Sunday, May 1, 2011

Para minha mãe





Para Sempre


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'




G-S

Fragmentos Culturais

01.05.2011

Copyright © 2011-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


22 comments:

pinguim said...

Sabes que estive quase a escolher esse poema para o meu post sobre o Dia da Mãe? Acho-o maravilhoso, mas a opção acabou por ser outra.
A foto é linda.

mfc said...

A minha Mãe vai fazer 87 e está bem rija!
Aqui ainda se festeja a 8 de Dezembro... hábitos antigos!
Um grande beijinho para ti e todas as Mães!

A foto está liiiinda e de acordo com o poema!

Isabel Maria Rosa Furtado Cabral Gomes da Costa said...

Mãe é o sol que nos dá vida e que dá a vida por nós, que nos aquece o coração no meio da tempestade. Mãe é o porto-de-abrigo incondicional. A Mãe é eterna em nós.
Um beijinho.

Daniel Silva (Lobinho) said...

"A chuva, outra vez sobre as oliveiras.
Não sei por que voltou esta tarde
Se minha mãe já se foi embora,
Já não vem à varanda para a ver cair,
Já não levanta os olhos da costura
Para perguntar: Ouves?
Oiço, mãe, é outra vez a chuva,
A chuva sobre o teu rosto."

Eugénio de Andrade

aflores said...

A minha já "partiu", mas não morreu nunca!

Isamar said...

Um dos mais bonitos poemas que conheço dedicado à mãe, esse ser abnegado, compreensivo, carinhoso, protector, educador que nos dá a vida. Eu já não tenho a minha,partiu há 11 anos, mas não há dia que a não recorde , que não sinta falta dos seus saberes, dos seus conselhos,enfim, da sua ajuda.

Espero e desejo que os dias de descanso tenham sido muito bons.

Bem-hajas!

Beijinhos

Petrus Monte Real said...

Mãe: mistério dos mistérios!
A minha só estava bem com o bem dos filhos... e os filhos, em vida dela, nem sempre se davam conta disso. O poeta trata, na perfeição, esse mistério insondável, que nos acompanha,
acompanhará

para sempre!

Muito boa semana
Um beijo

Avelaneira Florida said...

Mães de todos os dias! Mães que nunca o foram...e tanto o desejaram!!! Mães...SEMPRE!

Beijo.

vitor cunha said...

Foto linda, original e muito terna;
Poema encantador mas que alguns não podem sentir, porque, um só dia, quase apagou o conteúdo do poema!

Boa semana
Beijinho

Lilá(s) said...

Nunca entendi porque a minha foi tão cedo, a saudade é enorme. O poema é lindíssimo vou guardar para mim, posso?
Bjs

BRANCAMAR said...

Maravilhoso este poema!
Definição lindísima de mãe, do que ela representa.

Beijinhos e tudo de bom para ti.
Branca

Fragmentos Culturais said...

Fiquei a saber, João! E o interessante, depois de ler o teu post, é ter constado que a tua opção final, foi a minha primeira opção :)
Há coisas...

Uma boa semana!

Fragmentos Culturais said...

Mas que delícia ter uma Mãe que vai fazer 87 anos e está bem de saúde. 'mfc'!

Já te exprimi a minha alegria pelo facto!

Pois o dia 8 Dezembro deveria ter continuado... muito mais adequado!

Verdade! A foto é mesmo 'liiiinda'! Escolhia-a porque é a metáfora perfeita do sentimento que sinto... e o de Drummond veio ao encontro.

Sensibilizada pelo teu carinho!
Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

Essas são as palavras certas, Isabe! 'Mãe... é o porto-de-abrigo eterno.'

Um beijo fraterno,
(que partilhei na sua terna homenagem)

Fragmentos Culturais said...

Não podia deixar de te retribuir de imediato a amizade, Daniel! Acompanhei-te nos últimos anos...

O poema cujos versos aqui poisaste, são intimamente compreendidos.

Um beijo fraterno,

Fragmentos Culturais said...

... não, não morre nunca, 'aflores'! Sempre 'presente'!

Fragmentos Culturais said...

É sem dúvida dos mais belos poemas de homenagem à ´Mãe'! Talvez o que mais se aproxima do sentimento de perda...

Sim, Isamar, o curto descanso de dois dias foi muito relaxante. O meio envolvente propiciava... e um bom livro esteve sempre por perto.

Sensibilizada pelo teu cuidado!

Um beijo amistoso,

Fragmentos Culturais said...

Gosto muito dos versos:
(...)
'Mãe, na sua graça,
é eternidade.'(...)

Sensibilizada pela sua partilha, caro 'Petrus'!

Continuação de uma boa semana! (quase na sua pausa)

Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

Captei profundamente tua mensagem, 'Avelaneira'! Ou melhor, tuas mensagens, contextos diferentes...

Sempre mães, sim!

Um beijo amistoso
(quase em fim-de-semana!Tão apreciado)
:)

Fragmentos Culturais said...

'Foto linda, original e muito terna ' - também achei, mal a vi! E guardei-a para este dia.

O poema é um 'grito' de uma vontade de lutar contra a perda da Mãe!

Compreendo-te, Vítor... e te envio um fraterno abraço.

Fragmentos Culturais said...

Ninguém compreende a 'perda' física da Mãe... que afinal está sempre tão perto...

Claro que podes, 'Lilá(s)! Uma partilha que nos apoia.

Um beijo,

Fragmentos Culturais said...

É sim, maravilhoso este poema, Branca! Definição de todos os sentimentos.

Um beijo para ti! E tudo de bom, também!