Monday, November 27, 2006

A Cesariny 1923-2006



Quadro - Beato - Mário Cesariny


[...]
Acredita na imortalidade?
Não sei. Quando lá chegar, eu telefono [risos]...

Mário Cesariny, última entrevista a Vladimiro Nunes*



A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos com certeza


Santos
Mártires
e Heróis


Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.


Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de
recorrer à vala comum.


Mário Cesariny, Todos por um **

G-S


Fragmentos Culturais
27.11.2006
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Referências:

http://sol.sapo.pt

** http://cesariny.blogs.sapo.pt/

Sunday, November 19, 2006

Exposição Anos 80 - Uma Topologia







Untitled [# 89, Flowered Sheets] 1981
Cindy Shermann
"Parte do interesse em revisitar os anos 80 resulta de que muita da arte de hoje reflecte esse legado, embora negando ou ignorando esse passado. Reconsiderar os anos 80 pode servir como ferramenta para destacar e reflectir sobre alguma da arte do presente. (...)

A Fundação de Serralves é um dos espaços culturais mais completos e interessantes da cidade do Porto. É nesses espaços que encontramos excelente momentos de arte contemporânea.

Inaugurada no Museu de Arte Contemporânea a Exposição Anos 80: Uma Topologia estará patente de 11 de Novembro 2006 a 25 de Março de 2007. 

É comissariada por Ulrich Loock e integra cerca de 250 obras de referência de 73 artistas de todo o mundo.



Exposição Anos 80: Uma Topologia
créditos : Serralves

"Neste tipo de abordagens a paradigmas históricos, é necessário identificar as práticas estéticas que constituem o núcleo da exposição Anos 80: Uma Topologia.
(...)
A ênfase dada a estes trabalhos reside na necessidade de reavaliar a obra de arte como lugar de transformações (escultura/linguagem, nome/imagem, padrão/escrita, arquitectura/escultura, pintura/fotografia)."

in http://www.serralves.pt



"Porquê os anos 80? Nessa década o mundo assistiu a mudanças significativas nos campos político, social e cultural. Estas geraram novos desenvolvimentos, de grande alcance, cujos desfechos se têm revelado nos anos que agora vivemos. Os anos 80 são o tempo entre a história recente e o presente.
(...)
A Exposição organiza-se em núcleos geográficos (ex: Düsseldorf, Colónia, Áustria/Países de Leste, Bélgica/Holanda, França, Grã-Bretanha, Península Ibérica, América do Sul, Nova Iorque, Los Angeles, Vancouver, artistas isolados..." (...)

in http://www.serralves.pt



Exposição Anos 80: Uma Topologia
créditos : Serralves
Para todos os que se desloquem ao Porto ou vivam na cidade, será imperdoável não percorrer todas as salas do Museu e admirar a vasta obra representada. 

Trata-se de uma topologia apoiada no olhar do seu comissário Ulrich Loock, director-adjunto do Museu, mas recolhe um infindável número de obras.

Apenas pude reter uma leve abordagem panorâmica, dado que será preciso voltar mais do que uma vez.

Mas o espírito estético e o meu olhar atento sentiram-se de imediato envoltos na perspectiva e na dinâmica desta esplêndida Exposição e das obras e autores nela representados. Lá voltarei!

Para os grandes apreciadores de Fotografia, um verdadeiro relicário de Autores que abriram efectivamente os cânones da arte de fotografar! 


Uma grande área da Exposição é dedicada a este vertente da arte: a fotografia.

Outra área que me apraz registar é integração de um artista nativo-americano Jimmie Durham, uma visão da arte índia norte-americana.

Breves apontamentos sobre Acontecimentos da Década de 80:

No final dos anos 70 alguns acontecimentos devem ser considerados determinantes para o que aconteceu no início da nova década:

A eleição de um Papa polaco – passo decisivo que deixava antever o princípio do fim do domínio comunista nos países do Pacto de Varsóvia.

