Sunday, October 19, 2008

Grieg na Casa da Música




Sala Guilhermina Suggia 
Casa da Música | Portugal

www.casadamusica.com

Sábado, voltei à Casa da Música! Apetecia-me ouvir de novo música naquele espaço em que as sonoridades ganham outra dimensão! No ciclo ligado aos países nórdicos - Focus Nórdico - tocava-se Grieg ! E numa das vertentes que mais aprecio. O concerto para piano e orquestra!

Sob a direcção de Eivind Gullberg Jensen, o Concerto para piano e orquestra em lá menor nº 16 de
Edvard Grieg fez-se ouvir pelo pianista norueguês Hàvard Gimse.



Hàvard Gimse
www.middlebury.edu

"One of the most cultivated, musicianly pianists on the scene."

Classic Today, Pro arte

Deixo o 2º andamento tocado não por Gimse mas por Pawel Mazurkiewicz







"Edvard Grieg... he painted with notes. He painted the people, the scenery, and the moods of Norway."



G-S

Fragmentos de uma noite musical

20.10.2008
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Friday, October 10, 2008

Prémio Nobel Literatura 2008 : Jean-Marie Le Clézio






Jean-Marie Gustave Le Clezio
credits: AFP

"I have the feeling of being a very small item on this planet, and literature enables me to express that".

Le Clézio, Nobel Prize in Literature 2008

O Prémio Nobel da Literatura 2008 foi atribuído no dia dia 09 de Outubro ao escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio um dos mestres da literatura contemporânea francesa, cuja obra é considerada como uma crítica ferrenha à civilização urbana e ao Ocidente materialista.


Em entrevista a uma rádio sueca, Le Clézio disse estar "muito emocionado e muito sensibilizado"


O júri do Nobel justificou a atribuição do prémio ao autor francês nascido em 1940, caracterizando-o como um "escritor da ruptura, aventura poética e êxtase sensual, explorador de uma humanidade mais além e na base da civilização reinante."

A Academia Sueca nota que, partindo dos últimos escritores do existencialismo e do ‘novo romance’, Le Clézio conseguiu "salvar as palavras do estado degenerado da linguagem quotidiana e devolver a força para invocar uma realidade existencial."

sol.sapo.pt






Doutor em letras pela Universidade de Nice, começou a escrever aos sete anos. Antes do Nobel, o seu galardão mais importante foi o Prix Renaudot, o mais importante das letras francesas. Esse prémio foi ganho quando tinha apenas 23 anos com o seu primeiro livro: Le Procès-Verbal.


A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos.

Le Clézio afirma dever muito ao México e ao Panamá "Essa experiência mudou toda minha vida, minhas idéias sobre o mundo da arte, minha maneira de ser com os outros, de andar, de comer, de dormir, de amar e até de sonhar" comentou certa vez, ao evocar essa época de sua vida.





Deserto/ Jean-Marie G. Le Clázio
edições Dom Quixote


A obra Le Clézio ultrapassa os 50 títulos e traduzidos para português estão: O Processo de Adão Pollo, O caçador de tesouros, Deserto (considerado a sua obra-prima), Estrela Errante, Diego e Frida e Índio branco, Raga (neste último, o autor faz uma reflexão crítica da mundialização que ameaça a harmonia de uma civilização preciosa mas frágil).





Raga/ Jean-Marie G. Le Clázio
Sextante Editora


Li do autor, em 2005, esta obra na versão original, Mondo et autres histoires. Deixo aqui um excerto.




Mondo et autres histoires
Jean-Marie Le Clézio
Gallimard Folio
http://www.renaud-bray.com/

"Mondo aimait bien faire ceci: il s'asseyait sur la plage, les bras autour de ses genoux, et il regardait le soleil se lever. À quatre heures, cinquante, le ciel était pur et gris, avec seulement quelques nuages de vapeur au-dessus de la mer. Le soleil n'apparaissait pas tout de suite, mais Mondo sentait son arrivée, de l'autre côté de l'horizon, quand il montait lentement comme une flamme qui s'allume. Il y avait d'abord une auréole pâle qui élargissait sa tache dans l'air, et on sentait au fond de soi cette vibration bizarre qui faisait trembler l'horizon, comme s'il y avait un effort. Alors le disque apparaissait au-dessus de l'eau, jetait un faisceau de lumière droit dans les yeux, et la mer et la terre semblaient de la même couleur. Un instant après venaient les premières couleurs, les premières ombres.

(...)

Quand le soleil était un peu plus haut, Mondo se mettait debout parce qu'il avait froid. Il ôtait ses habits. L'eau de la mer était plus douce et plus tiède que l'air, et Mondo se plongeait jusqu'au cou. Il penchait son visage, il ouvrait ses yeux dans l'eau pour voir le fond. Il entendait le crissement fragile des vagues qui déferlaient, et cela faisait une musique qu'on ne connait pas sur la terre."


Le Clézio, Mondo, Mondo et autres histoires, Gallimard Folio, 1978


G-S

Fragmentos Culturais, 


11.10.2008
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