Tuesday, March 10, 2009

O Leitor : o filme, o livro







The Reader |Stephen Daldry
http://www.imdb.com/


"The Reader is not a story about redemption or forgiveness. It is about how my generation of Germans came to terms with what the generation before us had done. If you love someone who is guilty, do you become entangled in their guilty? And Can we choose who we love?"

Bernhard Schlink

Ultimamente, tenho falado muito de cinema! É um dos meus passatempos favoritos. Talvez busque na tela, a fuga de momentos,  e afazeres que me provocam instabilidade. Uma sala de cinema é um local tranquilo, regra geral.





The Reader |Stephen Daldry

Depois de O Estranho Caso de Benjamin Button, Milk, fui ver O Leitor

Atraía-me descobrir como fora adaptada a obra literária. Não sendo um livro espesso no formato, é um livro de temática profunda. Um livro que se lê com interesse, quase de um fôlego, e uma temática que me fascina! Os livros. A leitura. E a História recente da II Guerra Mundial, como apoio histórico.

O realizador Stephen 
Daldry e os dois actores principais foram os restantes elementos convincentes. Motivos bastantes!




Michael & Hanna
 Kate Winslet & David Kross 
The Reader |Stephen Daldry, 2008

Reconheço que O Leitor me seduziu inteiramente! Pela interpretação, pela história, pelos livros, pela música.


Quando falo de interpretação, não destaco Kate Winslet. Destaco Ralph Fiennes! Gostei da interpretação de Kate Winslet, no papel de Hanna Schmitt. Admito com sinceridade. Mas não a melhor. Foi a melhor.

Também era difícil com Ralph Fiennes a contracenar.




Michael/ Ralph Fiennes
The Reader |Stephen Daldry, 2008

Fiennes prendeu-me desde o início até final!
Seus gestos pausados, um olhar nostálgico, as expressões divagantes, interiorizadas de um ser que se entrega ao seu próprio mundo. 

E depois, aquela profunda dedicação! A mesma que sentimos quando alguém nos 'toca'... deixou-me sensibilizada, perdida em mim !



"O Leitor é uma bela história de amor, numa história de opostos, onde a leitura e os livros servem como um progresso na relação de uma mulher madura e simples e um jovem estudante. O argumento é um constatar de como podemos ver e sermos cegos ao mesmo tempo, como páginas e páginas carregadas de letras e expressões, podem ser brancas para os olhos de muitos. Uma história simples."

Tiago Ramos




Michael & Hanna
 Kate Winslet & David Kross 
 The Reader (movie)
http://www.imdb.com/

Quase me deixei intimidar nos primeiros vinte minutos! O livro não entra desso modo tão intenso! É bastante mais subtil, mais suave. Respirei fundo! E aguardei! O filme tinha que ser mais, já que o livro que lhe servira de argumento é mais, muito mais do que uma relação erótica entre uma mulher madura e um adolescente.


O Leitor
Bernhard Schlink
edições ASA

belos momentos descritivos de um erotismo sensível no livro, é certo! Mas a sequência da prosa é mais pausada, mais afectuosa.


Finalmente, a história apresentou-se! Para lá da história, a narrativa principal, as outras histórias. Como lidar com a vergonha, a culpa, a liberdade, a responsabilidade, o perdão.





Michael & Hanna
 Kate Winslet & David Kross 
 The Reader,2008 (filme)


No filme deparamo-nos com dois momentos bem distintos! No primeiro, assistimos à história do relacionamento sexual, que ultrapassamos, embora a primeira impressão seja forte, se estivermos atentos às personagens Michael e Hanna. E aí reside o encantamento do filme! E do livro.


No segundo, o conceito de culpa, de culpa e de perdão, do Holocausto, embora este não muito bem conseguido. Mas o livro não é uma tese histórica. Já o referi. É um livro leve, de leitura suave. Sem as ortodoxas pretensões literárias. Livro que toca em acontecimentos históricos mas que fala essencialmente de gestos intimistas. Fala de pessoas, de sentimentos, de inibições, de paixões, de mágoas, de expiação.





Um filme que pretende ser reflexivo. E consegue-o, em certa medida, se pertencermos aquele tipo de espectadores que gosta de tirar conclusões. Saímos a pensar.

O Leitor mereceu críticas divididas, mas na sua maioria de  pendor positivo. Cativante.





