Monday, April 25, 2016

Falemos da Literatura & de outras Artes



William Shakespeare 1564-2016

"No legacy is so rich as honesty." 

William Shakespeare, All's Well That Ends Well

Celebrou a 23 Abril o Dia Internacional do Livro e dos Direitos de AutorE no Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor, que celebrámos há dois dias, incluimo-nos todos um pouco. Na nossa peculiar qualidade de amadores de livros. E humildes artífices da nobre arte da escrita.

Dia Internacional do Livro é um dia sagrado para os amadores de livros? Em parte, apenas, já que todos nós que gostamos de ler, festejamos os livros todos os livros. Como? Lendo.



Prince 1958-2016

Bem, lê-se muito nos media e redes sociais Enough 2016! pois este ano parece estar a ser o mais mortífero para os famosos - músicos, actores, realizadores, escritores.
"We are only four months in, but it's already been a dark, dark 2016. It now seems rare for a week to pass without a significant celebrity death being reported - from David Bowie in the second week of January, to actor Alan Rickman a week later, to comedian Victoria Wood and Prince this week."
BBC, Why so many celebreties have died in 2016

Mas por que não falar de personalidades tão importantes do mundo das Letras, como Umberto Eco ou Harper Lee? Bem, compreendo. BBC é para os ingleses. Os media referem famosos de todas as nacionalidades. 



Harper Lee 1926-2016
To Kill a Mockingbird
Nelle Harper Lee, mais conhecida por Harper Lee, é uma escritora norte-americana, famosa pelo seu livro To Kill a Mockingbird, publicado em 1960, traduzido em português Mataram a Cotovia.





Mataram a Cotovia
Haper Lee
Relógio d'Água

Prémio Pulitzer 1961, é um marco na história da literatura, sendo considerado por muitos críticos, uma das obras mais importantes já publicadas. Deste modo, voltamos aos livros, tema central desta postagem.



Umberto Eco
credits: Getty Images

Eco. Umberto Eco: Morte do mais letrado dos sonhadores? Umberto semiólogo, filósofo, linguista, professor universitário, jornalista e escritor.

23 de Abril de 1616 é uma data ligada a dois dos maiores escritores da literatura europeia. dia da morte de William Shakespeare e Miguel de Cervantes? Não, Cervantes morreu a 22 Abril. 

Mas estas datas não concidem com a realidade. A Inglaterra ainda não seguia o calendário gregoriano e, por isso, o dia em que Shakespeare morreu era o dia 23 de Abril no país, tal como o dia em que Cervantes morreu era o dia 23 de Abril aqui para este lado da Península.



Miguel de Cervantes
“Too much sanity may be madness and the maddest of all, to see life as it is and not as it should be.”
Miguel de Cervantes, b. 29 September 1547

Celebram os dois, em 2016, 400 anos. Assim, o mundo da letras presta tributo com Shakespeare 400 e 400 Cervantes. No ano, são completamente coincidentes. Muitas as actividades no Reino Unido e em Espanha. Mas também por todo o mundo. São dois dos maiores vultos da história da literatura mundial.


Vergílio Ferreira 1916-2016

Ah, mas em Portugal, 2016 é também ano de celebrar dois grandes escritores portugueses: Centenário do nascimento de Vergílo Ferreira (1916-1996) e Centenário da morte de Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) que se inicia oficialmente amanhã, dia 26 Abril, dia da sua morte, na Biblioteca Nacional.



 Mário de Sá-Carneiro 1890-1916

No Porto, o filme Conversa Acabada, de João Botelho, será exibido amanhã, dia 26 Abril, na Biblioteca Municipal Almeida Garrettdia que marca o dia da morte do poeta modernista.

O filme aborda a amizade entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. A sessão de cinema tem entrada livre, pelas 21:30 horas.


Conversa Acabada
João Botelho, 1981

O filme-documentário segue Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro à medida que os dois maiores nomes do modernismo português “reinventam a língua e o modo de dizer”.

"Um rebenta a solidão no fogo dos heterónimos que lhe permitem prolongar a existência; o outro despedaça o corpo e a própria vida na vertigem dispersa de poemas e novelas."

O filme inspira-se nessa amizade e na correspondência que os dois grandes poetas do Modernismo português trocaram entre si, até a
o suicídio de Mário de Sá-Carneiro, em Paris, num quarto de hotel, a 26 de abril de 1916.

A apresentação estará a cargo de João Botelho e do escritor Sousa Dias.

