Saturday, November 11, 2006

O Ilusionista - o filme




The Illusionist



"He's a Magic Man."


Karen Durbin (ELLE) *


Sábado chuvoso. Nada melhor do que uma sessão de cinema.


Entre música, livros e cinema, eis as três sombras por onde divago em tempo de lazer.


Apressadamente, passei os olhos pelo sítio web oficial do filme The Illusionist e dois actores - Edward Norton e Paul Giamatti - me convenceram de imediato. Sem hesitação, fui!

Paul Giamatti, intérprete do bem recente The Lady of the Water, Edward Norton em papéis controversos, de grande qualidade e nobreza de interpretação. Um porte esplendoroso!

Uma fábula elegante baseada na obra «Eisenheim The Illusionist» do premiado Pulitzer Stephen Millhauser por onde perpassa a arte, o amor e a intriga política na barroca Viena dos Habsburgs, no virar de 1900.




The Illusionist
Uma alquimia latente desde o primeiro encontro de um ilusionista de origem humilde com uma jovem duquesa. Um e outro vão deixar seus corações irremediavelmente presos num amor proibido.

Afastados durante anos, voltam a cruzar-se mais tarde quando ele volta à cidade, numa trama que ultrapassará toda a previsibilidade dos espectadores pelo tom convincente, majestoso, enigmático que Edward Norton imprime tão naturalmente à personagem.



The Illusionist

O jovem ilusionista de quem se desprende um imenso magnetismo, obtido segundo uma das lendas, ao cruzar-se com um mago durante um passeio campestre, consegue convencer o ambicioso Inspector policial - Paul Giamatti - para quem a magia e o ilusionismo são ao mesmo tempo um forte atractivo e fonte de entretenimento nas horas de ócio.

Um filme cativante, numa adaptação talentosa de Neil Burger, realizador de Entrevista com o Assassino (2002) construída num elo que gira em volta de ingredientes tão fascinantes como romance, intriga política palaciana, mesclada de hipnose, com muitos conceitos freudianos, suspense numa senda de pistas subtilmente encadeadas, e encontros descompassados.



A noção de tempo que este mágico apresenta a partir de uma laranja que depois de extraída a semente, se transforma numa laranjeira em pleno representação é espantosamente filosófica e deixa-nos pensativos sobre o que todos nós fazemos do tempo ou sentimos acerca dele.

O lenço de mão que esvoaça seguro por duas cintilantes borboletas - a simbólica da borboleta tem uma forte incidência amorosa na trama - até à espada do herdeiro, em incursão coloquial sobre Excalibur - ligada às lendas arturianas - tudo isto faz deste filme um incrível momento de magia, beleza, atravessado sempre de mistério e magnetismo que passa da audiência do teatro local, para a sala de cinema, já que filmado subtilmente em luz muito ténue e difusa, até ao momento do desvendar da verdade.

Aí a tela inunda-se de luz num ambiente contrastantemente campestre, chamando à realidade os espectadores, como se despertados fossem de um sono hipnótico onde o encantamento prevaleceu num toque de magos.

De assinalar a banda sonora de Philip Glass, sóbria, minimalista, apoio ao suspense que atravessa todo o filme, bem como a fotografia esplendorosa de Dick Pope num jogo contrastante de claro/escuro.



"Romantic... smart... gorgeous!"

Bob Mondello (NPR)*






G-S

Fragmentos Culturais
11.11.2006
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Referências: Citações http://www.theillusionist.com/

2 comments:

TS. said...

Definitivamente "Romantic... smart... gorgeous!" Dos filmes onde o ajectivo "cativante" cai perfeito como pano de palco perante os aplausos!

:)

***TS.

Fragmentos Culturais said...

... ainda hoje, passados 5 anos, permanecem em mim memórias cativantes do filme!

Passou há pouco na televisão! Fiquei tão rendida como se fosse a 1ª vez que o via...

Lamento só agora responder ao teu comentário que agradeço, 'TS' :)
(foi o acaso estar a rever alguns posts)