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sexta-feira, 6 de julho de 2012

CNB no Porto: La Valse de Marurice Ravel : um hino esfuziante !






La Valse
créditos: CNB

"Adoro valsas, mesmo em silêncio, adoro o gingar e a fúria ternária. É uma obsessão,  é o vento que acaricia ou devasta. É uma musicalidade de todas as possibilidades..."

Paulo Ribeiro, coreógrafo

A Companhia Nacional de Bailado (CNB) está de regresso ao Coliseu do Porto, em espectáculo de dança contemporânea.

No programa, duas belíssimas peças, "Sagração de Primavera" de Igor Stravinsky e "La Valse" de Maurice Ravel

Duas obras de ruptura e exotismo que foram encomendadas por Diaghilev, célebre fundador dos Ballets Russes de Montecarlo.






La Valse
crédito: CNB


La Valse, coreografia de Paulo Ribeiro, é acompanhada por uma curta-metragem de João Botelho com a participação dos bailarinos da Companhia Nacional de Bailadoversão musical da Orchestre du Théâtre des Champs-Élysées sob a direcção musical do Maestro Pedro de Freitas Branco (Paris, 1953)

Rav
el escreveu a propósito desta peça para orquestra que intitulou La Valse, un poème coréographique ser “uma espécie de apoteose da valsa vienense mesclando-se na minha cabeça com a ideia de turbilhão fantástico do destino”.

O compositor só viria a completar a obra após o final da 1ª Guerra Mundial, já influenciado pela experiência da guerra. O romantismo perde dominância e o ritmo da valsa deriva frequentemente para o caos, numa metáfora à Europa de então. 








Quase cem anos depois, quando os laços da Europa são repetidamente equacionados, a CNB desafia um coreógrafo e um realizador a explorarem a composição de Ravel e a conceberem um olhar cinematográfico sobre o movimento dos corpos.

A Sagração da Primavera já tive o raro privilégio de a ver dançada por várias companhias de dança contemporânea, não só cá no país, como em Paris. Uma delas pelo Ballet Béjart em Paris. Inolvidável! 

O deslumbramento cénico, visula e musical ainda hoje permanece na minha memória pética ( a das emoções).








La Valse, só conheço a versão sinfónica que aqui deixo interpretada pela Orchestre Philharmonique de Radio France. Um hino louco de ritmos e sonoridades. Apetecivelmente dançante!

Com a intenção de homenagear a valsa e Johann Strauss II, Maurice Ravel, em 1906, compôs o que pretendia que fosse uma obra romântica, e que intitulou La Valse, un poème chorégraphique

Antes de se ter alistado no exército e de ter interrompido a criação musical, Ravel escreveu que esta peça fosse "uma espécie de apoteose da valsa vienense mesclando-se na minha cabeça com a ideia de turbilhão fantástico do destino».

Adoraria ver esta versão coreografada. Pelo vídeo, deixou-me profundamente curiosa e agradada. Lamento não ter a disponibilidade de ir ao Coliseu do Porto, esta noite. 

Quanto à curta metragem de João Botelho, espero poder vê-lo ainda. Talvez saia em exibição mais alargada?

O espectáculo já andou em digressão pelo interior do país e vem agora ao Porto, seguindo depois para outras cidades do litoral.

"Então dancemos, dancemos, no ar, no fogo, no água, na terra, no meio da destruição do caos que a Europa de hoje é quase tão angustiante como a Europa de há cem anos..." e a de hoje!

João Botelho, realizador


Que saudade de um bom concerto ou espectáculo de dança. Ao vivo! 

G-S

Fragmentos Culturais

06.07.2012

actualização 07.03.2021
Copyright © 2012-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Re-Rite: be the Orchestra






"Imagine-se como um dos mais de 100 músicos da Philharmonia Orchestra que tocaram A Sagração da Primavera."


A Fundação Gulbenkian apresenta em parceria com o MUDE - Museu do Design e da Moda o projecto multimédia Re-Rite be the Orchestra. 

Esta instalação audiovisual interactiva é uma das mais originais experiências musicais da nova temporada da Gulbenkian. Parte da Sagração da Primavera de Igor Stravinsky para criar interacção com o público que pode tocar numa orquestra virtual.

"Igor Stravinsky tinha 30 anos quando escreveu A Sagração da Primavera. A estreia em Paris originou um tumulto na sala de concertos. Ritmos da Rússia pagã foram incorporados numa sofisticada música orquestral. A música erudita nunca mais foi a mesma."

A inauguração foi com o DJ Gabriel Prokofiev, neto do compositor Sergei Prokofiev. 

A sensação já é impressionante para quem toca habitualmente instrumentos! Mas então para quem nunca passou do lugar da assistência num concerto! 

O som e as imagens sobredimensionadas garantem uma dimensão excepcional à experiência. 



A gravação digital em 29 canais, em Alta Definição (HD), da Philharmonia Orchestra permite ao público dirigir, tocar e fazer parte de uma orquestra virtual.

Richard Slaney, coodenador, explica que em cada uma das salas há um computador que gere as imagens e a interacção com os visitantes e que todos estão ligados em rede. O flash é utilizado nos ecrãs touchscreen para que os "participantes" consigam controlar a música.



Mas se não pode deslocar-se a Lisboa até 23 Janeiro 2011, faça uma experiência virtual aqui! Só para ficar com um cheirinho divino!

É nestas coisas da cultura que se vê a diferença de viver em Lisboa...


G-S


Fragmentos Culturais
16.01.2011
Copyright © 2010-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


Referências:


Re-Rite be the Orchestra

Fundação Calouste Gulbenkian