O Poema
Coisas do nada, naturaes da vida, insignificancias do usual. Bernardo Soares, Livro do Desassossego I, Atica 1982
O Poema
Les Césars 2021, pretendem ser os Oscars franceses terão lugar virtualmente, no dia 12 Março 2021.
"2020, jamais depuis sa création, le cinéma n'aura été plongé dans une telle obscurité. Pas l'obscurité réconfortante, dépaysante, exaltante, des salles de cinéma. Pas cette obscurité qu'on aime tant, parce qu'elle nous sort de nos vies, de nous-mêmes et nous rassemble, mais l'sobcurité d'une lumière éteinte, d'une porte close, d'un rendez-vous manqué"
Marina Foïs, maîtresse de cérémonie 2021
Assim começa a actriz apresentadora da próxima cerimónia tendo por fundo um tema inesquecível do compositor John Barry, para Out of Africa de Sydney Pollack. O filme que está na memória afectiva cinematográfica de muitos de nós.
Por trás de Marina Foïs desfilam imagens dos filmes nomeados deste ano. Entre os quais figuram em primeiro plano Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait, Eté 85 et Adieu les cons.
Marina Foïs, maîtresse de cérémonie 2021
Sabem quanto amo o cinema. E ao ouvir as palavras da actriz "Pas cette obscurité qu'on aime tant, parce qu'elle nous sort de nos vies, de nous-mêmes et nous rassemble, mais l'obscurité d'une lumière éteinte" a melancolia desceu forte em mim!
A falta dessa obscuridade da sala de cinema, o desfilar das imagens, as bandas sonoras, tudo o que nos faz esquecer o que deixamos cá fora. E nos eleva a um mundo de recordações, doces emoções, soltos sorrisos. Um mundo diferente, real tantas vezes, inspirador.
Até lá, vou seguindo a Académie des César no Instagram, ou Twitter. Esperandohttps://www.academie-cinema.org/ que a RTP2 transmita a cerimónia.
"Face aux difficultés rencontrées par les professionnels du cinéma et de la culture, l’affiche de la 46e Cérémonie des César capture la tendresse avec laquelle nous nous souvenons : de celles et ceux qui nous ont quittés, des moments partagés, de l’amour exacerbé.
Académie des César 2021
G-S
Fragmentos Culturais
19.02.2021
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A carreira de Truffaut começou na década de 50, como crítico do cinema pós-guerra francês na célebre publicação Cahiers de Cinéma onde, mais tarde, foi editor.
Na sequência, começou a realizar, produzir, e escrever os argumentos, tornando-se um dos cineastas mais inovadores de sua geração.
Cyril Neyrat
Um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague e um dos maiores ícones da história do cinema do século XX. A ele se deve a 'teoria de autor'. A visão de que o realizador é o 'autor' da sua obra e que grandes realizadores como Jean Renoir ou Alfred Hitchcock têm diferentes estilos e temáticas que impregnam os seus filmes.
François Truffaut realizou seu primeiro filme em 1954. Uma curta-metragem Une Visite, filmado em preto-e-branco e 16mm. No mesmo ano, produziu o argumento de À Bout de Souffle/ O Acossado, de Jean-Luc Godard, futuro e aclamado filme deste director.
Truffaut dirigiu 21 filmes, várias curtas-metragens, escreveu centenas de artigos sobre cinema publicados em jornais ou revistas, principalmente, como já escrevemos em Cahiers du cinéma e no semanário Arts, prefácios consagrados em livros de personalidades que admirava ou que o apoiaram - Renoir, Bazin, Welles, Rossellini, Ophuls, Nestor Almendros, Sacha Guitry, Tay Garnett, outros, e o famoso livro de conversas, Le Cinéma selon Alfred Hitchcock (1966). Uma carreira de quase 25 anos.
La Nuit Americaine/ Day for Night (1973) mereceu as melhores críticas em vários festivais. Nos BAFTA Awards, 1974, categoria Melhor Realizador e Academy Awards, 1974, categoria Best Foreign Language Film. Foi considerado a sua obra-prima.
Outros filmes notáveis Tirez sur le Pianiste/ Shoot the Piano Player (1960), Jules and Jim (1961), The Soft Skin (1964), The Wild Child (1970), Two English Girls (1971), The Last Metro (1980), and La Femme d'à Côtè/ The Woman Next Door (1981) ou La Chambre Verte onde entrou também como actor (1978).
Temas principais de sua cinematografia: as mulheres, a paixão, e a infância. Além da direcção cinematográfica, ele foi também argumentista, productor e actor por vezes.
Junto com Jean-Luc Godard, Truffaut foi uma das mais influentes figuras do novo cinema francês. Inspirou cineastas como Steven Spielberg, Quentin Tarantino, Brian De Palma e Martin Scorsese.
Les Quatre Cents Coups/ Os Quatrocentos Golpes é um dos marcos do período inicial de sua carreira. Os seus filmes são uma referência na história do cinema francês e internacional. Sem dúvida.
Gostaria de salientar, por ligação a Victor Hugo, L'Histoire d'Adèle H. Um dos filmes com mais nomeações: 11 prémios, uma nomeação em Le Cesar, Melhor Realizador, várias outras nomeações, entre as quais, a nomeação Melhor Actriz nos Oscars 1976. Um drama biográfico que passa pela história verídica de Adèle Hugo, filha do grande escritor francês, Victor Hugo.
Adèle H., narra a história do amor obsessivo e não correspondido que a jovem Adèle Hugo nutriu por um oficial inglês, o tenente Albert Pinson. Um amor que permaneceu até ao final da sua vida, esse amor não correspondido.
"Nous aurions pu être heureux" "A notre mariage ou à ma mort".
Adèle Hugo, diários
Interpretadada por Isabelle Adjani, e no papel de Albert Pinson, o próprio François Truffaut. O filme foi baseado nos Diários de Adèle.
Uma belíssima interpretação de Isabelle Adjani, com 20 anos, muito aplaudida e reconhecida nos festivais de cinema. Nomeada para os Oscars, como Melhor Actriz.
L'Histoire d'Adèle H. ganhou o National Board of Review Award - Best Foreign Language Film, French Syndicate of Cinema Critics Award - Best Film, e Cartagena Film Festival Special Critics Award.