Sunday, May 16, 2010

O Diário Azul : um livro a reter






O Diário Azul
Dr. James A. Levine
Porto Editora, Maio 2010

"Um testemunho ao potencial e ao poder da literacia."


Publishers Weekly


"Chamo-me Batuk. Sou uma rapariga de quinze anos a viver num ninho da Common Street em Bombaim. Já cá estou há seis anos e fui abençoada com beleza e um lápis. A minha beleza vem do interior. Quanto ao lápis veio da orelha de Mamaki Briila,que é a minha patroa."


in excerto versão digital, Porto Editora, pág. 9

«O Diário Azul conta a história de Batuk, uma menina indiana (baseada na criança que o autor viu em Mumbai) vendida como escrava sexual pelo próprio pai. No caderno que sempre acompanha a personagem, esta menina-prostituta de Mumbai inventa histórias encantadoras para fugir à terrível realidade dos dias."

Há livros assim. Colocam o nosso intímo num alvoroço que permanece connosco, muito além do fim da história. Autênticos milagres da imaginação. Este é, sem dúvida, um desses livros. 


Khaled Hosseini, autor de O Menino de Cabul, já adaptado ao cinema, considera, que a voz da protagonista “ficará na mente do leitor por muito, muito tempo”.






Diário Azul (contracapa)
James A. Levine


Neste romance de estreia, James A. Levine, além de humanizar o cruel mundo da prostituição infantil, faz passar, também, uma mensagem emotiva sobre o poder das palavras e da leitura.»


Não sei! Será possível humanizar o mundo de uma criança, vendida pelo próprio pai, e depois, explorada sexualmente?! Mas é sem dúvida, uma fuga possível, o saber ler e escrever. 


Munida deste enorme poder, associada à beleza interior, recriar uma vida paralela suavizada, funcionará como espaço imaginário de uma mente luminosa! 





The Blue Note
James A. Levine

Vi que as receitas revertem a favor da organização de apoio às crianças desaparecidas, exploradas e abusadas sexualmente. Não hesitei. Comprei. Ontem!


Não vai ser uma leitura fácil! Não pela narrativa, que vi de imediato ser particularmente simples, já que imbuída, supostamente, pela mente de uma menina de quinze anos. Mas pela temática. 


Embora saiba que é uma obra de ficção, não estarei imune à verdade que ela transmite. Todos os dias atravessam as notícias do mundo crianças desaparecidas, ou crianças abusadas. Para vergonha da Humanidade!


"The Blue Notebook brings us into the life of a young woman for whom stories are not just entertainment but a means of survival. Even as the novel humanizes and addresses the devastating global issue of child prostitution, it also delivers an inspiring message about the uplifting power of words and reading–a message that is so important to hold on to, especially in difficult times."


Celina Spiegel, publisher




The Blue Note*
James A. Levine, July 2009

James A. Levine é Professor de Medicina na Mayo Clinic, cientista de renome mundial, médico e investigador.

Vive actualmente em Oronoco, no estado do Minnesota. Recentemente, viajou pela India e, em Mumbai, onde esteve a entrevistar meninos de rua, ficou-lhe na mente a imagem de uma menina sentada na berma a escrever num diário.

Esta visão foi tão marcante que o inspirou a dedicar-se à escrita.


As receitas de venda nos Estados Unidos foram doadas pelo autor ao ICMEC (International Centre for Missing & Exploited Children).

"Este livro mudará a forma como vemos a humanidade e o nosso lugar nela."

Minneapolis Star-Tribune


G-S


Fragmentos Culturais

16.05.2010

Copyright © 2010-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com® 

* Formato digital



** Gadget Random House, Inc.
(lateral blogue)

Licença Creative Commons 


14 comments:

Eli said...

Às vezes tento não pensar nessas verdades que povoam o mundo. No entanto, falo abertamente sobre elas com as crianças com quem lido diariamente e, sempre que o tema se levanta. Por falar nisso, parece que não tenho falado muito ultimamente.

Amanhã...

:)

Rafeiro Perfumado said...

A mente é algo de muito poderosa, então se guiada pela imaginação de uma criança, não tem limites. Mas a realidade é demasiado má para poder ser completamente abafada...

heretico said...

doloroso percurso de "crescimento". pela superação e pelo "milagre da imaginação"...

sensibilidade e inteligência. aqui. sempre...

beijo

Avelaneira Florida said...

Fragmentos,
uma muito rápida passagem...para deixar um beijo e votos de boa semana!!!!!

Não tenho tempo ...mas vou registar esta sugestão de leitura, sim!!!!
E lembrou-me a propósito um filme : " Water" de pouca divulgação, mas intenso e muito significativo.
Há em DVD! Realizado por Deepa Mehta e protagonizado por uma menina: Chuyia que aos 8 anos não é já casada, mas viúva!
A rever,Sempre!!!!!

Lilá(s) said...

Já não é a primeira vez que encontro aqui boas sugestões de leitura, aliás a última já li e achei muito interessante.
Beijos

Susaninha said...

