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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Jeanne Moreau & Sam Shepard : tributo






Jeanne Moreau 1928-2017
années 60
© Abaca 

Perdemos dois nomes grandes da história do cinema e do teatro. Longas e brilhantes carreiras repartidas por várias décadas. No mesmo dia. Dia 31 de Julho. Jeanne Moreau e Sam Shepard.

Será impensável referenciar exaustivamente a carreira de cada um destes enormes vultos das artes cénicas europeia e norte-americana. Apenas apontamentos marcantes. Um tributo despretensioso.


"It's Beautiful to be alive."


Jeanne Moreau


Jeanne Moreau, actriz consagrada mundialmente, mais no cinema do que no teatro por onde passou. também cantora reconhecida. Nasceu em 23 Janeiro de 1928.







"As pessoas - e as mulheres em especial - preocupam-se demais com o envelhecimento. Mas nós parecemos mais novos se não nos preocuparmos com ele."



Jeanne Moreau

"Desaparece assim uma figura central na história do cinema francês e, em boa verdade, de todo o cinema europeu das últimas sete décadas - desde os tempos heroicos da Nova Vaga, com Fim de Semana no Ascensor (1958) e Os Amantes (1958), ambos dirigidos por Louis Malle, manteve uma actividade regular até há muito pouco tempo, tendo integrado o elenco de O Gebo e a Sombra (2012), derradeira longa-metragem de Manoel de Oliveira."


João Lopes, DN Artes






Jeanne Moreau & Jean-Paul Belmondo
Moderato Cantabile
Peter Brook
credits: Rooyal Films/Allstar
https://www.theguardian.com/film/gallery/

Começou no teatro, passou pela Comédie Française. Mas o reconhecimento decisivo veio com o galardão no Festival de Cannes (1960), pela interpretação em Moderato Cantabile, o filme de Peter Brook baseado no romance de Marguerite Duras

Meio século mais tarde, em Cet Amour-Là (2001), em que interpretou com subtileza comovente a personagem da própria Marguerite Duras.







Jeanne Moreau & Marcello Mastroiani
La Notte, 1960
Michelangelo Antonioni
credits: Ronald Grant Archive





Jeanne Moreau
Jules et Jim, 1962
François Truffaut
credits: Snap Stills/Rex Features

Trabalhou com os maiores realizadores europeus a partir dos anos 50: Jean CocteauMichelangelo Antonioni, François Truffaut, Louis Malle, Roger Vadim, Luis Buñuel, Orson WellsJoseph Losey, Elian Kazan, entre muitos outros. 

Continuou sua longa carreira no cinema 
até a um passado recente (2015) com Bertrand Blier, Rainer Werner Fassbinder, Wim Wnders ou Manoel de Oliveira (O Gebo e a Sombra (2012). Interminável, a lista.


Moreau foi também galardoada como Melhor Actriz no Festival de Veneza, no drama controverso Les Amants (1958) de Louis Malle. E Leão de Ouro Prémio de Carreira em 1992.






Jeanne Moreau
Les Amants, 1958
credits: The Criterion Collection/Allstar

Recebeu Le César de Melhor Principal em La Vieille qui Marchait dans la mer (1991) et Le César de Actriz Secundária na interpretação em Le Paltoquet, (1987) contracenando com outro grande actor Michel Piccoli. E César Honorário - 60 anos de carreira (2008).

Nomeada para Bafta de Melhor Actriz Estrangeira com o filme Jules et Jim (1962) e galardoada com o Bafta de Melhor Actriz Estrangeira no filme Viva Maria (1965) ao lado de Brigitte Bardot.







Jeanne Moreau/ Vogue (1965)
crédits: Bert Stern/Condé Nast via Getty Images

"C'est un mode de vie, il m'ouvre aux autres et me donne une meilleure compréhension des hommes comme des femmes."

Jeanne Moreau

Jeanne Moreau é para mim uma referência afectiva, herdada de meus pais. Adoravam a cultura francesa. E reverenciavam a grande actriz.

Mais tarde, fui ver alguns do seus filmes em sessões de CineClube, em voga nos anos 80-90. Aprendi a admirá-la pelos olhos da afectividade da memória de infância. E foi essa saudade de menina que me levou, jovem-adulta, a procurar ver alguns dos seus melhores filmes. Jules et Jim, La Notte, Moderato Cantabile.

