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domingo, 19 de novembro de 2006

Exposição Anos 80 - Uma Topologia







Untitled [# 89, Flowered Sheets] 1981
Cindy Shermann
"Parte do interesse em revisitar os anos 80 resulta de que muita da arte de hoje reflecte esse legado, embora negando ou ignorando esse passado. Reconsiderar os anos 80 pode servir como ferramenta para destacar e reflectir sobre alguma da arte do presente. (...)

A Fundação de Serralves é um dos espaços culturais mais completos e interessantes da cidade do Porto. É nesses espaços que encontramos excelente momentos de arte contemporânea.

Inaugurada no Museu de Arte Contemporânea a Exposição Anos 80: Uma Topologia estará patente de 11 de Novembro 2006 a 25 de Março de 2007. 

É comissariada por Ulrich Loock e integra cerca de 250 obras de referência de 73 artistas de todo o mundo.



Exposição Anos 80: Uma Topologia
créditos : Serralves

"Neste tipo de abordagens a paradigmas históricos, é necessário identificar as práticas estéticas que constituem o núcleo da exposição Anos 80: Uma Topologia.
(...)
A ênfase dada a estes trabalhos reside na necessidade de reavaliar a obra de arte como lugar de transformações (escultura/linguagem, nome/imagem, padrão/escrita, arquitectura/escultura, pintura/fotografia)."

in http://www.serralves.pt



"Porquê os anos 80? Nessa década o mundo assistiu a mudanças significativas nos campos político, social e cultural. Estas geraram novos desenvolvimentos, de grande alcance, cujos desfechos se têm revelado nos anos que agora vivemos. Os anos 80 são o tempo entre a história recente e o presente.
(...)
A Exposição organiza-se em núcleos geográficos (ex: Düsseldorf, Colónia, Áustria/Países de Leste, Bélgica/Holanda, França, Grã-Bretanha, Península Ibérica, América do Sul, Nova Iorque, Los Angeles, Vancouver, artistas isolados..." (...)

in http://www.serralves.pt



Exposição Anos 80: Uma Topologia
créditos : Serralves
Para todos os que se desloquem ao Porto ou vivam na cidade, será imperdoável não percorrer todas as salas do Museu e admirar a vasta obra representada. 

Trata-se de uma topologia apoiada no olhar do seu comissário Ulrich Loock, director-adjunto do Museu, mas recolhe um infindável número de obras.

Apenas pude reter uma leve abordagem panorâmica, dado que será preciso voltar mais do que uma vez.

Mas o espírito estético e o meu olhar atento sentiram-se de imediato envoltos na perspectiva e na dinâmica desta esplêndida Exposição e das obras e autores nela representados. Lá voltarei!

Para os grandes apreciadores de Fotografia, um verdadeiro relicário de Autores que abriram efectivamente os cânones da arte de fotografar! 


Uma grande área da Exposição é dedicada a este vertente da arte: a fotografia.

Outra área que me apraz registar é integração de um artista nativo-americano Jimmie Durham, uma visão da arte índia norte-americana.

Breves apontamentos sobre Acontecimentos da Década de 80:

No final dos anos 70 alguns acontecimentos devem ser considerados determinantes para o que aconteceu no início da nova década:

A eleição de um Papa polaco – passo decisivo que deixava antever o princípio do fim do domínio comunista nos países do Pacto de Varsóvia.

A revolução islâmica no Irão - manifestando o surgimento de um novo poder desequilibrante da lógica Leste - Ocidente.

O nascimento do primeiro bebé proveta, a 25 de Julho de 1978 – desafio aos procedimentos naturais de gerar vida humana.

No final dos anos 80, a queda do muro de Berlim (1989) foi o evento mais visível...


(texto com supressões)

G-S

Fragmentos Culturais

19.11.2006
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sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Simply Red no Porto



Mick HuckNall / Simply Red
Depois dos Rolling Stones foi a vez dos Simply Red tocarem no Porto.

Confesso que fiquei logo apreensiva e quase desmotivada pelo espaço anunciado para o grupo se apresentar - Pavilhão Rosa Mota - péssima acústica e sem ambiente próprio para concertos.

Hesitei, mas acabei por considerar que mais importante do que o espaço era ter a oportunidade de vê-los tocar live e ouvir a voz esplendorosa de Mick HuckNall.

Na realidade, o que esperava aconteceu. A mística que envolve este tipo de espectáculos perdeu-se quase por inteiro.

Espaço demasiado frio, descaracterizado, para um concerto pop. Só a dinâmica sonora e profissional dos músicos conseguiu cortar a barreira que os separou de um público distanciado e em grande número descontextualizado.

Para além dos fãs dos sons dos Simply Red, penso que outros públicos acorreram chamados pelo recinto e não pelo grupo.

Fácil foi constatar que muitas pessoas, embora com bilhetes de lugar sentado, não conseguiram senão ficar de pé!

Os atrasados, e foram uma maioria - lá vem o recinto de novo - depois de subir e descer galerias bafientas, mal arejadas, lá conseguiram um lugar. Mas um número substancial ficou de pé ou sentado nos degraus de acesso.

Com muita boa vontade, já que a massa humana envolvente era muito dispersa, conseguimos concentrar-nos minimamente na banda que actuou na primeira parte.

Os Nate James tinham alguma qualidade sonora, completamente perdida naquela acústica impossível de superar por um grupo sem recursos técnicos de som. Mas lá se assumiram com garra e acabaram por cativar o público mais atento.

Finalmente os Simply Red entraram em palco, num concerto de sons revisitados, com novos arranjos leituras diferentes, acompanhados por músicos e grupo vocal de grande mérito em alargados sons.

Apresentaram-se com sobriedade e muito profissionalismo, num cenário bastante minimalista mas adaptado ao grupo, onde predominaram as tonalidades de azul e roxo condizentes com os sons mesclados dos ritmos in blues.

De salientar a sonoridade de translúcida beleza da flauta de Chris de Margery.
Três novos temas, um dos quais Oh! What a Girl! gravado ao vivo durante a sua actuação no Montreux Jazz Festival 2006.

O Festival de Montreux é um acontecimento de grande renome na paisagem musical do Mundo. Aí sempre se fundem sons e músicos de prestigiada qualidade.

Foi um pouco difícil aderir ao som pop-jazz de inquestionável qualidade do grupo, por tudo o que já enumerei. Porém a voz de Mick 'Red' e o seu talento musical acabaram por tocar nos fãs mais convictos a cadência necessária, para independentemente do meio adverso, e quase na parte final e nos encore se entregarem de alma e corpo ritmados, de pé, em entusiásticos aplausos.

Aspectos a salientar pela negativa: o acesso ao interior do pavilhão fez-se com morosidade, numa organização que já prenunciava ineficácia e falhas de vária ordem.

Outros aspectos caricatos e dignos de nota. O calor insuportável, o ambiente irrespirável, sem hipótese de refrescar, ao simples sabor de uma garrafa de água.

O único bar existente, num escuro confim da cave do pavilhão, antiquado e de pouca serventia, não permitiu tão pouco o acesso à maior parte das pessoas.

Quase no final, um vendedor ambulante tão inadaptado como o espaço, passou ao estilo do picolé fresquinho. Mas nem isso ele transportava no tabuleiro saído de épocas remotas.

O público despediu-se dos Simply Red ao som inigualável de If you don't know me by now.

Gostaria de ter ouvido a versão intimista e divina de Mick 'Red' - Ev'ry time we say goodbye.

Tema inolvidável do jazz vocal em versão masculina de grande qualidade tímbrica.

G-S

Fragmentos Culturais
15.09.2006
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