Um pouco mais de sol - eu era brasa, /Um pouco mais de azul - eu era além. /Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... /Se ao menos eu permanecesse àquem... 
(...)

Num impeto difuso de quebranto, /Tudo encetei e nada possuí... /Hoje, de mim, só resta o desencanto /Das coisas que beijei mas não vivi... (...)

Mário de Sá-Carneiro, Quási (excerto)

G-S
Fragmentos Culturais 

25.04.2016
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Saturday, April 16, 2016

Cultura Pop : E se Mona Lisa sorrisse ? Musée du Louvre






«Mona Lisa Smile» de will.i.am ft. Nicole Scherzinger © captura ecrã 

Descobri hoje um vídeo. É óbvio que fiquei fascinada. Pelo inesperado, pelas obras de arte nele contidas. E por que não pela criatividade?

À parte a 'profanação' bem intencionada de grandes obras de arte da pintura, exigiu criatividade ligada à inovação das novas tecnologias.

Remete-me para aquele conceito do Museu de Selfies que partilhei aqui em 2014. E que também considerei muito original, pegando num conceito kitsch - as selfies - tranformando em obras de arte pop.

Gosto deste novo pensamento criativo que remete para uma ideia de Renascimento que une mentes criativas e arte. Mexe com a cultura e torna-a mais acessível a todos.

Will.i.am au Louvre partiu de um convite do próprio Museu ao músico que é um grande admirador de arte.

Então aqui fica «Mona Lisa smile» de will-i-am ft. Nicole Scherzinger:




« Quel que soit le nombre de peintures que je peux voir, il y a quelque chose de magique chez Mona Lisa »

Foi com estas palavras que o cantor will.i.am desvendou há alguns dias, no Musée du Louvre, este seu novo clip «Mona Lisa Smile». 




Will.i.am au Louvre

Poderão encontra no site oficial do Musée du Louvre o projecto Will.i.am au Louvre

"will.i.am met à l’honneur le musée du Louvre dans un clip et un documentaire lancés en exclu sur dailymotion et sur www.louvre.fr.

Un documentaire de 12 minutes « will.i.am au Louvre » retraçant plusieurs thèmes : la créativité au 18e siècle, Marie-Antoinette et les objets scientifiques. Vous y découvrez notamment un parallèle entre les inventions technologiques, la starification, les réseaux sociaux d’hier et d’aujourd’hui. Il est entouré de David Rowan, rédacteur en chef du magazine britannique Wired et Frédéric Dassas, conservateur au département des Objets d’art du musée du Louvre."



The Black Eyed Peas

O cantor/produtor norte-americano que faz parte do grupo Black Eyed Peasfalou  do seu fascínio pelo quadro de Leonard Da Vinci, «La Joconde». Escreveu por isso o texto/tema da canção em que se imagine como companheiro de La Joconde. 

Como viram, wiil.i.am 'infiltra-se' em vários quadros bem célebres de Vermeer, David, ou Delacroix, entre outros, que fazem parte das colecções do Museu du Louvre em Paris. No site do cantor poderão ter acesso a todas as obras de arte em que ele se 'introduziu'. A ver aqui


Repararam que Mona Lisa assume o rosto de Nicole Scherzinger?

Bom, só para compreenderem melhor esta nova cultura Pop, o trabalho conjunto de Will.i.am e o Musée du Louvre demorou três anos a ser concluido e dar um vídeo surprendente.

Fiquei rendida! Tenho grande admiração pelo empenho inovador de uma boa parte de conceituados Museus, a nível mundial, de modo a tornar estes ambientes sagrados de Arte em espaços actuais, incluindo as tecnologias, redes sociais, como meio difusor da cultura para todo o tipo de público, chamando a si as novas gerações. Bravo!

G-S

Fragmentos Culturais

16.04.2016
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Créditos: «Mona Lisa Smile» de will.i.am ft. Nicole Scherzinger: video will.i.am (C) 2016 Interscope Records.


Friday, April 8, 2016

José de Almada-Negreiros faria 123 anos





José de Almada Negreiros. Autoretrato

José de Almada-Negreiros teria feito ontem, dia 7 Abril, 123 anos. José Sobral de Almada-Negreiros nasceu em São Tome e Príncipe em 7 Abril 1893 e morreu em Lisboa a 15 Junho 1970.



