhor Actriz Secundária. Excelente intérprete de um variado leque de personagens ao longo da sua carreira. Discurso muito emocionado. 






Women Talking
Miriam Toews


"It is an extraordinary plot made even more remarkable by the fact it is based on a true story."

Harper's Bazaar

E Sarah Polley, canadiana, única realizadora nomeada, suponho, com Women Talking Oscar Melhor Realizadora Drama. Filme baseado em factos reais horrendos, contados no livro de Miriam Toews com o mesmo título.





All the Oscars winners on stage

Oscars 2023? Everything Everywhere All at Once, Melhor Filme, Michelle Yeoh, Melhor Actriz Principal, entre muitos outros galardoados. Foi o filme que saiu com mais Oscars. Se penso ver? Não me seduz.




All Quiet On The Western Front
Edward Berger, 2022

All Quiet On The Western Front, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é mais um filme de guerra passado, desta vez, na I Guerra Mundial. Intenso certamente. 

Tenho visto muitos e bons filmes baseados nas duas guerras mundiais. Não teria muito interesse em ver este, para mais falado em alemão, não fora ser baseado num livro que li em adolescente e que gostei imenso. A Oeste Nada de Novo, um clássico de grande intensidade humana do grande escritor alemão Erich Maria Remarque. 
 




A Oeste Nada de Novo
Erich Maria Remarque
Publicações Europa-América, 1954
via Leitura 

Teria muita curiosidade em ver esta nova adaptação ao cinema. Suponho que só passa na NetFlix. Streaming não me diz muito. Gosto de séries, mas filmes para mim, só em sala de cinema.

Poderia falar então de bandas sonoras, já que o Oscar foi, este ano, para Volker Bertelmann, compositor e pianista, com a banda sonora de A Oeste Nada de Novo.

John Williams, 91 anos, sempre activoum dos maiores compositores de bandas sonoras, nomeado com The Falbelmans, mereceria o Oscar de Carreira.

Lembram o meu desencanto repetido que vos depresente na cerimónia, mereceria o 'Oscar de Carreira', já que sua encontra emmonstrei do pouco da cerimónia Oscars 2021. Depois nos Oscars 2022! E agora Oscars 2023?! 

Será que Hollywood morreu? Está agonizando.





Um momento tocante! Com uma introdução emocionada de John Travolta, a propósito do desaparecimento recente de sua grande amiga, Olivia Newton-John.





John Travolta gets emotional at the 95th Academy Awards. The actor made a special appearance to introduce the In Memoriam segment, which featured a performance from Lenny Kravitz.

John's introduction paid special tribute to his 'Grease' co-star, Olivia Newton-John, who died last August after battling cancer. John couldn't hold back his tears as he said, 'They've touched our hearts, they made us smile and became dear friends who we will always remain hopelessly devoted to.' Olivia, of course, sang 'Hopelessly Devoted to You' in their 1978 musical film.

YouTube


"Todas as vezes que vou ao cinema, é mágico, e não interessa que filme é que é."

Steven Spielberg


É interessante saber que quem se interessa mais por estas coisas de cinema, actualmente, são os mais jovens! Qe bom! Para que a magia não morra. 


G-S 

Fragmentos Culturais 

23.03.2023

Copyright © 2023-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


domingo, 5 de novembro de 2017

Volto ao cinema : Três filmes baseados em factos verídicos !





Victoria & Abdul
Judi Dench & Ali Fazal
Stephen Frears, 2017

"God save Judi Dench, protector of tat, defender of bad films and the imperious queen of Stephen Frears’ suspect British costume drama, which screens out of competition at the Venice film festival."

Xan Brooks

É assim que Xan Brooks no The Guardian abre a sua crítica sobre o filme Victoria & Abdul. E não posso estar mais de acordo. Voltarei a este filme mais abaixo.

Bom, de volta ao cinema. Depois de tempos difíceis, procuro, não raras vezes, filmes mais leves ou comédias com interesse real.

Mas, busco, também, filmes baseados em livros ou factos ou pessoas reais. E é este género cinematográfico, denominado biopic (filme biográfico), que me tem levado ao cinema neste último mês.

Sempre que posso, lá estou. Perdida em mim, desfazendo-me do quotidiano, em frente a um grande ecrã. 

O cinema transmite-me bem estar, intimidade, tranquilidade (sempre que é possível - há alguns espectadores que puxam do smartphone, mesmo no cinema? - mas regra geral, na sessão horária que mais frequento, não são muitos.




Stronger
David Gordon Green, 2017

Começo então com o filme que vi ontem, sábado. Stronger, A Força de Viver (tradução em português).

Stronger é um drama biográfico inspirado da vida real de Jeff Bauman, um homem comum que captou os corações de sua cidade e do mundo ao tornar-se um símbolo de esperança, ao sobreviver ao atentado durante a Maratona de Boston em 2013.