She is an icon of French cinema - but very much a living one. "





Sam Shepard foi um afecto meu. Desde Paris Texas de Wim Wenders. Embora a notícia da sua morte fosse divulgada no mesmo dia de Jeanne Moreau31 de Julho, o dramaturgo e actor de teatro e cinema norte-americano morreu no dia 30 de Julho. Nasceu a 5 Novembro 1943




Sam Shepard 1943-2017
François Guillot/ AFP/Getty Images
http://www.imdb.com/

Considerado mestre da dramaturgia norte-americana, pela Laura Pels International Foundation for Theater Award, Sam Shepard  - a IMDb presta-lhe uma linda homenagem - Shepard escreveu 44 peças de teatroentre as quais “Curse of the Starving Glass” e “True West”. “Cowboys”, “The Rock Garden” e “La turista”, esta última, uma alegoria sobre a Guerra no Vietname.





Sam Shepard at the Venice International Film Festival in 2007.
credits: Alberto Pizzoli/AFPSource: AFP
Recebeu o Prémio Pulitzer de Teatro em 1979 com peça Buried Child. E foi nomeado mais duas vezes com “True West” e “Fool for Love”.
Shepard foi também nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário pela sua participação do piloto Chuck Yeagerno filme The Right Stuffrealizado por Philip Kaufman (1983). Shepard foi um actor de cinema mais ou menos relutante. Preferiu sempre o teatro.

"A reluctant movie star who was always suspicious of celebrity’s luster, he was more at home as one of the theater’s most original and prolific portraitists of what was once the American frontier."

Ben Bratley, NYT



Sam Shepard escreveu o argumento do filme Paris Texas, de Wim Wenders  (1984) com o qual ganhou o Bafta Award em 1985. Participou no filme.

Vem daí minha enorme admiração pela sua arte: dramaturgia. Descreve como nenhum outro, as relações, muitas vezes explosivas, da família norte-americana. 





Bloodine, parte 2/ TV série
Sissy Spacek & Sam Shepard

Gostaria de poder ver em alguma cadeia de séries que temos por cá, Bloodine.

Recebeu o Robert Altman Award (2014) com Maud e teve vastas nomeações para outros prémios.




Sam Shepard, 2016
credits: Chad Batka/ NYT

CredCredithad Batka for The New York Times
"The taciturn Shepard, who grew up on a California ranch, was a man of few words who nevertheless produced 44 plays and numerous books, memoirs and short stories.
His 1979 play Buried Child won the Pulitzer for drama. His Western drawl and laconic presence made him a reluctant movie star, too."

Staff writersNews Corp Australia Network

Shepard começou a escrever poesia e a representar ainda na adolescência. Mais tarde, quando estudava Veterinária, decidiu juntar-se a um grupo de teatro e rumou a Nova Iorque.



Holy Modal Rounders
Tocou bateria e guitarra no grupo freak-folk Holy Modal Rounders, viveu com Patti Smith e Jessica Lange. Chegou a integrar, na década de 70, a digressão Rolling Thunder Revue, de Bob Dylan (Nobel da Literatura 2017).




Sam Shepard
credits: Jemal Countess - © Getty Images
Em Portugal, podemos encontrar vários livros de Sam Shepardentre os quais “Loucos por Amor”, “Crónicas Americanas” e “O Grande Sonho do Paraíso”.

"As in Shepard’s plays, time past and time present blur and overlap in this story, just as boundaries — between, say, an actor and his roles, a writer and his creations — grow fluid and porous. …

Michiko Kakutani, NYT

G-S

Fragmentos Culturais

02.08.2017
Copyright © 2017-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Escritor Fantasma : filme & livro



The Ghost Writer/ O Escritor Fantasma
Roman Polansky, 2010

Este ano, o mês de Agosto tem decorrido entre curtas pausas e muito trabalho. Há momentos assim! Mas são enriquecedores!

Por vezes, apetece-me em final de dia, quando na cidade, dar uma escapadela ao cinema... só para abandonar, por algumas horas, este pequeno monitor-ecrã que me absorve tantas horas neste verão quente, como aprecio! 

Desta vez, seleccionei um filme que estava em atraso há algum tempo: O Escritor Fantasma, tradução de The Ghost Writer  de Roman Polanski.

The Ghost Writer baseado no livro The Ghost (2007) de Robert Harris, escritor britânico que colaborou na adaptação, numa realização adequada e cheia de suspense. Fazendo relembrar os clássicos de Hitchock! Gosto de thrillers! Embora não aprecie o género literário! Vá-se lá saber por que razão!?



The Ghost | Robert Harris

O desenvolvimento inteligente e despreocupado de todo o filme imprime-lhe uma dinâmica muito própria que só Polanski consegue captar através da sua câmara, num ritmo atempado! Sem exibicionismos!

As coisas acontecem como devem acontecer. Sem artifícios, sem tornar a viagem visual demasiado excitante. 

