Pina Bausch
Morreu abruptamente a bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch.
E Pina Bausch é para mim, como para todos os verdadeiros admiradores desta arte sublime, a dança, a referência maior e única das últimas décadas!
A coreógrafa nasceu na Alemanha, em Solingen, no ano de 1940. Estudou dança a partir de 1955, em Essen, na Folkwang School, e obteve o diploma em 1958.
Uma bolsa permitiu-lhe estudar em Nova Iorque, onde permaneceu por três anos.
©AP
A coreógrafa nasceu na Alemanha, em Solingen, no ano de 1940. Estudou dança a partir de 1955, em Essen, na Folkwang School, e obteve o diploma em 1958.
Uma bolsa permitiu-lhe estudar em Nova Iorque, onde permaneceu por três anos.
©AP
Helena Pikon e Rainer Behr em "For the Children of Yesterday, Today and Tomorrow"
http://www.nytimes.com
Pina Bausch veio a Portugal variadíssimas vezes. A primeira em 1989 nos "Encontros Acarte" e a penúltima em 2007 com o bailado "For the Children of Yesterday and Tomorrow", apresentado no Teatro Camões em Lisboa. Relembro algumas linhas que redigi em 25.04.2007:
Na entrevista dada ontem, sentada à mesa do foyer do Teatro Camões, Pina Bausch respondeu, discreta nos gestos e nas palavras, a perguntas sobre o seu papel de criadora e coreógrafa:
Talvez eu tivesse trazido a capacidade de fantasiar e interrogar.
Pina Bausch defendeu acima de tudo que a dança deve dar atenção aos sentimentos, desejos e dores de modo a tocar o público e não ser apenas algo de belo e de bom.
Este é um trabalho baseado em excertos das obras Keepers of the Night - Native American Stories, Nocturnal Activiteas for Children de Michael J. Caduto e How the Bath Came to Be de Joseph Bruchac.
Como músicas escolheu, entre outras, peças de Prince, Caetano Veloso, Nina Simone, Goldfrapp, Gerry Mulligan, Lisa Ekdahl, Naná Vasconcelos, Shirley Horn e Gotan Project.
[fontes de informação DN e Sol online]
Na entrevista dada ontem, sentada à mesa do foyer do Teatro Camões, Pina Bausch respondeu, discreta nos gestos e nas palavras, a perguntas sobre o seu papel de criadora e coreógrafa:
Talvez eu tivesse trazido a capacidade de fantasiar e interrogar.
Pina Bausch defendeu acima de tudo que a dança deve dar atenção aos sentimentos, desejos e dores de modo a tocar o público e não ser apenas algo de belo e de bom.
Este é um trabalho baseado em excertos das obras Keepers of the Night - Native American Stories, Nocturnal Activiteas for Children de Michael J. Caduto e How the Bath Came to Be de Joseph Bruchac.
Como músicas escolheu, entre outras, peças de Prince, Caetano Veloso, Nina Simone, Goldfrapp, Gerry Mulligan, Lisa Ekdahl, Naná Vasconcelos, Shirley Horn e Gotan Project.
[fontes de informação DN e Sol online]
Em 2008, o nosso país homenageou-a com o Festival Pina Bausch co-organizado pelo Centro Cultural de Belém e pelo Teatro S. Luís. Um ciclo de conversas, filmes e três peças: a estreia nacional de "Nefés", sobre Istambul, "Masurca Fogo", feita sobre Lisboa em 1998 e apresentada na altura, e o mais lembrado "Café Müller".
A criadora foi agraciada com vários prémios, o último dos quais o Prémio Goethe, na Alemanha. Na cerimónia de entrega, o realizador Wim Wenders dizia que este era um reconhecimento da sua criatividade na dança moderna e por ter inventado "uma nova arte". Segundo Wenders, as coreografias de Bausch mostram "o movimento como meio de comunicação vernáculo do ser humano".
Participou no filme de Fellini O Navio (1982) e depois em Fala com Ela, de Pedro Almodóvar (2001). Quem não lembra?!
Estava a planear fazer um filme com Wim Wenders.
©Lusa
Estava a planear fazer um filme com Wim Wenders.
©Lusa
Há muito que seguia a obra de Bausch. Diferente, original, inovadora, provocadora. Sentida! Vida!
Relembro um texto original que escrevi em 2007:
Dançar! Expressão corporal que diz tudo da alma. Soltar seus passos, lançar seus braços em gestos de mil sentires. Revolta extasiante e libertadora das pulsões não experienciadas.
Todo o ser é ilhéu na sua verdadeira, íntima essência. Todo o ser se encontra solitariamente contido no cabo bojador dos dias e das tormentas. E na dança dos gestos não contidos, ele avança sem véus nem máscaras.
Todo o ser espera com olhos levantados, muito para além do quebrar das fendas de se âmago, pela acalmia em sabores de musical maresia.
Vibrações do tempo em crescendo ou rallentando que se espraiam no horizonte da vida, em movimentos soltos e desanuviadores de um corpo que grita da alma aromas de jardins e sons intensos.