Todd McCarthy, do Variety, disse que The Reader “foi feito com sensibilidade e é dramaticamente convincente, mas passa a impressão de uma experiência essencialmente cerebral”.

Rex Reed, do New York Observer, descreveu-o como “obra-prima”.

Tom O’Neil, do Los Angeles Times, disse ser um “candidato sério em todas as categorias principais do Oscar”.





Michael | Ralph Fiennes
 The Reader, 2008, (film)
http://www.imdb.com/

Apesar de toda a melancolia, dos múltiplos silêncios, acaba por ser um filme de esperança. E de grande beleza poética, ao destacarmos o infindável gosto pela leitura.

A leitura em voz alta e o poder encantatório nela contido. Na singeleza dos instantes, entre as palavras e os silêncios, na fragilidade da história de cada um. O que lê, o que ouve.


O drama de alguém que não sabe ler, que prefere a condenação a confessar a vergonha de não saber ler.


A ternura do outro, do que lê, preso a esse segredo, passando horas, dias, noites, depois de anos de desencontro, a gravar os livros que outrora lera, para enviar para Hanna, na prisão num gesto de incontido carinho.





The Reader é a terceira longa-metragem do britânico Stephen Daldry.

Os seus filmes anteriores,
Billy Elliot (co-produção Inglaterra/França, 2000) e The Hours (EUA/Inglaterra, 2002), já lhe tinham valido duas nomeações na categoria de 'Melhor Realizador'.


Vi os dois, li o livro e vi depois o filme baseado em As Horas. Dois filmes marcantes, inesquecíveis. 

Ainda hoje, são dois filmes são de referência,  intemporais. "As Horas" é baseado no romance de Michael Cunningham. 


A fotografia do filme é um dos pontos altos, tal como a perturbadora banda sonora. E nisso Daldry e a sua equipa são extremamente competentes.

Não esquecer que foi o último filme produzido por Anthony Minghella e Sidney Pollack, dois enormes vultos do cinema, recentemente desaparecidos.


The Reader
Bernhard Schlink
www.illiterarty.com

"The Reader is not a story about redemption or forgiveness. It is about how my generation of Germans came to terms with what the generation before us had done. If you love someone who is guilty, do you become entangled in their guilty? And Can we choose who we love?"


Bernhard Schlink


G-S

Fragmentos Culturais

11.03.2009
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Licença Creative Commons



6 comments:

Å®t Øf £övë said...

Fui ver o filme, e na minha opinião está muito bem conseguido. Gostei muito.
Bjs.

Fragmentos Culturais said...

Olá Art_

Aprecio, muito, que tenhamos tido os mesmos sentimentos perante o filme/olivro!

Só lamentei que não quisesses entrar aqui numa singela troca de opiniões, perante a minha leitura... e a tua leitura..
.
Teria sido 'gratificante', enriquecedor para ti, para mim. Suponho...

Um beijo em noite calma, prenúncio de primavera.
Sensibilizada!

Sara said...

nossa! uma resenha completa e muito bem feita..
tem uma sala de arte aqui em salvador que está oferecendo 1 ano de cinema gratuito a quem ganhar o concurso de resenhas sobre esse filme.Não se preocupe,não vou te copiar,mas ler várias opniões antes de escrever a minha resenha me enriquece.A estrutura do seu texto,a organização é muito boa.Parabéns!!

DarkViolet said...

Se o cinema fosse minha tela precisava em muitos dias do ano uma pinceladas frescas paar ter o brilhor de recolher as imagens soletradas no cantarolar dos sons:)

Fragmentos Culturais said...

Ainda bem que gostou, Sara!

Trata-se de um olhar muito pessoal sobre um filme, e o livro que lhe deu vida!

Quanto ao concurso em S. Salvador... espero que ganhe! Se gostar tanto de cinema como eu, vai ser-lhe muito útil e agradável!

É verdade! Fazer diferentes leituras enriquece nosso leque de aprendizagens!

Sensibilizada por suas palavras!

Fragmentos Culturais said...

'Se o cinema fosse minha tela...'

Confesso, tal como tu Dark_ que há dias em que ter uma tela, como cinema, para escrever/visualizar nossos possíveis 'cenários e sons, nos traria uma infindável leveza em '...imagens soletradas no cantarolar dos sons' :)

Sensibilizada pelo teu olhar 'poético'!