Não se vêem cortes bruscos, não se ouve música estridente ou espalhafatosa. O espectador segue tranquilamente, na sua cadeira, o desenrolar da acção, deixando-se envolver pelas personagens, e pelo ambiente sombrio e invernoso de Cape Cod

Isto tudo é conseguido com a excelente fotografia de Pawel Edelman, já trabalhando ao lado de Polanski em  The Pianist, o que confere a todo o filme uma imagética  muito interessante, misteriosa, o que vai bem à trama do filme.




Pierce Brosnan & Ewan McGregor
The Ghost Wirter

A cor que faz parte deste género de arte, está presente neste filme numa variação de tonalidades e matizes que o desenvolvimento técnico do cinema tem aperfeiçoado como elemento fundamental.

Muito importante a banda sonora neste género de filme, do aclamado compositor Alexandre Desplat. E linda.
Nos momento de maior tensão, deixa o espectador na ânsia de descobrir o passo seguinte, sem sobressaltos.








Os actores são também uma forte componente deste filme! Ewan McGregor, que não víamos em representações dignas de registo nos últimos tempos, é um excelente 'fantasma', inteligente, frio, ‘very british’, e o nosso bem conhecido Pierce Brosnan, obrigatoriamente discreto, mas sempre muito bem, fazem dos momentos em comum, os melhores do filme. 


Kim Cattrall é, no entanto, a maior surpresa! A provocadora Samantha de Sexo e a Cidade, aparece aqui numa interpretação completamente nova! Não vou desvendar o seu papel nesta história...


Os outros actores têm também bons desempenhos. Todos eles interpretam na perfeição  as suas personagens e é essa química que faz com que a história se torne envolvente e apelativa.


Roman Polanski
http://img1.grazia.fr/
O Escritor Fantasma é, sem dúvida, um dos melhores filmes que vi em 2010! Um magnífico exercício de sétima arte, discreto, a ser tido como modelo no que concerne o género thriller.


O filme foi galardoado com o Urso de Prata na categoria Melhor Realizador, no Festival de Berlim 2010.


Cinema de autor de grande qualidade, acessível a todos os públicos, Roman Polanski consegue mostrar o seu cunho, sem cair em facilitismos lucrativos. 


Não direi que é um dos seus melhores filmes, mas Polanski continua a ser um dos maiores cineastas dos nossos tempos.


Uma preciosidade, neste verão. Digna de uma ida ao cinema, num final de tarde bem descompressor.

G-S 

Fragmentos Culturais
17.08.10
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domingo, 3 de agosto de 2008

Manoel de Oliveira em Serralves : Mostra 2008





Manoel de Oliveira
https://www.serralves.pt/

12 Julho - 02 Nov 2008 - MUSEU
                                                                           
Esta primeira mostra do trabalho do cineasta no formato expositivo centrar-se-á no modo como Manoel de Oliveira reinventou o cinema através de uma linguagem que lhe é única. Paralelamente está programado um ciclo de cinema, onde serão exibidos no Auditório do Museu de Serralves todos os filmes que Manoel de Oliveira realizou até ao momento.

Comissariado: João Bénard da Costa / João Fernandes

Produção: Fundação de Serralves

Fundação Serralves






Manoel de Oliveira
créditos: Autor não identifcado
via JPN


Manoel de Oliveira foi homenageado em 19 de Maio, durante a última edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes 2008, tendo recebido a "Palme d'Or", o mais importante prémio do Festival.




Manoel de Oliveira
créditos: Autor não identificado


"Prestes a celebrar 100 anos, Manoel de Oliveira é um testemunho vivo da evolução da arte do cinema, da passagem do mudo ao sonoro, do preto e branco ao technicolor, uma personalidade que acompanhou um século de cinema."

TSF, 
19.05.2008





Manoel de Oliveira
Tribute Palme d'Or
Festival de Cannes 2008
crédits: AFP 2008


“Ao longo de um século eu cresci com o cinema e hoje eu sei que foi o cinema que me fez crescer. Viva o cinema”!

Manoel de Oliveira, Grand Théâtre Lumière





Manoel de Oliveira
Golden Lion for his overall career, 2004
créditos: Arquivo RTP

É pois mais do que meritória esta mostra dedicada a Manoel de Oliveira que celebrará 100 anos em Dezembro. É o realizador activo mais velho do mundo!

Independentemente de se gostar ou não, ele é um referência fundamental do cinema europeu. E mundial. 

Para além da exibição da sua vasta filmografia e das várias visitas guiadas, é de prestar especial atenção a dois eventos:

Seminário

MANOEL DE OLIVEIRA: O MODERNO PARADOXAL
07-10 OUT 2008, 18h30-21h00

Simpósio Internacional dedicado à obra de Manoel de Oliveira
(datas a anunciar)


G-S

Fragmentos culturais, em jeito de homenagem a Manoel Oliveira, uma vida inteira dedicada ao cinema.

02.08.2008

actualizado 24.06.2026

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