Existe cada realidade...
É assustador, mas acho que vou comprar e ler...
A escrita liberta...

E eu já inha saudades de vir aqui....

Daniel Silva (Lobinho) said...

É sempre dos dramas que nascem e saem belas histórias! É sempre a dor que traz o mais belo e sublime. São os dramas que fazem as obras primas. O título é muito sugestivo apesar da história que, apesar de tudo, nao deixa de ser um exemplo de força e simplicidade interior. So quem tem mundo interior não sucumbe ao vazio.

Tenho uma paixão pelos filmes de época. Isto agora nao tem nada a ver e nao me refiro aos grandes épicos, mas a filmes onde o campo, a sociedade inglesa perversa nos costumes mas com um encanto de palavra e locais, fazem sempre o meu gaudio. Ha dias apanhei um filme "Emma"(???) na televisão onde entrava um actor que faz de EDli (advogado) numa série comm o seu nome. Foi simplesmente qualquer coisa de soberbo.

A cultura pela cultura nao me diz muito, confesso. Mas tudo aquilo que mexe comigo e faz sentir o pulsar do Homem, é em si digno de nota e grande registo.

Um grande beijinho, grande amiga.

Fragmentos Culturais said...

... sempre fui apologista que o diálogo com as crianças passa pelas vida, Eli!
Entendo assim, tal como tu, que há profissões que têm uma missão especial...

Beijo,

Fragmentos Culturais said...

Sim, concordo, 'Rafeiro'!

Daí que tenha escrito 'suavizar'... 'abafar'?! Impossível :(

Fragmentos Culturais said...

... pergunto-me se será possível, Herético'!?

Embora reconheça que o cérebro das crianças tem mecanismos pela 'milagre da imaginação' que muitas vezes, quase nos escapam...

Beijo,

Fragmentos Culturais said...

Muito orbrigada 'Avelaneira' pela tua passagem amiga :)

"Water"... fui pesquisar e fiquei informada. Trata-se do último filme de uma trilogia de Deepa Mehta. Esteve presente no 'Toronto Festival 2005'. Trata-se de uma co-produção de Canadá/Índia.
Foi bastante aclamado em outros festivais.

Sim, é terrível! Conhecia essa tradição que recaia e recai (?!) sobre as meninas/mulheres na Índia :(

Li algumas críticas e são unânimes! Não vi! Nem sei se passou pelo circuito comercial, mas vou tentar encontrar! Fiquei muito curiosa...

Para ti uma excelente semana!
Beijo,

Soube que a actriz principal enfrenta uma dura batalha contra uma doença temível :((

Fragmentos Culturais said...

... é um prazer saber que tens aqui encontrado 'sugestões' para possíveis leituras, 'Lilá(s)'

Não é minha intenção sugerir, mas partilhar os 'afectos' que me unem aos livros! De qualquer modo, acabam sempre por abrir caminhos para outros leitores!

Fiquei a pensar que livro? E depois lembrei... talvez 'O Leitor'?
Sim, é sem dúvida um livro interessante! Remete para uma época da História recente, mas sobretudo aponta para o factor iliteracia que atinge milhões de pessoas em pleno séc. XXI, sobretudo as mulheres :((

Beijo,

Fragmentos Culturais said...

... às vezes nem temos palavras, Su :(

É assustador, mas o livro está escrito de uma forma muito poética! Talvez para 'redimir' tanta crueldade a que o autor assistiu.
Apesar de tudo, penso que vais gostar...

É muito bom reencontrar-te... pelo menos aqui :)

Estou certa que depois deste fim-de-semana fantástico, terás mais ânimo para enfrentar uma nova semana!

Beijinho,

Fragmentos Culturais said...

... infelizmente, tenho que te dar razão, Daniel!

Mas o Homem não foi feito para o sofrimento, a dor, segundo a filosofia 'zen'! Só que chegar a esse estádio leva uma vida... e alguns não o alcançam nunca :(

Apesar disso, tal como escreveste, 'quem tem um mundo interior 'desenvolvido', mais dificilmente sucumbirá ao vazio! Hélas... há momentos de 'fragilidade'.

Sei a que filme te referes! 'Emma' baseado numa novela de Jane Austen, uma das novelistas inglesas mais aclamadas. É sem dúvida uma escritora de literatura de costumes!

Este ano, fui ao 'British Museum' numa visita muito rápida, (lamentavalmente), e passei, como não podia deixar de ser, por algumas das salas dedicadas à Literatura (Música também)!

A secção dedicada a Jane Austen é de grande relevância! Adorei admirar de tão perto os seus manuscritos, ouvir alguns excertos em audio-livro.

Como já reparaste e bem, pelos 'fragmentos' que vou postando, eu não vivo a cultura pela cultura! Vivo a cultura pelos 'afectos!
É esse sentimento de que falas, também...

Um grande beijinho, amigo Daniel!

... os meus fragmentos 'intimistas' não passam por aqui...