Almada Negreiros
créditos: Assírio & Alvim

Almada-Negreiros é uma figura ímpar no panorama cultural português do século XX. Essencialmente autodidacta (não frequentou qualquer escola de ensino artístico), a sua precocidade levou-o a dedicar-se desde muito jovem ao desenho de humor. 


Autoretrato em grupo
Almada Negreiros, 1925

Foi um homem multidiscplinar nas letras e  na arte. Dedicou-se fundamentalmente às artes plásticas, desenho, pintura, mas também à escritaromance, poesia, ensaiodramaturgia. Ocupa um lugar essencial na primeira geração de Modernistas portugueses.




Almada teve aí um papel particularmente activo, com forte contribuição na dinâmica do grupo ligado à Revista Orpheu. A sua acção foi determinante para que a publicação não se restringisse à área das letras. 



Revista Futurista, 1917

Foi, acima de tudo, um percursor da arte moderna nas suas diferentes vertentes. Vanguardista polémico, aguerrido, assumiu um papel preponderante no Futurismo em Portugal.



Fernando Pessoa
Almada-Negreiros, 1954

"Se à introversão de Fernando Pessoa se deve o heroísmo da realização solitária da grande obra que hoje se reconhece, ao ativismo de Almada deve-se a vibração espetacular do «futurismo» português e doutras oportunas intervenções públicas, em que era preciso dar a cara"

Jose Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, 1911-1961



Nome de Guerra, romance
Almada Negreiros, 1925
publicação 1938

Obras marcantes no campo das letras? A Revista Futurista, o romance Nome de Guerra, e a mais polémica de todas, o Manifesto Anti-Dantas.



Manifesto Anti-Dantas 
e por extenso
Almada-Negreiros, 1915

Publicado o segundo número da Revista Orpheu, marco inicial do Modernismo em Portugal. Nele participaram nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Santa-Rita Pintor e Armando Côrtes-Rodrigues. 

A ousadia  e o arrojo da produção literária e pictórica causou escândalo na burguesia conservadora lisboeta.

Um dos seus maiores opositores foi o escritor Júlio Dantas que criticou ferozmente os vanguardistas. A resposta de Almada-Negreiros foi esta, através do manifesto:

"Basta Pum Basta! Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi! É um coio d'indigentes d'indignos e de cegos. É uma rêsma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero. Abaixo a Geração! Morra o Dantas, Morra! Pim!"

O texto diz da ousadia deste autor poeta, pintor, caricaturista e prosador, contemporâneo de Fernando Pessoa.


K4, O quadrado Azul, novela
Almada-Negreiros, 1917

Refira-se ainda K4, O Quadrado Azul, de resposta à apreensão da Revista Futurista por conter 'Saltimbancos' considerada obscena, à época.

Não se busque em Almada como em Álvaro de Campos, […] qualquer lógica profunda ou vontade de ser coerente na invetiva. É a poética da invetiva que de si mesmo se alimenta, mesmo quando traduz com génio um gesto ou uma atitude com raízes na realidade. É aí que o efeito provocador manifesta a sua força e ao mesmo tempo nos dá a festa modernista por excelência, essa mistura então nova e sempre surpreendente do paradoxo arbitrário, já tão próximo da futura poética surrealista do «non-sens»".

Eduardo Lourenço, Almada ou do Modernismo como provocação, 1994

Aconselho vivamente o documentário biográfico dedicado à figura de José de Almada-Negreiros, artista autodidacta e multidisciplinar, e à sua obra, nas artes plásticas e na literatura Almada & Tudo (RTP Arquivo, 2000).

Não vou alongar-me com informações que estão ao alcance de todos. Quero apenas prestar tributo a um dos maiores inovadores no campo das artes e das letras no Portugal do século XX, na passagem do 123º aniversário.

José de Almada-Negreiros a quem o Museu de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, dedicou uma exposição Almada no Chiado, 120 Anos do Nascimento do Artista, em 2013.


A Sesta, 1939 (carvão sobre papel)
José de Almada Negreiros , 1893-1970
 MNAC-Museu do Chiado, inv.986

A Sésta

Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d'ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella não dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o sôno, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silencios por entre o amarelo dos gyrassois. E porque Elle se vem chegando perto, Ella mente ainda mais o sôno a mal-resonar. 

Junto d'Ella, não teve mão em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o pé pequenino. Depois os joelhos redondos e lizos, e já se debruçava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ella acordou cançada de tanto sôno fingir. (...)

Almada Negreiros, A sésta, 
in Frisos - Revista Orpheu nº1

G-S

08.04-2016
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Referências: Wikipedia