Wednesday, October 7, 2015

Steve Jobs, de novo : filme controverso




Michael Fassebender | Steve Jobs
© 2015 - Universal Pictures

"Musicians play their instruments. I play the orchestra.”

Steve Jobs

Estreia dentro de dias, nos Estados Unidos, um novo filme sobre Steve Jobs, produzido pela Universal Studios.  Com um actor que admiro muito, mas que fisicamente em nada se assemelha a Jobs. Michael Fassbender.

“Obviously I don’t look anything like Steve Jobs,” 


Fassbender



Steve Jobs Apple store

http://www.billboard.com/
Esta biopic, quatro anos depois da morte de Jobs, é baseada numa livro biográfico de Walter Isaacson. Tem como realizador Danny Boyle.

“Who are you? What do you do?” 


Those questions, put to Steve Jobs by his erstwhile partner Steve Wozniak in the middle of a heated argument, are both practical and rhetorical."


New York Times, A.O.Scott



Laurene e Steve Jobs, 2011
credits: Lea Suzuki/ The Chronicle- CORBIS
http://s.newsweek.com/
O filme tem gerado muita controversia, passou por vários projectos, outros realizadores e actores, e tem sido amplamente contestado pela viúva de Steve Jobs, Laurene Jobs que tudo tentou para que o filme não fosse realizado. Laurene Powell Jobs opôs-se à realização da biopic de Danny Boyle sobre o marido.
A razão? Laurene baseia a sua recusa em aceitar esta versão autobiográfica pelo facto de ser baseada num autobiografia (livro) que detesta, dado mostrar o lado mais negativo de Jobs, ao sugerir que este era cruel e desumano.

Steve Jobs | Danny Boyle
credits: Universal Pictures
http://graphics8.nytimes.com/
O filme retraça a carreira do mais criativo na área da tecnologia até hoje. Jobs não era designer, engenheiro ou programador - ele delegava essas funções nos seus colegas - mas elevou ao topo a área da tecnologia. Era brilhante.

Fica a saber-se (o que não é novidade) que antes de ser adulado e respeitado por milhões de pessoas - eu admiro-o muito pelo rasgo criativo - Steve Jobs teve que lutar para defender o seu projecto, as sua ideias, quando ninguém acreditava nele.


"Saberemos em breve se tu és Leonard da Vinci, ou se tu julgas Leonard da Vinci"

Steve Wozniak, co-fundador da Apple, interpretado por Seth Rogen.



Steve Jobs / autobiografia
Walter Isaacson

O realizador baseia-se efectivamente na biografia autorizada, mas não finalizada em tempo de vida de Jobs, da autoria de Walter Isaacson, que insiste mais nos defeitos de Steve Jobs, esquecendo por completo as qualidades.


"Jobs collaborated with Isaacson on the book before his death, but its depiction of the late CEO was considered by many to be less-than-kind. People who were close to Jobs have leveled the same criticism against this film that they lobbed at Isaacson’s biography, claiming that these portraits of Jobs paint him in a cruel light."

A equipa do filme tentou que Laurene fizesse parte do projecto, convidando-a a visionar o filme antes de estreia.
Mas a viúva recusou sempre, desde o início. E fez saber que detestava o livro autobiográfico, e que qualquer filme baseado nesse livro não pode ser justo nem verdadeiro.






Apesar de todos os seus esforços, Laurene Jobs não conseguiu impedir a estreia da biopic Steve Jobs, com Michael Fassbender e Kate Winslet, dois excelentes actores nos principais papéis.
Michael Fassbender incarna Steve Jobs em diferentes momentos da vida do ex-CEO da Applee dizem, estar irreconhecível no papel da Jobs.

"Toda uma geração vai vê-lo sob um outro aspecto, se for ver o filme que o retata de uma forma muito negativa"

Bill Campbell, membro da Apple e amigo de Steve Jobs

“Obviously when he was alive, but since he passed away, you could see that he was still very much present in their lives. Even if the relationships were difficult, there was a sadness and a love there for him that I felt was pretty clear.”

Fassbender

O argumento de Aaron Sorkin - o mesmo que escreveu o argumento The Social Network baseia-se em três momentos cruciais da carreira de Jobs

"'Steve Jobs,' a less perfect movie, is nonetheless a more credible character study, and it leaves behind a fascinating residue of ambivalence."
Steve Jobs, o filme, esteve presente no Festival de Cinema de Nova Iorque, em Julho passado e no Telluride Film Festival no início de Setembro. Lê-se que o filme e Fassbender foram criticados pela negativa.

