Monday, June 14, 2010

A Mulher do Viajante no Tempo... revisitado





A Mulher do Viajante do Tempo, 2009



"A romantic drama about a Chicago librarian with a gene that causes him to involuntarily time travel, and the complications it creates for his marriage."

Os dias têm-se feito frescos, uma atmosfera estranha nesta primavera descontinuada. Nada melhor do que uma sessão de cinema, num final de tarde de sábado, assim desconfortante.

Passei os olhos pelos cartazes das salas de exibição. Nada que me cativasse de imediato! Quando assim acontece, revejo com mais atenção. Deparo-me então com um filme adaptado de um romance de ficção científica! Um romance de ficção científica? Vejamos! 

A Mulher do Viajante no Tempoum romance com características de ficção-científica por revelar uma concepção inovadora do fenómeno da viagem temporal. Captou-me! Estava decidido.

Entrei! Pouca gente! Óptimo! Pude escolher tranquilamente um lugar e aguardei. A sala era pequena, música ambiente calma, o que não é usual. Afundei-me na cadeira e esperei pela clássica escuridão de onde sobressai um ecrã gigante luminoso. Um momento muito nosso, não é mesmo?




Baseado no livro The Time Traveller's Wife, o primeiro romance de Audrey Niffenegger internacionalmente muito bem recebido. Gosto de filmes que partem de livros, já o escrevi. Oferecem quase sempre um enredo coerente e um ritmo muito próprio. Se já despertei a vossa curiosidade, podem folhear o livro online, aqui




The Time Travel'd Wife
Audrey Niffenegger, 
www.amazon.com

Spirited... Niffenegger pays ingeniously in her temporal hall of mirrors.

The New Yorker

Não vou deixar aqui a sinopse, nem do filme, nem do livro. Não quero tirar-vos o imenso prazer da descoberta.

Apenas umas dicas: Henry é bibliotecário especializado em livros raros, Clare uma escultora. Mas nem vou contar como se encontram...




A Mulher do Viajante do Tempo, 2009

Voltemos ao filme! Todos estamos mais ou menos familiarizados com este eterno dilema - o tempo - e a forma como ele pode moldar as nossas vidas. A Mulher do Viajante do Tempo não é  um filme inovador na temática. Mas, à medida que o filme foi avançando, senti reforçar o invulgar de um ponto de vista







A verdade é que mesmo viajando no tempo, Henry não consegue mudar o rumo principal da sua história, antes pelo contrário. Cada vez mais se torna inevitável. E a sua história torna-se somente aquela, devido ao seu dom. Um ciclo temporal determinado. 

A intensa narrativa vem dizer-nos isso mesmo! Tentarmos controlar o tempo, só nos faz desaparecer da vida e determiná-la cada vez mais. 





A Mulher do Viajante do Tempo, 2009

Apesar dos avanços e recuos da narrativa através de vários momentos no tempo, a história filmada segue num ritmo bem tranquilo e vamo-nos envolvendo na vida e no destino das personagens. E quase lamentamos, - oh! parca ilusão - que Henry não tenha conseguido, já que se tratava de ficção científica, alterar o rumo dos acontecimentos.





A Mulher do Viajante do Tempo, 2009
http://www.imdb.com/


Pressenti, ao longo de A Mulher do Viajante sem Tempo, algumas reminiscências de dois filmes inesquecíveis! Fazem parte dos meus afectos cinematográficos! Daqueles filmes que sempre nos vêm à memória!


A cena quase final da festa de anos em Meet Joe Black, presente também nesta película, romanesca, mas de intensa beleza estética, bem como o similar fogo de artifício.

Também no desaparecimento de Henry e na expectativa de Clare, vi o poético filme The Ghost. Um filme que mexeu com muitas convicções.








A Mulher do Viajante sem Tempo, 2009


Nada disso tira valor a este filme! Simplicidade narrativa cinematográfica, numa possível leitura, muito pessoal, do best-seller que mostra  que o verdadeiro amor é capaz de transpor todas as barreiras – inclusive a mais implacável de todas. O tempo.




The Time Traveler's Wife
music from the movie
scored by Michael Danna



Um filme suave, onde não falta um delicioso humor, e uma excelente banda sonora do conhecido Michael Danna, em mini audição Amazon!



