Monday, August 18, 2014

Ir a banhos




The Art of Travel
foto: Norman Parkinson, 1949
http://fancy.com/

Praia. Tempo de sol, de ir a banhos. Tempo de leituras frescas, bem soltas.

Mas agonia das agonias. O verão não tem sido verão. Manhâs enevoadas, cinzentonas, pingos de chuva. Frio, muito frio perto do mar. Ir a banhos, impossível. A areia não aquece, a água gelada. 

O vento sopra com tirania. Indiferente ao nosso desejo imenso de nos banharmos neste oceano Atlântico que continua a mostrar-se arrogante, distante. 

Em curta semana de férias na costa portuguesa, este foi o cenário possível. E voltei tão entristecida! Partira cheia de céu azul, uns bons dias de sol e praia.

Voltei desanimada. Foi como folhas em dias de Outono. As folhas verdes caiam soltas pelas ruas que levavam ao mar.

Eis se não quando, já descrente de tudo, o verão irrompeu triunfante, ontem, início da segunda quinzena de Agosto. Espante-se o contentamento. Foi como se de repente as folhas voltassem a seus ramos.

A medo, voltei à praia. É que há dois dias estivera lá. Ventania sibilante. Estoicamente deixei-me ficar uma hora, sedenta de maresia - sim o odor do sargaço sentia-se na aragem selvagem que me fazia sentir arrepios  de frio.

E afoitei-me. Na cidade fazia um calor imenso. E lá fui em busca de mar. 

Finalmente, fui a banhos. O mar estava doce, algas baloiçavam ao ritmo da brisa leve. Era o sol aceso colado à minha pele, a água continuva gelada, mas retemperadora. Energia fresca.

Ir a banhos. É doutros vagares, doutros tempos, sol de Agosto a prumo. É o livro que se lê, sentindo o sol acolhedor, é o respirar por inteiro, equilibrando nossa paisagem interior. É o sol que se demora nos nossos ombros. Um olhar que abrange o universo, imenso.

Foi com lentidão, já bem ao final de tarde, que me desprendi. Com dificuldade. 

Esperando poder voltar até Agosto findar.

O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.

(excerto)

Eugénio de Andrade, Os Sulcos da Sede
Edições Quasi, 5ª edição


G-S

Fragmentos Soltos

18.08.2014
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Tuesday, August 12, 2014

Oh captain, my captain : Robin Williams




Robin Williams 1951-2014
foto: Ken Hively/Los Angeles Times/ContourPhotos.com

"You - you alone will have the stars as no one else hasthem... In one of the stars I shall be living. In one of them I shall be laughing. And so it will be as if all the stars were laughing, when you look at the sky at night... You - only you - will have stars that can laugh."

Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince 
excerto (versão inglesa)





Good morning Vietnam, 1987



Dead Poets Society, 1989




LA Doctors, 1998



Good Will Hunting, 1997


Tributo possível ao ser humano por inteiro e ao actor de notável talento que permanecerá inesquecível nos nossos afectos.

(...)
My Captain does not answer, his lips are pale and still; 
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will; 
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed 
and done; 
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won; 20
Exult, O shores, and ring, O bells! 
But I, with mournful tread, 
Walk the deck my Captain lies, 
Fallen cold and dead.

Walt Whitman, excerto 
O Captain ! My Captain! 
(1819–1892) 
in Leaves of Grass


G-S

12.08.2014
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