Questiono sempre a moral e a ética destas publicações. Já o fiz a propósito dos escritos íntimos de Marylin Monroe.


Steve Jobs/movie 2015
Até que ponto é moral divulgar aspectos da vida de uma pessoa que já morreu e que não pode contrapor a sua verdade, à 'verdade' narrada numa autobiografia escrita ou transposta para o cinema?
E se há pessoas da família, como Laurene Jobs, que frontalmente se opôe, por que razão não há meios legais para proteger a sua opção ?
Respeito a privacidade de cada pessoa. E muito mais se já morreu. Suponho que o facto de alguém ser famoso ou ter sido famoso em vida, não permitará ultrapassar a moral e a ética. E muito mais a vontade de seus familiares directos. Fico sempre ensimesmada. 

Irei ver o filme? Não sei, ainda. A admiração por Fassbender e Kate Winselet, excelentes actores, fazem-me vacilar. Não a curiosidade mórbida sobre uma personalidade que todos sabemos  ter sido mais ou menos irrascível na consecução dos seus ideais e sonhos. Mas que quase todos admiramos.

Digam o que disseram, Jobs é uma das maiores referências do século XX-XXI, numa área, a da tecnologia, 
que marca definitivamente a evolução do tempo actual. E sem dúvida, Jobs foi um dos seus mais criativos pioneiros. 

"He's heroic and despicable. he inspires loyalty and resentment, often from the same people. A cold rationalist who is certain he knows what the public wants, Jobs remains a mystery to those who know him best, and brilliant, steely-eyed enigma at the center of the new movie that bears his name."

New York Times, A.O.Scott
G-S

Fragmentos Culturais


07.10.2015
Copyright © 2015-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®


14 comments:

heretico said...


grato pela presença amiga.

um privilégio

beijo

Suzete Brainer said...

Olá G.Souto,

Para mim é um presente conhecer este teu espaço de arte.
Passei um tempo lendo e apreciando várias postagens tuas,
refletidas de excelente texto, cultura e sensibilidade
que nos possibilita percorrer por várias expressões
de artes belíssimas...
Concordo sobre a questão ética da privacidade,
quase sempre é uma exposição tendenciosa,gerando uma percepção
errônea incompleta.

Grata pela tua gentil visita e comentário no meu espaço (blog).
Voltarei outras vezes para este teu precioso espaço...
Abraço de paz.

aflores said...

Todos nós temos defeitos e virtudes. Os famosos, estão mais expostos à 'exploração' desses pontos.
Partilho da tua opinião expressa no teu post.
Tudo de bom.

:)

G- Souto said...

... não fales assim, Herético! Deixas-me sem jeito.
E depois sabes que sempre que volto a 'fragmentos, vou ler-te...

Beijo,

G- Souto said...

Olá Suzete,

Muito sensiblizada pelas palavras. E pelo tempo que passou aqui, lendo alguns 'fragmentos culturais'. Sim, é um espaço diversificado em que as Artes se cruzam. Sou 'amadora' profunda de tudo o que concerne a cultura, na multiplicidade das suas expressões.

Choca-me profundamente a publicação de escritos íntimos de pessoas que já nos deixaram. E, se não os escritos, os feitos, bons ou maus, não interessam. Já cá não estão. Devem ter paz.
E não podem dizer 'não permito'. Mesmo os familiares se vêm coartados.

Muito pouco ético este voyeurismo que os media têm desenvolvido em todas as áreas. São sempre impressões pessoais. Ser humano é bem mais profundo.

Ao visitar amigos, acabamos sempre descobrindo outros espaços com que nos identificamos. Foi o caso. Ao visitar meu bom amigo 'Herético', li teu comentário e decidi conhecer. Gostei e vou voltar.

Espero também encontrar-te em 'fragmentos' outra vez.

Abraço.

G- Souto said...

'aflores'! Que alegria boa ter notícias tuas ! Como tens passado?

Sem dúvida que sim. Mas que adianta estar a expor os defeitos e as virtudes de quem já partiu e não está aqui para contrapor?

É essa exploração que condeno :-( Quase imoral.

Tudo de bom para ti! Fico a aguardar outras visitas.
:-)

Daniel C.da Silva (Lobinho) said...