Fragrâncias onde a vida repousa e a morte se abriga. Compassos sincopados, vozes e murmúrios modulados em notas ora dolentes ora arrebatadoras, sentidas, num pianissimo dedilhadas, explodindo depois de um da capo portentoso, dramático, sons de percussão, metais e cordas.
Sintonia de sentimentos polifónicos profundos que tanto reflectem a turbulência das emoções do meu Ser!
[texto original, publicado sob pseudónimo em 04.04.2007]
Relembro um texto original que escrevi em 2007:
Dançar! Expressão corporal que diz tudo da alma. Soltar seus passos, lançar seus braços em gestos de mil sentires. Revolta extasiante e libertadora das pulsões não experienciadas.
Todo o ser é ilhéu na sua verdadeira, íntima essência. Todo o ser se encontra solitariamente contido no cabo bojador dos dias e das tormentas. E na dança dos gestos não contidos, ele avança sem véus nem máscaras.
Todo o ser espera com olhos levantados, muito para além do quebrar das fendas de se âmago, pela acalmia em sabores de musical maresia.
Vibrações do tempo em crescendo ou rallentando que se espraiam no horizonte da vida, em movimentos soltos e desanuviadores de um corpo que grita da alma aromas de jardins e sons intensos.
Fragrâncias onde a vida repousa e a morte se abriga. Compassos sincopados, vozes e murmúrios modulados em notas ora dolentes ora arrebatadoras, sentidas, num pianissimo dedilhadas, explodindo depois de um da capo portentoso, dramático, sons de percussão, metais e cordas.
Sintonia de sentimentos polifónicos profundos que tanto reflectem a turbulência das emoções do meu Ser!
[texto original, publicado sob pseudónimo em 04.04.2007]
Minha alma é uma orchestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como simphonia.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Tomo I, Atica 1982
G.S.
Fragmentos Culturais
06.07.2008
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
* Vale a pena visitar a Fotogaleria do Público aqui









11 comments:
beijo
belíssima homenagem.
Fragmentos,
em miúda tinha o desejo de ser bailarina. Talvez por causa de uma certa caixinha de música...
Depois, a bailarina e o soldadinho de chumbo puseram ponto final no meu "devaneio"!!!
No entanto, ao longo da vida, a dança foi sempre uma das minhas paixões...
e Pina Bausch foi alguém que, desde cedo aprendi a olhar com especial atenção...
Mais do que merecida esta HOMENAGEM!!!!
Um bom fim de semana!!!!
Bjkas!
sempre presente
esta ausência de nós
mera.mente corpórea.
.u.m.a. .b.o.a. .s.e.m.a.n.a.
Desde o início da sua 'companhia' admirei a 'arte' de Pina Bausch!
Uma 'virtuose' em todos os sentidos!
Só comparável [no 'salto' dado na arte de explorar todos os sentimentos na dança] a Nijinsky!
Sensibilizada 'Herético' pelo olhar sempre atento!
Um beijo,
Bem, a minha 'paixão' pela arte de dançar não passou por uma caixinha de música, 'Avelaneira'!
Mas ela manteve-se ao longo da minha existência!
Admiro profundamente a dança contemporânea! Desde miúda... quando vi dançar, pela primeira vez, a 'Sagração da Primavera' de Stravinsky! Em Paris...
Tal como tu, segui de muito perto Bausch, através dos 'Media' [nunca tive o bafejamento de a ver actuar ao vivo]!
Sensibilizada pelo olhar amistoso!
Boa semana!
Um beijo,
Algumas vezes ausente... mas sempre ligada aos que me 'visitam' com amizade, que apesar de virtual, perdura!
Pelo olhar amistoso, sensibilizada Paulo!
Boa semana, para ti também!
A dança é a forma mais sensual de transmitir sensações. A linha da fronteira dedilhada com leveza acarinha o Ser e leva-o para lugares de paisagens deslumbrantes
P.S: Desconheço a obra da Pina Bausch
És uma verdadeira admiradora da obra e da personalidade que Pina Bausch tinha. Fica o seu legado para futuras gerações. Quanto ao teu texto, deixa-me dizer-te que achei esta frase simplesmente fabulosa: "Todo o ser é ilhéu na sua verdadeira, íntima essência".
Bjo.
A dança é a forma de expressão mais perfeita da vida, 'Dark_'
Com ela tudo é permitido ao Ser que cada um de nós é, exprimir a Alma...
Já deixaste de desconhecer a obra de Bausch ao vir até aqui ;)
Sensibilizada!
É verdade que sim, 'Art'! Ainda mal se ouvia falar de Pina Bausch em Portugal!
Sem dúvida que com ela, a dança contemporânea passou a outro estádio!
Inovadores têm essa função quase 'mística'!
Sensibilizada pelo afectuoso apreço pelas minhas 'intimas' palavras sobre a arte de dançar!
Um beijo,
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