Realizado por Robert Schwentke, guião de Bruce Joel Rubin (o mesmo que escreveu Ghost) produzido por Brad Pitt (não esqueceram Meet Joe Balck) que comprou os direitos de autor em 2003, mesmo antes do livro ter sido publicado. 






Editorial Presença (2004)

"A Mulher do Viajante do Tempo" (2003) é a primeira obra de Audrey Niffenegger, artista plástica, escritora e professora de arte na Columbia College, uma universidade de Chicago. 

Depois de algumas dificuldades em publicar o livro, este tornou-se um best-seller nos Estados Unidos e no Reino Unido. Niffenegger tem sido muito elogiada pela sua visão única sobre a viagem no tempo. 

Apesar de ser considerado um romance de ficção científica, os sentimentos de Henry e Clare são tão reais, tão intensos e verdadeiros que se torna impossível não nos envolvermos nas emoções das personagens. 

O livro é narrado alternadamente por Clare e Henry, aspecto que o guião de Bruce Joel Rubin preserva.

The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at you own door, in your own mirror,
and each will smile at the other's welcome, [...]

Derek Walcott, Lover After Love

No que me diz respeito, estou a ler! E para meu enorme gáudio, depois de algumas tentativas frustradas, consegui encontrar o livro que me tinha sido dado como inexistente, já que a edição portuguesa remontava a 2004. Imaginem, um livro na 1ª edição, perdido nas prateleiras de uma pequena livraria de um centro comercial. Há pequenos pormenores que não devemos deixar escapar!

Ontem, pela madrugada apanhei o filme, numa daquelas  cadeias internacionais. Fiquei-me, perdida no tempo, a rever a história que me prendeu nos fios de cronos. Uma narrativa emocional que não se afasta muito da obra que a originou. Antes a torna inesquecível na viagem inusitada da sobrevivência do amor.


G-S

Fragmentos Culturais

14.06.2010
Copyright © 2010-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 


actualizado em 10.04.2016

Licença Creative Commons 

4 comments:

Avelaneira Florida said...

Fragmentos,

"just in time!"

Vi, por acaso na televisão, já que nem sempre a ligo, um documentário sobre este mesmo filme...
Fiquei um pouco na defensiva, posso dizer!!!!
Mas, agora, com a tua opinião já começo a pensar em dar um saltinho a uma próxima sala de cinema...
e aproveito e espreito um outro, que cá por casa tem suscitado conversas a propósito:" Vencer"...

Entretanto,pelo meio, uma semana bem cheia!!!!

Fragmentos Culturais said...

... tenho pena não ter visto esse comentário, até para o poder enquadrar melhor nas minhas impressões, 'Avelaneira'.
Mas afirmei que era um filme sem pretensões, apenas uma narrativa bem contada, a partir de uma 'leitura' cinematográfica.
Não o considerei, um filme de qualidade! Mas é um filme de afectos que são sempre subjectivos! E baseado num livro bem recebido e com excelentes referências. Estou a ler, não posso ainda opinar :)

'Vencer'... não vi referências ao filme, nem me lembro dele em salas de cinema. Podes dar alguns detalhes?

Lindo domingo! E uma semana mais tranquila :)

Beijo amistoso

ana said...

Também adorei o "Meet Joe Black", é certamente um dos meus filmes favoritos de sempre... Fiquei curiosa em relação a este filme! A ver se o consigo ir ver! ;) Ah, e simplesmente adorei: "Tentarmos controlar o tempo, só nos faz desaparecer da vida e determiná-la cada vez mais." Uau! A frase que eu precisava ouvir :) Obrigada, menina/senhora Fragmentos. :)

Beijinho plim* de saudades de já não vir aqui há muito tempo mas de tar mt feliz por ter vindo! ;)

Fragmentos Culturais said...

... tal como tu, 'Meet Joe Black' perdurá na minha memória de afectos! Sempre que passa na televisão, fico ali bem presa até final! Não me canso de o rever! Tem uma 'mística' que nos envolve! Qualquer coisa que mexe com nossa interioridade...

Não sei se já foste ver 'A Mulher do Viajante no Tempo' e não 'A Mulher do Viajante do Tempo' como foi traduzido! Para nós ;) sabemos que há uma diferença substancial nesta intencionalidade, não é mesmo Ana?!

Bem! Já tinha saudades tuas! Fiquei tão feliz por te ver de volta :)

Beijinho grande, menina do plim*
(a frase que referiste, deveria ser levada mais a sério por todos nós, começando por mim...)