Verdade! Steve Jobs vale pelo seu rasgo criativo, aliás, pela sua genialidade, muito embora o factor humano possa surpreender como em particular revela o livro e também transparece no filme... Porém, não igualaria a Marilyn Monroe! Se tivesse de qualificar os temperamentos e maus feitios de ambos (por natureza, diferentes, obviamente), encontraria mais matéria negra em Steve Jobs, ou menos desculpas, para dizer de outra forma, sendo, porém, que, quer num caso quer noutro, importa a obra e não, talvez, a pessoa em si...

Um beijo "saudoso"

G- Souto said...

Olá Daniel,

Tal como já exprimi algumas vezes, neste espaço, tenho uma imensa admiração pela capacidade inovadora, criativa de Steve Jobs.

Não cheguei a ver este filme, com tristeza. Michael Fassbinder é um dos meus actores de eleição. Raramento, muito raramente, perco um filme em que ele faça parte do elenco. Mas desta vez, o filme permaneceu muito pouco tempo em exibição, e perdi mesmo :-(

É sabido que Steve Jobs tinha uma personalidade difícil, embora a mulher o defenda imenso. Gosto desta sua atitude, constrastante com a da mulher de Robin Williams que passa a vida a' deitar abaixo o marido.

Suponho que fizeste confusão com o que eu quis dizer... eu não comparei, de modo algum, as personalidades de Jobs e Marylin.

Condenei sim o facto de pessoas se apropriarem da vida deles, depois da sua morte, escrevendo a seu bel-prazer o que lhes apeteceu divulgar, sobretudo para ganhar dinheiro com isso.

Se não foi expressa em vida, a vontade de não ver publicadas obras suas (caso de escritos íntimos de Marylin Monroe) ou aspectos menos agradáveis de personalidade (caso de Steve Jobs), mas existe um representante legal que inibe esse tipo de acções, deveria ser tido em conta, perante a lei.

Aliás, a posição da mulher de Jobs acabou por levar ao fracasso este último filme, mesmo com a interpretação de Michael Fassbinder que é um excelente actor.

Os norte-americanos e o mundo, ao fim e ao cabo, adoram Jobs.

Também eu tinha saudades tuas ! Há tanto tempo não passavas por 'fragmentos'...


Um beijo amigo

G- Souto said...

Errata: O apelido do actor é Fassbender e não Fassbinder. Fassbinder era um realizador. Fez filmes de referência como As Lágrimas Amargas de Petra von Kant ou o Casamento de Maria Braun, entre outros. Morreu prematuramente, mas marcou pela qualidade a cinematografia do séc. XX.

G- Souto said...

Daniel,

Tentei aceder a um dos teus blogues. Mais de uma vez... Deu sempre erro. Voltarei um outro dia.

Adorei ler-te de novo em 'fragmentos'

Beijo amigo

Daniel C.da Silva (Lobinho) said...

Minha boa amiga

Penso que teve alguma dificuldade temporária em acweder ao meu humilde espaço, mas já vi que felizmente o ultrapassou, e embora desde já agradeça (muito) as palavras de carinho e amizade que, obviamente retribuo, aproveito para lhe desejar, com muita sinceridade, um Feliz Ano Novo na concepção que lhe caiba ter dele.

Um beijinho sempre grato e amigo :)

Daniel (Lobinho)

A Pequena Boneca de Trapos said...

Estas coisas são sempre assim, é sempre mais fácil falar dos mortos porque dificilmente eles vão expor a sua verdade.


Bjxxx

G- Souto said...

Amigo Daniel,

Foi com tristeza que te li tratando-me cerimoniosamente... já são muitos os anos que nos conhecemos da blogosfera. E muitos os momentos que compartilhámos a mágoa de acontecimentos tristes.

Agradeço sensibilizada os afectuosos votos de Feliz Ano 2016. Não está a começar lá muito bem... mas tenho a esperança de melhores dias.

Feliz noite de Reis !

Um beijo amigo,
(para reencontrar teu espaço, o trabalho que uma boa amizade ultrapassa com leveza :-)

G- Souto said...

Pois é mesmo isso que condeno 'boneca de trapos'.
Que se fale, que se escreva, e/ou critique, em tempo que as pessoas possam exprimir sua verdade.

Obrigada pela visita a 'fragmentos'. E pelo comentário deixado. É sempre agradável manter o diálogo na blogosfera, se não torna-se coisa sem vida.

Boa noite de Reis!

Beijos
:-)