A revolução islâmica no Irão - manifestando o surgimento de um novo poder desequilibrante da lógica Leste - Ocidente.

O nascimento do primeiro bebé proveta, a 25 de Julho de 1978 – desafio aos procedimentos naturais de gerar vida humana.

No final dos anos 80, a queda do muro de Berlim (1989) foi o evento mais visível...


(texto com supressões)

G-S

Fragmentos Culturais

19.11.2006
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Saturday, November 11, 2006

O Ilusionista - o filme




The Illusionist



"He's a Magic Man."


Karen Durbin (ELLE) *


Sábado chuvoso. Nada melhor do que uma sessão de cinema.


Entre música, livros e cinema, eis as três sombras por onde divago em tempo de lazer.


Apressadamente, passei os olhos pelo sítio web oficial do filme The Illusionist e dois actores - Edward Norton e Paul Giamatti - me convenceram de imediato. Sem hesitação, fui!

Paul Giamatti, intérprete do bem recente The Lady of the Water, Edward Norton em papéis controversos, de grande qualidade e nobreza de interpretação. Um porte esplendoroso!

Uma fábula elegante baseada na obra «Eisenheim The Illusionist» do premiado Pulitzer Stephen Millhauser por onde perpassa a arte, o amor e a intriga política na barroca Viena dos Habsburgs, no virar de 1900.




The Illusionist
Uma alquimia latente desde o primeiro encontro de um ilusionista de origem humilde com uma jovem duquesa. Um e outro vão deixar seus corações irremediavelmente presos num amor proibido.

Afastados durante anos, voltam a cruzar-se mais tarde quando ele volta à cidade, numa trama que ultrapassará toda a previsibilidade dos espectadores pelo tom convincente, majestoso, enigmático que Edward Norton imprime tão naturalmente à personagem.



The Illusionist

O jovem ilusionista de quem se desprende um imenso magnetismo, obtido segundo uma das lendas, ao cruzar-se com um mago durante um passeio campestre, consegue convencer o ambicioso Inspector policial - Paul Giamatti - para quem a magia e o ilusionismo são ao mesmo tempo um forte atractivo e fonte de entretenimento nas horas de ócio.

Um filme cativante, numa adaptação talentosa de Neil Burger, realizador de Entrevista com o Assassino (2002) construída num elo que gira em volta de ingredientes tão fascinantes como romance, intriga política palaciana, mesclada de hipnose, com muitos conceitos freudianos, suspense numa senda de pistas subtilmente encadeadas, e encontros descompassados.



A noção de tempo que este mágico apresenta a partir de uma laranja que depois de extraída a semente, se transforma numa laranjeira em pleno representação é espantosamente filosófica e deixa-nos pensativos sobre o que todos nós fazemos do tempo ou sentimos acerca dele.

O lenço de mão que esvoaça seguro por duas cintilantes borboletas - a simbólica da borboleta tem uma forte incidência amorosa na trama - até à espada do herdeiro, em incursão coloquial sobre Excalibur - ligada às lendas arturianas - tudo isto faz deste filme um incrível momento de magia, beleza, atravessado sempre de mistério e magnetismo que passa da audiência do teatro local, para a sala de cinema, já que filmado subtilmente em luz muito ténue e difusa, até ao momento do desvendar da verdade.

Aí a tela inunda-se de luz num ambiente contrastantemente campestre, chamando à realidade os espectadores, como se despertados fossem de um sono hipnótico onde o encantamento prevaleceu num toque de magos.

De assinalar a banda sonora de Philip Glass, sóbria, minimalista, apoio ao suspense que atravessa todo o filme, bem como a fotografia esplendorosa de Dick Pope num jogo contrastante de claro/escuro.



"Romantic... smart... gorgeous!"

Bob Mondello (NPR)*






G-S

Fragmentos Culturais
11.11.2006
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Referências: Citações http://www.theillusionist.com/