O filme acompanha Bauman que perde as pernas quando assistia à Boston Marathon para apoiar a sua namorada, a maratonista Erin Hurley (Tatiana Maslany). Bauman tenta adaptar-se à sua nova vida, muma luta diária de sobrevivência emocional e física.






Jeff Bauman & Jake Gyllenhaal
Toronto Film Festival 2017
credits: REUTERS/Fred Thornhill

Stronger foi exibido em Septembro último no Toronto International Film Festival 2017. Tem recebido críticas bastante positivas elogiando a seriedade com que o filme foi realizado. 

A interpretação de Gyllenhaal no papel de Jeff Bauman é intensa e bem proporcionada ao drama da vida real que interpreta. Bauman e a mulher Erin Hurley aparecem no final do filme, um pouco ao estilo make-over.



Jeff Bauman & Jake Gyllenhaal
credits: Getty Images
“We have a lot of similarities,” but “the friendship came from asking the hard questions. And we continue to do that together.”
Jake Gyllenhaal

Jake Gyllenhaal é filho do realizador Stephen Gyllenhaal. Lembro da sua interpretação num filme baseado numa saga de vídeojogos, Prince of Persia. Mais tardevi-o no drama Brokeback Mountain que foi galardoado com três Oscars.

Aqui, Jake Gyllenhaal interpreta Bauman. O actor que é conotado com alguma excentricidade segundo alguns críticos, neste filme, entrega-se à interpretação empenhada de um homem muito jovem em fase de busca de maturidade e que é apanhado pela vida de uma forma brutal. E penso que consegue passar esse dramatismo no ecrã, quando estabelece um paralelo do esforço único de voltar a andar.




Victoria & Abdul
Stephen Fryers, 2017

Baseado numa história verídica, Victória & Abdul, Victoria e Abdul, de Stephen Frears, (um dos meus favoritos, e de quem já sentia falta), retrata uma amizade improvável durante os últimos anos do extraordinário reinado da Rainha Victória (Judi Dench)

Quando Abdul Karim (Ali Fazal), um jovem súbdito indiano, viaja da Índia para Londres com a missão de entregar um presente à rainha, durante Jubileu de Ouro da Rainha, em 1887 - celebração de 50 anos de domínio sobre o Império Britânico - é surpreendido ao cair nas boas graças da Rainha. 







Enquanto a Rainha começa a questionar as constrições do seu já longo cargo, cria-se uma aliança inesperada entre os dois, sendo a lealdade que têm um para com o outro ameaçada tanto pela família como pelo círculo restrito da Rainha. 

The emotion between Victoria and Abdul is “why the story is so utterly intriguing,” (...) “It’s not just a feeling of love, but of the delight of being able to be relaxed with somebody without anybody around.”

Judi Dench

Judi Dench, uma excelente actriz que preenche todas as personagens que interpreta com muita qualidade, já havia trabalhado com Frears. Aqui, novamente, desenvolve uma interpretação muito próxma da dramaturgia. 

É um filme baseado em factos históricos, contados seguindo uma visão britânica do tempo do colonialismo.

Falta talvez o impulso visual a que Frears nos habituou. Como afirmava Wim Wnders de passagem por Lisboa, para receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, os anos passam, e a idade vai alterando o modo como olhamos para as coisas.

Eu gostei imenso. Filme lindíssimo, argumento sólido, espaços de grande beleza cénica, fotografia de muita qualidade.





Elis
Hugo Prata, 2016

"'Elis, o filme, está imbuído da alma da cantora e do país que ela amava."

Globo Filmes

Cinebiografia da cantora Elis Regina, Elis é uma apresentação, em estilo muito pessoal e quase intimista, da vida de uma das maiores cantoras do Brasil.

A vida de Elis Regina - indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos - pelo menos para mim - é contada num ritmo energético e pulsante, bem ao jeito de Elis, a "pimentinha" ardente. Viveu freneticamente. Vida turbulenta. Vida curta.

Elis sinalizou a mudança de estilos de Bossa Nova para MPB. Elis Regina Rapidamente foi reconhecida como a maior voz do Brasil, no seu país e além fronteiras. Uma carreira intercalada de momentos tempestuosos e momentos áureos.

A cantora é interpretada pela actriz Andréia Horta que faz uma colagem brilhante a Elis.






É um filme de saudade. Ouvir a voz de Elis Regina nos seus maiores êxitos na figuração dos seus concertos ao vivo foi um momento de afectos que colamos, muitas vezes, às suas canções. Fascinação continua a ser o meu afecto maior.

O filme salta das tonalidades quase penúmbricas para outras cheias de cor que transmitem os instantes de uma vida agitada de enorme talento.

Para quem admira a voz de Elis e continua a ouvir a sua música. 

G-S

Fragmentos Culturais

05.11.2017
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